Ler Controle – Capítulo 66 Online
Yohan estava sentado no sofá, com as pernas recolhidas e abraçadas. Noah, que saiu da cozinha com uma lata de cerveja na mão, parou ao vê-lo assim e perguntou:
— Por que está assim? alguma coisa te preocupa?
O tom era carinhoso, bem diferente do jeito quando brigaram na escola mais cedo. Yohan lançou um olhar de lado para Noah. Quando seus olhos se encontraram, Noah abriu um sorriso absurdamente doce, como se perguntasse o que aconteceu?
‘Desgraçado.’
Ele engoliu o xingamento que fervia em sua boca.
No horário do almoço, ele havia se deparado com Noah no refeitório da escola. Atrás dele, Jaryeong não conseguiu nem levantar a cabeça para encará-lo. Só de relance, Yohan viu os seus olhos vermelhos e inchados, como se tivesse chorado muito. E, provavelmente, Noah havia consolado Jaryeong enquanto ele chorava.
Pensar nisso deixava Yohan frustrado e sem palavras, mas ele sabia muito bem que sua personalidade e a de Noah eram completamente diferentes. Além disso, como Siheon não guardava rancor de Jaryeong, Yohan resolveu relevar, pelo menos um pouco.
“Você veio almoçar?”
Ele falou com Jaryeong, não com Noah, e o garoto arregalou os olhos, parecendo uma coruja assustada.
“Aproveite a comida.”
Eles não estavam mais em termos de se sentarem à mesma mesa e comerem juntos como antes. No máximo, Yohan conseguia fingir normalidade e trocar algumas palavras. Depois disso, sentou-se em outra mesa com Siheon, mas Noah parecia satisfeito só de ver aquilo.
Depois, na aula, Noah sentou ao lado de Yohan como se nada tivesse acontecido e, no intervalo, ainda trouxe uma bebida sem que ele tivesse pedido.
Brigar por causa do Woo Jaryeong, fazer as pazes por causa do Woo Jaryeong… Era estranho. Mesmo quando Siheon e Yohan começaram a namorar, ou antes, quando Noah tinha uma namorada, o primeiro lugar na lista de prioridades dele sempre tinha sido Yohan. Parecia que, pela primeira vez, Noah estava olhando para alguém que não fosse ele.
— O que foi? O que está acontecendo?
Noah balançou uma lata de cerveja ainda fechada na frente do rosto de Yohan e perguntou, ele franziu os lábios e esticou a mão para pegar a lata.
— Quer que eu abra para você?
Noah perguntou se ele queria que abrisse antes de entregar, mas Yohan balançou a cabeça. Nessas horas, ele sentia que Noah o tratava como uma criança, indo além da simples gentileza. Afinal, por mais que parecesse o contrário, Noah era o irmão mais novo, e Yohan, o mais velho.
— As coisas não estão indo bem com o Cha Siheon?
Até quando falava de Siheon, Noah não soava mais tão seco como antes. Depois do incidente recente, mesmo que ainda dissesse que não gostava dele, parecia ter se tornado muito mais positivo em relação à situação.
— Sim, estamos indo bem. Mas…
Noah falou com tanta naturalidade que Yohan acabou deixando o mau humor de lado também.
— Mas?
Como não completou a frase, Noah insistiu.
— Ele não diz que gosta de mim.
Noah piscou, sem entender.
— Ele gosta, tenho certeza. Se não gostasse, não teria largado o Grupo Seonwoo para ficar comigo. Mas ele nunca fala.
— Então você quer ouvir uma confissão de amor?
— É claro que quero!
Noah ficou encarando Yohan por uns segundos, depois caiu na gargalhada.
— Você é mais chato do que eu pensava!
Yohan franziu o cenho quando ouviu a palavra chato.
— E você, falou?
— Falei.
‘Falou mesmo.’
— Mas você já sabe, não sabe? Então por que quer tanto ouvir?
Pensou que Noah ficaria bravo com no outro e diria: “Que tipo de filho da puta é esse? Que nem se confessou”, mas, surpreendentemente, Noah acabou defendendo Siheon.
— Por mais que eu já saiba, ouvir as palavras diretamente é diferente.
