Ler Controle – Capítulo 51 Online
Enquanto dirigia na direção apontada pelo GPS, Noah não parava de se perguntar se aquele endereço estava mesmo certo. Quando saiu de Seul e entrou na região de Gyeonggi, até achou normal. Porém, quanto mais avançava, mais a estrada ia ficando com cara de interior, até que entrou numa estrada de terra.
No caminho, ele verificou no smartphone o sinal do GPS que Yohan tinha deixado. O sinal, que antes permanecia imóvel em um local, havia desaparecido abruptamente cerca de dez minutos atrás. A partir daí, ele ficou cada vez mais ansioso.
‘Se isso for uma brincadeira de Yohan, é de muito mau gosto… No fim dessa estrada, há mesmo alguma coisa? Será que o GPS está com algum defeito?’
Com uma mistura de desconfiança e preocupação, Noah chegou ao destino. Felizmente, havia algo ali. Após seguir por uma estrada montanhosa, avistou um lago de tamanho considerável, algo incomum para a região. E, um pouco afastado, havia um prédio, aparentemente numa propriedade privada.
Enquanto estava no carro, Noah pensou que devia ser a casa de campo de alguém. Apesar de estar em um lugar tão isolado, o exterior parecia bem cuidado, como se alguém viesse com frequência.
Porém, ao sair do carro e observar melhor, seu rosto ficou sério. O vidro frontal da sala de estar estava completamente estilhaçado, como se tivesse ocorrido um ataque terrorista.
‘Será que o Yohan está lá dentro…’
Assim que esse pensamento passou pela mente, suas pernas se moveram sozinhas, levando-o em direção ao prédio. Não precisou abrir a porta da frente – entrou facilmente pelo vidro quebrado.
A sala estava do mesmo jeito: um caos. A mesa estava fora do lugar, o sofá todo torto, como se alguém tivesse rolado por cima. Fragmentos de vidro cobriam o chão. Em meio à bagunça, duas taças de vinho repousavam sobre a mesa. Noah chegou mais perto e levantou uma delas. Ainda havia um pouco de líquido avermelhado no fundo.
‘Estavam bebendo vinho antes de acontecer essa confusão?’
No chão, havia várias marcas de pegadas. Como a área era rural, era inevitável que deixassem rastros. E era evidente que não tinham sido só duas pessoas. Pelo menos três ou quatro invasores haviam entrado pelo vidro quebrado – e, a julgar pelo formato das pegadas, a maioria usava botas de combate.
Um calafrio subiu pela coluna de Noah. Agora ele tinha certeza de que alguma coisa tinha acontecido com Yohan.
Será que, quando ele deixou o GPS, já estava prevendo que isso poderia acontecer? Era óbvio que Yohan se encontrou com alguém ali. Uma das taças provavelmente era dele. Mas… e a outra? Quem trouxe Yohan até esse lugar?
E depois, quem eram essas pessoas que invadiram? Por quê? Que diabos estavam fazendo?
Por via das dúvidas, Noah tentou ligar para Yohan outra vez. Mas, como antes, a ligação não completou.
Ele respirou fundo, segurando a ansiedade, e saiu para o lado de fora. No chão, além das próprias pegadas, haviam marcas de pneus. Uma, duas, três… Seu olhar se voltou para o lago à distância. Seu coração acelerou com um mau pressentimento, mas as pegadas não se dirigiam para lá. Todas as marcas paravam na área onde, provavelmente, tinham parado os carros.
‘Se foi um sequestro… trouxeram ele até esse fim de mundo só pra depois levá-lo de novo? Se era pra raptar, porque não levaram ele direto.’
Nada fazia sentido. Roendo o lábio inferior ressecado, Noah pegou o telefone e discou para alguém. Assim que a pessoa atendeu, perguntou com voz animada o que Noah queria, antes mesmo dele falar.
«Estou com um problema. Yohan desapareceu.»
Do outro lado da linha, a pessoa soltou um suspiro.
[«Ora, Noah… Ele não é mais uma criança. Nessa idade é normal sumir por um dia ou dois.»]
