Ler Controle – Capítulo 60 Online
Vladivostok, Rússia.
No subsolo da sede Galayev havia um espaço que quase nunca era usado, a maioria dos funcionários nem sabia que existia. Superficialmente, parecia abrigar apenas uma sala de exercícios para os seguranças da empresa e uma sala de servidores, entretanto mais ao fundo havia um cômodo completamente isolado.
Nos últimos anos, aquele lugar permaneceu inativo – até agora.
Agora, uma única lâmpada iluminava o centro da sala onde Maksim que estava amarrado a uma cadeira, franzia a testa enquanto olhava em volta. Era um lugar desolador: paredes de metal ou concreto, sem janelas ou qualquer sistema de ventilação visível. A única saída era a porta à sua frente.
Se fosse comparar, até a sala de tortura da própria mansão dele parecia menos sombria do que aquilo. Ele não tinha ideia de quanto tempo havia passado ali. Quando recuperou a consciência, já estava naquela sala. No começo, ainda berrou, se debateu – até perceber que ninguém ia ouvi-lo. Quando entendeu, parou. Tudo o que conseguiu foi uma garganta dolorida e pulsos feridos pelas cordas.
‘Quanto tempo vão me deixar aqui?’
Quanto mais o tempo passava, mais aquele cômodo vazio parecia sufocá-lo. Sem nada para fazer, sem ninguém para conversar, a loucura vinha chegando devagar.
Creec.
O som da porta abrindo fez Maksim erguer a cabeça bruscamente. Um homem de meia-idade, com cabelos platinados e um semblante gelado, entrou. ‘Ilya Galayev!’ Maksim lembrava bem daquele rosto.
Atrás dele, outros entraram, incluindo Yohan Galayev. Mesmo com o mesmo cabelo platinado e traços parecidos, era fácil notar a diferença: Yohan tinha um ar doce, quase floral; Ilya carregava consigo um ar gélido, como se congelasse o próprio ar ao seu redor.
— «Maksim Novikov.» — A voz de Ilya soou clara. — «Na Coreia existe um ditado interessante: “Um filhote de cachorro com um dia não sabe ter medo do tigre.”»
Maksim franziu ainda mais a testa, sem entender. Ilya se aproximou, ergueu o queixo dele com o cano de uma arma.
—«É usado para descrever jovens arrogantes como você, que ousam desafiar os mais fortes.»
O cano da arma roçou o pomo de adão de Maksim, que soltou um grunhido preso na garganta.
—«Se queria mesmo vingar seu pai, devia ter sido mais esperto. Em vez de me enviar ameaças, devia ter feito tudo calado… e me mandado só uma cabeça decepada.»
BANG!
O tiro estourou o ar – Maksim se encolheu num espasmo. A bala perfurou o assento da cadeira entre suas pernas, deixando um rastro de fumaça.
— «Agradeça por eu ter deixado a máfia. Se não fosse por isso, eu não teria deixado cuidassem desse ferimento.
Instintivamente, Maksim olhou para a própria barriga. Havia bandagens cobrindo o local onde Cha Siheon o atingira no hotel na Coreia.
— «Me mata logo, seu desgraçado.»
— «Não precisa agradecer. Você só está vivo porque precisa morrer pelas minhas mãos.»
Maksim sorriu com escárnio, mas o olhar de Ilya permaneceu frio como gelo.
— «Se fosse por mim, já tinha te despedaçado umas cem vezes.»
A voz baixa de Ilya fez Maksim engolir seco. Então, Ilya fez um sinal, na parede lateral, uma tela se acendeu, mostrando uma mulher de uns cinquenta anos, tomando chá calmamente.
— «Filho da puta…! »—
Maksim cerrou os dentes, seus olhos estavam vermelhos de raiva. O olhar de Ilya, no entanto, não se desviou, continuou gelado.
— «Se tocar um dedo na minha mãe depois do que fez com meu pai, seu bastardo…! Eu juro que vou te caçar até o inferno e acabar com você!»
A ameaça soava patética, vinda de um homem amarrado. Ilya nem respondeu – só ficou olhando a tela. Logo, a imagem mudou.