— Isso é… verdade…
Noah acabou concordando, mas deixou escapar uma risada baixa. Nunca imaginou que o irmão gêmeo fosse se apegar a uma coisa dessas. Achava que Yohan ia ser mais frio, que nem ligaria para declarações, que pensaria se ele gosta, está bom. Só isso.
— O que eu posso fazer? Tem que haver um jeito de fazê-lo se confessar.
— Sei lá.
Noah não conseguia segurar o riso, achando o dilema de Yohan fofo demais. Pensando bem, essa era a primeira vez que Yohan se apaixonava. Ele era inteligente e tinha um lado bem calculista, então não deixava transparecer o quanto era inexperiente, mas, no fundo, era mesmo um principiante no amor.
— E você? Em que momento diz ‘eu gosto de você’?
— Yohan, eu gosto de você.
Noah encarou o irmão de frente e disse com um sorriso aberto:
— Tipo assim?
Ele riu de propósito, mas Yohan virou o rosto, mandando ele parar. Na verdade, Noah sempre dizia que gostava de Yohan – quando seus olhos se encontravam, quando Yohan parecia bonito, antes de dormir, ao acordar… Não havia um momento específico. Era algo natural. E era a mesma coisa com Yohan. Desde pequenos, mal aprenderam a falar e já viviam dizendo que gostavam um do outro, então não dava para comparar com outras pessoas.
— Não para mim. Para outra pessoa.
Yohan cobrou, pedindo um exemplo de verdade.
— Hm…
Noah tentou puxar da memória, mas o sorriso sumiu do rosto dele, devagar.
— Não me diga que você também nunca fez isso?
Yohan franziu a testa.
— Humm. Nunca fiz.
Ele sempre foi do tipo que recebia declarações, se não achasse a pessoa ruim, aceitava e começava a namorar sem pensar sobre. Quase nunca durava muito – era sempre o outro quem terminava, dizendo que não aguentava mais ser deixado em segundo plano por causa do Yohan. Noah não se prendia a ninguém, nem segurava quem queria ir embora. Já tinha namorado algumas vezes, mas nunca sentiu que morreria sem aquela pessoa. Yohan sempre veio primeiro, e nunca conheceu ninguém que considerasse mais importante que ele.
— Pra que falar esse tipo de coisa.
— Tá vendo? Você também não serve de ajuda. — Yohan soltou um suspiro pesado.
— Você realmente gosta dele, não é?
Noah murmurou, e Yohan ergueu a cabeça, meio sem graça. ‘Será que ele vai ficar chateado de novo?’ Mas, para sua surpresa, Noah não parecia incomodado. Talvez finalmente tivesse aceitado Siheon, mesmo que fosse só um pouco.
— Tudo bem gostar, mas não fica grudado com ele na minha frente. Vai que meu punho voa na cara dele sem querer.
Noah sorriu enquanto falava, mas não parecia estar brincando.
— O Siheon hyung também tem ciúmes de você, sabia?
— É mesmo?
Noah levantou o canto da boca num sorriso malicioso. Os olhos até brilharam, sinal de que já estava tramando alguma coisa.
— Então você também não apronta na frente dele. Quem se ferra depois sou eu.
— Olha só… ouvir isso da sua boca: você, priorizando outra pessoa em vez de mim? Quase fiquei magoado.
Yohan ficou quieto, observando Noah sem saber se ele estava falando sério. ‘Você também fez isso, lá na escola.’ As palavras vieram até a ponta da língua, mas ele engoliu. Não queria jogar aquilo na cara do irmão. Ainda mais se Noah nem tinha se dado conta. ‘Melhor deixar assim.’
‘Será que Noah se sentiu assim quando eu contei que estava namorando o Siheon?’
Ele sabia bem que o que sentia por Siheon e o que sentia por Noah eram coisas diferentes. Mesmo assim, odiava que os dois prestassem atenção em outras pessoas além dele. Era puro egoísmo, ele sabia. Se Siheon escutasse isso, ia dizer que era porque ele cresceu mimado demais.
— Vou dormir.
Percebendo que não adiantaria pedir conselhos a Noah, Yohan se levantou, dizendo que iria para a cama. Quando segurou a maçaneta da porta do quarto para entrar, Noah o chamou:
— Yohan.
