Ler Controle – Capítulo 72 – Side 1. Noah & Jaryeong (2) Online
— Ah, me desculpe. A intenção era só me divertir em silêncio, mas acabei causando um tumulto.
Diante do pedido de desculpas de Noah, o gerente balançou as mãos rapidamente, dizendo que não era necessário. Ao ouvirem o nome “Ryu Noah”, algumas pessoas começaram a cochichar. Como o local era um bar de jazz para membros, bastava ouvirem o nome para perceberem que ele era o herdeiro do grupo RF.
— O que exatamente aconteceu aqui…?
— Esse desgraçado derramou vinho na minha roupa! Você tem ideia de quanto custa isso? E não é nem questão de preço! Que tipo de lugar mantém um funcionário desses, que nem sabe servir direito? Isso mostra o nível desse lugar.
O homem, vendo a identificação do gerente, aproveitou para exagerar na história e tentou colocar toda a culpa em Jaryeong. Quando o gerente olhou para Jaeryeong, ele não disse nada, apenas abaixou a cabeça em silêncio. Ao ver aquilo, Noah sentiu algo borbulhar dentro do peito.
— Todos os danos por causa dessa confusão, pode colocar tudo na minha conta. Inclusive o vinho e os copos quebrados ali.
Com as palavras de Noah, os olhos do gerente se arregalaram.
— Com licença, mas… Qual é exatamente a relação entre o senhor e o nosso funcionário temporário?
— Ele é meu hoobae.
Ao ouvir que Jaryeong era hoobae de Noah, o olhar do gerente mudou instantaneamente. Ele chamou um segurança e mandou que levassem o homem barulhento para uma sala privada. Também prometeu que o bar se responsabilizaria pelo prejuízo da roupa, o que fez com que o homem parasse de causar confusão.
— Já que estamos nessa situação, posso pedir mais uma coisa?
Noah se dirigiu ao gerente com um tom calmo. Este, por sua vez, respondeu com postura respeitosa, dizendo que podia pedir o que quisesse.
— Posso levar esse garoto comigo? Caso haja qualquer prejuízo, eu mesmo me responsabilizo.
— Prejuízo? De forma alguma. Sr. Woo Jaryeong, por favor, vá com ele.
— O quê? Mas…
No rosto de Jaryeong surgiu uma expressão de desconforto.
— Está tudo bem, vá tranquilo. Amanhã eu entro em contato com você, então não se preocupe.
Ao perceber que não estava sendo demitido, Jaeryeong finalmente concordou com relutância.
— Eu vou ficar esperando lá fora. Troque de roupa e me encontre na entrada.
Noah apontou com o olhar na direção da entrada. Enquanto Jaryeong foi se trocar, mesmo com o salão já em ordem, ainda haviam olhares curiosos voltados para Noah. Ele escutava o nome do grupo RF sendo mencionado entre sussurros, mas fingiu que não ouvia.
O que o preocupava de verdade era Jaryeong. Parecia que ele estava trabalhando como barman. Será que tinha feito mal em se meter desse jeito? Mas aquele cara tinha passado dos limites. Que erro tão grave o garoto poderia ter cometido para merecer ser tratado como um criminoso? Mandar se ajoelhar e pedir desculpas? Já tinha ouvido falar de abuso de poder, mas era a primeira vez que via algo assim de perto. Bom… quem teria coragem de agir dessa forma na frente de Noah ou de Yohan?
Será que Jaryeong… já tinha passado por esse tipo de coisa várias vezes? Só de pensar nisso, sentiu um gosto amargo na boca. Trabalhar em plena véspera de Natal já era triste o suficiente… e ainda tinha que lidar com gente escrota por causa de alguns trocados?
Noah sentiu um aperto no peito. Mas ele não sabia como aliviar aquela sensação.
Viu Jaryeong saindo depois de se trocar, curvando-se educadamente ao gerente. Ainda estava com o corpo todo rígido, mas o gerente disse algo com um sorriso, o que fez com que sua expressão se suavizasse, ainda que um pouco.
‘Depois eu preciso agradecer ao gerente também.’
Enquanto Noah observava com um sentimento melancólico, Jaeryeong se aproximou. Com um aceno de cabeça, sinalizou que podiam ir, e seguiu Noah em silêncio.
Ao saírem, foram recebidos por um vento frio. A previsão dizia que iria nevar à noite, e parecia estar ainda mais gelado do que o normal. Quando se virou para trás, viu que Jaryeong estava usando apenas um sobretudo leve, com o pescoço completamente exposto. Em poucos segundos, a ponta de seu nariz ficou vermelha. Noah estalou a língua sem nem perceber.
