Ler Controle – Capítulo 75 – Side 1. Noah & Jaryeong (5) Online

Modo Claro

 

Depois do Natal, Noah começou a aparecer com frequência na casa de Jaryeong. Sem avisar, ele chegava a qualquer hora e, quando Jaryeong voltava do trabalho de meio período, já encontrava Noah jantando com seu irmão mais novo e esperando ele. Aos poucos, os objetos que Noah levava para lá foram aumentando, um, dois…

— Hyung, isso aqui foi o Noah hyung que deu para eu usar. Posso ficar?

Era um console de videogame portátil, muito popular entre os estudantes do ensino fundamental. Um aparelho específico para jogos que permitia chat por voz e partidas online sem precisar ligar o PC.

— Esse negócio não é bem caro? Dar uma coisa dessas pra uma criança…

Para Noah, podia não ser nada demais, mas para Jaryeong era um presente caro.

— Não se preocupe. Nem sei quanto custou. A RF Digital me enviou esse modelo novo para testar, mas eu não gosto muito de jogos. Com o Yohan, talvez fosse diferente.

— Por que não deu pro Yohan sunbae, então?

— Será que ele tem tempo pra jogar?

Noah fez uma expressão amarga, como se tivesse engolido as palavras *“ele está muito ocupado flertando com Cha Siheon”*.

Jaryeong começou a entender o motivo pelo qual Noah vivia aparecendo na sua casa. Era porque o Yohan não estava mais na casa dele. Porque ele se sentia sozinho. E vinha até a casa de Jaryeong para tentar espantar essa solidão. Como se, depois de perder alguém a quem dedicou tanto afeto, precisasse de um novo  alguém para substituí-lo, Noah tratava o irmão de Jaryeong com extrema gentileza. Por isso, o garoto acabou se apegando mais a ele do que ao próprio irmão.

— Mesmo assim, preferia que não desse esse tipo de coisa a ele. Vai estragar o garoto.

Eles não viviam numa realidade onde tudo estava sempre ao alcance, como era o caso de Noah. Tinha coisas que precisavam ser deixadas de lado, desejos que era preciso engolir. Para Jaryeong, que era adulto, isso já estava internalizado, mas seu irmão ainda estava numa fase sensível. Tinha medo de que a generosidade de Noah acabasse criando um mau hábito no irmão.

— Você não precisa ser tão rígido. Não é nada demais.

Para Noah, era só um gesto de gentileza feito no impulso. Mas ele não percebia que, para quem recebia, aquilo podia parecer grandioso. Ele não entendia que um gesto sem intenção podia acender ilusões no outro…

— Vamos sair um pouco. Quero conversar.

Jaryeong puxou Noah para fora. Quando sugeriu que fossem beber algo, Noah fez uma expressão surpresa e perguntou se podia escolher o lugar. Jaryeong deixou por conta dele e Noah o levou de carro.

A distância era de apenas uns cinco minutos, então não foram longe. O lugar era um bar estilo pocha, com um ambiente animado. Noah pediu soju e alguns petiscos, depois olhou para Jaryeong e perguntou o que ele queria dizer. Mas agora que tinha a chance, o garoto travou.

‘Por que você vem tanto na minha casa ultimamente? Mesmo que esteja se sentindo sozinho porque o Yohan sunbae não está com você, tem tanta gente ao seu redor. Com um telefonema seu, vários correriam para te ver. Então por que, justo na minha casa?’

‘… tem algum outro motivo?’

Essas perguntas giravam em sua cabeça, mas não viravam palavras.

“E se eu dissesse que gosto do Jaryeong? Que vou começar a namorar com ele? Você o trataria melhor?”

Aquela frase que tinha escutado sem querer lhe veio à mente. A hipótese do “talvez” começou a se levantar dentro dele. Mas não, não podia ser isso.

‘Naquela vez também, Noah só estava tentando convencer o Yohan sunbae, que sempre o tratava com frieza.’

Quanto mais pensava, mais difícil era entender o que realmente queria dizer. Bebeu três copos de soju sem falar nada, e Noah também não o pressionou.

— Sunbae…

Somente ao encher o quarto copo, ele finalmente abriu a boca.

— Não seria melhor…arrumar uma namorada?

Noah o olhou nos olhos, surpreso com a pergunta repentina.

— O Sunbae tem ido bastante lá em casa ultimamente. Fiquei pensando se não está se sentindo sozinho agora que o Yohan sunbae foi morar com Cha Siheon.