Ele virou só a cabeça. Noah estava ali, sorrindo suavemente.
— Obrigado por hoje.
Sabendo exatamente pelo que Noah estava agradecendo, Yohan o encarou com um olhar torto e entrou no quarto sem responder. Do lado de fora, ouviu Noah rindo alegremente. ‘Por que você está agradecendo por algo relacionado a Woo Jaryeong? Palhaço.’ Aquilo incomodava, mas, ironicamente, não era ruim ver Noah de bom humor. Então, só dessa vez, decidiu deixar passar.
***
O tempo passou voando porque precisaram entregar os relatórios sobre o estágio no lugar das provas do meio de semestre. Siheon e Yohan praticamente moraram na biblioteca por um périodo para dar conta de tudo. Mesmo com a ótima capacidade de entender rápido, escrever esses relatórios ainda tomava bastante tempo. Ainda assim, os dois conseguiram terminar tudo mais cedo do que a maioria dos outros alunos.
— Aaah, eu vou morrer. Hoje eu vou beber, e vou passar o fim de semana jogado na cama.
Yohan resmungou, entregando o último relatório.
— E a monografia, não vai preparar?
Era o último semestre dos dois, estavam prestes a se formar. Portanto, mesmo acabando os relatórios, logo chegaria a época de entregar o trabalho de conclusão de curso.
— Já terminei isso. Venho preparando há muito tempo. Você não está planejando viver na biblioteca na próxima semana também, está?
A expressão de Yohan claramente dizia: você tem que sair comigo, nem se atreva a preferir a tese? Siheon apenas soltou uma risadinha.
— O quê? Você ainda precisa preparar a tese?”**
— E se eu disser que sim?
— Sem chance. Termine isso agora! Eu ajudo, então vamos resolver em um ou dois dias!
Siheon quase riu. ‘Olha só, até se ofereceu para ajudar.’ O problema era que se Yohan ajudasse, ia ficar na cara. Diferente dele, que só precisava ver ou ouvir uma vez para memorizar, Yohan era naturalmente curioso, e essa curiosidade não se limitava ao seu campo de estudo. Seu conhecimento ia muito além do nível de um universitário comum. E ninguém mais conseguiria imitar isso.
— Já terminei. Não se preocupe.
Quando ouviu a resposta que queria, Yohan abriu um sorriso radiante. Desde que começaram a namorar seriamente, suas expressões ficaram muito mais vivas.
— Perfeito! Então vamos.
Yohan agarrou o braço dele e o puxou. Siheon perguntou para onde iam, mas ele só respondeu que precisava extravasar o estresse que acumulou durante esses dias.
Saíram da faculdade e pegaram um táxi sem nem pensar. Yohan pediu para o motorista ir para Itaewon.
‘Itaewon? Não me diga…’
Seu pior pressentimento logo se tornou realidade. O lugar para onde Yohan o levou era uma balada em Itaewon. Por ser sexta-feira, o local já estava lotado desde o início da noite. A música alta abafava qualquer conversa, a menos que gritassem. Depois de comer um pouco e beber cerveja em uma mesa alta, ele sugeriu ir para a pista de dança. Quando Siheon recusou, Yohan disse que ia sozinho mesmo e subiu na pista.
Era um clube onde metade das pessoas eram estrangeiras, mas Yohan se destacava fácil. ‘Por que essa peste além de bonito ainda dança tão bem?’ Não importava a música, ele mexia o corpo perfeitamente no ritmo e ele parecia genuinamente feliz, suando enquanto dançava para aliviar o estresse.
‘Quando a pessoa é bonita realmente fica bem em qualquer situação.’
Siheon observou com tranquilidade enquanto Yohan ocasionalmente olhava para ele com um sorriso provocante.
Mas, com o tempo, a testa dele começou a se franzir. Uma, duas pessoas começaram a se aproximar de Yohan, com um olhar de desejo impossível de esconder. Um deles, especialmente, envolveu a cintura de Yohan com o braço, liberando feromônios alfa sem pudor.
‘Ah, porra. Agora entendo porque Ryu Noah é um cão de guarda insuportável.’
Engolindo o incômodo que subia, ele se levantou e foi direto para a pista.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)