— Toma, use isso.
Ele tirou o cachecol de caxemira que usava e o ofereceu para Jaryeong. O garoto arregalou os olhos e balançou as mãos, recusando, dizendo que estava tudo bem.
— Que nada, deixa de besteira.
Noah pegou Jaeryeong, que tentava recuar dizendo que estava tudo bem e enrolou o cachecol em seu pescoço ele mesmo. Com metade do rosto coberto, só seus olhos redondos ficavam visíveis. A expressão dele olhando para cima era tão fofa que Noah soltou uma risada involuntária.
— Ah, desculpa.
Ele se apressou em se desculpar, já que Jaryeong, não entendeu o porquê dele estar rindo, apenas o encarava confuso. Mesmo assim, o canto dos lábios de Noah insistia em se curvar.
— E o Yohan sunbae? Por que o sunbae veio sozinho?
Jaryeong desviou o olhar e tentou mudar de assunto.
— Ah, ele está com o Cha Siheon. Ele até me chamou para passar o natal com eles, mas… fazer o quê lá no meio deles?
— Ah…
Mesmo com a explicação vaga, Jaryeong parecia ter entendido que Noah tinha sido meio que deixado de lado por Yohan, e ficou visivelmente surpreso. Noah não tinha dito aquilo para fazê-lo se sentir mal, mas um sorriso amargo escapou.
— Ah! Obrigado por antes. Eu vou pagar o custo da lavagem daquela roupa, pode deixar.
— Esquece aquele idiota.
Noah esticou a mão e bagunçou os cabelos de Jaryeong. Os fios finos e castanho-claros escorriam levemente por entre seus dedos.
— Eu só fui lá porque estava entediado e sozinho,.… e aí justo você tava lá. Estava trabalhando, não é? Na verdade, eu que devia pedir desculpas. Acho que atrapalhei seu turno.
— Não, não. Era só um trabalho temporário mesmo, só durante o período do Natal.
— Mas por que trabalhar logo na época de Natal, quando todo mundo está ocupado em encontros?
— Justamente por isso. Como falta pessoal para trabalhar, o pagamento do dia de trabalho fica mais alto.
Ele respondeu com naturalidade, mas Noah não conseguia entender completamente. Nem ele nem Yohan tinham trabalhado antes. Até queriam experimentar, mas em qualquer lugar que fossem, o nome do Grupo RF os seguia, e acabavam não conseguindo trabalhar de verdade. E como nunca lhes faltou dinheiro, foram empurrando com a barriga… e chegaram até a formatura da faculdade.
— Então deixa que eu pago o que você ganharia no bico. E você se diverte comigo.
Noah falou sorrindo, e Jaryeong só piscou com os olhos grandes.
— Na verdade… é meu primeiro Natal, sem o Yohan. Acho que é por isso que estou me sentindo meio sozinho hoje.
Noah soltou a frase num tom levemente abatido, e só então Jaryeong fez um “ah” e assentiu com a cabeça.
— Não precisa me pagar por isso.
Diante da resposta, Noah sorriu. Quando estendeu a mão de novo para acariciar os cabelos de Jaryeong, ele se afastou levemente, escapando do toque.
— Para onde vamos? Sunbae, tem algo que queira fazer?
Ele aproveitou para mudar de assunto com naturalidade. Noah recolheu a mão que ficou suspensa no ar e se posicionou ao lado dele.
— Você já comeu?
— Um pouco antes de começar o turno. Não me diga que o sunbae ainda não jantou?
— Ainda não.
— Estava bebendo de estômago vazio? Isso vai acabar com seu estômago.
“Só vinho”, pensou Noah. Quando morou na Rússia, aprendeu a beber com vodka. Graças a isso, aguentava qualquer bebida sem problemas.
— Vamos comer alguma coisa? Mas hoje é véspera de Natal, então se não tiver reserva, vamos ter que esperar um bom tempo.
Enquanto ponderava, Jaryeong olhou ao redor e, de repente, soltou um “ah”, como se tivesse tido uma ideia. Noah seguiu seu olhar, e um leve sorriso surgiu em seu rosto.
— Aquele ali serve?
Jaryeong perguntou com um pouco de hesitação.
— Claro.
O lugar para onde ele apontava era uma barraquinha de comida de rua.