Noah soltou um “ahh” e deu uma risadinha.

— Estou mesmo. Estou me sentindo sozinho.

— Então, talvez seja melhor arranjar um amante.

As palavras saíram mais ríspidas do que ele pretendia. Não era essa a intenção, mas, de forma estranha, o incômodo dentro dele só fazia crescer.

— Será que… Estou te incomodando?

Noah perguntou com um tom brincalhão. Jaryeong balançou a cabeça com força, quase que por reflexo.

‘Incomodando? De jeito nenhum. Não era isso. Mas…’

— É que tem tanta gente ao seu redor, sunbae… Fico pensando porque logo eu.

— Pois é… Por que será?

Parecia que nem o próprio Noah tinha pensado a fundo sobre isso. Retrucou como se ainda estivesse tentando entender também.

— Quando eu estou com você, eu me sinto à vontade. Sua casa, seu irmão… tudo tem uma sensação meio acolhedora, sabe?

Ele parecia estar refletindo com seriedade, mas ainda assim não conseguia dar uma resposta clara. Talvez fosse apenas uma daquelas situações que simplesmente aconteceram.

— Pensando bem, mesmo na época da escola, você já era um pouco diferente. Você me seguia, mas não era grudento. E, principalmente, nunca demonstrou interesse no Yohan

Disse isso com um tom de brincadeira no final, mas aquilo doeu em algum canto do coração de Jaryeong. No fim das contas, o critério de Noah para lidar com os outros sempre era Yohan. O nível de cautela dele variava dependendo se a pessoa tinha ou não segundas intenções com Yohan. Nesse sentido, Jaryeong era só um calouro que ele não precisava vigiar.

‘Mas o que eu faço? Se o sunbae continuar se aproximando assim, meu coração pode acabar confundindo as coisas. Além disso, sunbae… você me perdoou por tudo de ruim que eu fiz. Será que eu não posso me permitir ter um pouco de esperança nisso? Eu sei que você é alguém “grande demais” para mim, e eu repito mil vezes na cabeça que não vai dar certo… mas, mesmo assim, meu coração insiste em acelerar.’

— Acima de tudo… eu gosto de estar com você.

Noah disse, com um sorriso radiante. E ele nem fazia ideia do estrago que aquele sorriso causava no coração de alguém.

— Sunbae, eu…

O que ele estava prestes a dizer? Talvez se arrependesse depois.

— Hm?

Noah encontrou o olhar dele e esperou pelo que viria. Jaryeong sentiu os lábios secarem do nada, então os umedeceu com a língua.

— Sunbae, eu…

— Ah, espera um pouco.

Noah o interrompeu e pegou o celular. Estava recebendo uma ligação.

— Oi, sou eu… Agora? É urgente?

Ele olhou o relógio e franziu levemente a testa.

— Está bem. Eu já estou indo. Espera só um pouquinho.

Depois que desligou, ele lançou um olhar meio sem graça para Jaryeong.

— Era o Yohan-sunbae?

Sua forma de falar entregava tudo. Mesmo achando que Noah vinha sendo carinhoso com ele ultimamente, era nítido que o tom de voz dele mudava quando se tratava de Yohan.

— É… Parece que ele chegou em casa de repente. Está procurando uma coisa, mas não consegue achar. Você pode esperar um pouquinho? Eu volto rapidinho. Vai levar trinta minutos no máximo.

— Não precisa se preocupar. Eu vou voltar para casa agora.

— Não, espera. Eu volto logo. Você disse que queria me falar uma coisa, não foi? Espera só um pouco, tá bom?

Apesar de falar isso, era nítido que Noah estava inquieto por dentro com a ideia de Yohan esperando por ele. Jaryeong assentiu, meio sem escolha. E no instante em que ele deu sua resposta, Noah saiu do bar apressado, sem nem olhar para trás.

Ficando sozinho, Jaryeong encarou o espaço vazio à sua frente. Olhou para o copo de soju ainda cheio e sentiu um aperto no coração. Noah havia servido a bebida enquanto conversavam, mas não bebeu uma gota. Era como se já soubesse que receberia uma ligação de Yohan.

Não era surpresa, ele já sabia. Para Ryu Noah, Yohan sempre viria em primeiro lugar.

‘Eu sabia… Eu sempre soube disso… Acho que no fundo, eu esperava que pudesse substituir o Yohan. Mesmo que fosse impossível substituí-lo.’

