Ler Controle – Capítulo 59 Online

Modo Claro

 

Assim que o alarme tocou, Siheon esticou o braço e pegou o celular. Desligou o despertador num movimento automático e se sentou na cama. Virou o pescoço de um lado para o outro até ouvir um estalo. Alongou os músculos doloridos com um rápido alongamento e saiu para a sala.

Depois de beber um copo de água gelada do purificador, pegou o controle da TV. Ao sintonizar o noticiário da manhã, a imagem de Seonwoo Geon ocupava a tela inteira. Definitivamente não era o rosto que ele queria ver logo cedo, mas deixou a TV ligada para ouvir a notícia.

[… Ontem de madrugada, Seonwoo Geon, diretor executivo da Seonwoo Eletrônicos, foi encontrado no Grace Hotel em uma situação polêmica. Ele foi achado completamente nu, amarrado, com um brinquedo adulto inserido na parte íntima, deixando os funcionários do hotel em choque. Preso em flagrante por ato libidinoso, Seonwoo Geon permanece em silêncio sobre o motivo de estar naquela situação. Enquanto ele se recusa a falar, especulações surgem: alguns conhecidos afirmam que ele sempre teve tendências assim, enquanto outros dizem que ele nunca demonstrou tal comportamento.]

A âncora do jornal passou a sua fala para um repórter que estava em frente à delegacia, comentando: “Realmente, é algo difícil de entender.” Todos se perguntavam por que ele se mantinha calado, mesmo diante de tantas suspeitas absurdas. Afinal, se alguém o tivesse forçado, ele deveria revelar quem foi.

Mas o motivo era óbvio . O homem que ele tinha sequestrado e mantido em cativeiro para entregar à máfia russa era ninguém menos que Ryu Yohan, herdeiro do Grupo RF.

“Você gostou de me ver assim mas cedo, não foi?”

A lembrança da voz de Yohan veio na mente de Siheon. Ele ria, segurando o brinquedo e o gel nas mãos.

“Eu parecia estar feliz, não parecia?”

Geon, mesmo nessa hora, não teve coragem de negar – só rolava os olhos de um lado pro outro. Pior: parecia que, ao lembrar de Yohan brincando sozinho com o brinquedo, à parte da frente da calça dele tinha começado a inchar.

“Então experimente você mesmo. Quem sabe você não gosta? Um alfa pode se surpreender.”

O sorriso doce de Yohan enquanto espalhava generosamente o lubrificante no brinquedo – e o enfiava na bunda de Geon – fez Siheon estremecer só de lembrar. Aquele grito horrível parecia ecoar no ouvido dele de novo. Fechou os olhos, tentando expulsar a imagem da sua cabeça.

Era realmente uma cena que ele preferia esquecer. Nessas horas, sua  memória fotográfica era uma maldição. Mais uma vez, prometeu a si mesmo: ‘Nunca, em hipótese alguma, torne Ryu Yohan seu inimigo.’

Retribuir na mesma moeda? Nada disso. Aquele homem sempre devolvia tudo em dobro, cem vezes pior. Naquele dia, quando os homens enviados pelo Grupo RF chegaram e levaram os mafiosos russos, Yohan deixou Geon para trás de propósito. Quando os seguranças especiais de Seonwoo Seungmin perguntaram se deviam mesmo largar ele daquele jeito, Yohan os ameaçou com um sorriso doce.

Se alguém ousasse soltar Seonwoo Geon, ia ter o mesmo destino. E que era melhor ignorar tudo, se não quisessem que isso se tornasse um problema para todos do grupo Seonwoo.

Não teve quem insistisse depois disso. No fim, deixaram Seonwoo Geon sozinho no quarto do hotel – nu, com um brinquedo enfiado na bunda e o pênis ereto, completamente exposto.

