Ler Controle – Capítulo 48 Online
Seonwoo Geon baixou o olhar para os documentos largados sobre a escrivaninha. Eram análises sobre a quantidade de ações detidas pelos acionistas da Seonwoo Eletrônicos e das empresas do grupo Seonwoo, que um funcionário havia entregado a ele na tarde do dia anterior. Seu olhar, fixo nos papéis, foi se tornando cada vez mais sombrio, parecia que queria perfurá-los só com os olhos. No fim, ele pegou o relatório e o amassou com força.
Quase 1% das ações da Seonwoo Electronics estavam em nome de Cha Siheon. O estranho era que havia dois métodos diferentes de aquisição. Até 0,2%, as compras foram feitas discretamente, em pequenas quantidades que passariam despercebidas. Mas, no mês passado, uma grande quantidade de ações foi transferida de uma só vez para ele.
Até 0,2% era compreensível, mas os 0,8% restantes estavam muito além do que Siheon poderia comprar com seus próprios recursos. Ao investigar, descobriu que seu pai havia comprado as ações e colocado no nome de Siheon. Isso não era algo que se faz sem motivo.
O problema não era apenas Siheon ter quase 1% das ações. O fato de seu pai – o presidente do grupo Seonwoo – ter transferido ações para ele era praticamente uma declaração de que pretendia colocá-lo na disputa pela sucessão da empresa. O homem estava construindo uma base para ele, começando silenciosamente pelas ações.
Geon sempre se incomodou com a existência daquele bastardo ilegítimo. Apesar de não ter nada, ele era um alfa – e em tudo, desde notas escolares até vestibulares e conquistas profissionais, superava Seonwoo Geon.
“Você também é alfa! Então prove que consegue fazer igual ou melhor do que aquele bastardo!”
Em algum momento, sua mãe começou a compará-los. Bastava Siheon se destacar em qualquer coisa para ela disparar. “Você não pode ficar para trás”. Até então, Geon conseguia ignorar, pois o pai nunca reconheceu o outro como filho.
Siheon não tinha sequer o direito de usar o sobrenome Seonwoo. Não frequentava nenhum círculo social de filhos de conglomerados. Ninguém sequer sabia que ele era um filho ilegítimo do presidente do Grupo Seonwoo.
Mas agora tudo tinha mudado. Com 1% das ações, ele era um grande acionista. Podendo participar da assembleia de acionistas da Seonwoo Eletrônicos a qualquer momento e exercer seus direitos. O pai pretendia expô-lo aos poucos e, no fim, declarar publicamente que era seu filho.
Sentiu o sangue subir tanto que a cabeça latejou. Estava furioso – com o pai e com a própria existência de Siheon.
“Idiota. Você subestimou demais o grupo RF. Como pôde fazer uma jogada dessas sem ao menos investigar direito o adversário? Pois arque com as consequências sozinho! Já que se meteu nisso, que se vire para resolver!”
Quando a tentativa de usar Woo Jaryeong como espião fracassou, seu pai ficou furioso. Gritou dizendo que nunca faria um trabalho tão porco. A RF Digital enviou uma notificação formal de processo, e seu pai tratou de dizer que aquilo não tinha qualquer relação com o grupo Seonwoo. O recado era claro: queria que Geon resolvesse sozinho a confusão que criou.
Geon não conseguia aceitar. Ora, o pai também não tinha dado ordens parecidas a Siheon? Então por que, agora, cortava relações com ele tão friamente? Tudo o que havia feito foi pensando no bem da empresa. Queria ajudar a Seonwoo Eletrônicos, então por que só ele era tratado como culpado?
O que havia de tão inferior nele em comparação a Siheon? Não tinha sido o primeiro da classe, mas nunca ficou fora dos cinco melhores do colégio. Entrou na universidade que o pai desejava, formou-se com ótimas notas, entrou na Seonwoo Eletrônicos e, desde então, não cometeu erros graves, mantendo o cargo de diretor executivo. Todos achavam que ele seria o próximo presidente da Seonwoo Eletrônicos e, depois, do próprio grupo Seonwoo.
Então por quê?! Por que o seu pai confiou justamente a Siheon essa missão relacionada ao grupo RF? Por que não a ele?
Será que era só porque precisavam de alguém desconhecido pela RF? Se fosse isso, ele mesmo queria provar que era capaz e, por isso, trouxe Woo Jaryeong. Um estudante universitário com notas excelentes e vencedor do campeonato norte-americano de hackers no ensino médio – não haveria candidato melhor.
