Ler Controle – Capítulo 65 Online
— Ei, s-sunbae…
Jaryeong hesitou, chamando Noah, e então tentou puxar o braço que ele segurava. Só então Noah soltou um suspiro curto e afrouxou a mão.
— Desculpa. Eu te arrastei até aqui sem falar nada.
— Não! Eu quem peço desculpas. Acabei ouvindo sem querer…
Ao ver Noah se desculpar, Jaryeong ficou ainda mais constrangido. Balançando as mãos, ele se desculpou várias vezes, insistindo que a culpa era dele.
— Haa… Não precisa fazer isso.
— O quê?
Jaryeong não entendeu o que ele quis dizer e apenas piscou, confuso.
— Não fique assim parecendo, tão intimidado. Você não cometeu nenhum pecado mortal…
Ele parou no meio da frase porque Jaryeong sorriu como se estivesse prestes a chorar.
— Eu cometi, sim.
A voz dele era tão baixa que parecia sumir, e com isso o peito de Noah se apertou.
— Na prática, a RF Digital não teve nenhum prejuízo, certo? O acordo que a mãe fez com a Seonwoo Eletrônicos também está indo bem. E o smartphone que a RF Digital estava desenvolvendo também será lançado sem problemas.
— Mas mesmo assim…
Jaryeong baixou o olhar para o chão.
— As coisas só deram certo porque o Yohan Sunbae registrou a patente rapidamente. Se não fosse isso, teria sido um desastre muito maior.
Ele murmurou sem nem conseguir levantar a cabeça.
— Além disso… eu traí os sunbaes…
A voz dele foi sumindo cada vez mais, até que Noah teve que se esforçar para ouvir as últimas palavras. Ele engoliu em seco para conter o suspiro.
Tudo o que Jaryeong disse estava certo. Yohan também tinha dito a mesma coisa. Era um fato: Woo Jaryeong tinha errado. Mas, mesmo sabendo disso racionalmente, vê-lo tão desanimado o deixava inquieto a ponto de enlouquecer. Se ele fosse uma pessoa descarada, seria irritante, mas sua expressão, olhando para ele como se fosse morrer de medo, fez Noah sentir como se fosse ele que estava fazendo algo horrível.
‘Talvez fosse melhor fazer como o Yohan e simplesmente ignorar. Será que assim vou me sentir mais tranquilo?’
— Ah…
Ele soltou um suspiro profundo sem querer, e ao ouvir o som, Jaryeong se encolheu.
Parecia um bichinho pequeno, apavorado. Antes, ele só agia assim na frente de Yohan, mas agora fazia o mesmo com Noah. Isso o incomodava profundamente.
— Quer levar um soco, então?
— O quê?
Jaryeong arregalou os olhos, surpreso com a proposta absurda, e olhou para Noah.
— Você está se sentindo mal, não está? Morrendo de culpa, não é? Então, se levar um soco, talvez se sinta mais aliviado?
Jaryeong piscou lentamente e depois riu sem graça. — Ahaha…— Era um sorriso tão forçado que Noah franziu as sobrancelhas ao vê-lo.
— Isso resolveria alguma coisa?
— Bom…
Na verdade, desde o começo, Noah não tinha ficado realmente bravo com Jaryeong. Tinha se chocado ao descobrir que ele era um espião, mas, estranhamente, não sentiu a mesma fúria que sentiu quando pensou que era Cha Siheon.
— O Sunbae… fica tão tranquilo quando não é algo relacionado ao Yohan sunbae, não é?
— Ah…
Noah não tinha como negar a observação de Jaryeong. Era verdade, mas, ao mesmo tempo, parecia que não era só isso… Se fosse só por causa do Yohan, ele não teria brigado daquele jeito com ele mais cedo.
Nem ele sabia explicar esse sentimento confuso.
— Se bater em mim vai fazer o sunbae se sentir melhor, eu aceito quantos socos forem.
Jaryeong fechou os olhos, calmamente. Ao vê-lo ali, quietinho, sem nenhuma resistência, pronto para levar qualquer golpe, Noah sentiu a vontade sumir. Na verdade, ele nem queria bater desde o início.
Noah apertou o punho, pensando que talvez, se desse um soco, Jaryeong se sentiria menos culpado. Mas no final, nem conseguiu levantar o braço.
