Ler Controle – Capítulo 64 Online

Modo Claro

 

— Por acaso isso é ciúmes?

Yohan disse, com um rosto sorridente. Siheon, só de ver a expressão dele, não quis admitir, mesmo que fosse verdade e virou o rosto, ignorando-o.

— Mesmo que não seja, não podia dizer que é? Agora que estamos namorando de verdade, qual o problema de sentir um pouco de ciúme?

Yohan disse, dando uma ênfase sutil na palavra “namorando”.

— Eu tenho ciúmes.

Ele continuou, endireitando o corpo na cadeira e fixando o olhar em Siheon.

— Até agora mesmo, aquela mulher na mesa do lado, que não para de te encarar, está me deixando irritado.

Siheon virou o rosto para olhar, mas Yohan ergueu a mão, impedindo.

— Se você olhar, vai acabar fazendo contato visual com ela. Não olhe. O hyung só precisa olhar para mim.

O jeito tão direto de exigir aquilo arrancou uma risada abafada de Siheon. Engraçado ele vir reclamar de olhares, sendo que, na verdade, quem mais chamava atenção ali era o próprio Yohan. Era impossível não notar: a aparência, o jeito – mesmo que ele quisesse, não tinha como passar despercebido na Coreia. Além da aparência marcante, era óbvio que ele era mestiço ou estrangeiro, o que naturalmente chamava muito mais atenção. Ainda assim, vê-lo fazendo birra por causa disso… era quase fofo.

Quem diria que Ryu Yohan pareceria fofo algum dia? Até um mês atrás – não, até quinze dias atrás – isso era simplesmente inimaginável. A vida realmente era imprevisível.

— Acho que sou mais possessivo e ciumento do que pensava.

‘Mais do que pensava, hein?’

Siheon não podia concordar com aquilo. Yohan sempre pareceu o tipo que seria extremamente possessivo em um relacionamento. Desde sempre tivera tudo o que queria, todos o mimavam, o rodeavam de amor – era óbvio que ele exigiria ainda mais de um namorado. E, ao mesmo tempo, era incrivelmente honesto. Gostava? Dizia. Queria? Pedia. Se jogava de cabeça, sem reservas, de um jeito tão direto que às vezes chegava a ser avassalador.

Ele não se importava com a possessividade e os ciúmes de Yohan. Na verdade, talvez ele fosse ainda pior. A diferença era que, nele, isso não teria nada de fofo. Nunca tinha desejado nada só pra si, nunca tinha realmente tido alguém por completo. Por isso, poderia se tornar assustadoramente controlador.

Se esse dia chegasse… Yohan ficaria ali, do mesmo jeito? Um garoto tão livre, tão inconstante – não fugiria, enjoado, quando visse o que Siheon era de verdade? Se temia alguma coisa, era isso. Não era o controle que Yohan tentava exercer sobre ele – na verdade, era o contrário.

— Isso não me incomoda nem um pouco.

— Que alívio. Então, a partir de agora, posso sentir ciúmes à vontade?

Parecendo mais animado, Yohan olhou para Siheon com um sorriso tão doce que parecia derreter. Era um sorriso bonito, mas Siheon não gostava de ver o olhar das outras pessoas grudado naquela expressão. Mesmo assim, não ia dizer isso em voz alta – não ainda. Mal tinham começado esse namoro direito, ele não queria expor tanto seu interior assim.

— Ah, começou.

Yohan, de repente, virou o rosto para a janela. Pum! No mesmo instante, Siheon também virou para ver. Do lado de fora, uma explosão colorida pintava o céu, uma imagem 3D de fogos de artifício, projetada tão realisticamente que se confundia com fogos de verdade. Tinha som e tudo, era como assistir a um verdadeiro festival dentro do restaurante.

Yohan olhava para aquilo com os olhos brilhando, como os de uma criança. Engraçado… Mesmo tendo crescido em um ambiente onde, se quisesse, seus pais ou Noah provavelmente organizariam um show de fogos real a qualquer momento, ele estava encantado como uma criança com algo tão simples.

Imprevisível.

Realmente… era impossível entendê-lo. Era tudo o que Siheon conseguia pensar. Às vezes tão frio e astuto que chegava a dar medo – outras, completamente entregue, inocente e ele se deixava levar por esse contraste. Não importava qual lado aparecesse: gostava de todos. O Yohan calculista que caçava espiões e enfrentava a máfia, e o Yohan radiante como agora… ele amava os dois.

