Ler Controle – Capítulo 50 Online

Modo Claro

 

Noah, que estava deitado em seu quarto lendo um livro depois de tomar banho, só saiu para a sala quando sentiu fome.

— Yohan, não quer comer nada?

Ele bateu na porta do quarto de Yohan, mas não houve resposta. ‘Será que ele está tirando um cochilo?’ Noah abriu a porta cuidadosamente e espiou, mas não viu sinal de Yohan.

‘Huh? Para onde ele foi? Quando saiu?’

Noah pegou o celular e pressionou a tecla de atalho número 1. O número de Yohan apareceu na tela e logo começou a chamar, mas a ligação não completou. Tentou ligar mais algumas vezes, e nada.

‘Isso não me cheira bem.’

Franzindo a testa, Noah decidiu abrir o aplicativo de rastreamento de localização. Por precaução, ele e Yohan haviam cadastrado os celulares um do outro.

— Mas que merda é essa…

A testa de Noah chegou a enrugar até o alto da testa. Apenas apareceu uma mensagem que dizia que o sinal de celular de Yohan não podia ser encontrado. Só haviam duas possibilidades: ou o celular estava desligado, ou havia interferência de sinal. De qualquer forma, não era normal.

O mau pressentimento só aumentava. Se não podia rastrear o celular, o que mais poderia fazer? Enquanto refletia, andando de um lado para o outro na sala, avistou um pequeno bilhete em cima da mesa. Ao se aproximar, reconheceu a letra de Yohan.

Não era um bilhete dizendo para onde tinha ido ou quando voltaria. Havia apenas um endereço de um site, um ID e uma senha.

— O que você está tramando dessa vez, Yohan…

Quando eram pequenos, Yohan adorava brincadeiras de esconde-esconde ou caça ao tesouro. Sempre escondia alguma coisa e deixava só uma pista, para Noah descobrir.

‘Bem, não custa tentar.’

Suspirando, ligou o notebook e digitou o endereço que Yohan tinha deixado. Nunca tinha visto aquele site na vida. Enquanto franzia a testa, apareceu um pop-up dizendo “Bem-vindo, Noah.”.

— Você, não tem jeito mesmo…

Deu uma risadinha e digitou o ID e a senha. Assim que entrou, a tela mudou e apareceu um mapa e um botão escrito “search.” ‘Ele quer mesmo brincar de esconde esconde?’ Noah moveu o cursor e clicou no botão. O mapa, que antes mostrava a localização da casa deles em Seul, começou a se mover em direção ao interior de Gyeonggi-do.

— Que lugar é esse?

Noah ampliou o mapa para ver o local marcado com um ponto vermelho. Não parecia ser uma área urbana. Pelo que podia ver, havia uma montanha por perto, mas nenhum sinal de vilarejos.

‘O que ele foi fazer num fim de mundo desses? Não é possível… será que o Yohan…?’

Um arrepio percorreu sua espinha. Mordendo o lábio inferior, Noah salvou o endereço mostrado no mapa, entrou no quarto, vestiu um casaco, pegou as chaves do carro e saiu. Quanto mais pensava, menos aquilo parecia uma brincadeira. Se Yohan deixou essa informação para trás, com certeza tinha um motivo sério. E só de pensar nisso, ficou ainda mais ansioso.

Ao sair pela porta da frente, enquanto esperava o botão do elevador, decidiu ligar para Cha Siheon, por via das dúvidas.

[Alô…]

— O Yohan está com você?

[Ryu Noah?]

A voz do outro lado pareceu suspirar profundamente antes de responder, como se já estivesse cansada.

[Você não tem o menor senso de educação ao telefone, certo…]

— Dispenso os comentários inúteis. Eu perguntei se o Yohan está com você.

[Não.]

A resposta curta carregava um tom de desdém.

— Tudo bem. Tchau.

Desligou o telefone antes que começasse a ouvir qualquer outra bobagem. ‘Se ele não está com Cha Siheon, por que me sinto ainda mais preocupado?’ Se estivesse com ele, pelo menos poderia imaginar que tivessem saído para viajar. Mas, desde antes, seu coração batia de forma inquieta, como se algo estivesse muito errado.

‘Será que… que aconteceu alguma coisa ruim com ele? Não pode ser…’

A lembrança do sequestro de Yohan há muito tempo veio à tona, e um palavrão escapou pelos dentes de Noah.

