Ler Controle – Capítulo 52 Online
Noah, que não parecia acreditar nas palavras de Siheon, empurrou-o para o lado e revistou a casa inteira. Mesmo assim, quando não encontrou Yohan, ele passou a mão pela franja, revelando uma expressão ansiosa.
— É claro.… Se ele tivesse ido te encontrar, não teria deixado um sinal de rastreador para mim.
Siheon conteve a vontade de perguntar se eles costumavam trocar esse tipo de coisa até mesmo em saídas rápidas. A relação entre Yohan e Noah era algo que ele nunca conseguiria entender, então não adiantava questionar.
— Se ele te deu o sinal de GPS, você poderia simplesmente rastreá-lo.
Não havia motivo nenhum para Noah aparecer de madrugada e causar essa confusão.
— O sinal foi cortado no meio do caminho.
Diante da resposta de Noah, as sobrancelhas de Siheon se franziram.
— E esse número de placa… Pertence à Seonwoo Eletronics.
Noah estendeu o celular. Na tela, havia uma foto de um carro, provavelmente capturada por uma câmera de segurança. Até Siheon reconheceu aquele carro. Ao ver a placa, não havia dúvida: era o carro que Seonwoo Geon costumava dirigir.
— Yohan se encontrou com o Seonwoo Geon? Por quê?
— Sunwoo Geon?
Ao ouvir a pergunta, o rosto de Noah também se contorceu.
— Esse carro é mesmo do Seonwoo Geon? Tem certeza?
Claro que ele tinha certeza. Era o mesmo carro que Geon havia dirigido várias vezes para visitá-lo, e o número da placa estava gravado na memória infalível de Siheon.
— Então você também conhece este endereço?
Noah mostrou o ponto onde o sinal do GPS de Yohan foi interrompido.
— Tem um lago na frente desse lugar?
Noah assentiu com a cabeça. — Ugh. — Siheon engoliu um gemido. Ele também já tinha estado naquele lugar. Era um local onde o presidente Seonwoo Seungmin costumava se encontrar com ele longe dos olhos dos outros. Seungmin raramente ia até a casa de Siheon porque não queria que ninguém soubesse da existência dele. Quase todos os encontros aconteciam naquele chalé isolado, impossível de ser descoberto.
Mesmo sendo propriedade particular de Seonwoo Seungmin, nada impedia que o filho dele, Geon, também usasse o local.
— O sinal de GPS foi cortado aqui?
Vamos supor que Seonwoo Geon tivesse levado o Yohan até o chalé. Por que o sinal teria sido cortado lá?
— Nesse chalé, ou seja lá o que for, havia sinais claros de invasão. Todas as janelas de vidro estavam quebradas, e havia pegadas que pareciam ser de botas militares de combate, de várias pessoas.
Botas de combate? Haveria alguém perto do Seonwoo Geon que usasse esse tipo de calçado? Os seguranças dele costumavam usar terno e sapatos sociais, não botas militares.
Não havia necessidade de pensar muito. Era melhor confirmar direto com o Seonwoo Geon. Siheon pegou o telefone e ligou para ele, mas mesmo depois de vários toques, ninguém atendeu. Tentou uma segunda, uma terceira vez, mas a chamada não completava.
‘Merda.’
Engolindo o xingamento que quase escapou, Siheon hesitou um pouco antes de pegar o celular novamente.
— Aqui é Cha Siheon. Desculpe ligar a essa hora, presidente.
Ao ouvir Siheon chamá-lo de “presidente”, Noah franziu as sobrancelhas e virou a cabeça em sua direção. ‘Estaria falando do presidente Seonwoo Seungmin? Mas não é o pai dele?’ Mas, apesar da reação de Noah, Siheon manteve uma voz firme e distante, como se estivesse falando com qualquer outra pessoa.
— O senhor pode verificar onde o diretor Seonwoo Geon está neste momento?
Até a forma de se referir a Sunwoo Geon era totalmente impessoal. Enquanto ouvia a resposta do outro lado da linha, Siheon soltou um longo suspiro.
— Parece que o diretor Seonwoo Geon sequestrou o Ryu Yohan, do Grupo RF.