‘Se eu bater nele uma vez, será que ele vai se sentir menos culpado quando estiver perto de mim?’
Ele tentou cerrar o punho, mas no fim não conseguiu levantar a mão.
— Argh…
Soltou um som estranho enquanto coçava a cabeça, frustrado. Jaryeong abriu os olhos e olhou para ele, confuso.
— Quem têm que te punir é a minha mãe. O que você fez de errado foi contra a RF Digital, não contra mim.
Dias atrás, a mãe de Noah já tinha contado que a RF Digital tinha aberto um processo contra Jaryeong por desvio de recursos e vazamento de informações sigilosas. Como não tinha risco de fuga, ele estava respondendo em liberdade e podia continuar indo à escola.
A punição que ele merecia já ia vir pela lei. Por que Noah também tinha que punir Jaryeong? Ele não entendia.
Quando Noah estendeu a mão, Jaryeong se encolheu, achando que ia apanhar. Noah segurou o suspiro que vinha subindo de novo e, em vez de bater, deu um tapinha de leve na cabeça dele.
— Sunbae…?
Jaryeong levantou os olhos só um pouquinho, procurando o rosto de Noah. Por mais que pensasse e repensasse, Noah não encontrava motivo para ficar bravo com ele.
— Por que não podemos só… voltar a ser como antes?
As pupilas de Jaryeong tremeram, refletindo o rosto de Noah.
— Você não fez nada contra mim. E, além disso, eu não estou tão bravo com você assim. Você diz que me traiu, e… sim, você errou. Errou feio. Mas você já está se sentindo culpado o suficiente. Não é o bastante?
— O Sunbae… está me perdoando?
A voz dele ficou embargada.
— Não tem o que perdoar ou não perdoar. O que me incomoda é ver você todo sem jeito, pisando em ovos comigo. Então só volte a ser como antes. Isso vai me deixar mais tranquilo.
Em segundos, os olhos de Jaryeong se encheram de lágrimas. Logo depois, as lágrimas começaram a cair, deslizando pelas bochechas.
— Ei, ei! Por que você está chorando?
— N-não é nada…
Ele não conseguia nem falar direito, só abaixou a cabeça, com os ombros tremendo. Aquilo doía em algum canto do peito de Noah. Ele respirou fundo, engoliu o suspiro, passou um braço pelos ombros de Jaryeong e o puxou para um abraço, com a outra mão acariciou suas costas e assim, em silêncio, Jaryeong chorou ainda mais, por um bom tempo.
***
— Por que você parece tão irritado?
Na hora do almoço, Siheon encontrou Yohan e reparou logo na expressão dele. Era raro ver aquele cara, que normalmente sorria até quando queria ferrar alguém, com o rosto tão fechado.
— Não me diga que é por causa do Ryu Noah?
Perguntou quase sem acreditar, mas o canto da boca de Yohan tremeu, denunciando tudo. Claro que era. Saber que o único que fazia Yohan perder a compostura era Noah não deixava Siheon muito feliz.
— O idiota disse que eu deveria ‘me dar bem’ com o Woo Jaryeong.
E o motivo era ainda mais absurdo. Siheon sabia que, ultimamente, Yohan estava ignorando Jaryeong descaradamente. Depois do vazamento do projeto da RF Digital, era mesmo impossível agir como antes. Era natural que ficassem estranhos, mesmo assim, a reação de Yohan era… inesperada. Dada a sua personalidade, Siheon imaginava que ele iria mantê-lo por perto, sorrindo enquanto o torturava devagar.
— Você também não está pegando pesado demais?
O olhar de Yohan se ergueu, afiado.
— Se está bravo por causa do caso de espionagem, deveria estar comigo também.
Yohan ficou sério com a provocação de Siheon.
— Eu também desviei informações. A diferença é que eu não fui pego.
— Também tem a diferença de que você não passou nada pro Grupo Seonwoo.
— Ainda não. Mas eu poderia fazer isso a qualquer momento, se quisesse.. Você sabe disso, não é?
Yohan fechou bem a boca e ficou olhando para Siheon. Não que ele tivesse esquecido da memória extraordinária do outro. Mas, mesmo assim, acreditava que Siheon nunca entregaria aqueles documentos. Pelo menos não agora. E enquanto os dois estivessem juntos.
