Ler Controle – Capítulo 76 – Side 1. Noah e Jaryeong (6) Online

Modo Claro

 

— Ha…

Ao chegar ao bar estilo pocha, Yohan soltou uma risada sem graça. Jaryeong realmente estava ali, mas parecia ter bebido tanto sozinho que, ao ver Yohan, apenas sorriu abobalhado e disse:

— Ah! É o Yohan sunbae!

Sua língua já estava completamente enrolada.

— Você bebeu tudo isso sozinho?

Noah ficou chocado ao ver as garrafas vazias espalhadas pela mesa e rapidamente checou o estado de Jaryeong. O rosto dele não estava vermelho, mas sim pálido.

— Ele não vai acabar desmaiando de intoxicação alcoólica? Ouvi dizer que ficar pálido é mais perigoso do que ficar vermelho.

Ao ouvir isso, Noah ficou ainda mais preocupado. E, mesmo assim, Jaryeong ainda tentou encher o copo para beber mais.

— Já chega. Você vai acabar morrendo desse jeito.

Ele rapidamente tirou o copo da mão de Jaryeong e o colocou longe.

— Eu.. tô beeeem…

Mesmo com a fala arrastada e a língua enrolada, ele insistia que estava bem. Yohan estalou a língua com impaciência e virou as costas.

— Onde você vai?

— Você acha que vou ficar aqui vendo essa cena? Nem adianta tentar conversar com ele agora. Vou embora, você pode ficar com ele.

Yohan sempre teve um lado frio com os outros, e realmente foi embora sem nem olhar para trás. E provavelmente falou a sério sobre abandonar Noah ali. Como ele planejava voltar sem carro? Noah pensou se deveria ir atrás e oferecer uma carona, mas ao olhar para Jaryeong, não teve coragem de deixá-lo.

Suspirando fundo, segurou o braço de Jaryeong e o ajudou a levantar. Ele parecia querer dizer alguma coisa, por isso Noah tinha pedido que esperasse, mas vendo-o agora, parecia que Yohan estava certo – não dava para ter uma conversa nesse estado.

— Vamos para casa.

— Nããão quero… — Jaryeong tentou empurrar a mão de Noah, mas não tinha força, então foi um gesto meio inútil. — Não seja bom comigo…

Murmurou algo incompreensível.

— Tá bom. Tá bom, mas primeiro levanta.

Noah tentou convencê-lo com calma e o ajudou a ficar de pé, mas ele mal conseguia andar sem cambalear. Suspirou outra vez. Se soltasse seu braço, parecia que ele cairia de novo.

Depois de pensar um pouco, simplesmente o ergueu e o jogou nas costas. Jaryeong se debateu, pedindo para descer, mas estava tão mole que não conseguia reagir direito. Felizmente, Yohan já tinha pago a conta. Noah soltou um sorriso sem graça, imaginando que ainda ouviria um sermão por causa disso depois.

Levou Jaryeong até o carro e o colocou no banco do passageiro. Quando voltou para o banco do motorista, parecia que ele finalmente tinha se acalmado, mas então escutou um fungar ao lado. Noah se virou, assustado.

— Ei, por que você está…?

Lágrimas escorriam pelas bochechas de Jaryeong. Era a segunda vez que via ele chorar tão de perto. Assim como da primeira vez, ficou sem reação. ‘Será que está chorando porque não deixei ele beber?’ Sem saber o que dizer, apenas olhou, enquanto Jaryeong esfregava os olhos com as costas da mão.

— Sunbae… hic… agora… não vem mais…

Ele parecia estar tentando parar de chorar, mas ainda soluçava, então a fala saiu toda cortada.

— Não quero mais ver o sunbae…

Depois disso, ele abaixou completamente a cabeça. ‘O que foi que eu fiz pra ele dizer que não quer mais me ver?’ Uma parte de Noah se sentia injustiçada, outra achava que era só coisa de bêbado e devia ignorar.

— Está bem. Vamos para sua casa, quando estiver sóbrio, a gente conversa.

Já sentia que algo estranho estava acontecendo desde antes, mas nunca imaginou que ouviria ele dizer aquilo. Honestamente, Noah se sentiu um pouco traído. ‘Até ele vai me abandonar?’ Um vazio tomou conta do seu peito.

— Não tem o que conversar. Hic … Não quero mais ver o sunbae…!

