Ler Controle – Capítulo 54 Online
Por um momento, o silêncio pairou no ar. Como a conversa havia sido em russo, mesmo os subordinados de Maksim, que involuntariamente ouviram tudo, encararam Yohan com uma expressão de incredulidade. Enquanto isso, Geon parecia perdido, sem entender o que estava acontecendo.
Maksim soltou uma gargalhada estrondosa. Então, no segundo seguinte, agarrou o pescoço de Yohan com uma mão.
«Que diabos você está tramando? Desde antes você vem fazendo umas gracinhas bem ousadas. Quer me fazer de palhaço..?»
O sorriso desapareceu de seu rosto, e ele encarou Yohan com olhos faiscando de raiva. Mesmo assim, a expressão de Yohan permaneceu serena.
«Você já conseguiu destruir todas as minhas ‘gracinhas’, então nem importa mais. O importante é que agora tem uma nova variável nesse jogo pra mim.»
Ao ouvir a palavra variável, Maksim franziu a testa, mas logo soltou o pescoço de Yohan. Por um breve instante, marcas vermelhas de dedos ficaram visíveis na nuca branca do jovem.
«Cha Siheon. Ele é uma pessoa importante para mim.»
Maksim inclinou a cabeça, sem entender.
«Quem diabos é essa pessoa? Por que o Seonwoo Geon quer que eu mate e você quer salvá-lo?»
Yohan virou o rosto e olhou para Geon. Seus olhos ficaram gelados enquanto ponderava o que fazer com aquele idiota.
«Irmão por parte do pai do Seonwoo Geon. E meu namorado.»
«Namorado? Não me faça rir!»
Maksim não acreditou nem por um segundo, achou que Yohan só queria confundi-lo com uma mentira boba.
« Pergunte a ele, então. Antes de vocês aparecerem, esse idiota veio me pedir para terminar com Cha Siheon e aceitar um casamento arranjado com ele»
Com essa única frase, era óbvio o que o outro pensaria: Geon queria roubar o namorado do meio-irmão a ponto de contratar um mafioso para matá-lo. Um drama barato e clichê, mas, inesperadamente, o “amor” era um ótimo pretexto para levar alguém ao abismo.
— O Cha Siheon é namorado desse cara?
Maksim perguntou a Seonwoo Geon. Ele não negou, apenas franziu o rosto num misto de vergonha e irritação. Maksim olhou de volta para Yohan, que ergueu os ombros como quem dizia viu só?
— Então era esse aí que você queria?
Maksim apontou para Yohan com o dedo. Geon, mais uma vez, não conseguiu responder, limitando-se a resmungar. Parecia envergonhado ao perceber que havia envolvido a máfia por um motivo tão trivial.
«Estou certo, não estou?»
Yohan falou, como quem finaliza um truque óbvio. Maksim soltou um suspiro, meio rindo.
«Então, para salvar seu namorado, você vai entregar seu irmão gêmeo?»
«…….»
Yohan cerrou os lábios e não respondeu. ‘Entregar Noah? Nunca.’ Mas, por ora, ele precisava desviar a atenção de Maksim de Cha Siheon. Noah provavelmente já tinha Viktor, Natasha ou algum segurança por perto. Além disso, Noah havia sido treinado por seu pai, para saber lidar até com a máfia russa.
Noah não seria derrotado facilmente por esses caras. Entre Cha Siheon e Noah, seu irmão estava em vantagem. Por mais que Siheon fosse habilidoso em lutas, ao ponto de rivalizar com Noah, ele nunca havia enfrentado mafiosos armados. Já Noah e Yohan haviam aprendido a atirar desde crianças e, enquanto cresciam, entenderam naturalmente por que isso era necessário.
«Tudo bem. Aceito.»
Para Maksim, era uma oferta irrecusável, desde o início, ele havia aceitado o pedido de Geon apenas por uma razão: a chance de colocar as mãos em Yohan Galayev. Não era pelo dinheiro, mas pela vingança contra Ilya Galayev: ter o filho de Ilya Galayev nas mãos era tudo o que importava para ele. O resto era irrelevante.