Não tinha sido culpa dele que o plano fracassou. A culpa era toda daquele maldito Ryu Yohan. Nunca poderia imaginar que ele teria habilidades tão absurdas. O pai dizia que era responsabilidade dele não ter investigado até aí, mas como ele poderia saber de uma habilidade que Ryu Yohan jamais revelou?
Será que Siheon sabia? Se sabia, como descobriu? Mesmo com dinheiro e influência, Geon não conseguiu levantar nada. Então como aquele bastardo conseguiu?
Só havia uma resposta. Woo Jaryeong relatou que Siheon e Ryu Yohan tinham uma relação especial. Ele disse que Yohan tinha interesse naquele desgraçado. Mas Geon tinha certeza de que Siheon, aquele filho da puta calculista, planejou tudo. Aproximou-se de Yohan, construiu uma conexão pessoal e, no final, armou para traí-lo pelas costas.
Tudo o que ele queria era conseguir as informações antes do Cha Siheon e ser útil, mas, justo naquela hora, acabou sendo pego por Ryu Yohan. Se o Woo Jaryeong não tivesse sido pego, talvez o próprio Siheon é quem teria sido descoberto primeiro. Foi realmente muito azar. Se a RF Digital questionasse o projeto por serem idênticos, ele jogaria toda a culpa em Siheon.
Mas nada saiu como ele queria. E era tudo culpa de Cha Siheon e de Ryu Yohan. Aqueles dois estavam namorando, e agora arruinaram seus planos.
Era revoltante pensar que alguém como o Cha Siheon – um bastardo, filho de uma estrangeira Omega sem qualquer prestígio – tentava destruir tudo que ele havia construído. O ômega da RF Group, Ryu Yohan, também o irritava muito. Quando ele próprio tentou se aproximar, mostrando interesse, aquele sujeito fingiu que nem o via. Mas por que, então, demonstrou tanto interesse pelo Cha Siheon?
‘O que Siheon tem que eu não tenho?’
Seu pai, Yohan… Por que todos se curvavam a ele? Não conseguia entender.
‘Eu não vou deixar isso passar.’
Não podia aceitar ser o único a sair prejudicado nessa história. Se ele mesmo não podia ter tudo que queria, ninguém, nem o Cha Siheon, deveria ter.
Toc, toc.
Ao ouvir batidas na porta, ele se virou. Era o secretário entrando na sala.
— Diretor, chegou a resposta daquele contato de que o senhor falou. Eles disseram que aceitam a proposta e pediram que enviássemos uma lista do que desejamos em troca.
— Hmmm.
Os olhos do Seonwoo Geon se estreitaram, e um sorriso suave surgiu no canto da boca. Só porque o pai tinha decidido cortar relações com ele, isso não significava que sua vida tinha acabado. ‘Dizem que o inimigo do meu inimigo é meu aliado.’ Infelizmente, Ryu Yohan tinha muitos inimigos. Ou melhor, o Grupo RF e a Galayev Corp, tinham. Mas já que ele era o herdeiro de ambos, não tem direito de reclamar.
— Deixe-os esperar, por enquanto. Quanto mais demorarmos a responder, mais ansiosos eles vão ficar, principalmente se também quiserem algo de nós. Não precisamos nos apressar.
Se resolvesse de uma vez tanto essa questão com a RF Digital quanto os assuntos envolvendo o Cha Siheon, não teria mais com o que se preocupar, e seu pai não poderia ignorá-lo. Ele provaria que não precisava da ajuda do pai para nada. A partir de agora, mostraria isso com ações.
Verificando o relógio, Sunwoo Geon chamou seu motorista. Era hora de encontrar Ryu Yohan.
***
— Mas que tipo de lugar é esse…?
O endereço que o Seonwoo Geon mandou por mensagem ficou salvo no GPS. Quando chegou lá, Yohan se deparou com um canteiro de obras abandonado no meio do nada. Não dava para saber se a construção estava abandonada, ou se estavam de folga porque era fim de semana, mas era um lugar árido e deprimente.
“Gostaria que pudéssemos nos encontrar a sós, se possível. Como sabe, é um assunto que não deve ser ouvido por outras pessoas.”