Hã…?
Os olhos de Maksim se arregalaram. Era a sede da organização dele. Pequenas esferas metálicas, do tamanho de bolas de pingue-pongue com asas, voavam como insetos para dentro do prédio. Em seguida – BOOM, BANG! – explosões por todos os lados. Labaredas subiam, gritos ecoavam. Mas as saídas já haviam sido seladas e ninguém escaparia.
O prédio começou a desmoronar lentamente. A enorme mansão reduziu-se a pó em instantes, desaparecendo sem deixar rastros.
— «Aprendi com você que é preciso cortar o mal pela raíz para que não voltem a crescer.» — Ilya murmurou em voz baixa. — «Seu pai ousou tocar em uma pessoa que era muito preciosa para mim.»
Os olhos de Ilya se voltaram para Yohan, que estava atrás, observando em silêncio. Oito anos antes, o pai de Maksim Novikov havia sequestrado Yohan. Na época, ele procurou Ilya pedindo apoio financeiro para transformar sua organização em uma empresa legalizada. Mas era tudo fachada: ele não pretendia abandonar o crime, especialmente o tráfico de drogas, que continuava às escondidas. Quando Ilya recusou, o velho Novikov retaliou sequestrando Yohan.
Se Ilya ainda fosse um mafioso, teria feito do homem um crivo de balas na hora. Mas ele conteve sua fúria, optando por entregá-lo à polícia russa.
O que não esperava era que o maldito Novikov tivesse laços com a própria polícia. Para acobertar o esquema, os oficiais que o receberam o executaram durante a transferência.
A mídia só relatou que um chefe mafioso fora encontrado morto. Dentro da organização, todos acreditaram que Ilya o matou – inclusive Maksim Novikov.
No fim, Ilya devia ter exterminado toda a organização naquela época. Era um grupo pequeno, e mesmo tendo um filho, o garoto ainda era só um adolescente, não parecia ser uma ameaça. Deixá-lo vivo foi um erro. Agora, arrependia-se de ter baixado a guarda ao deixar a máfia.
‘Desta vez, não haveria margem para erro.’
Mesmo que os entregasse à polícia, nada garantia que a história não se repetiria.
— «Você ou sua mãe. Escolha um.»
Como mostrado no vídeo, a organização já estava destruída. Os sobreviventes estavam sendo caçados. Restavam apenas Maksim e sua mãe.
Ilya apontou a arma para cabeça de Maksim, o dedo encostando no gatilho.
— «Ilya!»
Natasha, que estava atrás, o chamou e balançou a cabeça em negação. O olhar dela correu até Yohan. Mesmo assim, o rosto de Ilya não se alterou nem um pouco.
— «Decida, Maksim Novikov.»
— «Vai se foder.»
Maksim riu, um som rouco e desequilibrado, como um louco.
— «Natasha. Leve o Yohan para fora.»
A ordem de Ilya foi firme. Natasha soltou um suspiro baixo e pegou o braço de Yohan, puxando-o para fora dali. Natasha estava acostumada a ver o lado mais sombrio de Ilya como mafioso, ao contrário de Yohan. E não havia por que deixá-lo ver aquilo.
BANG! BANG!
Assim que os dois saíram, dois tiros ecoaram pesados, seguidos. No espaço fechado, o barulho soava ainda mais forte.
Yohan virou o rosto para trás. Mesmo sem ver, ele imaginou o que acontecia atrás da porta fechada e engoliu em seco, em silêncio. Natasha deu leves tapinhas em suas costas, como quem acalma.
— «Eu nem me importava tanto assim…»
— «Saber na teoria e ver com os próprios olhos são coisas muito diferentes.»
Natasha balançou a cabeça.
— «Agora que penso… Ryu Jin também viu Ilya matar alguém pela primeira vez com mais ou menos a sua idade. Mesmo quando apontaram uma arma para cabeça dele, ele não pestanejou, mas naquele dia, ficou abalado.
Natasha balançou a cabeça, lembrando de algo que parecia muito distante. Foi o jeito de dizer que Yohan não precisava ter visto aquilo.
