Ler Controle – Capítulo 73 – Side 1. Noah & Jaryeong (3) Online
Saíram para rua, mas não tinham nada em especial para fazer. Eles não estavam com vontade de beber, e como não tinham comprado ingresso antes, seria difícil conseguir ver um filme naquele dia, ainda mais considerando a data.
— Você não quer fazer nada?
Ele se sentiu culpado. Afinal, tinha sido ele quem insistiu para saírem, mas não tinha feito nenhum plano.
— Só caminhar assim já está bom.
Jaryeong sorriu, respirando fundo. Com os trabalhos da faculdade, provas finais e até a sentença no tribunal, ele provavelmente estava esgotado, tanto físico quanto mentalmente.
— Que bonito.
Jaryeong olhou ao redor e murmurou. Noah acompanhou o olhar dele e viu as árvores decoradas com luzinhas coloridas que piscavam sem parar. Não era só isso. Na fachada de um prédio enorme, figuras de bonecos de neve e Papais Noéis se alternavam desenhadas por LEDs. E bem no meio da praça, havia uma gigantesca árvore de Natal montada.
— Estava tão ocupado que nem percebi… Mas é, é Natal mesmo.
O jeito que ele disse dava a entender que nem tinha se dado conta de que o Natal estava tão próximo. Faz sentido. Provavelmente, em vez de sair com amigos ou ir a um encontro, ele passou o dia ocupado com o trabalho de meio período.
Achando aquilo ao mesmo tempo triste e admirável, Noah afagou levemente o cabelo dele.
— Por quê…?
Jaryeong olhou para ele, como se fosse dizer algo, mas acabou fechando a boca.
— Se quiser dizer alguma coisa, pode falar. Não precisa se segurar.
— Não, não é nada.
Ele sorriu sem jeito e balançou a cabeça. Noah percebeu que ele engoliu mais uma vez o que queria dizer, mas não tinha como forçar uma confissão.
— Pensando bem, você quase nunca fala de você.
Foi algo que Noah notou de repente. Mesmo antes da relação entre os dois se complicar por causa da espionagem na RF Digital, Jaryeong nunca tinha falado muito sobre si mesmo. Na verdade, Noah só soube da situação familiar dele depois de toda a confusão – e mesmo assim, não por ele, mas porque a mãe de Noah contou.
Não que os outros ficassem detalhando suas vidas pessoais, mas em conversas normais, algumas coisas naturalmente vinham à tona. Já Noah era uma figura pública, então as pessoas naturalmente sabiam coisas sobre ele. Mesmo assim, nunca saiu por aí contando sobre seus problemas com a família do Grupo RF ou qualquer outra coisa do tipo.
‘Mas por que será que me sinto magoado por não saber nada sobre Jaryeong? Porque ele nunca me contou nada?’
Enquanto refletia sobre isso, seguiu andando em silêncio. Jaryeong também não tentou puxar assunto à força. No início do segundo semestre, ele ainda fazia alguns comentários aleatórios e bobos, mas agora parecia evitar até isso. Aquela atitude de manter distância, dizendo que era “complicado”, deixava Noah inquieto.
‘No fundo, eu é que sou egoísta. Queria que Jaryeong fosse como antes, me seguindo por aí,me chamando de “sunbae” e agindo de forma carinhosa. Ele parecia um irmão mais novo… Eu gostava disso.’
“Não fique preso ao passado. O tempo que passou não volta mais. O que mudou nunca será como antes, não importa o quanto você tente.”
Foi o que Yohan tinha dito uma vez. E, por mais que concordasse com aquilo, Noah ainda se sentia desconfortável com a distância que se criou entre ele e Jaryeong.
— Ah…
Jaryeong pegou o celular ao receber uma mensagem, e uma expressão constrangida apareceu em seu rosto.
— O que foi?
Como estava olhando para ele, Noah percebeu imediatamente e perguntou. Jaryeong tentou disfarçar, balançando a cabeça rapidamente.
— Não é nada.
Mas Noah não acreditou e, sem hesitar, tomou o celular da mão dele para ver o conteúdo da mensagem:
[Hyung, quando você vem? Vai trazer um bolo, hein?]
— Hyung? É seu irmão mais novo?
— Me devolve.
Jaryeong pegou o celular da mão de Noah e enfiou no bolso.
— Seu irmão está te esperando? Você precisa voltar?
— Está tudo bem. A gente nem combinou nada direito.
Mal terminou de falar, o celular vibrou dentro do bolso. Jaryeong mordeu com força a parte de dentro da bochecha, tirou o aparelho e conferiu a mensagem:
[Meu amigo cancelou nosso encontro porque a família dele decidiu viajar de repente. Estou sozinho agora, se der, tenta vir mais cedo.]