— Eu sempre quis ver isso com alguém. Desde criança eu amo esse lugar. A comida é boa, mas esse show de fogos aqui… faz a gente se sentir dentro de um livro de contos de fadas.

— disse Yohan, sem tirar os olhos da janela.

Quem imaginaria que ele era a mesma pessoa que enfiou um brinquedo na bunda Seonwoo Geon, dizendo que ele tinha que “pagar tudo que recebeu na mesma moeda.” Um anjo ou um diabinho? Ryu Yohan vivia exatamente na linha tênue entre os dois.

— É lindo, né?

Ele perguntou, ainda olhando as explosões coloridas, sem virar o rosto.

— É sim.

Siheon respondeu docilmente. Mas as palavras que surgiram tão naturalmente em sua mente foram engolidas.

‘Os olhos esmeralda que refletem esses fogos brilham mais do que o próprio espetáculo no céu noturno.’

 

***

 

A vida universitária recomeçou. Por ter faltado às aulas durante o estágio, Siheon agora estava sobrecarregado com trabalhos extras para compensar. Assim como Yohan e Noah, ele mal tinha tempo para respirar. O mesmo valia para Jaryeong.

Apesar de estarem em anos diferentes, faziam o mesmo curso – então Jaryeong tinha várias aulas em comum com Yohan e Noah. Dentro da universidade, ninguém sabia do caso de espionagem da RF Digital. Ainda assim, Jaryeong passou um tempo todo cabisbaixo, cheio de culpa. Noah, sempre que o encontrava, o cumprimentava normalmente como se nada tivesse mudado. Mas Yohan… Yohan fazia questão de ignorá-lo completamente.

— Até quando você vai continuar com isso?

No fim das contas, Noah não aguentou e interveio.

— Com o que?

— Ignorando o Jaryeong. Vai continuar fingindo que ele não existe?

— Estranho é você agir como se nada tivesse acontecido.

— Eu já te falei, não falei? Quando você foi sequestrado, foi ele quem ajudou a te encontrar.

Mesmo assim, Yohan apenas lançou um olhar atravessado, sem qualquer outra reação. Para ele, mesmo se Jaryeong não tivesse ajudado, a mãe dele teria dado um jeito de resolver tudo de qualquer forma. E o sinal de GPS com código que ele mesmo mandou para Noah era fácil de decifrar, se alguém prestasse um pouquinho de atenção. Qualquer um teria conseguido, não precisava ser Jaryeong.

— Eu não pedi ajuda de ninguém.

— Yohan…

Noah soltou um suspiro longo. Eles raramente discordavam, e o fato de Yohan estar sendo frio com ele chamou a atenção de quem estava por perto.

— Eu nem sei por que tenho que ficar discutindo isso com você por causa dele.

— Nossa mãe decidiu puni-lo do jeito dele por espionagem. Não consigo deixar de pensar que você está sendo tão cruel com Jaryeong por causa de Cha Siheon.

A acusação de Noah era certeira. Por causa de Jaryeong, Siheon fora crucificado publicamente. Até seu indesejado vínculo com o presidente Seonwoo Seungmin vazou para a imprensa e se tornou fofoca. O próprio Jaryeong ainda espalhou aquilo como se fosse só um rumor que tinha ouvido por aí. Pensar que talvez o Seonwoo Geon tivesse mandado fazer isso para encurralar Siheon deixava Yohan ainda mais irritado.

— E você? Você realmente perdoou tudo isso só porque ele te ajudou a me encontrar?

— O que você quer dizer com isso?

— Quero saber se não tem outro sentimento envolvido.

— Haa…

Noah respirou fundo outra vez. Normalmente, nessa altura, ele já teria dito que era um mal-entendido, que não fazia sentido e acalmaria Yohan. Mas, por algum motivo, seu rosto transparecia frustração.

— Quem está deixando sentimentos pessoais interferirem aqui é você, não eu.

— Noah!

Os dois ficaram em silêncio, se encarando. Geralmente, bastava um olhar para entenderem um ao outro, mas dessa vez era impossível entender.

— O que é que você quer que eu faça, então?

