Ler Controle – Capítulo 74 – Side 1. Noah & Jaryeong (4) Online

Modo Claro

 

Quando abriu os olhos de manhã, Jaryeong quase gritou de susto ao ver o rosto de Noah bem na sua frente. Ele tapou a boca com as duas mãos e piscou seus olhos grandes algumas vezes antes de conseguir acalmar o coração disparado.

‘Por que ele está tão perto assim?’

Ele lembrava claramente que, na noite anterior, tinha deitado no colchonete com um cobertor, enquanto Noah dormia no sofá. ‘Será que ele desceu durante a noite porque o sofá era desconfortável?’ Mesmo que fosse isso, por que estavam dividindo o cobertor dele? Lançando um olhar discreto, Jaryeong viu que o cobertor que havia dado a Noah estava largado em cima do sofá.

Mesmo com o aquecimento ligado por causa do inverno, devia ter feito frio para dormir sem cobertor. Até dava para entender que, no meio do sono, ele tivesse se arrastado para debaixo do seu. Mas como era um cobertor de solteiro, os dois acabaram dormindo muito próximos, à distância era quase constrangedora.

Se ele se mexesse, achava que Noah acordaria. Jaryeong mal conseguia respirar fundo e só piscava os olhos, encarando o rosto dele.

‘Os cílios dele são mesmo longos…’

Noah era mestiço, mas, ao contrário de Yohan, não dava para perceber de imediato. Porém, vendo de perto assim, era óbvio. O formato do nariz era diferente dos asiáticos. Embora sua pele e cabelo fossem como os de um coreano, seus traços faciais tinham claramente uma mistura ocidental. Seus ombros eram largos, e ele era alto. Yohan também era alto, mas tinha uma estrutura mais esguia, enquanto Noah parecia muito mais robusto e sólido.

‘Por isso ele é tão popular…’

Noah sempre estava tão atento ao redor de Yohan que parecia nem perceber a própria popularidade. Muitas pessoas ao redor de Jaryeong já haviam confessado que adorariam ser abraçadas por Noah, nem que fosse uma vez. Como ele só tinha olhos para Yohan, ninguém se atrevia a chegar nele diretamente, mas ele sempre recebia a atenção de todos.

Se continuasse olhando para ele, até ele ia acabar pensando besteira. Jaryeong se mexeu com muito cuidado e saiu debaixo do cobertor. Ao se levantar, viu que ainda eram apenas 8 horas. Olhou novamente para Noah, que continuava dormindo profundamente, e teve uma sensação estranha. ‘O Noah, dormindo na minha sala…’ De alguma forma, a cena era tão inesperada que ele quase riu.

Noah acordou com um cheiro forte e saboroso que fazia cócegas em seu nariz. Era um aroma que ele nunca sentiu em sua própria casa. Ele se sentou meio zonzo e estalou o pescoço rígido para os lados, até se lembrar de que estava na casa de Jaryeong.

Virando-se, viu Jaryeong de pé na cozinha, ocupado com alguma coisa.

— O que você está fazendo?

Ele se levantou e foi até lá perguntar.

— Doenjang-jjigae. resolvi fazer um café da manhã simples.

Pelo visto, o cheiro delicioso que o acordou era de pasta de soja fermentada. Em uma panelinha, o tofu, abóbora e batatas ferviam em borbulhas.

— Posso provar?

O aroma marcante fazia sua boca salivar. Jaryeong entregou uma colher, indicando que ficasse à vontade. Quando Noah pediu para ele alimentá-lo, Jaryeong, sem demonstrar muito constrangimento, pegou um pouco do caldo com a colher, soprou levemente e estendeu para ele. Provavelmente era um hábito que tinha por causa do irmão mais novo. Noah ficou olhando fixamente e, só então, Jaryeong percebeu o que estava fazendo, soltando um “Aaah!” e tentando puxar a mão de volta. Noah sorriu e segurou a mão dele, puxando-a para perto. O caldo se espalhou em sua boca, trazendo o aroma típico do doenjang.

— Está delicioso!

Não era só da boca para fora. Estava realmente bom, até melhor do que muitos restaurantes por aí.

— Você cozinha bem, hein.

Diante do elogio, Jaryeong balançou a cabeça, envergonhado, dizendo que não era bem assim. Disse que só sabia fazer alguns pratos e que, como a mãe quase nunca estava em casa, acabou aprendendo por necessidade.

