Ler Controle – Capítulo 62 Online

Modo Claro

Yohan recusou quando o pai ofereceu um jato particular só para ele. Respondeu que o voo não era tão longo assim e que preferia voltar em um avião comum, então embarcou sozinho. Quando chegou ao aeroporto, passou pela imigração e, ao sair, deu de cara com uma pessoa que não esperava ver.

Alto, com traços marcantes e, acima de tudo, aqueles olhos azuis que pareciam ainda mais intensos sob a luz. Era impossível dizer de cara se ele era mestiço ou não – de qualquer forma, a presença de Siheon chamava atenção. Quem passava, parava para dar uma segunda olhada. Assim que Siheon avistou Yohan, caminhou até ele – e os olhares da plateia involuntária o seguiram. Logo vieram os sussurros.

— É um modelo estrangeiro?

— Acho que já o vi em algum lugar… Será que é ator?

Quando alguém pegou o celular para tirar uma foto, Siheon se colocou na frente de Yohan, cobrindo-o de forma natural.

— Que tipo de jogo é esse? Vai bancar meu segurança agora?

Yohan ergueu o rosto para ele, rindo.

— Ser seu guarda-costas uma vez já foi o suficiente. Não quero repetir.

Siheon respondeu, meio sério e Yohan não segurou o riso. Pensando bem, ninguém gostaria de passar por aquilo duas vezes. Tiveram sorte de não se ferirem daquela vez, mas se dessem um passo em falso, ele mesmo, Noah ou Siheon teriam se machucado feio. E talvez nem fosse só questão de sorte – Noah e Siheon colaboraram mais do que ele esperava, por isso tudo acabou rápido.

— E desde quando você e o Noah ficaram tão próximos? Não me diga que agora vai namorar com ele ao invés de mim?

Yohan brincou. Siheon, porém, fez uma cara tão séria que ele ficou surpreso.

— Nunca fomos próximos. Namorar com aquele cara? Prefiro morder a língua e morrer.

— Tsk.

Yohan estalou a língua, rindo do jeito como Siheon deixava claro sua repulsa. Olhando bem, realmente era impossível imaginar os dois como casal. Mas pelo que viu, até que funcionavam bem juntos. Não como namorados, mas como parceiros, talvez, pelo menos em certas situações.

— Mas falando sério, o que está fazendo aqui? E como soube que eu chegava hoje?

— Foi o Noah que me contou.

Não acabou de dizer que odiava o Noah? Aquilo pegou Yohan de surpresa. Enquanto o olhava, Siheon parou de andar, virou-se para ele e o examinou dos pés à cabeça, devagar.

— Parece inteiro.

Demorou um segundo para Yohan entender que ele estava, na verdade, conferindo se estava bem. Sorriu de leve, erguendo o olhar para Siheon. Ele ainda era frio e sem muita expressão, mas a preocupação estava ali, tão clara que dava para sentir.

— Naquele dia, estava tudo tão caótico que não pude perguntar… O que você negociou com o presidente Seonwoo Seungmin em troca dos guarda-costas do Grupo Seonwoo?

Siheon o encarou e depois soltou uma risada curta.

— Está preocupado comigo?

O tom era de surpresa.

— É a mesma coisa. Você também acabou de me examinar para ver se eu estava machucado.

— Pois é.

Siheon respondeu com naturalidade e continuou andando.

— Não houve grande negociação. O presidente Seungmin agiu por interesse próprio naquele momento, por isso cedeu os seguranças. Se você não fosse resgatado, o Grupo Seonwoo sofreria um prejuízo enorme. Foi só isso.

‘Duvido.’

Yohan pensou. Tinha certeza de que havia mais alguma coisa ali, mas Siheon claramente não pretendia contar. E ele também não quis insistir – havia outra pergunta mais importante agora.

— Fiquei pensando sobre aquele dia…  quando você me mostrou os arquivos da RF Digital, depois apagou tudo. Pensei, repensei… — Yohan seguiu ao lado dele, falando baixo. — Apagá-los significa que você não tinha intenção de entregá-los ao Grupo Seonwoo ou, mais precisamente, ao presidente Seungmin, certo?

Siheon não negou.

— E isso quer dizer, na prática, que você não quer um lugar dentro do Grupo Seonwoo.

Um canto da boca de Siheon se curvou levemente.