Assim que Siheon disse isso, do outro lado da linha ouviu-se um grito: “Tem certeza disso? Se for mentira, você assumirá a responsabilidade!” O grito foi tão alto que até Noah, ao lado, se assustou. Mesmo assim, Siheon não piscou. Com uma expressão impassível, como se estivesse acostumado, ele continuou falando.
— O irmão gêmeo do Ryu Yohan, Ryu Noah, veio me procurar. Parece que o Yohan estava com um rastreador GPS, mas o sinal foi interrompido lá no chalé em Gapyeong, que o senhor possui. Como o registro do GPS ainda existe, se o Grupo RF envolver o Ministério Público nessa história, o senhor não terá como escapar. As câmeras de trânsito também confirmaram a presença do carro do diretor Seonwoo Geon.
Noah percebeu que Siheon era ainda mais frio com Seonwoo Seungmin do que ele imaginava. Ele apenas relatou os fatos com calma, mas dependendo de como se ouvisse, aquilo soava claramente como uma ameaça.
Pouco depois, Siheon respondeu que entendeu e desligou a ligação.
— O que ele disse?
Mesmo tendo acompanhado a atitude de Siheon bem de perto, Noah ficou curioso para saber qual tinha sido a reação de Seonwoo Seungmin.
— Ele disse que vai verificar e me ligar de volta, então temos que esperar.
Assim que terminou a ligação, a expressão de Siheon, até então inabalável, finalmente deu sinais de cansaço. Noah quase deixou escapar um “você realmente vive uma vida miserável, hein?”, mas engoliu as palavras antes que saíssem e se jogou no sofá. Ele não pretendia sair dali até descobrir onde Yohan estava. Siheon, parecendo entender sua determinação, não insistiu para que fosse embora. Em vez disso, perguntou se queria algo para beber.
Quanto tempo teria se passado? O tique-taque, do ponteiro que contavam os segundos no relógio de parede da sala de estar começou a irritar seus ouvidos naquela atmosfera pesada. Nem Noah nem Siheon tentaram puxar conversa. Eles não eram próximos o suficiente para ficarem batendo papo. Na verdade, se começassem a falar agora, era óbvio que só iriam discutir sobre Yohan, então preferiram ficar em silêncio.
Zzzzz. Zzzzz.
Quando o celular vibrou, os dois ergueram a cabeça ao mesmo tempo. Não era o celular de Siheon, mas o de Noah. Vendo quem era, Noah atendeu em russo.
[«Parece que as coisas vão ficar complicadas.»]
Assim que Viktor começou a falar já dava para notar que ele estava bastante perdido.
[«O chefe está muito furioso.»]
A pessoa que Viktor costumava chamar de chefe: Ilya, pai de Yohan e Noah.
«Por que o pai de repente ficou assim?»
Noah perguntou, e Viktor soltou um gemido curto.
[«Parece que o chefe recebeu uma mensagem de ameaça.»]
«Uma ameaça?»
‘Seonwoo Geon? Ele está louco?’
Noah ficou tão surpreso que demorou a reagir, mas Viktor continuou:
[«Disseram que estão com alguém precioso para ele. Que, assim como ele tirou algo precioso deles, agora o chefe também vai sentir a dor de perder alguém que ama… foi o que disseram.»]
Tum. Foi como se o coração de Noah despencasse até o chão. Era estranho o suficiente alguém ameaçar seu pai, mas o conteúdo da mensagem era ainda mais suspeito. Aquilo não era coisa de Seonwoo Geon.
«Não me diga que…»
As palavras morreram na sua garganta antes que pudesse pronunciá-las. Tinha certeza de que, se falasse aquilo em voz alta, o pior cenário se tornaria real no mesmo instante.
[«Acho que é exatamente o que você está pensando. A máfia russa está envolvida.»]
Noah quase deixou o celular cair da mão.
‘Máfia russa? Então não tinha sido o Seonwoo Geon?’
De repente, ele se lembrou do estado em que o chalé do Grupo Seonwoo ficou: as marcas de botas de militares, as janelas totalmente destruídas… ‘Ah… Agora começava a fazer sentido.’ Se Seonwoo Geon realmente tivesse levado Yohan para lá, aquelas marcas não fariam sentido a menos que a máfia russa tivesse invadido o lugar.
