Ler Controle – Capítulo 55 Online

Modo Claro

 

— E me empreste também todos os seguranças especiais do presidente.

Ao ouvir o segundo pedido, as rugas na testa de Seonwoo Seungmin ficaram ainda mais fundas.

— Por acaso você está planejando ir resgatá-lo pessoalmente?

— Sim.

Pela primeira vez, desde que se sentaram frente a frente, Siheon pôde ver os olhos de Seungmin vacilarem.

— Você mesmo disse que o inimigo é a máfia.

— Por isso mesmo estou pedindo que me empreste seus guarda-costas especiais.

— Você não disse que Ryu Noah já começou a agir? Basta fornecer a localização para eles…

Parecia que Seungmin não suportava a ideia de Siheon ter que enfrentar a máfia. E aquilo era quase irônico. Um pai que nunca o tratou de fato como filho, agora, fazia pose de preocupado? Que ridículo. Ou talvez fosse só porque Seonwoo Geon já tinha virado carta fora do baralho – e ele precisasse de uma nova peça.

— Isso aconteceu por minha causa. Então é justo que eu mesmo resolva.

Siheon sabia que seria bem mais fácil deixar tudo nas mãos de Noah. Ele tinha mais informação, mais recursos, provavelmente nem precisava da ajuda de Siheon. Do jeito que Seungmin disse, bastava contar onde Yohan estava, que Noah daria conta de tudo.

Mesmo assim, Geon só tinha arrastado Yohan para esse caos por causa dele. Não podia ficar parado fingindo que não era com ele – não quando era o Ryu Yohan que estava em perigo.

— Se eu me mexer antes do Ryu Noah e conseguir trazer o Yohan de volta, tudo se resolve sem maiores problemas entre o Grupo RF e o Seonwoo Group. Assim, o senhor só precisa cortar o Seonwoo Geon.

Ele estava dizendo, sem pestanejar, que bastava descartar o próprio filho. Mas Seonwoo Seungmin não pareceu surpreso, nem abalado. Era como se, no fundo, ele já tivesse desistido de Geon.

— Se eu resolver isso com o Yohan…

Siheon respirou fundo, firmou o olhar no do presidente e continuou:

— Eu não vou mais querer nenhum cargo dentro do Grupo Seonwoo.

A testa de Seungmin se contorceu, como se não acreditasse no que acabara de ouvir.

— Quero que o senhor deixe bem claro que eu não sou mais ameaça nenhuma para o Geon. Se ele atacou o Yohan por minha causa, isso não vai mais se repetir.

— Por que está indo tão longe? Passou a vida toda se esforçando para garantir um lugar dentro do Grupo Seonwoo, agora está disposto a abandonar tudo por causa de Ryu Yohan? Justo agora, quando finalmente tem a chance de consolidar sua posição?

Seonwoo Seungmin não conseguia entender. O próprio Siheon também estava surpreso com sua decisão. Se fosse há um mês atrás, teria agarrado essa oportunidade com unhas e dentes. Agora que Seonwoo Geon tinha se tornado carta fora do baralho, ele mesmo era a carta escondida que Seungmin precisava. Se tudo fosse resolvido bem, ele poderia colocar toda a culpa do conflito com o Grupo RF em Geon e assumir o lugar como o novo herdeiro do Grupo Seonwoo.

Mas ali estava ele, dizendo que abriria mão de tudo.

— Pois é. Um mês atrás, ou talvez até uma semana, eu poderia ter  respondido diferente. O senhor  bem sabe que eu me esforcei até o limite só para ser reconhecido. Comprei ações da Seonwoo Eletrônicos justamente para estar pronto para subir quando fosse a hora certa.

— Então por quê…?

Para Seungmin, era impossível não se sentir frustrado. Talvez por isso, ao contrário de antes, ele não conseguia mais dizer friamente “faça como quiser”.

— Cheguei à conclusão de que é melhor abrir mão de uma expectativa antiga. De agora em diante, não vou mais seguir o caminho que o senhor traçou para mim. Vou seguir o meu próprio.

— Então é isso? Está declarando que vai escapar do meu controle? Esqueceu quem bancou sua vida até hoje?!