Noah franziu a testa. Era Viktor, um subordinado de seu pai que agora cuidava da segurança de sua mãe na Coreia.
[«Eu sei que vocês têm uma relação especial, mas talvez fosse bom cada um ter um pouco de espaço. Afinal, vocês não serão crianças para sempre.»]
A voz de Viktor saía num tom de quem queria acalmar, mas só fazia a irritação de Noah crescer. Ele estava farto de todo mundo dando sermão sobre “distância”. Mas não era hora de discutir isso.
«Só quero que você rastreie o carro que Yohan estava usando. Onde ele está agora? O carro tem rastreador não é?»
[«Isso, bem…»]
Qualquer outra pessoa teria negado veementemente, mas Viktor nunca foi bom em mentir, desde sempre.
«O Yohan deixou um sinal de GPS para mim e desapareceu. Então eu vim até o local… mas tem algo muito errado. É uma cabana isolada, os vidros da frente estão quebrados e há sinais de que várias pessoas invadiram o lugar. O sinal de GPS que Yohan estava enviando também foi cortado há cerca de 15 minutos.»
Só então Viktor soltou um som baixo e ficou sério. Disse que rastrearia o carro de Yohan e ligaria de volta assim que tivesse alguma notícia.
Ao encerrar a ligação, Noah respirou fundo e olhou em volta. Se aquilo era uma propriedade privada, deveria haver algum sistema de segurança, mas não havia sequer uma câmera de vigilância. Quem quer que fosse o dono, aquele parecia um local usado para atividades que não deveriam ser descobertas por outros.
Ele entrou no carro e saiu pela mesma estrada por onde tinha vindo. No trajeto, ficou atento, tentando ver se encontrava alguma câmera pública que pudesse ter gravado algo, mas da estrada de terra até o asfalto não havia nenhuma. As câmeras das vias principais certamente existiam, mas para identificar qual carro havia entrado na estrada montanhosa, seria necessário comparar pelo menos duas câmeras.
E essas imagens só poderiam ser vistas se a polícia interviesse. E para envolver a polícia, seria necessário registrar um boletim de ocorrência pelo desaparecimento de Yohan. Se fizesse isso, a imprensa ia farejar a história e seria um caos. Noah não tinha ideia do que estava acontecendo com o Yohan, então não podia agir por impulso.
— Se o Yohan estivesse aqui, ele teria invadido os sistemas… — murmurou, soltando um suspiro cansado.
‘Ou então… Será que eu deveria pedir ajuda pra mãe?’
Chegou a pensar nisso, mas balançou a cabeça logo depois. Mesmo que no passado ele tivesse o hacking como hobby, agora era diferente. A mãe ocupava uma posição de liderança em um grande grupo empresarial e muitos olhos estavam voltados para ele. Não podia simplesmente pedir que ele se envolvesse em crimes digitais.
Nesse momento, um nome surgiu na sua mente.
— Droga… — Um suspiro comprido escapou sozinho. — Quando o Yohan descobrir, ele vai ficar furioso…
Mas primeiro precisava encontrá-lo.
Pegou o celular e digitou um número que já conhecia de cor. Depois de alguns toques, a chamada foi atendida.
— Sou eu, Noah. Preciso te pedir um favor.
Do outro lado da linha, houve apenas um longo silêncio em resposta ao pedido direto.
***
A noite estava avançada, mas Yohan não havia retornado. Nem mesmo um contato. Com uma expressão ansiosa, Noah perambulava pela sala até que não aguentou mais esperar e pegou as chaves do carro… mas não fazia ideia de onde ir.
— Haah…
Ele soltou um grande suspiro e desabou no sofá. Cada minuto que passava era como se o sangue das suas veias secasses. Já tinha pensado dezenas de vezes se não seria melhor ir logo à polícia.
Nesse instante, o telefone tocou. Era o Viktor.
[«O carro de Yohan estava estacionado em um terreno vazio. Mandei um segurança verificar, mas claro, estava vazio. Revendo a câmera interna do carro, confirmei que ele mesmo dirigiu até lá. Ele encontrou alguém nesse local, agora estamos checando quem é o dono do outro veículo que apareceu. Em uma hora, devo ter essa informação. Tente aguentar até lá.»]