 

***

BAM!

No exato momento em que Yohan estava prestes a pisar no pênis de Geon, um estrondo violento ecoou pela casa, parecia que a porta da frente estava sendo arrombada. Tanto Seonwoo Geon quanto Yohan se viraram, surpresos.

BANG!

A porta, que estava trancada com o sistema automático, voltou a balançar sob outro impacto violento. Mesmo sendo de metal, parecia prestes a se quebrar.

Quem diabos era? Não podia ser o motorista que estava lá fora esperando, ele jamais bateria assim, desse jeito.

Yohan foi até a janela, puxou a cortina e olhou pra fora. Dois carros que ele não tinha visto antes estavam estacionados, e alguns estrangeiros circulavam por perto.

‘Estrangeiros, nesse lugar tão afastado? Muito suspeito…’

CRASH!

O barulho de vidro despedaçado o fez se encolher de susto. A janela da varanda, que estava a um ângulo de noventa graus de onde ele se encontrava, estourou por inteiro e alguns homens que de jeito nenhum pareciam pessoas comuns pularam para dentro.

— Senhor Seonwoo?

Um deles tirou os óculos escuros e perguntou, olhando direto para Yohan. Ele só ficou calado, encarando o homem. ‘Não é um civil.’ Que tipo de pessoa normal arromba a varanda de alguém desse jeito?

— Eu sou Seonwoo Geon!

Seonwoo Geon, que até então estava encolhido no chão, levantou depressa a mão e se apresentou. O homem então se aproximou e estendeu a mão para ele.

— Maksim Novikov?

Seonwoo Geon perguntou, como se quisesse confirmar. O outro abriu um sorriso largo, sinalizando que sim.

‘Maksim Novikov? Então é russo?’ O olhar de Yohan acompanhou o sujeito. Que inferno esses criminosos russos queriam?

— Mas como vocês nos acharam…?

— Eu sou muito impaciente para ficar esperando, sabe? Então resolvi procurar por conta própria. Só que a porta não abria, e acabei ficando um pouco… agressivo.

O homem indicou a vidraça estilhaçada com um gesto de cabeça e deu de ombros.

— E aquele ali é Yohan Galayev?

Dessa vez, ele mirou Yohan com precisão, fazendo a pergunta em voz firme. Seonwoo Geon, com uma cara de quem estava odiando tudo, assentiu.

«Finalmente vejo o seu rosto.»

O homem falou em russo perfeito.

Tap, tap.

Se aproximou de Yohan com passos largos e, de repente, agarrou seu queixo, erguendo-lhe o rosto. Quando Yohan bateu em sua mão com força suficiente para fazer um estalo, o homem olhou para ele com olhos brilhantes, interessado. Maksim Novikov, como havia sido chamado, mantinha um sorriso nos lábios, mas seus olhos não sorriam… Pelo contrário, o que se via neles era algo próximo da intenção de matar.

«Muito prazer. Estive te procurando por um bom tempo. Não imaginei que você teria fugido para a Coreia.»

«Não estou interessado.»

Yohan cortou a conversa bruscamente e Maksim soltou uma gargalhada, alta, — Ahaha!. — Enquanto ria sem parar, do nada, sacou uma arma e apontou direto para cabeça dele. Seonwoo Geon também arregalou os olhos e soltou um gritinho de puro pavor, dando passos para trás.

‘Porra… que merda de situação é essa?’

Yohan nem piscou. Só encarou Maksim com os olhos frios. Sentia que tudo tinha saído do controle fazia tempo, mas não conseguia imaginar que relação aquele russo tinha com Geon.

«Ilya Galayev.»

Da boca do homem saiu o nome do pai dele.

«Vamos começar por aí.»

Ainda apontando a arma, Maksim murmurou aquilo e mexeu o queixo. Seus capangas avançaram em grupo, agarrando os braços de Yohan pelos dois lados. Esses caras eram diferentes de Geon. Se ele reagisse sem pensar, só sairia ferido.

— Dá pra falar em coreano, por favor…

Seonwoo Geon disse, tremendo.

— Você não entende russo?

Yohan murmurou ao ver Geon fazer uma cara de frustração, claramente sem entender nada. ‘Mas que tipo de idiota é esse? Foi você que chamou eles!’ Teve vontade de gritar isso, mas se conteve e apenas o encarou com frieza.