— Se eu fosse você Siheon hyung, mesmo pensando assim, agora que o Seonwoo Geon está completamente enterrado, você poderia consolidar sua posição de outras formas. Mas hyung, você não tem mais intenção de entrar no Grupo Seonwoo, tem?

Yohan perguntou com certeza. Mesmo sendo um filho fora do casamento, com o herdeiro designado Seonwoo Geon caído, Siheon tinha todas as chances do mundo. Claro, ele tinha apagado os arquivos da RF Digital antes mesmo do sequestro de Yohan, mas mesmo naquele momento já não parecia ter interesse nenhum pelo Grupo Seonwoo. Pelo menos, foi isso que Yohan concluiu.

— É por minha causa?

Dessa vez, Siheon virou o rosto para ele.

— Você passou a vida toda tentando entrar no Grupo Seonwoo, não foi? Chegou a comprar ações da Seonwoo Electronics também. Não queria mendigar o favor do presidente Seungmin, mas queria entrar na Seonwoo Eletronics e ser reconhecido de verdade, não era?

Siheon permaneceu calado, olhando fixamente para Yohan. Até onde aquele moleque sabia? Sabia das ações que ele comprou, e até o porquê – mais do que o próprio presidente Seonwoo Seungmin ou Seonwoo Geon. E tudo isso, em questão de um mês.

— Eu me tornei tão importante assim para você a ponto de largar o Grupo Seonwoo?

A pergunta descarada fez Siheon soltar uma risada curta pelo nariz. Essa confiança, que antes era irritante, agora parecia quase adorável. Não tinha mais como negar. Não sabia bem quando, mas ele tinha, sim, se apaixonado por Ryu Yohan.

— Bom, se fosse para escolher entre o Grupo Seonwoo e você… eu escolheria você.

Os olhos de Yohan, ainda fixos nos dele, se curvaram, brilhando.

— Você sabe que isso é uma baita declaração, certo?

— Nem tanto…

— Pergunte a qualquer pessoa na rua. Se tivessem que escolher entre o Grupo Seonwoo e uma única pessoa, você acha que elas iam escolher quem?

Mesmo abalado, o Grupo Seonwoo ainda estava entre os cinco maiores conglomerados do país. Abrir mão do posto de herdeiro para escolher Yohan – claro que qualquer um diria que era algo impressionante. Mas pra Siheon, não era grande coisa. Desde o começo, o que ele queria não era ser reconhecido como o “sucessor” de Seonwoo Seungmin, mas como o “filho”.

Só que agora Seonwoo Seungmin queria um herdeiro alfa perfeito. Siheon não tinha intenção nenhuma de virar peça de xadrez para brincar no tabuleiro do velho. Então, como Yohan disse, não era uma confissão tão grandiosa assim. Apenas uma escolha feita sob várias circunstâncias.

Claro, foi uma escolha possível porque era Yohan. Se fosse qualquer outra pessoa, no instante em que desistisse de ser “filho” de Seonwoo Seungmin, teria dado um jeito de entrar no Grupo Seonwoo de qualquer maneira, e assim, escolhido o caminho da vingança.

— Então você quer namorar seriamente comig… mmph!

Siheon ergueu a mão e tapou a boca de Yohan. Ele reclamou com o olhar, como quem dizia “o que está fazendo?”, mas Siheon não tirou a mão.

— Esse seu jeito, viu…

Siheon estalou a língua. Yohan revirou os olhos, bravo.

— Vou tirar a mão, mas não diga o que ia dizer.

Depois de avisar, tirou a mão. Quando viu a cara emburrada do Yohan, quase riu.

— Preferiu a mim ao Grupo Seonwoo, mas então por que…

— Yohan.

Cortou de novo. Yohan, irritado, virou o rosto de uma vez, como quem dizia “faça o que quiser então”. Siheon esperava que ele levasse a situação com mais leveza, como sempre, mas estava enganado.

— Então você gosta tanto de mim assim, que não consegue agir com sua calma de sempre, hein?

— …

Ele não esperava que Yohan fosse reagir fugindo, como se estivesse emburrado de verdade. O engraçado era que Yohan podia até fazer charme, mas raramente mentia. Mas sua expressão estava mais séria do que o esperado.

— Responda.

— Pra quê? Você só quer me provocar sem ter nenhuma intenção real. Você tem uma personalidade horrível.