Quando Noah segurou o rosto de Jaryeong e o virou em sua direção, os olhos dele se arregalaram. Noah só queria confirmar que expressão acompanhava aquelas palavras, mas, no instante em que seus olhares se encontraram, lágrimas brotaram nos olhos de Jaryeong.

‘Droga, sério? O que eu fiz pra ele ficar assim?’

— Você detesta tanto me encontrar assim?

Será que tinha sido tão sufocante e desconfortável para ele? Será que Noah havia aparecido tantas vezes, sem perceber o incômodo que causava? Perguntou com receio, mas Jaryeong apenas deixou as lágrimas caírem, uma a uma.

— Se era algo que você não queria, podia ter me dito logo…

— N-não é isso…

Jaryeong balançou a cabeça. Noah entendia cada vez menos. Se não era isso, então por que ele estava daquele jeito?

— Para você, sunbae… pode ser que seja só por solidão… hic… mas eu… fico me iludindo…

O final da frase se perdeu nos soluços, e Noah mal conseguiu entender o que ele dizia.

— Iludindo com o quê?

Suspirando, ele perguntou. Jaryeong, com os olhos cheios de lágrimas, esboçou um sorriso que parecia prestes a desabar a qualquer momento. Em seguida, estendeu os braços, passou-os ao redor do pescoço de Noah e o puxou para perto. Sem tempo para reagir, Noah sentiu os lábios quentes tocarem os seus – e, no segundo seguinte, se afastarem. Na respiração entrecortada, o cheiro de álcool se misturava com uma fragrância doce. Noah estremeceu ao sentir o aroma e franziu a testa, Jaryeong então o empurrou com delicadeza.

— Isso é… isso é ruim… Não é?

Ah. Um instante depois, Noah se deu conta de que Jaryeong havia o beijado. ‘Ruim…?’ Mas o problema não era ter sido beijado – era o doce aroma que emanava do corpo de Jaryeong. Aquilo não era apenas álcool, era claramente um feromônio de ômega.

Rapidamente, Noah abriu a janela e levou a mão até a boca, tentando conter o cheiro. Mesmo assim, a fragrância que já começava a se espalhar não dava sinais de desaparecer tão cedo.

‘Woo Jaryeong… você não era um beta? Por que, de repente… Não. Isso não é o mais importante agora. Se eu não fizer alguma coisa logo, esse cheiro vai fazer minha razão desaparecer.’

— Você precisa sair de perto de mim…

Ele começou a dizer que era melhor Jaryeong sair do carro, mas rangeu os dentes e engoliu o resto da frase. Se Jaryeong estava mesmo liberando feromônios ômega, deixá-lo do lado de fora seria perigoso. Não dava para saber quando ele cruzaria com algum alfa. Mas ficar com ele ali dentro também não era seguro.

‘Será que eu ainda tenho algum supressor no carro…?’

Quando andava com Yohan, Noah sempre carregava remédios de emergência. Mas desde que Yohan começou a morar com Siheon, todos os supressores para ômega tinham sido transferidos para o carro dele.

‘Merda…’

Sua respiração começou a falhar e a cabeça latejava.

— Não saia daí, entendeu?

Noah acabou fechando todas as janelas e saindo do carro. Do lado de fora, o ar frio do inverno diluiu, ainda que minimamente, o perfume adocicado. Encostado no capô do carro ele respirou fundo por um bom tempo, tentando controlar o calor que borbulhava por dentro. Só então voltou a olhar para dentro do veículo.

‘Ah, porra…’

Jaryeong estava todo encolhido, tremendo, claramente em sofrimento. Aquilo só podia ser um ciclo de cio.

‘O que está acontecendo aqui, afinal…? Eu quero ajudar…’

Estendeu a mão até a maçaneta da porta, mas parou no meio do movimento. Se abrisse aquela porta, a pessoa mais perigosa para Jaryeong no momento… seria ele mesmo.

Esfregou a cabeça frustrado e pegou o telefone. Não era hora de pensar muito.

— Yohan, onde você está? Se não tiver ido longe, volta aqui. Eu preciso de ajuda.

[Se for pra limpar a bagunça do Woo Jaryeong bêbado, vou recusar. Deixa ele aí ou resolva você mesmo. Não vai me dizer que não consegue lidar com um cara desse tamanho sozinho?]

A resposta fria veio como esperado.

— É que… não é uma situação que eu consiga resolver sozinho.

