Ler Controle – Capítulo 71 – Side 1. Noah & Jaryeong (1) Online

Modo Claro

 

 

O verão mal tinha acabado, e, antes mesmo de dar tempo para sentir que o outono chegou, o primeiro floco de neve já caía. O Natal se aproximava rapidamente.

“Esse Natal, vou passar com o Siheon hyung.”

E, pela primeira vez na vida, Noah não passaria o Natal com Yohan. Desde o ventre da mãe até seus mais de 20 anos de idade, o Natal sempre foi algo que eles comemoraram juntos. Mesmo quando era só uma festinha em casa com a família, ou quando precisavam participar de algum evento beneficente da casa principal ou até nos Natais em que não faziam absolutamente nada e ficavam só deitados à toa – Yohan sempre estava com ele. Mas, naquele ano, Yohan havia escolhido Siheon, e não Noah, para passar o Natal.

“O Siheon hyung vai ficar sozinho. Desde que a mãe dele morreu, ele sempre passa o Natal sozinho… Ele fala disso com naturalidade, mas é meio triste. Ele diz que não se importa, mas não quero mais deixar ele assim. Então vem também. Vamos passar todos juntos.”

Para ser exato, Yohan queria que todos passassem juntos, mas Noah recusou. Só de pensar em todos juntos sua cabeça balançava em negação. Siheon com certeza também não ia gostar da ideia, e Noah não queria passar o Natal trocando farpas com ele cara a cara. Claro que era triste não poder estar com Yohan, mas não tinha nenhum, absolutamente nenhum desejo de passar o Natal com aquele cara. Era melhor passar com os pais.

“Vou para a casa de Vladivostok. Os colegas do pai vão fazer uma festa lá depois de muito tempo. Se quiser ir, avise antes. Vou mandar alguém te buscar no aeroporto.”

A mãe já havia partido para Vladivostok, onde o pai estava, uma semana atrás. A ideia de ficar com os colegas do pai o deixou hesitante. Natasha, Viktor e os outros – como o conheciam desde pequeno, ainda o tratavam como criança.  Mesmo que ele já fosse maior que todos eles, sempre que se encontravam, acariciavam sua cabeça e davam tapinhas em seu traseiro como se nada tivesse mudado.

Então, entre ficar com todos esses adultos sendo tratado como um bebê ou simplesmente continuar na Coreia, talvez fosse melhor ficar. Pensando nisso, de repente, o Natal já estava batendo à porta.

[Você realmente não vai?]

Na véspera de Natal, Yohan ligou. Ao saber que Noah não tinha ido para Vladivostok e ia passar o Natal sozinho, ele pareceu preocupado.

— Estou com preguiça. Prefiro dormir o dia todo.

[Você vai dormir até o Natal acabar? Se for assim, é melhor vir para cá.]

— Deixa. Já me acostumei a passar um tempo sozinho.

[Ele disse que está bem. Deixa ele.]

[Mas mesmo assim…]

Do outro lado da linha, ouviu-se uma discussão entre Yohan e Siheon antes que a ligação fosse abruptamente cortada. Era óbvio que Cha Siheon tinha desligado. ‘Como alguém espera que eu passe o Natal com um cara desses?’ Noah balançou a cabeça e jogou o celular de volta no sofá.

Ficou de pé na sala e olhou em volta. Desde que Yohan foi embora, a casa parecia ainda mais silenciosa. Ele nunca foi do tipo barulhento ou falante, mas sua ausência era muito perceptível. Embora ele tivesse dito há pouco que já estava acostumado, a verdade é que demorou bastante para se adaptar a ficar sozinho. Inúmeras vezes, chamava por “Yohan” sem pensar, e só depois percebia que não haveria resposta, e soltava um suspiro.

‘Ah… Definitivamente, ficar sozinho numa casa grande só traz pensamentos inúteis. Talvez seja melhor sair e tomar um ar.’

Talvez fosse melhor mesmo sair e tomar um ar. Quem sabe um clube. Era Natal, então qualquer lugar devia estar cheio de festas. Ele não gostava muito de lugares barulhentos, mas, de vez em quando, algo assim poderia servir como distração.

Foi para o quarto, se arrumou para sair e voltou. Como provavelmente beberia se fosse para o clube, decidiu não pegar a chave do carro. Ao pegar o celular, que tinha jogado no sofá, ouviu um tirim de uma notificação que chegou e viu uma mensagem.