A sua mãe estava internada no hospital, e como Jaryeong ia trabalhar no turno da noite, o irmão mais novo tinha dito que passaria o dia com os amigos. Pensando que seria melhor do que deixá-lo sozinho em casa, ele permitiu, e o irmão respondeu que talvez até dormisse na casa de um amigo, dependendo da situação. Então Jaryeong achou que estava tudo certo.
Mas agora, saber que ele estava sozinho deixava seu coração apertado. Justo na véspera de Natal… Mesmo tentando pensar que era só mais uma data qualquer, algo passageiro, ficar sozinho nesse dia sempre deixava uma sensação de vazio. Ele mesmo se sentia assim, mesmo estando ocupado no meio do expediente. E por pouco aquele não teria sido o pior Natal da sua vida, por causa de um cliente escroto. Se não fosse por Ryu Noah.
Haa… Ele respirou fundo em silêncio e olhou para Noah. Estava feliz por tê-lo encontrado, mas ainda assim se sentia mal por deixar o irmão sozinho.
— Sunbae, desculpa. Acho que eu…
— Vamos.
Noah o interrompeu no meio da frase e saiu andando a passos largos. Jaryeong ficou parado, sem entender nada – não fazia ideia de onde ele queria ir ou o que pretendia fazer. Noah suspirou fundo, voltou até ele e segurou sua mão.
— Vamos comprar um bolo. E levar pro seu irmão.
— …O quê?
— Mas eu vou junto.
Noah sorriu de orelha a orelha e apontou para si mesmo com o dedo.
— Eu também estou sozinho, sabe. Não me abandone.
Falou num tom brincalhão e, ainda segurando a mão de Jaryeong, começou a andar. Jaryeong olhou para a mão que ele segurava. ‘Ele às vezes fica próximo demais.’ Talvez fosse por ter crescido no exterior, ou talvez fosse só um hábito que ele tinha com o irmão gêmeo, Yohan. Mas para Jaryeong, que era apenas um colega, isso às vezes o deixava desconcertado.
Se fosse qualquer outra pessoa no lugar de Noah, ele com certeza já teria se confundido. Ou talvez fosse justamente porque era o Noah que ele continuava se confundindo assim.
Ele já sabia que Noah era gentil por natureza. Mas aquilo era algo que ele só demonstrava com Yohan. Então por que estava sendo tão gentil agora? Provavelmente era só por causa do que aconteceu com a RF Digital. Talvez ele se sentisse culpado, e estivesse tentando compensar isso. Só isso. Porque ele era uma boa pessoa.
Mesmo assim… Mesmo sabendo disso, Jaryeong era uma pessoa comum, e se Noah continuasse tratando-o com tanto carinho, ele acabaria se iludindo. Ele tentava se lembrar constantemente de que não tinha esse direito. Tentava manter distância, se controlar. Mas toda vez que Noah quebrava essa distância com tanta naturalidade, ele não sabia o que fazer.
‘Se controla, Woo Jaryeong. Ele vive em um mundo completamente diferente do seu. E a única pessoa que importa pra ele é o Yohan.’
Ele repetiu para si mesmo uma verdade que já conhecia bem, como se quisesse cravá-la em seu coração. Respirou fundo, e só então conseguiu olhar direito para o rosto de Noah.
— Que tipo de bolo seu irmão gosta? Chocolate? Chantilly? Ah, cheesecake também deve ser bom.
Ver Noah escolhendo o bolo com tanta seriedade o fez rir.
‘Ele é mesmo uma boa pessoa. Boa demais pra mim. Mas tudo bem, isso já é mais do que suficiente.’
***
— Jayun-ah!
Assim que abriu a porta e chamou pelo irmão, o garoto saiu correndo do quarto.
— Hyung!
Talvez por ter ficado sozinho até tão tarde, ele correu e abraçou Jaryeong com força.
— Hã…? Quem é esse?
O irmão mais novo parou ao ver Noah entrando logo atrás de Jaryeong. Como Noah era naturalmente alto e bem forte, talvez parecesse ainda mais imponente aos olhos de um garoto do ensino fundamental..
— É um sunbae da faculdade. Pode entrar. A casa é simples, mas fique à vontade.
Seguindo o gesto de Jaryeong, Noah entrou. Quando seus olhos se encontraram com os do irmão mais novo, ele sorriu largamente no lugar de uma saudação formal.
— Uau… Ele é bonito.