— «Por outro lado… fico pensando se precisava mesmo ir tão longe.»
A organização de Maksim estava destruída, já não era o bastante? Ele ainda tinha a mãe… se a usassem como refém, Maksim jamais se moveria de novo.
— «Você estava em perigo. Talvez não pareça, mas desde que soubemos que você tinha sido sequestrado, Ilya não conseguiu beber nem uma gota d’água por várias horas seguidas. Para ele, você, Noah e Ryu Jin, valem mais que a própria vida.»
‘Mesmo assim… será que tirar a vida de alguém era algo que podia ser justificado?’
Yohan não tinha certeza. Natasha, que o observava, soltou um leve suspiro pelo nariz, notando sua expressão.
— «Você não precisa entender. Você e Noah são, e sempre serão, pessoas comuns. Eu e o Ilya fingimos viver como pessoas normais agora, mas ainda temos que lidar com as sementes que plantamos no passado. Então não precisa se preocupar, nem carregar a culpa por isso.»
Com aquele consolo – que mais parecia uma constatação – Yohan apenas sorriu de leve, como quem aceita o que não pode mudar.
Pouco depois, enquanto esperavam no corredor, Ilya saiu da sala isolada. Yohan temeu encontrar o pai coberto de sangue ou em um estado horrível, mas seu pai parecia impecável, como sempre.
Ele observou o pai em silêncio. Tinha ido até a Rússia para ver com os próprios olhos como Maksim seria punido – mas agora sua cabeça estava um tanto confusa.
— «Yohan.»
Ilya o chamou e ergueu um braço. Yohan se aproximou sem hesitar, o braço dele pousou em seu ombro, puxando-o para um abraço contido.
— «Me desculpa… por ter deixado você passar por isso duas vezes.»
A voz de Ilya, que até instantes atrás era puro gelo, agora soava calorosa. Yohan balançou a cabeça. Era algo que quase ninguém teria que enfrentar – mas, diferente de quando tinha quinze anos, dessa vez não se sentiu com medo. Tinha Noah. E a certeza de que seus pais fariam de tudo para protegê-los.
Além disso, no fim, até Cha Siheon se envolveu por ele. Aquilo sim tinha sido uma surpresa e tanto. Por isso, mesmo sendo algo horrível, não podia dizer que tinha sido de todo ruim.
— «Venha pra Coreia uma hora dessas. Quero apresentar alguém para você.»
Yohan levantou o rosto, sorrindo radiante para o pai. Ao ouvir “apresentar alguém”, o rosto de Ilya ficou tenso por um instante – mas o filho fingiu não perceber.
***
O jantar que Ryu Jin ofereceu aconteceu, curiosamente, na casa onde Yohan e Noah viviam. Ele disse para Noah, por meio da secretária, que queria comer o befstroganov que ele fazia – e mandou os ingredientes 30 minutos antes de sair do trabalho. Noah ficou sem reação, mas mesmo assim acabou preparando o jantar com o que Ryu Jin enviou.
Siheon até se ofereceu para ajudar, mas Noah recusou, dizendo que ele era convidado e devia só esperar em paz. O befstroganov (estrogonofe de carne) era um prato russo – de carne bovina em tiras finas, salteada com cebola, muitas vezes cogumelos, e finalizado com smetana, que é o creme de leite azedo típico russo. Siheon nunca tinha visto nada parecido, então assistir ao preparo não foi nada entediante.
Assim que o prato ficou pronto, Ryu Jin chegou pontualmente.
— Queria ter marcado isso antes, mas só agora consegui.
Assim que viu o rosto de Siheon, Ryu Jin abriu um sorriso caloroso e o cumprimentou. Durante o jantar, não tocaram em nenhum assunto muito sério.
Só quando Siheon engoliu a última garfada e largou os talheres Ryu Jin o chamou.
— Senhor Cha Siheon. — Ryu Jin sorriu, mas os olhos estavam frios como pedra. — É verdade que você sente os feromônios do meu Yohan? Mesmo com uma quantidade tão baixa que, pelos exames, seria impossível qualquer humano perceber?
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Continua…
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SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)