Assim como Yohan planejou, a imprensa estava virada de cabeça para baixo desde cedo. Não só portais de notícias: até TV aberta transmitia detalhes sórdidos daquele “escândalo bizarro”. Seonwoo Geon não tinha como abrir a boca – se contasse quem fez aquilo, ia acabar admitindo o sequestro, a tentativa de homicídio e tudo mais. O destino era só dois: ou virava um pervertido nacional e parava aí, ou confessava o crime todo e iria direto para cadeia.

Enquanto isso, ninguém falava nada sobre o caso de espionagem industrial da Seonwoo Eletrônicos.

“Estou grato pela sua ajuda. Minha mãe disse que entrará em contato em breve.”

Noah falou isso pouco antes de deixarem o hotel. Um jeito de dizer que, já que ele ajudou, teria uma recompensa à altura. Mas ele não reagiu, mesmo diante da promessa de que o presidente do Grupo RF pessoalmente o agradeceria, para Siheon, resgatar Yohan era prioridade, mas também sabia muito bem que: se ele ajudasse de forma direta, o Grupo RF não iria expor completamente a Seonwoo Eletronics.

Desde então, Yohan não deu mais notícias. O namoro de fachada havia terminado, mas, considerando o caos causado por Seonwoo Geon, ele esperava que Yohan entrasse em contato assim que as coisas se acalmassem…

Siheon olhou para o celular e estalou a língua, irritado. Achou graça de si mesmo, ali parado, esperando uma mensagem de Ryu Yohan. Chegou a pensar em mandar uma mensagem primeiro. A ideia até passou por sua mente, mas ele não conseguia se decidir. Nunca tinha tomado a iniciativa de entrar em contato antes – não só com Yohan, mas com qualquer outro, quando se tratava de assuntos pessoais. Não fazia ideia do que dizer.

Sabia que tinha levado a vida de um jeito meio árido. Só que nunca considerou isso um problema – até Yohan fazê-lo refletir sobre a forma como se relacionava com as pessoas.

— Haa…

Inclinando a cabeça para trás no sofá, respirou fundo. Ao fechar os olhos, a última imagem de Yohan surgiu em sua mente: a camisa desabotoada, o corpo ainda melado de lubrificante, aquele estado lastimável exposto a tantas pessoas. O próprio Yohan não parecia se importar, mas Siheon sabia que, entre os presentes, muitos deviam estar usando aquela cena como “material” até hoje.

Se pudesse, apagaria a memória de todos alí como quem edita um filme. Era porque Yohan não tinha nenhum sentido de autopreservação que todos em volta dele estavam sempre em alerta. Jamais pensou que entenderia tão bem o jeito protetor de Noah.

‘Que ironia.’

Mas ficar sentado pensando nisso não mudava nada. Desligou a TV, levantou-se e foi direto para o banheiro. Se não queria mandar mensagem, era melhor encontrá-lo pessoalmente.

 

***

 

Era só a segunda vez que ia até lá, mas localizou o prédio sem dificuldade. Parado na entrada do edifício, tentou se lembrar do número do apartamento. Na primeira vez, tinha entrado junto com Yohan – foi ele quem passou o cartão para abrir o elevador direto, sem precisar digitar nada. E, para piorar, não havia indicação de andares, o elevador simplesmente subia após a leitura do cartão. Nem mesmo o painel mostrava em qual piso estava.

“Quando desci do elevador tinha alguma placa na porta indicando o número do apartamento?” Da outra vez, não reparou em nada.

— Quem é o senhor?

Ficou ali parado, encarando o interfone, até que o segurança,o  achando suspeito, abriu a janelinha da guarita ao lado e botou a cara para fora.

— Vim encontrar o Ryu Yohan.

— Ryu Yohan… Ah, um daqueles gêmeos mestiços?

Parecia que o segurança conhecia todos os moradores pelo nome. Fazia sentido, já que cada andar tinha apenas um apartamento.

— Qual é o seu relacionamento com ele?

A pergunta veio carregada de desconfiança.

— Somos amigos da faculdade.

Se fosse uns dias atrás, talvez dissesse “namorado”.