Eles entraram e comeram udon, tteokbokki, oden e outras comidinhas para forrar o estômago. Jaryeong se desculpou por fazer Noah jantar com ele em um lugar tão simples justo na véspera de Natal. Mas foi o próprio Noah quem pediu companhia, então ele não entendia por que o outro estava se desculpando.
— Por que resolveu fazer esse bico?
— Não tinha nada de especial para fazer…
Jaryeong deixou a frase no ar, sorrindo de leve. Noah percebeu que havia mais alguma coisa por trás, porém não insistiu.
— Ainda falta um semestre, não? Mesmo com a bolsa cobrindo a mensalidade, o custo de vida é outro problema. E agora também tem a dívida com a RF Digital para pagar.
— Mas você combinou de pagar aos poucos quando conseguir um emprego, não foi?
— Mesmo assim…
Apesar de tudo, o rosto de Jaryeong parecia bem mais tranquilo do que antes da sentença. Parecia que, para ele, era melhor poder pagar por seus próprios erros do que ser perdoado incondicionalmente.
— Não precisa se apressar tanto. Ninguém está te pressionando.
Os olhos de Jaryeong se voltaram para o rosto de Noah.
— Além disso, se você demorar para pagar essa dívida, vai ficar preso ao Grupo RF por mais tempo. Durante esse período, vou poder te ver quando quiser.
Se não estivesse preso ao Grupo RF, talvez ele já tivesse sumido da frente de Noah. De tanto remorso, provavelmente teria feito de tudo para se afastar. Mas como ainda estavam na mesma faculdade e no mesmo curso, acabavam se encontrando, querendo ou não. E como Noah sempre agia como se nada tivesse acontecido, Jaryeong acabava cedendo e indo junto.
— E você, o que vai fazer agora, sunbae? Vai para uma das afiliadas do Grupo RF? Ou para a Rússia?
Yohan estava se preparando para abrir uma empresa junto com Siheon, como co-CEOs. Foi uma escolha independente, nem Grupo RF Group, nem Galayev, nem o Grupo Seonwoo. Noah, que sempre pensou que seguiria com Yohan, sentiu-se abandonado. Nem sua mãe nem seu pai impuseram nada – só disseram para ele pensar com calma e escolher o que quisesse. Por isso, até agora, ele ainda não tinha decidido nada.
— Não sei…
De relance, o olhar de Noah se voltou para o rosto de Jaryeong. Esse garoto não tinha escolha a não ser ir para uma subsidiária do Grupo RF.
— Talvez eu entre no Grupo RF.
As palavras escaparam sem pensar. Jaryeong piscou para Noah, surpreso. Para os outros, Noah entrar no Grupo RF não seria algo surpreendente.
— Se for possível…
Jaryeong, que até então o encarava, abaixou os olhos e murmurou bem baixinho:
— Seria bom se pudéssemos trabalhar no mesmo lugar no futuro…
‘Não queria me evitar, afinal?’
Por pouco ele não disse o que pensava em voz alta. Agora ele sabia que o motivo pelo qual Jaryeong agia diferente não era por querer se afastar, mas porque estava se sentindo culpado demais.
— É mesmo…
Noah sorriu de lado e empurrou para ele o último pedaço de oden que estava no prato.
— O que você costuma fazer no Natal?
Ele só conhecia os natais passados com Yohan. Mesmo tendo sido ele quem convidou Jaryeong, não sabia o que fazer com ele, então resolveu perguntar.
— Hm… Normalmente eu passava com minha família, bem tranquilo. Comprava um bolo para dividir, sentávamos juntos e conversávamos. Nada de especial.
Era bem parecido com os natais que Noah passava com a família na Rússia, quando era criança.
— Temos uma casa de campo perto de Moscou. E lá tem uns lobos enormes. Criados na propriedade mesmo.
— Lobos? Não são cachorros?
Jaryeong arregalou os olhos.
— Não, são lobos negros. Provavelmente são maiores que você
— Nossa…
— Se um dia tiver tempo, quer ir vê-los?
— O quê?
— Será que agora está muito frio? Você sente muito frio?
Jaryeong ficou paralisado, sem conseguir responder. O problema não era o frio – ele não sabia o que significava o fato de Noah estar convidando ele para ir até Moscou. Ou melhor, por que estava tentando encontrar um significado? Talvez Noah só estivesse chamando ele como um amigo próximo, do mesmo jeito leve com que tinha o convidado para sair naquele dia.
— Terminou de comer? Podemos ir?
No fim, ele mudou de assunto com a mesma leveza de sempre. Claro. Ainda bem que ele não tinha deixado escapar nem um pouco a leve empolgação que sentiu.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)