Mas, no fim das contas, Seonwoo Geon exigiu a morte de Cha Siheon como moeda de troca – assim Yohan acabou oferecendo Noah, no lugar do outro. “O que diabos esse tal “amor” tem de especial?” Maksim não conseguia entender nem o Seonwoo Geon nem Yohan, mas o que importava era que, de qualquer forma aquilo tudo estava jogando a seu favor.
«Se ao menos aquele GPS não tivesse sido destruído, Noah teria vindo atrás de mim sozinho.»
Yohan murmurou num tom de leve frustração. Maksim franziu a testa, sem entender.
«O brinco que você quebrou. Noah estava me rastreando por ele. Provavelmente, ele vinha sozinho.»
«Quer que eu acredite nisso?? Você acha que eu vou engolir que, com a Galayev Corporation e o Grupo RF te dando cobertura, vocês iam andar por aí sem seguranças?»
«Você está vendo algum segurança aqui agora, por acaso?»
Yohan ergueu os ombros, como quem diz “tá vendo?”. Maksim ficou calado. Ele não estava errado. Como ele vivia na Coreia, onde não havia risco de ataques da máfia, era perfeitamente possível.
«Além disso, eu só saí para encontrar o Seonwoo Geon. Dei o sinal de GPS a Noah só por precaução, caso esse idiota fizesse alguma besteira. Você acha mesmo que eu ia levar uma equipe inteira só para lidar com um imbecil desses?»
Infelizmente, isso era verdade. Yohan realmente achou que ele bastaria enfrentar Geon sozinho. Confiou que, se algo acontecesse, Noah viria atrás – e isso seria suficiente. Claro, agora, sozinho, talvez Noah não desse conta – mas não era burro a ponto de não entender o que estava acontecendo. Se soubesse onde Yohan estava, com certeza viria preparado.
«Se eu tivesse acesso a um computador, poderia até mandar um sinal para atrair o Noah…»
Ele jogou essa isca de propósito, porém Maksim imediatamente fez cara feia.
«Está brincando? Acha mesmo que eu te daria um computador sabendo o que você é capaz de fazer?»
« Já esqueceu? Você tem a vida de Cha Siheon como garantia. Eu mesmo disse que, para salvar ele, vou te entregar meu irmão gêmeo.»
A voz de Yohan saiu num tom gelado, com uma pontinha de irritação. Maksim estreitou os olhos, tentando discernir se era um blefe. Mas Yohan não desviou o olhar – ficou parado, encarando-o firmemente.
Ninguém saberia dizer se foram minutos ou segundos – só pareceu uma eternidade até Maksim soltar um suspiro pesado.
«Tragam um notebook.»
Ele mandou um dos capangas buscar o computador e o entregaram para Yohan.
— O quê? Você vai dar um notebook para ele? Você ficou louco?
Seonwoo Geon se levantou, tentando impedir. Ele sabia, depois do caso do Woo Jaryeong, do que Yohan era capaz, então ficou apavorado.
— Se eu quiser, eu sumo com todas as suas ações num estalar de dedos sem ninguém perceber. Então cala a boca e senta aí.
Yohan nem tirou os olhos da tela enquanto soltava o aviso, seco. Não parecia estar brincando, e Seonwoo Geon engoliu em seco antes de voltar a se encolher no sofá.
Logo a tela azul do Windows apareceu. Assim que conectou a internet, Yohan digitou um endereço de IP no navegador. A tela ficou preta – uma chuva de números e letras, impossível de entender para quem olhava por cima do ombro. Maksim e os outros capangas chegaram a espiar, mas logo desistiram, percebendo que não iam entender nada mesmo.
«Se tentar alguma gracinha, eu estouro seus miolos na hora.»
Maksim sacou a arma e apontou direto para a cabeça de Yohan.
«Faça o que quiser.»