Seungmin explodiu. Nunca foi um pai carinhoso, mas gostava de manter o filho sob controle. E a principal corrente que usava era o dinheiro.

— Sabe por que eu só voltei para a faculdade depois de três anos parado?

Não havia necessidade de ele passar três anos trabalhando apenas porque perdeu a bolsa de estudos no semestre seguinte, já tendo completado até o primeiro semestre do quarto ano. Para Siheon, aquele período de três anos foi necessário não só para juntar o dinheiro da matrícula, mas também para pagar todas as despesas que Seungmin havia custeado até então.

Siheon colocou sobre a mesa a caderneta bancária e o cartão que havia trazido.

— Essa é a conta que o senhor me deu. Depois que entrei na faculdade, mal toquei nela, mas até mesmo o que precisei usar antes de me formar no ensino médio, eu fiz questão de devolver tudo.

Ele não queria deixar nenhuma dívida, por menor que fosse. Tivesse ele entrado no Grupo Seonwoo após a graduação ou seguido outro caminho, estava decidido a pagar tudo. E, com o que restou, ele comprou ações da Seonwoo Electronics. Se um dia fosse trabalhar na empresa e acabasse confrontando Geon, ele queria estar preparado.

Seungmin ficou em silêncio por um bom tempo, com os lábios cerrados numa linha rígida. Quanto mais percebia a firmeza de Siheon, menos sabia o que dizer. Sempre havia ajudado apenas com dinheiro, e agora que Siheon aparecia dizendo que queria devolver tudo, ele simplesmente ficou sem palavras.

— …Se vai jogar tudo isso fora e ir embora, por que eu deveria ajudá-lo?

Diante daquela pergunta, quase como um último suspiro de resistência, Siheon não pôde deixar de soltar um sorriso irônico.

— Acho que o presidente esqueceu, mas eu vim aqui para propor-lhe um acordo. Eu estou dizendo que vou limpar a sujeira que o Seonwoo Geon fez. Se não vai precisar de mim, pode ir em frente e enfrentar uma guerra direta contra o Grupo RF.

Ryu Yohan simpatizava com ele, e, de qualquer forma, Cha Siheon era um filho ilegítimo de Seonwoo Seungmin. No momento, ele era o único que poderia atuar como um amortecedor entre a Seonwoo Electronics e o Grupo RF.

Seungmin fechou os olhos e soltou um longo suspiro, as rugas se aprofundando entre as sobrancelhas. No fim, ele percebeu que não tinha outra opção além de aceitar as condições de Siheon.

— …O Ryu Yohan se tornou alguém especial para você?

A única explicação que vinha à cabeça de Seonwoo Seungmin para a mudança repentina de Siheon era o Ryu Yohan. Siheon não respondeu nem que sim, nem que não. Mas aquilo já era resposta suficiente. Com um grunhido, Seungmin endireitou o corpo e chamou o secretário, que aguardava do lado de fora. Ao ouvir a ordem para armar todos os guarda-costas especiais e colocá-los para acompanhar Siheon, o alfa também se levantou.

 

***

 

Enquanto Siheon se encontrava com o presidente Seungmin, Noah, que havia saído com ele, ficou sentado no carro, encarando o celular. Ele monitorava constantemente o site que mostrava o sinal de GPS enviado por Yohan, mas, até aquele momento, nada havia mudado. Cada segundo que passava dentro do limite de duas horas que o inimigo tinha dado fazia o sangue dele gelar.

De repente – pip.

A tela do site mudou e a localização no mapa se atualizou. Um ponto vermelho começou a piscar bem no centro de Seul, e os olhos de Noah se arregalaram. O GPS estava funcionando de novo. Mas como? Não havia tempo para pensar. Imediatamente, ele mandou o link do site para Woo Jaryeong e ligou para ele.

— Confere a localização que apareceu no site que acabei de te mandar. O sinal do GPS deve estar ativo agora. Se for o Yohan, pode ter algo escondido além do que aparece de forma visível. Encontre!

Do outro lado da linha, ouviu-se um longo suspiro.

[Você confia mesmo em mim, sunbae?]

— O que?