— Eu também sei fazer algumas coisas.

Jaryeong arregalou os olhos, surpreso com a resposta de Noah.

— Sério que o sunbae cozinha? O sunbae cozinha?

Provavelmente nem Yohan nem Noah pareciam do tipo que se davam bem na cozinha.

— Nossos pais sempre estavam ocupados. Yohan e eu praticamente crescemos sozinhos. Tínhamos uma empregada, mas ela não preparava todas as refeições, e comer fora tinha seus limites. Então, quando dava vontade de comer algo, a gente acabava fazendo.

Jaryeong assentiu, dizendo que fazia sentido.

Quando ele já estava tirando os acompanhamentos da geladeira para colocar na mesa, o irmão mais novo também acordou e saiu do quarto.

— Desculpe, não temos muita coisa para oferecer…

— Quem está incomodando aqui sou eu, por que você está pedindo desculpas?

Em cima da mesa estavam apenas alguns acompanhamentos: kimchi, jeotgal de lula, algas torradas e o doenjang jjigae que havia sido fervido há pouco. Para Noah, era uma refeição simples, porém mais deliciosa e acolhedora do que qualquer outro café da manhã.

 

***

 

Perto da hora do almoço, o irmão mais novo de Jaryeong recebeu uma mensagem de um amigo e saiu para se encontrar com ele. Como ainda havia tempo antes do trabalho de meio período de Jaryeong, Noah sugeriu que saíssem também.

— Já que ganhei um café da manhã delicioso, eu pago o almoço. Vamos comer algo gostoso.

O lugar para onde Noah levou Jaryeong foi um restaurante dentro de um shopping center. Ele se questionou como Noah conseguiu uma reserva em um dia movimentado como o dia de Natal, mas ele simplesmente entrou – o rosto de dele foi o bastante para garantir um lugar. Descobriu, então, que tanto o shopping quanto o restaurante faziam parte do conglomerado do Grupo RF.

— Espera só um pouco.

Noah pediu os dois pratos, incluindo o de Jaryeong, e saiu dizendo que tinha algo para resolver. Ficar sozinho numa sala VIP de um restaurante de luxo como aquele o deixava desconfortável, e ele se mexia inquieto na cadeira. ‘Qualquer lugar servia, por que teve que ser aqui…?’ Pensou diversas vezes se não deveria sugerir irem a outro lugar.

‘Aqui é tão…’

Mordeu o lábio com força ao pensar no que vinha logo em seguida.

‘Parece um lugar onde casais viriam para um encontro.’

Desde ontem, seus pensamentos estavam fugindo completamente do controle, e ele não sabia o porquê. Talvez porque Noah parecia ainda mais gentil que o normal. Ele sorria para ele do mesmo jeito que fazia com Yohan… Isso tudo não fazia o menor sentido.

Sacudiu a cabeça com força, tentando afastar os pensamentos. Pensou em coisas mais realistas, como quanto conseguiria ganhar com o trabalho de meio período durante as férias, ou como o valor das próximas mensalidades haviam sido cobertas pela bolsa de estudos – o que era um alívio. Mas se preocupava se o dinheiro daria para cobrir os remédios e o hospital da mãe. Trazer esses problemas reais à tona parecia ajudá-lo a espantar os pensamentos inúteis.

Depois que a comida chegou e passaram-se mais alguns minutos, Noah finalmente voltou.

— Desculpa. Demorei, muito? Você devia ter começado a comer.

Havia uma sacola de compras em sua mão. Quando Jaryeong olhou para ela, Noah disse: — Ah, isso aqui? — e tirou de dentro uma caixa fina. — Feliz Natal. Pensando bem, ontem acabei não te dando nada. Mas hoje ainda é Natal, certo?

Disse que era um presente de Natal para Jaryeong.

— Ah…

Jaryeong apenas soltou um gemido baixo, sem conseguir estender a mão para pegar.

— Eu não preparei nada pra você…

Na verdade, ele nunca imaginou que trocariam presentes de Natal entre sunbae e hoobae.

— Você me deu um lugar para dormir e me alimentou de manhã.

Noah respondeu com um sorriso leve. ‘Como se isso fosse algo tão grandioso… Além disso, ontem quem me ajudou primeiro foi você.’ E ele nem tinha retribuído isso ainda. Receber um presente agora parecia demais.