Yohan respondeu sem tirar os olhos da tela, os dedos voando pelo teclado. Se Maksim quisesse atirar, atiraria de qualquer jeito, não adiantava se encolher de medo. Era melhor usar esse tempo para algo produtivo. No pior dos casos, mesmo que ele não saísse dali vivo, ao menos não morreria sem lutar
Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Yohan. Quando o seu celular foi destruído, ele tinha ficado sem saída – mas agora Maksim tinha posto um notebook em suas mãos. Maksim o subestimou demais. Subestimou os Galayev como um todo. E essa foi a sorte que Yohan precisava.
***
Passava da meia-noite quando Siheon foi até a casa principal do presidente Seonwoo Seungmin. Em qualquer outra ocasião, ele jamais teria ido até lá por conta própria. Ainda mais a essa hora. O único consolo era que, sendo tão tarde, não corria o risco de ser visto por outras pessoas.
Toc, toc.
O secretário que acompanhava Siheon bateu na porta, e de dentro veio a resposta para entrar. Como já tinha avisado com antecedência, Seonwoo Seungmin estava sentado na sala de visitas, esperando por ele. O rosto de Seungmin estava carregado de preocupação: não era para menos, já que agora sabia que Geon havia sequestrado Ryu Yohan.
— O senhor já confirmou a localização de Seonwoo Geon?
— Em Seul, no Hotel Grace.
A resposta foi curta. O celular de Seonwoo Geon estava desligado, mas eles haviam localizado o motorista dele e assim descobriram o destino.
— Mas por que o senhor parece tão preocupado?
Siheon perguntou, mesmo já imaginando a resposta, apenas para sondar as reais intenções de Seungmin. O presidente soltou um longo suspiro, como se não soubesse por onde começar.
— Segundo o motorista, ele não está sozinho. Está com um grupo de homens.
Enquanto falava, empurrou uma foto para a frente de Siheon. Era uma imagem tirada na entrada do hotel. Nela apareciam Seonwoo Geon, Yohan e um grupo de estrangeiros.
— Então ele realmente está com o Ryu Yohan.
Siheon comentou, sem se surpreender. Seonwoo Seungmin soltou um suspiro mais pesado, quase um gemido abafado.
— Já viu esses homens antes?
— É claro que não.
Siheon respondeu de imediato. Ele não tinha por que conhecer gente a serviço de Seonwoo Geon. Além disso, pelo que Noah contou, aquele grupo só podia pertencer à máfia russa. Com isso, ficou claro que não tinha ligações com ele.
— Mas eu sei quem são.
A testa de Seungmin se franziu ainda mais, formando rugas profundas. Parecia que, mesmo que não quisesse admitir, já suspeitava do que estava por vir.
— São mafiosos vindos da Rússia.
— …E como você sabe disso?
Houve uma pausa antes da pergunta. E essa pausa confirmou a Siheon: ‘ele já sabia.’
— Foi Ryu Noah. A notícia já chegou até ele, e ele também está à procura de Yohan.
O suspiro do presidente ficou ainda mais pesado.
— Isso virou um problema gigante…
Era um problema de outra magnitude, muito pior do que o roubo de um projeto.
— Eu vou resolver isso.
— Está falando sério? Contra máfia? E você vai fazer o quê?
— Se o senhor me der um pouco de apoio, eu consigo.
— …Qual é a condição?
Mesmo naquela hora, Seungmin não largava o velho hábito de negociar. Siheon soltou uma risada curta, só para si. É, esse era mesmo o homem que ele conhecia. Por isso não restava mais nenhum apego.
— Eu vi que o senhor transferiu uma quantia considerável de ações para meu nome
Seungmin estreitou os olhos, como se esperasse que Siheon pedisse ainda mais.
— Quer que eu passe as ações do Geon para seu nome também?
— Não.
Ele respondeu sem hesitar.
— Quero que pegue de volta todas essas ações. Eu não preciso delas.
A expressão de Seungmin ficou ainda mais fechada, como se fosse impossível de acreditar no que ouvia.
— Se eu quiser a Seonwoo Eletrônicos, vou conseguir com o meu próprio mérito. Não preciso de ações que o senhor me dê de presente.
Siheon sustentou o olhar do presidente, falando devagar, palavra por palavra, com firmeza – cada sílaba carregada de uma certeza que não deixava espaço para dúvidas.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)