[Eu já traí vocês uma vez. Como pode acreditar que vou ajudar a encontrar o Yohan sunbae? E se eu ainda estiver do lado do Seonwoo Geon e acabar enviando vocês para uma armadilha?]

Noah ergueu a outra mão e esfregou a testa, frustrado.

— Você disse que fez isso por dinheiro, não foi? Nós também temos dinheiro. Oferecemos o dobro do que você recebeu do Seonwoo Geon para que fique do nosso lado. Você vai dizer que não…?

Jaryeong soltou uma risada curta, como se não acreditasse.

[Sério, sunbae… Se fosse o Yohan sunbae no seu lugar, ele jamais confiaria e m mim desse jeito.]

Isso ele não podia negar. Yohan não tinha piedade com quem já o traíra. Desde o início, ele não confiava facilmente nas pessoas, mas traçava uma linha clara: quem traiu uma vez, poderia trair de novo, e ponto final. Nesse aspecto, Noah reconhecia que era mais mole do que Yohan.

Noah vinha observando Jaryeong há mais de um ano, acreditava que nem tudo o que viu nele era falso. No fim das contas, ele os traiu, sim, mas, ouvindo a história toda, era por causa de dinheiro – e isso até dava para entender. Ainda mais sabendo que não era dinheiro para ele mesmo, mas para ajudar a família… e até sentiu um pouco de pena.

“Você é mole demais. Qualquer hora dessas vai acabar levando uma facada nas costas.”

Yohan, frequentemente desaprovava esse jeito de Noah. Ainda assim… Jaryeong nunca prejudicou o Yohan diretamente. O caso do vazamento do projeto acabou envolvendo Cha Siheon em rumores desagradáveis mas, na verdade, culpava o próprio Siheon por isso. Se o seu irmão não tivesse se envolvido com aquele cara, o vazamento em si não teria nada a ver com Yohan.

[Mesmo assim… obrigado por confiar em mim.]

Jaryeong murmurou num tom quase inaudível, prometeu que ia verificar tudo e dar um retorno logo, e desligou. Noah olhou para o telefone com uma expressão constrangida. No fundo, ele só estava usando Jaryeong para encontrar o Yohan. Mas, ao ouvir aquele “obrigado”, ficou com o peito meio apertado. Era óbvio que o garoto tinha culpa no cartório e merecia se redimir, mas ainda assim… tinha algo que deixava Noah desconfortável, quase como se estivesse se sentindo um pouco culpado.

‘Ah, não é hora de ficar remoendo isso agora. Primeiro, tenho que focar em salvar o Yohan.’

Vrrr. O celular vibrou na mão dele. Noah olhou o visor: era Viktor.

[«Estamos prontos aqui. Assim que tiver a localização, partimos.»]

— «Justo agora o sinal do GPS do Yohan voltou. Estou rastreando, assim que tiver o endereço exato eu aviso.»

Ele encerrou a ligação curta e deu partida no carro. Mesmo sem o endereço certo, pretendia ficar pelo menos nas redondezas da nova localização do sinal. Assim que o carro começou a se mover, o celular vibrou de novo. Noah achou que fosse Jaryeong retornando e atendeu depressa – mas era Cha Siheon.

[Grace Hotel.]

— Você descobriu onde o Yohan está?

[Confirmaram que o Yohan, o Seonwoo Geon e aqueles russos entraram no Grace Hotel. Ainda não sei o número exato do quarto, mas vou descobrir quando chegar lá.]

— O sinal do rastreador voltou a funcionar. Também estamos rastreando daqui. Acho que vou conseguir descobrir o quarto exato.

[Seja cuidadoso. O Yohan está sendo mantido como refém.]

— Não precisa me dizer isso.

O jeito como Siheon falou, parecendo mais preocupado com o Yohan do que ele mesmo, incomodou Noah. Era irônico – quem diria que um dia ele estaria trabalhando junto com Cha Siheon para salvar o Yohan.

— Compartilho qualquer nova informação. Estou a caminho do Grace Hotel.

[Acho que vou chegar lá antes de você.]

— Não seja ridículo.

Noah puxou um canto da boca em um meio-sorriso e pisou fundo no acelerador.

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Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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