— Ontem, notei que seu pescoço parecia muito exposto. Por mais jovem e saudável que seja, se você se descuidar, pode pegar um resfriado. Não é nada demais. Então, aceite sem pensar muito.

Noah abriu a caixa e a empurrou na direção de Jaryeong. Dentro havia um cachecol macio, bege, claramente de uma marca cara. Com certeza havia comprado no shopping, ali embaixo.

— Eu não posso aceitar algo tão caro.

— Não é caro.

— Pode não ser caro pra você, sunbae, mas para mim é caro sim.

— É um presente de Natal.

— Mas…

Mas porque está me dando um presente de Natal, era o que ele queria dizer, mas engoliu as palavras ao ver expressão genuinamente confusa de Noah.

— O Yohan-sunbae…

Ao tentar entender o comportamento de Noah, Yohan surgiu naturalmente em seus pensamentos.

— Você e ele trocam presentes de Natal todos os anos?

— Sim.

Como esperado, ele respondeu sem nem um segundo de hesitação.

— E esse ano?

— Ah… Nem consegui ver o rosto dele. Não achei que fosse conseguir encontrar, então nem preparei presente.

Jaryeong engoliu seco em silêncio. Talvez Noah só estivesse fazendo aquelas coisas com ele porque não podia mais fazer com Yohan. Talvez o vazio que Yohan deixou fosse grande demais, e ele só quisesse preenchê-lo de algum jeito.

Mesmo assim, aquilo era demais para ele. Como poderia recusar sem deixar Noah chateado? Por mais que tentasse pensar em uma boa saída, nada lhe vinha à mente. E afinal, ainda era Natal. Ele não queria decepcionar Noah, que claramente só queria aproveitar aquele clima.

Seus olhos se moveram até o cachecol pendurado ao lado do lugar onde Noah estava sentado – o mesmo que ele havia colocado no seu pescoço no dia anterior.

— Aquele ali.

Apontou com o dedo, e Noah também virou a cabeça para olhar o cachecol.

— Me dê aquele, em vez desse.

— Hã? Mas esse eu já usei.

— Esse é suficiente para mim.

Mesmo sendo usado, parecia mais fácil de aceitar do que algo novo. Era só por isso que ele havia pedido, mas a expressão de Noah ficou estranha. Só então Jaryeong percebeu que aquilo podia ter soado esquisito para ele.

— Digo, não é por nenhum outro motivo… só acho que me sentiria menos constrangido aceitando algo que já foi usado…

Quanto mais ele tentava explicar, mais enrolado ficava. No final, acabou suspirando e baixando a cabeça, frustrado.

— Tudo bem. Se é assim que você quer.

Quando ergueu o rosto ao ouvir a voz gentil de Noah, viu-o sorrindo suavemente.

— Não pensei que você pudesse se sentir pressionado. Mas mesmo assim, queria te dar algo. Se você estiver de acordo, fica com esse.

Noah estendeu o cachecol que ele mesmo tinha usado. Dessa vez, Jaryeong aceitou sem hesitar. Noah colocou a caixa com o novo presente ao lado e olhou para o cachecol que o outro agora segurava com cuidado. Seus dedos o acariciavam com delicadeza.

Mas sabe o que é engraçado? Aquele cachecol… era de uma marca com mais de 200 anos de tradição, e justamente aquele modelo era feito à mão sob encomenda por um mestre artesão. Era dez vezes mais caro do que o novo que ele tinha acabado de comprar.

Se Jaryeong descobrisse quanto custava, provavelmente ficaria pálido e diria que não podia usar algo assim de jeito nenhum. Pensando nisso, Noah não conseguiu conter um leve sorriso.

‘Melhor não contar.’

— Mas você tem que usar todo dia, combinado?

Disse, sorrindo gentilmente, e Jaryeong assentiu com a cabeça. Para Noah, o preço do cachecol pouco importava. O que importava era que Jaryeong ficasse aquecido.

— Aliás, combina bem mais com você do que o bege.

Ele disse isso porque, honestamente, achava que o cachecol ficava muito melhor em Jaryeong do que nele mesmo. E ao ouvir isso, o garoto apenas encarou-o com olhos arregalados por um instante, antes de suas orelhas ficarem vermelhas e ele abaixar a cabeça envergonhado.

‘Que fofo.’

O pensamento surgiu de repente, e Noah soltou uma risadinha. Era mesmo uma reação que Yohan nunca teria. E isso era bem refrescante.

 

°

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Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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