— Pelo jeito, são mesmo mafiosos russos.

Yohan respirou fundo, tentando manter a calma. Maksim apenas sorriu com desdém, enquanto Geon soltou um gemido sufocado.

— Você está se metendo em algo bem perigoso. Como planeja lidar com esses caras depois?

«Que expressão desagradável. “Lidar”? Nós fizemos um acordo legítimo. ‘Give and take’, entende?»

Pelo jeito, ele entendia bem coreano, porque tinha acompanhado tudo o que Yohan disse. Quem estava ficando mais aflito era mesmo Seonwoo Geon.

— Se você tivesse aceitado a minha proposta, tudo isso não estaria acontecendo!

Geon gritou, tomando coragem agora que Maksim estava presente.

— Quer dizer que se eu tivesse aceitado, você não teria chamado esses caras?

Yohan soltou uma risada seca. ‘Que piada.’ Quando aqueles homens invadiram, Seonwoo Geon tinha ficado tão surpreso quanto ele. Talvez houvesse algum trato entre eles, mas estava claro que esse encontro não tinha sido planejado desse jeito.

— Se você tivesse cooperado, eu teria deixado você sair daqui ileso.

Sunwoo Geon ergueu o queixo, cheio de si. Yohan só conseguiu soltar um longo suspiro.

— Você vive mesmo num mundo de fantasia.

Era tão patético que nem conseguia sentir raiva de verdade. Balançou a cabeça devagar. Maksim já tinha se mostrado interessado só nele, citando até o nome do pai de Yohan. A ideia de que Geon poderia controlar essa situação era uma piada. E agora esse idiota vinha dizer que tudo dependia dele? Ridículo. Apostava tudo que, se Geon resolvesse fazer qualquer coisa que eles não aprovassem, Maksim seria o primeiro a estourar os miolos dele com aquela arma.

— Maldito insolente!

Furioso por ser desprezado, Geon partiu para cima e desferiu um soco no rosto dele. Com um estalo seco, a cabeça de Yohan virou de lado e ele sentiu um corte abrir no canto da boca. Se ele não estivesse imobilizado pelos  capangas russos, nunca teria levado um soco daquele lixo. O sangue fervia em suas veias, e ele cerrou os dentes, encarando Geon com ódio.

— E vai fazer o quê, me olhando assim?!

— Você é tão burro que chega a dar pena. Criou uma situação que nem consegue controlar. O que você quer agora?

— Seu filho da puta!

Geon tentou socá-lo de novo, mas Maksim o segurou.

«Ei, ei, calma aí. Se você estragar ele, como vou conseguir o que quero?»

Parecia que ele estava contendo Geon, mas as palavras eram para Yohan ouvir.

Yohan não respondeu nada, apenas fixou os olhos em Maksim. A única coisa que podia fazer era ganhar tempo. Provavelmente, Noah já tinha começado a agir. Antes de vir, ele tomou a precaução de colocar um rastreador GPS no brinco que usava na orelha e deixar tudo configurado para que Noah pudesse monitorar seu sinal. Então, precisava apenas suportar até que ele chegasse.

«Revistem ele e destruam o celular primeiro.»

Era óbvio que fariam isso. Um dos capangas veio até ele, enfiou a mão nos bolsos e tirou o celular. Atirou no chão e, com um  pisão forte de coturno, o esmagou até a tela estourar num estalo seco. Geon, nervoso, se encolhia a cada ação violenta deles.

«Você nem parece assustado, hein?»

Maksim sorriu, se divertindo, agarrou o queixo de Yohan e balançou sua cabeça para os lados.

«O boato era verdade. Você é mesmo lindo.»

«O quê, você também está interessado?»

Yohan provocou, encarando. Maksim o olhou em silêncio e então sorriu de canto.

«Não vou mentir, você não é nada mal.»

Seus dedos, que antes acariciavam o rosto de Yohan, subiram até seu brinco o apertando forte. Em um  segundo, puxou com força até arrancá-lo, arrancando junto um filete de sangue.

«Além de bonito, também é bem ardiloso?»

Sem pressa, ele o apertou. Sua força era tanta que o pequeno objeto de metal rangeu e quebrou num estalo seco, destruindo junto o pequeno GPS escondido ali.

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Continua…

 

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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