— Que idiota eu sou, de verdade…

Ele soltou um suspiro profundo e virou de uma vez o copo cheio de bebida transparente. Sempre achou o soju ruim, mas naquela noite, estava especialmente amargo.

 

****

 

— Da próxima vez, me avise antes de vir.

— Tem algum motivo específico pra eu ter que avisar?

Era só um comentário por ele ter aparecido do nada, mas Yohan estreitou os olhos e sorriu ao perguntar.

— Da última vez que vim, você também não estava em casa.

— Da última vez? Quando?

— Passei só para ver como você estava.

— E o Cha Siheon?

— Ele estava comigo.

— Aah…

“Sabia”, pensou Noah, franzindo o cenho, tentando deixar passar. Mas Yohan, com uma expressão cheia de segundas intenções, chamou seu nome.

— Noah. Você está namorando com alguém ultimamente?

— Namorando? Claro que não.

— Então está traindo alguém?

— Isso não é a mesma coisa?— Ele rebateu, e Yohan apenas sorriu com os olhos.

— Você está agindo como se estivesse. Nunca está em casa, e quando pergunto onde estava, nem responde direito.

‘Será mesmo?’

Ele não tinha percebido. Inclinou a cabeça, confuso, e Yohan comentou:

— Nem se dá conta, não é?

— Me dar conta do quê? De qualquer forma, se eu ficar em casa, vou estar sozinho…

Parou no meio da frase. “É só porque estou me sentindo sozinho que saio para encontrar o Jaryeong.” Isso também soava meio estranho. Quando morava com Yohan, mesmo nos dias em que ele não estava em casa, nunca se sentia realmente solitário. Porque sabia que ele voltaria? Talvez… Mas, de todo jeito, nenhuma resposta dentro de si parecia convincente.

— Se já terminou o que veio fazer, vai logo embora. O Cha Siheon deve estar te esperando.

Pensar que o Jaryeong estava esperando o deixou ansioso. Mas talvez ele tenha deixado isso muito evidente, pois os olhos de Yohan se estreitaram ainda mais.

— Quem está te esperando? E onde?

A sensibilidade dele era quase sobrenatural. Noah ia dizer que recebeu uma mensagem enquanto estava com o Jaryeong e que saiu correndo para encontrá-lo, mas hesitou. Se ele mencionasse, isso seu irmão ia começar a reclamar de novo.

‘Mas… por que deveria esconder do Yohan que se encontrava com Jaryeong? Isso também parecia estranho.’

Perdido nos próprios pensamentos, acabou ficando sério, e Yohan se aproximou, soltando um “hmm” desconfiado pelo nariz.

— Isso está muito suspeito.

— Suspeito o quê…

— Você está claramente tentando esconder alguma coisa.

Aquela acusação o fez estremecer. Nunca teve segredos para Yohan. Mas agora, estava evitando a todo custo falar sobre o Jaryeong.

— Aah, não é nada disso. Eu só estava bebendo com o Jaryeong.

— Com Woo Jaryeong?

Como esperado, o rosto de Yohan logo ficou sério.

— Fui eu quem procurei ele primeiro.

Ele rapidamente se justificou, com medo de que Yohan implicasse com o pobre do Jaryeong, mas o olhar dele ficou ainda mais afiado.

— Por quê?

— Só… queria saber como ele estava… Na véspera de Natal esbarrei com ele no trabalho de meio período e vi que um desgraçado estava enchendo o saco dele por besteira. Desde então, fiquei meio preocupado.

— Lá vai você sendo intrometido de novo.

Felizmente, ele não disse mais nada além disso.

— Vai na frente.

— Hã?

— Você disse que ia ver o Woo Jaryeong, não é?

— Vai vir junto?

— Por que, não posso?

Não que não pudesse… mas… só de imaginar o Jaryeong congelando na frente do Yohan de novo, já soltei um suspiro. Mesmo assim, não conseguiu encontrar um motivo convincente para recusar.

Durante o caminho até o lugar onde Jaryeong o esperava, Yohan não disse uma palavra. Ficou só olhando pela janela, com o queixo apoiado na mão. Será que ele ainda não gostava da ideia dele se encontrar com Jaryeong? Noah soltou um leve suspiro, mas assim como Yohan, permaneceu calado, focado na direção.

Ultimamente, ele vinha encontrando o Jaryeong mesmo sabendo que Yohan não gostava disso. Mas, até então, ainda não entendia completamente o que isso significava.

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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