[Feliz Natal. Que você tenha um ótimo Natal!]

Era Jaryeong. Junto de um emoji fofinho, vinha só uma simples mensagem de felicitações. Noah respondeu de forma educada, desejando o mesmo. Pensando bem, essa era a primeira vez que eles se falavam desde os exames finais – há quase duas semanas atrás.

Enquanto isso, o resultado do julgamento de Jaryeong foi divulgado. Ficou comprovado que ele realmente desviou dados da RF Digital, mas como os danos causados à empresa foram mínimos, ele demonstrou arrependimento e a própria RF Digital afirmou que não desejava uma punição severa, o tribunal considerou esses fatores e o sentenciou a 1 ano de prisão convertidos em 2 anos de suspensão condicional. Além disso, embora tenha escapado da prisão, foi determinado que ele deveria pagar uma indenização, já que sua ação causou prejuízos ao funcionamento da empresa.

Graças a isso, ele pôde continuar frequentando a faculdade até a formatura sem problemas. Quanto à indenização, decidiu-se que, após a graduação, ele começaria a trabalhar em uma subsidiária do Grupo RF, quitando a dívida com parte de seu salário. Como ainda faltava meio ano para se formar, a decisão sobre qual subsidiária o acolheria seria tomada e comunicada pelo próprio grupo RF.

No dia em que a sentença foi anunciada, Jaryeong também chorou por muito tempo, com a cabeça abaixada. Assim como antes, ele não soltou um único som, apenas deixou as lágrimas escorrerem silenciosamente. Não era nada confortável vê-lo daquele jeito.

“Acredito que todos podem cometer erros. Principalmente quando jovens, é natural ter lapsos de julgamento. O importante é não repetir o mesmo erro. Vou continuar observando você.”

Ele se desculpou e agradeceu inúmeras vezes pela generosidade e o perdão de Ryu Jin, repetindo o quanto estava arrependido. Depois daquele dia, Yohan também não fez mais comentários sobre Jaryeong.

Jaryeong ainda agia com cautela perto de Yohan e, embora não seguisse Noah como um cachorrinho como antes, se esforçava para tratá-lo como antigamente. Isso mesmo – ele tentava. Era visível o esforço que fazia para parecer natural. Noah também não se sentia totalmente à vontade com essa situação, e ao perceber o quanto Jaryeong forçava o sorriso e tentava agir normalmente, acabou se distanciando, sem conseguir tratá-lo com mais proximidade.

Por mais que Noah dissesse que estava tudo bem, Jaryeong nunca conseguiu se livrar do sentimento de culpa, e sempre parecia desconfortável ao lado dele – como se estivesse pisando em ovos.

Com o tempo, Noah também começou a manter distância. Mesmo que ele estivesse tentando ser gentil, se o outro se sentia incomodado, então aquilo deixava de ser gentileza e virava uma espécie de tortura.

Ainda assim, quando Jaryeong mandava uma mensagem de vez em quando, perguntando como Noah estava, ele não conseguia evitar de soltar um sorriso. Era um alívio saber que o outro, ao menos, não queria se afastar por completo.

‘É Natal… O que será que ele vai fazer hoje? Será que devo ligar?’

Esse pensamento passou por sua cabeça por um instante, mas ele logo balançou a cabeça e desistiu. Era Natal – um momento que deveria ser tranquilo e acolhedor – e ele achou que, se ligasse, poderia acabar deixando Jaryeong ainda mais desconfortável. Aquilo não seria um gesto de gentileza, seria apenas um incômodo.

— Aaah… Que solidão.

Falou alto o suficiente para que qualquer um ouvisse, ao sair pela porta da frente. Naquele dia, ele estava tão carente que, se alguém se aproximasse e flertasse com ele, cederia facilmente. Estava nesse nível de solidão. Qualquer pessoa servia – só precisava de um pouco de calor humano.

 

***

 

Como não gostava de clubes barulhentos, acabou indo a um bar de jazz sofisticado e reservado, do tipo que às vezes frequentava com Yohan. Mesmo sendo véspera de Natal, o lugar não aceitava qualquer cliente, e talvez por isso estivesse bem mais tranquilo do que outros bares. Não havia nenhum evento extravagante. Em vez disso, retiraram as mesas individuais e espalharam pequenas mesas altas pelo salão, para que pessoas sozinhas pudessem se aproximar umas das outras e conversar. Quem estava em grupo, ou mesmo sozinho, tinha que ficar de pé com sua bebida e socializar.