O garoto falou o que pensava sem nem tentar disfarçar, o que fez Jaryeong ficar extremamente envergonhado. Noah caiu na risada.
— Obrigado. Aqui está um presente em troca do elogio.
Ao estender o bolo, o rosto de Jayun se iluminou. Mesmo tendo uma altura parecida com a de Jaryeong, ainda era evidente que por dentro continuava sendo uma criança.
— Muito obrigado!
A honestidade do agradecimento deixou Noah ainda mais contente.
Noah ficou na sala e Jaryeong foi até a cozinha dizendo que ia preparar um café. Enquanto esperava, Noah deu uma olhada ao redor da casa. Não precisava sair andando; só de sentar no sofá e virar o pescoço já era possível entender bem o espaço. A sala e a cozinha estavam integradas, havia dois cômodos que pareciam ser quartos em cada lado, e à esquerda da entrada havia o que parecia ser o banheiro.
A casa era antiga e mostrava sinais do tempo, mas estava bem arrumada. Ele tinha ouvido que a mãe dos garotos estava internada, então não esperava por isso.
— Quem cuida da casa?
Noah e Yohan até sabiam cozinhar o básico, mas nada que pudesse ser considerado “cuidar de uma casa”. Quando moravam juntos, Noah costumava pagar alguém para ajudar com a limpeza duas vezes por semana.
— O hyung faz quase tudo.
Jayun respondeu de forma bem alegre. A naturalidade com que ele agia diante de um estranho lembrava muito Jaryeong antes de tudo o que aconteceu. Se Jaryeong cuidava da casa, isso significava que ele cozinhava também? De repente, Noah sentiu vontade de experimentar algo feito por ele.
— Posso dormir aqui hoje?
Enquanto acendia a vela do bolo, Noah fez a pergunta. A resposta veio em um grito surpreso de Jaryeong:
— Hã?! Como pode ver, aqui não tem nenhum lugar confortável para ficar.
— Aqui está ótimo. Isso já é mais do que suficiente.
Noah apontou com os olhos para o sofá. Era um sofá de três lugares, mas ainda assim pequeno para o tamanho dele. Se se deitasse esticado, as pernas provavelmente ficariam para fora.
— Eu vou acabar voltando para casa e ficando sozinho. Não sente pena de mim?
Fazendo um papel de coitado que não combinava nada com ele, Noah deixou Jaryeong visivelmente desconcertado.
— Só por essa noite, vai. Por favor?
— Deixa ele dormir aqui, hyung. Ele vai ficar sozinho, coitado.
Ao ouvir que ele estaria sozinho, Jayun olhou para Noah com um olhar realmente comovido. Noah teve que conter uma risada e virou-se para Jaryeong, que parecia estar lutando contra vários pensamentos. Ele sabia que Noah morava sozinho, mas ele não parecia nem um pouco digno de pena, então era natural ter esse tipo de expressão.
Com os dois insistindo daquele jeito, Jaryeong acabou cedendo. Mas disse que Noah poderia usar o quarto da mãe. Ele e Jayun dividiam o outro quarto.
— Não posso simplesmente usar o quarto da sua mãe assim. O sofá já está ótimo, sério. Ah, porque não fazemos assim? — Noah puxou o braço de Jaryeong, que estava parado meio sem saber o que fazer, e o fez sentar ao seu lado. — Você dorme comigo aqui na sala. Que nem naquela vez no acampamento da faculdade, lembra? A gente se ajeitou e dormiu junto.
Com a proposta direta, as orelhas de Jaryeong ficaram vermelhas.
— Por que você não pega o colchonete do quarto e estende no chão. Dá pros dois dormirem tranquilo.
Até o irmão mais novo se intrometeu, apoiando a ideia com entusiasmo.
— Ugh… Faça o que quiser.
Jaryeong se desvencilhou do braço de Noah, disse que ia tomar banho, e correu para o banheiro. Já tinha sido surpreendido quando Noah insistiu dizendo que queria ir para casa com ele… Mas agora dormir ali?! E ainda por cima, dormirem juntos?! Desde antes, seu coração batia forte, sem parar. Suas orelhas estavam queimando e quando se olhou no espelho, viu que seu pescoço também estava vermelho.
— Aaaah! Eu mostrei essa cara pro Noah-sunbae?! Por que diabos eu estou agindo desse jeito?
Não era a primeira vez que um amigo ia dormir lá, e ele nunca tinha ficado tão perturbado só por dividir uma coberta com alguém. Mas agora… por que seu coração estava batendo tão descontroladamente? Ele pressionou o peito com a mão, tentando acalmar a pulsação, mas não foi nada fácil.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)