— Seonwoo Geon se aliou com a máfia russa?
Não, o método de invasão era violento demais para ser uma parceria. Mesmo assim, Noah perguntou, só para ter certeza. Se Yohan largou o próprio carro para entrar no carro do Seonwoo Geon, se foram até aquele chalé isolado… Havia um motivo por trás daquilo tudo.
— Máfia russa?
Siheon franziu a testa, claramente confuso. Era natural que ele não entendesse. Por mais influente que o Grupo Seonwoo fosse, era improvável que tivesse ligações com a máfia russa. Na verdade, isso era um problema do lado do pai deles. Mesmo após quase vinte anos de transição da máfia para um negócio legítimo, ainda haviam muitas pessoas que guardavam rancor. Quando crianças, Yohan e Noah sempre tinham guarda-costas, justamente porque não se sabia quando alguém com sede de vingança poderia aparecer.
Foi um erro assumir que, depois de se mudarem para a Coreia, não haveria mais perigo e dispensar toda a segurança.
[«Noah! Noah! Está me ouvindo?»]
A voz de Viktor ainda ecoava no celular. Noah balançou a cabeça e levou o telefone de volta ao ouvido.
[«Eles deram um prazo de duas horas. Se até lá o chefe não lembrar de quem se trata essa pessoa, disseram que ele nunca mais vai ver o Yohan. E mesmo que ele se lembre, não parece que pretendem devolvê-lo ileso.»]
— Ha, porra.
Dessa vez, o palavrão escapou sem que ele percebesse. Ao ouvir a palavra em coreano, Siheon olhou para ele surpreso, enquanto Viktor, sem entender, continuou.
[«O problema é que, mesmo que o chefe voe para a Coreia agora, o tempo está muito apertado. Então ele pediu para te avisar: use qualquer meio necessário para encontrá-lo. Pode usar o que for preciso. Segurança, forças especiais, tanto faz.»]
Ao ouvir isso, Noah deixou escapar uma risada seca. A Galayev ainda lidava com desenvolvimento de armamentos e apoio de mercenários, a única diferença era que agora tudo era feito por meios legais. E agora eles tinham dado carta branca pra usar qualquer recurso da Galayev.
[«Por enquanto, trabalhe com aquele cara, Woo Jaryeong. Ele está rastreando o carro dos caras que levaram o Yohan. Mesmo que seja um carro alugado, deve ser possível encontrar o histórico de quem o pegou. Depois disso, eu te dou novas instruções.»]
Quando a ligação terminou, Noah virou-se devagar para Siheon.
— Se algo acontecer com o Yohan, eu não vou te perdoar. Provavelmente o Seonwoo Geon usou algo relacionado a você para atraí-lo. Então, no pior dos casos, você também vai morrer pelas minhas mãos.
— Pelo jeito, você acha bem provável que as coisas dêem errado.
Mesmo diante da ameaça mortal, Siheon não mudou de expressão. No entanto, seus olhos azuis escureceram ainda mais.
— Vou te ajudar a encontrar o Yohan. Mas com uma condição.
Agora que o sinal do GPS tinha sido cortado, a única opção era localizar Seonwoo Geon. Se ele realmente estivesse envolvido com a máfia russa, capturá-lo poderia garantir a segurança de Yohan. E mesmo que Seonwoo Geon também tivesse sido sequestrado pelos mafiosos, ainda assim era grande a chance de estar junto com Yohan.
Provavelmente era mais fácil acreditar na primeira hipótese. Não se sabia por que o chalé tinha ficado daquele jeito, mas, pelo rastro dos pneus e as pegadas lá na frente, o único que parecia ter sido levado à força era Yohan. Seonwoo Geon, pelo visto, tinha seguido os outros por vontade própria.
Noah respirou fundo e assentiu.
— Qual é a condição?
Diante da pergunta, Siheon fixou o olhar nele. Por um instante, o azul escuro dos olhos brilhou forte.
— Quando encontrarmos o Yohan… — Os lábios de Siheon se moveram devagar. — …ele será completamente meu. Não vou cedê-lo nem mesmo para você.
Diante dessas palavras, o rosto de Noah se contorceu na hora.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)