— Amigos da faculdade? — O segurança examinou Siheon de cima a baixo. — Tem como provar?

Provar? Achou que tinha ouvido errado. Desde quando precisava provar uma coisa dessas?

— Aqui a segurança é prioridade máxima, não podemos deixar qualquer um entrar.

O segurança deu de ombros, como quem só segue o manual. Siheon se deu conta, de novo, de como Yohan vivia em um mundo diferente, na faculdade ou durante o estágio, Yohan parecia tão normal do lado dele que tinha esquecido disso.

— Então ligue para ele e confirme. É só dizer que é o Cha Siheon, ele vai saber.

Assim que disse o nome, o segurança assentiu, pedindo que esperasse, e pegou o interfone.

— Parece que não tem ninguém em casa.

Depois de um tempo, segurando o fone no ouvido em silêncio, o segurança voltou, sem graça. Dava para ver que ele torcia para Siheon desistir e ir embora. E, se não tinha ninguém em casa, não havia motivo para insistir.

Siheon deu meia-volta, mas parou quando viu um carro conhecido chegando de longe. O carro parou bem na frente dele. O vidro desceu – Noah, no banco do motorista, olhou para Siheon e fez um sinal de reconhecimento.

— O que você está fazendo aqui?

— Vim ver o Yohan.

— Ele não está.

— Eu sei.

— Pelo visto não anda falando com ele?

Não era impressão: o sorriso de Noah parecia propositalmente irônico. Por mais que tivessem colaborado brevemente para salvar Yohan, os dois nunca foram – e nunca seriam – do tipo que se dão bem. Ficar ali trocando palavras era só perda de tempo, Siheon já ia virar as costas quando Noah saiu do carro e soltou, meio que jogando a informação:

— Ele foi para Vladivostok.

‘Vladivostok?’

— O caso da máfia acabou caindo no colo do nosso pai, mas ele fez questão de ir ver com os próprios olhos.

— Ah…

Siheon reprimiu um suspiro. Se o Yohan tinha feito aquilo tudo com o Seonwoo Geon, era óbvio que não ia deixar barato pros mafiosos também.

— Mas… mexer com máfia assim, tá tudo bem?

Perguntou, ainda que em parte não quisesse ouvir a resposta.

— Esqueceu? A Galayev também veio da máfia. Mesmo que tenham se ‘legalizado’, as raízes ainda estão lá.

Noah deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Para alguém comum como Siheon, era impossível engolir aquilo com a mesma leveza. Quase perguntou “Ele vai… matar eles?”mas desistiu.

‘Tem coisas que é melhor não saber.’

— A propósito, eu ia te ligar mesmo.

Noah mudou de assunto. Siheon ficou calado, curioso para saber o que ele queria.

— Minha mãe quer te ver. Poderia ter mandado a secretária, mas pediu especificamente que eu te avisasse. Ele disse que pode marcar no melhor horário para pra você.

Siheon até sorriu sem perceber.

‘O presidente do Grupo RF se adequando ao meu horário? Isso é surreal.’

E o fato de ele ter usado Noah como mensageiro, em vez de enviar um e-mail formal, parecia um sinal: ele não queria hierarquias rígidas.

‘Diferente do meu pai.’

A comparação involuntária o fez rir. Talvez fosse por terem sido criados por pais assim que Yohan e Noah eram tão diferentes dos outros herdeiros de conglomerados.

Siheon olhou o relógio. Ainda era hora de almoço.

— Hoje à noite. Se ele puder depois do expediente, eu vou até onde ele quiser.

Noah pareceu surpreso com a resposta tão imediata. Logo deu de ombros, pegou o celular e ligou. Pelo tom, era a sua mãe do outro lado da linha.

— Ele disse que hoje tá ótimo. Vai te encontrar para jantar aqui, mandou ficar por aqui mesmo.

— Aqui?

Noah apontou para cima, indicando seu apartamento no topo do prédio.

 

 

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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