‘Ridículo…’
Não importava o quanto aquele homem quisesse bancar o misterioso, eles jamais seriam íntimos a esse ponto. Também não acreditava que o Seonwoo Geon fosse aparecer com algum segredo bombástico sobre o Cha Siheon. Ainda assim, foi até ali porque simplesmente não conseguia entender o que se passava na cabeça de Siheon.
Chegou a pensar que talvez ele quisesse mesmo largar o Grupo Seonwoo, mas aí Seonwoo Geon disse que o Siheon logo seria nomeado diretor de planejamento da Seonwoo Eletrônica, e aquilo deixou tudo ainda mais confuso.
Não conseguia acreditar 100% no que Seonwoo Geon dizia, mas achava que, pelo menos, ouvindo o que ele tem a dizer, poderia ter uma ideia de como estavam as coisas dentro da Seonwoo Eletrônica ou da família Seonwoo. E, com isso, quem sabe, entender de uma vez o que Cha Siheon estava tramando.
Embora tivesse vindo sozinho, deixou uma mensagem para Noah. Se algo lhe acontecesse, tinha certeza de que ele agiria imediatamente. Claro que depois o Noah iria reclamar sem parar, ainda mais porque ele saiu escondido enquanto o irmão tomava banho.
Diferente dele, que chegou pontualmente na hora marcada, o outro não apareceu nem mesmo depois de dois minutos.
— Deveria ir embora logo de uma vez.
Que tipo de sujeito ocupava um cargo de diretor executivo e não tinha sequer noção de pontualidade? Diziam que, ao ver um defeito, já se conhecia o resto do caráter, e não era à toa que a Seonwoo Eletrônica andava patinando ultimamente.
Enquanto ele resmungava, pensando se devia ir embora ou não, viu lá longe um carro preto vindo na direção dele, levantando poeira. Yohan esperou, apoiado em seu carro, até que o veículo parou diante dele. Do banco do motorista desceu um homem que parecia ser o motorista e correu para abrir a porta de trás.
O homem que saiu de lá, todo cheio de pose, olhou para ele e sorriu de lado.
— Há quanto tempo?
Ao contrário de sempre, Yohan olhou para ele sem nenhuma expressão. Seonwoo Geon. Yohan já tinha visto aquele rosto antes, numa festa beneficente que ele foi quase forçado a participar, lembrava que, naquela época, ele tinha demonstrado interesse de maneira bem descarada. Na época, Geon ostentou seu status de alfa, tratando ele como um “simples ômega”. Yohan, por sua vez, riu e o chamou de “alfa inferior a um ômega” antes de sair. Depois disso, ele nunca mais tentou se aproximar. Yohan realmente detestava ser visto apenas como um objeto sexual. Sim, ele era um ômega, mas isso era só uma das muitas partes que formavam quem ele era.
— Vamos no meu carro. Tem uma casa de veraneio aqui perto, bem tranquila. Eu gostaria de levá-lo até lá.
O tom era polido, mas a atitude, grosseira. Se era para conversar na casa, por que não tinha chamado direto para lá, em vez de mandar ele vir até esse canteiro de obras no fim do mundo e só depois sugerir que trocassem de carro? Aquilo era muito suspeito.
Ele lançou um olhar rápido para dentro do carro e viu que não tinha mais ninguém. Parecia mesmo que tinha vindo só com o motorista. — Hum.— Yohan respirou fundo, pensativo.
‘Será que naquela tal casa de veraneio também não haveria ninguém?’
— É só por precaução, caso alguém estivesse seguindo você. Não precisa ficar desconfiado.
‘Não, eu acho que tenho todos os motivos para ficar desconfiado.’
Ele não respondeu, apenas deu um sorriso curto. Por mais suspeito que fosse, já tinha se dirigido até ali, então não podia simplesmente dar meia-volta.
— Tudo bem. Vamos.
O motorista se aproximou para abrir a porta, mas Yohan fez questão de abrir sozinho e entrou no carro. Então olhou para Seonwoo Geon com um ar que parecia dizer “vai ficar aí parado?”, até que ele, meio desconcertado, recompôs o rosto e sentou ao lado dele.
Depois de uns cinco minutos de estrada, o carro entrou por um caminho de terra. Era uma via estreita onde só cabia um carro por vez, subindo por uma área de mata. Quando terminaram de percorrer o trecho apareceu um lago bem grande e, logo ao lado, uma construção enorme.
Assim que desceu do carro, Yohan lançou um olhar para o celular e franziu a testa. Na tela piscava o aviso de “fora da área de serviço”.
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Continua..
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)