Depois de um longo silêncio, Yohan foi o primeiro a ceder. Se ele continuasse batendo de frente com Noah, sabia que aquilo acabaria virando uma briga de verdade.

— Trate o Jaryeong como antes.

Foi uma exigência absurda, que o fez fechar os lábios. Ele sempre cedia aos desejos de Noah, mas, no caso de Woo Jaryeong, ele simplesmente não conseguia engolir aquilo.

— Pense bem, é até triste, não é? Ele não fez aquilo porque quis. Com a família ameaçada, ele não tinha outra escolha.

— Se justificarmos crimes assim, não há limite para nada

Ao ouvir aquela resposta fria, Noah fechou a boca, endurecendo a expressão. O silêncio voltou a se espalhar entre eles. Vendo que aquilo não teria fim, Yohan tentou mudar o tom para acalmá-lo e ia chamá-lo pelo nome, mas Noah se adiantou e falou primeiro.

— Ele sabe que errou e está arrependido. Ele nem consegue olhar direito para você ou para mim ultimamente.

‘Isso é o mínimo.’

— “Odeie o pecado, mas não o pecador”, não é isso que dizem?

‘Olha só quem virou santo agora.’

— Seguindo essa lógica, a mãe nunca deveria ter perdoado o pai.

‘Caramba. Ele realmente vai usar o passado dos nossos pais só para defender Woo Jaryeong?’

Yohan ficou pasmo, mas não tinha como dizer que ele estava errado.

— Eu só não gosto dele, pronto. Antes, ele era só um desconhecido, mas agora eu peguei birra.

Ele pensou que, pelo menos, Noah não teria coragem de forçar a barra e mandar ele ser amigo de quem não queria. Olhou para Noah com uma expressão de “está satisfeito?”, mas Noah franziu a testa.

— Eu também não gosto do Cha Siheon.

A resposta inesperada fez Yohan morder o lábio de irritação.

— Mas mesmo não gostando, você está namorando com ele.

— E você está namorando o Jaryeong, por acaso?

— Não, não estou namorando com ele. Só estou pedindo para tratá-lo como antes, como um simples hoobae.

O tom de Noah deixava claro: É tão difícil assim? E, por trás, vinha embutida a cobrança: Eu também não suporto o Cha Siheon, mas o engulo por você.

Yohan sabia. Sabia bem que Noah não engolia Siheon, mas, mesmo assim, trabalhou junto com ele para salvá-lo, desde então, não foi mais tão agressivo. Não era porque tinha simpatizado com Siheon – era só porque ele, Yohan, gostava do alfa. Mesmo entendendo tudo isso, as palavras “tá bom, vou tratar bem o Jaryeong” não saíam. Ficou em silêncio, teimoso, e Noah soltou outro suspiro.

— E se eu dissesse que gosto do Jaryeong? Que vou começar a namorar com ele? Você o trataria melhor?

— O quê?!

Yohan franziu o rosto com pura incredulidade. Foi então que, atrás deles, ouviu-se um ploc, algo caindo no chão. Quando Yohan olhou para trás, viu Jaryeong parado, arregalando os olhos, completamente congelado. Aos seus pés, a bolsa que segurava tinha caído, espalhando tudo pelo chão.

— D-Desculpa!

Ninguém tinha dito nada, mas Jaryeong abaixou a cabeça num pedido de desculpas, apressado, e começou a catar tudo do chão, enfiando de volta na bolsa de qualquer jeito. Quando terminou, se levantou devagar, mas parou sem saber o que fazer ao perceber que Yohan e Noah o encaravam.

— Eu… eu não estava ouvindo de propósito. Eu só estava passando, bem na hora…

Seus olhos vacilaram até encontrarem os de Noah. Pelo jeito, ele tinha ouvido bem a última frase. Noah respirou fundo, tentando se recompor, mas, dessa vez, os olhos de Jaryeong foram parar em Yohan. Assim que seus olhos se encontraram, Jaryeong desviou o olhar rapidamente.

Sem saber o que fazer, Jaryeong ficou ali, parado, sem coragem de sair andando. Yohan já ia abrir a boca, irritado, para falar alguma coisa, mas Noah foi mais rápido: segurou o braço de Jaryeong.

— Vamos.

— Hã?

Sem esperar resposta, Noah o puxou e foi embora com ele. Yohan, deixado para trás, soltou um suspiro frustrado.

 

°

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Continua….

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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