As pessoas são imprevisíveis, podem trair ou apunhalar pelas costas a qualquer momento. Ainda assim, agora mesmo, Yohan confiava em Cha Siheon. Era impossível negar o que Noah tinha dito: isso era puro sentimento pessoal. Era até frustrante admitir que sua própria cautela, que ele orgulhosamente considerava impenetrável, ficava frouxa quando se tratava de Siheon.
A emoção vencia a razão. Principalmente quando se tratava de Cha Siheon.
— O Woo Jaryeong… deixou o Siheon hyung numa situação difícil.
Ignorar Jaryeong não tinha nada a ver com perdoar ou não. Yohan podia muito bem sorrir e se dar bem até com um inimigo mortal. Era mais eficiente para vingança, afinal: deixar o outro baixar a guarda e atacar de surpresa. Mas nem isso ele queria fazer. Tudo porque Siheon estava envolvido. Porque Jaryeong havia exposto os segredos da família de Siheon.
— Isso aí soa como se você gostasse muito de mim, hein?
— Gosto. Gosto tanto que quero tirar da frente qualquer um que ameace ou incomode o Cha Siheon.
A resposta, dita num tom calmo, fez Siheon soltar um sorriso discreto enquanto bagunçava os cabelos de Yohan com a mão.
— Se for por minha causa, então não precisa fazer nada com o Jaryeong. Se for só raiva sua, não vou me meter, mas por mim não precisa.
Yohan virou só os olhos para encarar o rosto dele. Dava para ver que ele estava falando sério: não havia nem sinal de incômodo na expressão dele.
— Eu não sou fraco a ponto de ficar magoado ou ofendido com uma coisa tão pequena assim.
O tom era cheio de confiança. É… foi justamente por isso que Yohan se sentiu atraído por ele. Um cara que não se deixava arrastar pelos outros, que andava só na direção que ele mesmo queria.
— Pra falar a verdade, eu me incomodo mais é com o fato de você ter perdido a calma por causa de uma briga com o Noah do que por causa do Jaryeong.
Quando Siheon disse isso, os olhos de Yohan brilharam um instante.
— Isso é ciúmes?
— Ah, sei lá…
Siheon não negou, só deixou a frase morrer no ar. O sorriso de Yohan se abriu, vitorioso.
— Sabia! Então você gosta de mim, não é?
Siheon ficou encarando Yohan, depois soltou uma risada curta e virou o rosto de lado.
— Ah, por que não fala logo, hein? É tão difícil assim? Fala direito: Ryu Yohan, eu gosto de você. Vai, fala, só uma vez!
— Tá, tá.
Siheon respondeu como se estivesse acalmando uma criança, depois virou as costas.
— Vamos logo comer alguma coisa.
— Haa…
Yohan suspirou, balançando a cabeça devagar. Ele sabia que Cha Siheon gostava dele. Nunca duvidou disso. Se não gostasse, por mais desapegado que fosse, não teria abandonado o Seonwoo Seungmin, seu único parente de sangue, nem teria jogado fora o posto de herdeiro do Grupo Seonwoo para ficar com ele. Mas então, por que custava tanto falar uma frase tão simples?
‘Quem diria que eu ia ficar tão obcecado por ouvir um simples “eu gosto de você”.’
Era uma frase que ele tinha ouvido de tanta gente na vida que já tinha até perdido o valor. Quando alguém dizia “gosto de você”, ele sorria e agradecia, mas por dentro não sentia nada. Mas, com Siheon, ele queria ouvir essas palavras.
Agora, aquilo já era quase uma teimosia.
‘Eu vou fazer ele dizer. Vou fazer Cha Siheon confessar que gosta de mim, custe o que custar.’
— Anda, vamos juntos.
Yohan apressou o passo até ficar ao lado de Siheon. Sem hesitar, enfiou os dedos entre os dele, entrelaçando as mãos. Siheon olhou de relance para as mãos deles, mas, como se fosse a coisa mais natural do mundo, apertou de volta. Aquela reação, tão pequena, fez o canto da boca de Yohan se erguer devagar.
— Aquele ali não é o Ryu Yohan? E aquele cara não é o mesmo que ele beijou da outra vez?
— Sério? Então os dois estão namorando mesmo?
Os comentários sussurrados pelas costas não incomodaram nem um pouco os dois.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)