Siheon soltou um riso abafado. Ouvir do próprio Ryu Yohan que ele tinha uma personalidade horrível – isso era ótimo.

— Deixa pra lá. Eu que fui idiota de esperar alguma coisa.

Ele parecia realmente magoado, caminhando rápido na frente, tentando ir embora primeiro. Mas Siheon agarrou o braço de Yohan, girou-o de volta e, no instante em que aqueles olhos verde-esmeralda se voltaram para ele, Siheon envolveu sua mão atrás da cabeça do outro e o puxou para perto. Viu os olhos de Yohan se arregalarem quando a distância entre os dois desapareceu num instante.

E então, seus lábios se encontraram. Não foi um beijo leve, mas algo profundo, como se quisesse devorar até o último suspiro do outro. A língua dele abriu caminho, explorando cada canto da boca de Yohan. — Hmm… — Um gemido curto escapou dos lábios de Yohan.

Foi um beijo tão demorado que fez quem passava parar para olhar, mas Yohan não se apressou em empurrar Siheon para longe.

— Isso… quer dizer o quê?

Assim que os lábios se afastaram um pouco, Yohan perguntou. Ainda estavam tão próximos que, a cada palavra, a respiração quente dos dois se misturava.

—O quê você acha que isso quer dizer?

Siheon não respondeu diretamente, provocando-o. Yohan revirou os olhos, irritado, e tentou empurrar o peito dele. Mas Siheon tomou os lábios do ômega novamente. Quando sentiu a língua roçando no céu da boca, Yohan estremeceu e o empurrou com força.

— O que você está fazendo?!

Parece que tinha atingido o limite da paciência, – estava visivelmente irritado. Era estranhamente fascinante vê-lo perder a compostura – aquele que sempre sorria e falava o que queria. Siheon se deu conta de que talvez tivesse mesmo um lado sádico.

‘Porque ele fica ainda mais bonito quando está furioso.’

— Vamos namorar?

A frase saiu sem aviso, como se fosse a coisa mais simples do mundo. As sobrancelhas finas de Yohan se franziram – não de surpresa, mas de pura descrença.

‘Realmente, ele é imprevisível.’

— Acho que meus ouvidos estão me enganando.

— Não tá, não. Eu disse isso mesmo, te pedi em namoro. Não por tempo limitado, mas de verdade.

— …Você gosta de mim?

— O suficiente para te pedir isso.

— Cha Siheon!

Por não ouvir a resposta exata que queria, Yohan deu um grito. Siheon caiu na gargalhada.

— Você é realmente impossível de entender.

Yohan resmungou. Era estranho vê-lo assim, alguém que lia a mente de todo mundo, mas não conseguia decifrar os sentimentos ou as intenções de Siheon, e isso claramente o deixava inquieto.

— Pensei que isso poderia ser bom.

Siheon considerou uma sorte ser assim para Yohan. Enquanto ele não conseguisse entender completamente o homem, não perderia a curiosidade tão cedo.

— Você sempre faz coisas que eu não espero.

— …E daí?

— Se duas pessoas se entendem completamente, se sabem tudo uma da outra, o namoro se torna confortável. Mas também deve ser entediante.

Diante do comentário, uma das sobrancelhas de Yohan arqueou.

— Mas é interessante também ficar sempre em alerta um com o outro, tentando adivinhar o próximo passo, quebrar a cabeça para ver quem controla quem primeiro. Não acha?

Yohan pareceu entender o que Siheon queria dizer – o rosto dele relaxou, e logo o sorriso bonito, a marca registrada dele, se espalhou de novo pelos lábios.

— Vai dizer que não quer?

Diante da pergunta de Siheon, Yohan sorriu em silêncio.

— Como eu poderia? Além disso, tenho motivos para querer controlar Cha Siheon completamente.

Ele sorriu radiante, enlaçou os braços no pescoço de Siheon. Repetiu as palavras que já tinha dito antes – Siheon também sorriu, do jeito dele.

— Mas, se for para namorar comigo, vai ter que estar preparado para muita coisa.

— Eu já estou prepa-…

Siheon nem terminou de falar, dessa vez foi Yohan quem tomou os lábios dele de novo. E Siheon se deixou beijar, sem resistência. Não se importava se as pessoas olhavam. Quando escolheu Ryu Yohan, já sabia que viveria exposto aos olhos de todos, e não se importava nem um pouco.

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Continua…

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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