‘Uma hora… Eu vou morrer antes disso.’
«Me passa logo o número da placa. Eu também vou tentar descobrir por aqui.»
Viktor concordou e passou a sequência. Enquanto ainda estava na chamada, Noah ligou o notebook e abriu o Messenger. Digitou a placa e enviou a mensagem. Logo em seguida, apareceu uma resposta curta na tela.
>>Hein?<<
>>Você conhece essa placa?<<
>>Acho que sim. Vou confirmar e já te aviso.<<
A pessoa com quem falava era o Jaryeong. Quando Noah pensou em alguém que pudesse ter acesso às câmeras das estradas, só conseguiu lembrar dele. Claro, também considerou que ele podia recusar. Além disso, considerando que ele estava sendo processado pela RF Digital, não sabia se o outro seria amigável.
Mesmo assim, não tinha outra esperança a que se agarrar.
Mesmo assim, a única esperança nesse momento era seu hoobae Woo Jaryeong. Após um longo silêncio, Jaryeong respondeu que ajudaria no que pudesse.
Logo a janela de mensagem começou a piscar novamente.
>>Verifique o arquivo que enviei. Como pode ver na foto, entre os carros que desapareceram antes e depois do ponto que o sunbae mencionou, um dos carros desaparecidos, ou seja, um dos veículos que presumivelmente entraram na estrada de terra, bate exatamente com a placa que você passou.<<
Noah abriu rapidamente o arquivo enviado por Jaryeong. O número da placa registrado na câmera, pouco antes do carro entrar na estrada da montanha, era realmente o mesmo. Só de pensar que Yohan podia estar dentro daquele carro, Noah cerrou os dentes com força.
>>E esse número da placa… Está registrado como propriedade da Seonwoo Eletrônicos.<<
Assim que leu a nova mensagem, o rosto de Noah se contorceu. Ele nem precisou confirmar mais nada, levantou-se de onde estava. Agora ele sabia exatamente quem precisava procurar.
***
Bam, bam!
Com o barulho ensurdecedor, Siheon, que estava deitado se preparando para dormir, franziu a testa. Quem era o idiota que estava fazendo aquele escândalo no meio da noite? Por um instante pensou em ignorar, achando que poderia ser o Seonwoo Geon de novo, mas o escândalo era tanto que não teve como.
— Cha Siheon! Apareça agora mesmo!
Siheon parou por um momento. Aquela voz… não era a do Seonwoo Geon. Era…
Siheon pulou da cama e foi até a porta. Assim que destravou a fechadura e começou a abrir a porta, do outro lado alguém enfiou a mão pelo vão e o puxou com força, fazendo seu corpo ser arrastado para frente.
— Onde está o Yohan!
Noah agarrou a gola de Siheon assim que o puxou, e os olhos dele estavam cheios de fúria. Que diabos estava acontecendo? Por que ele estava perguntando por Yohan ali, àquela hora?
— Não me diga que Ryu Yohan desapareceu?
Siheon perguntou, surpreso, e Noah soltou um suspiro nervoso.
— Então você está dizendo que não sabe?
A voz de Noah estava muito mais ríspida do que o normal. E, além disso, ele estava emitindo os feromônios alfa sem nenhuma contenção, como se estivesse ameaçando. Siheon bateu no braço de Noah com um golpe forte, libertando-se.
— Eu perguntei se Yohan desapareceu.
Noah tinha ligado para ele por volta das cinco da tarde. Já tinham se passado quase seis horas desde então. Mas um adulto sumir por algumas horas não justificava tanto alarde.
Noah só o encarava em silêncio, como se desconfiasse que ele estava mentindo.
— Ele foi embora de manhã e desde então não tivemos mais contato.
Siheon respondeu, suspirando com impaciência. Por mais próximos que fossem como irmãos, aquilo parecia um exagero.
— Então ele saiu para encontrar alguém?
— Se você, que mora com ele, não sabe, como é que eu vou saber?
O fato de Noah não ter ideia de onde Yohan estava, isso sim, parecia realmente estranho.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)