Se encontrasse alguém com quem houvesse afinidade, o casal podia ser conduzido a uma sala reservada. Era um sistema que permitia que cada um se apresentasse, mostrasse certa classe ou poder aquisitivo, e depois decidisse com quem queria seguir. Apesar de ter ido até lá justamente por odiar lugares barulhentos, Noah não gostava muito daquela dinâmica também.

‘Esquece. Vou só tomar uma bebida e ir embora.’

Foi então que, à distância, uma confusão começou.

— Você tem ideia de quanto custa essa roupa?

A voz de um homem irritado ecoou pelo salão. Parecia que um dos garçons havia derramado bebida em sua roupa por acidente.

— Me desculpe. Eu posso pagar a lavagem…

— Lavagem? Você disse lavagem? Você acha que é só isso? Acha que estou fazendo escândalo por causa de uma taxa de lavanderia?

A voz do homem ficou ainda mais cortante. Ele provavelmente estava frustrado porque, depois de se arrumar todo para impressionar alguém na noite de Natal, achava que o vinho derramado tinha arruinado suas chances. Mas mesmo assim – será que valia a pena fazer tanto escândalo? Se a roupa ficou inutilizável, era só sair e comprar outra, simples assim.

—Tsc.

Noah estalou a língua e virou o rosto, mas parou no meio do movimento. O perfil do garçom, de cabeça baixa diante do homem, lhe era muito familiar.

‘Woo… Jaryeong…?’

Sem nem ter tempo de pensar no que aquele garoto estava fazendo ali, o corpo de Noah já se movia sozinho.

— Se cometeu um erro, então ajoelhe-se e peça desculpas! Um inútil como você tem condições de pagar por essa roupa?

Ao ouvir a ordem para ajoelhar-se, as pessoas ao redor começaram a murmurar. Jaryeong mordeu o lábio inferior com força e começou a se abaixar, prestes a ajoelhar.

— Não faça isso.

Antes que seus joelhos tocassem o chão, Noah segurou o braço de Jaryeong e o puxou de volta, levantando-o. Jaryeong se virou surpreso, com os olhos arregalados, claramente sem imaginar que encontraria Noah ali.

— E esse aí agora é quem?

O homem irritado encarou Noah com raiva. Por dentro, Noah queria mesmo era socá-lo, mas se fizesse isso, acabaria estragando a noite de Natal de todos os outros clientes. Então se conteve.

— Quanto você quer?

— O quê? Quanto? Acha que pode pagar?

‘Droga.’

As palavras do outro fizeram a sua pressão subir, mas Noah respirou fundo e tentou se controlar.

— Quanto é?

Sua expressão e tom de voz mudaram drasticamente, ficando frios e o homem recuou por instinto. Ao mesmo tempo, Jaryeong, que ainda estava com o braço preso por Noah, também ficou visivelmente nervoso, sem saber o que fazer.

— Sunbae…

— Fique quieto.

— Você é o sunbae dele?

O homem soltou um riso desdenhoso ao ouvir que Noah era veterano de um simples funcionário do bar, assumindo que também estivesse no mesmo nível do outro.

— Cala a boca. Eu perguntei quanto custa essa sua roupa de quinta.

Claro que não era tão barata. Mas para Noah, acostumado desde pequeno com grifes e roupas sob medida de verdade, aquilo não era nada impressionante. Só alguém que nunca viu um traje verdadeiramente caro faria tanto drama por algo que custava uns míseros cem mil wons.

— Roupa de quinta?!

Furioso, o homem avançou para cima de Noah, que se esquivou facilmente do soco e segurando o braço do agressor o empurrou na mesma direção do ataque. Por causa do próprio impulso, o homem tropeçou e caiu para frente. Baque! Ao cair, ele derrubou uma mesa alta, fazendo garrafas e copos voarem.

‘Ah… e eu só queria uma noite tranquila. E acabei nesse caos.’

Graças a isso, o gerente do bar correu até o local, mas ao ver Noah, empalideceu e parou imediatamente.

— O senhor está aqui, Sr. Ryu Noah.

O gerente curvou-se respeitosamente e o cumprimentou com formalidade.

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Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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