[O que você está querendo dizer com isso?]

— É o Jaryeong…

Ao tentar falar algo do qual não tinha certeza, Noah soltou um suspiro. Nem ele conseguia entender essa situação. Woo Jaryeong era, com certeza, um beta. Quando ele e Siheon estavam brigando e exalando feromônios alfa, Yohan, que era ômega, nem se atreveu a se aproximar por medo de ser afetado. Mas Jaryeong foi até o terraço tentar separá-los. Naquele momento, ele não havia demonstrado ser influenciado de forma alguma pelos feromônios dele ou de Siheon.

— Acho que ele entrou em um ciclo de cio.

[…]

Do outro lado da linha, o silêncio foi longo. Mesmo sem ver, Noah podia imaginar perfeitamente a expressão de Yohan, provavelmente estava franzindo a testa, como se perguntasse que tipo de absurdo ele estava dizendo.

— Parece impossível, mas é sério. Eu o deixei no carro, mas não consigo dirigir. Se continuar aqui com ele, acho que vou acabar atacando ele.

[… Haa.]

Depois de um bom tempo, veio um longo suspiro.

[Não se mexe, fique exatamente onde está. Eu vou voltar agora.]

Yohan desligou logo após dizer o que precisava. Com certeza, depois ele viria cheio de reclamações.

De onde estava, na frente do capô, Noah conseguiu ver Jaryeong arfando, segurando o peito como se sentisse dor. ‘E justo agora ele ainda está bêbado… deve estar piorando tudo.’ Ainda assim, era um alívio saber que Yohan estava voltando.

 

***

 

Jaryeong recobrou a consciência, mas seu corpo ainda pesava. Quando tentou forçar as pálpebras a se abrirem, foi atingido por uma pontada de dor na cabeça. Respirou fundo algumas vezes e, só então, conseguiu abrir os olhos com dificuldade.

— Já acordou?

Assustado com a voz familiar, ele virou a cabeça e, num sobressalto, se sentou bruscamente. Yohan o encarava com um olhar frio.

— A febre passou. E o estômago está doendo?

— A-acho que está tudo bem…

— “Acha que”? Ou está mesmo?

— T-tá tudo bem!

— É mesmo?

O tom de Yohan continuava gelado. Desde o fim do estágio na RF Digital, os dois haviam se afastado um pouco, mas ultimamente as coisas pareciam estar voltando ao normal. No entanto, hoje, ele parecia ainda mais frio que antes.

— Você também escondeu que era ômega? Nos seus dados pessoais, está registrado como beta. Não me diga que você falsificou isso também?

Jaryeong apenas piscou diante da acusação. Falsificar o próprio gênero? Ele até entendia que Yohan desconfiasse de alguma manipulação, já que ele sabia de suas habilidades com hacking. Mas por que  justo isso?

— Eu sou beta mesmo…

Respondeu num tom encolhido, a voz quase sumindo. Yohan soltou uma risada sem humor, como se aquilo fosse o cúmulo do absurdo.

— E como explica o que aconteceu ontem?

— Ontem…?

Infelizmente, ele não lembrava de muita coisa. Recordava de ter tomado uma, duas garrafas enquanto esperava por Noah, mas a partir de certo ponto tudo ficou nebuloso.

— Ah… agora que você falou… que lugar é esse?

Só então se deu conta de que estava deitado em um quarto desconhecido. Olhou em volta e perguntou, confuso. Yohan passou a mão irritado pelos cabelos, empurrando os fios para trás.

— O quarto do Noah.

— O quê?

‘Quarto do Noah?’

Como tinha ido parar ali? Ao tentar se levantar de supetão, percebeu que nem estava com suas próprias roupas. Estava apenas de cueca.

— Ugh…

Um gemido escapou involuntariamente, e seu rosto se tingiu de vermelho. Não se lembrar de nada só aumentava o constrangimento.

— Se não estiver mentindo, então é melhor ir ao hospital. Agora.

Yohan jogou algo em cima da cama. Jaryeong olhou para baixo e viu que era um supressor para ciclo de cio, específico para ômegas.

— Por que você está me dando isso…?

— Você não me ouviu? Ontem você entrou em um ciclo de cio. E por causa disso, eu fui chamado e tive que cuidar da situação.

— Ciclo de… o quê?

Os olhos de Jaryeong se arregalaram, como se fossem cair a qualquer momento com um simples toque.

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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