Ler Controle – Capítulo 47 Online
Yohan estava parado em frente à janela da varanda da sala, encarando o lado de fora com um olhar vago. Parecia imerso em pensamentos tão profundos que Noah, que no início fingiu não ver, acabou não aguentando mais depois de uma hora inteira e resolveu questioná-lo.
— O que foi? Qual é o problema?
Desde que Yohan tinha sumido com Cha Siheon depois do jantar da empresa e voltado naquele estado, Noah estava convencido de que aquele desgraçado era o culpado. E, como já não gostava dele, seu tom saiu mais áspero do que pretendia.
— Não sei… Qual seria o problema…?
Yohan franziu a testa com uma expressão estranhamente indefinida, nada parecida com ele. Vendo suas sobrancelhas perfeitas se distorcerem, Noah também fez uma careta.
— Aquele desgraçado fez alguma coisa ruim com você?
Sexo…? Bom, desde o começo tinham feito aquele contrato de namoro só pra transar, então não havia muito o que dizer. Mas e se aquele cara tivesse algum fetiche estranho? Ao pensar nisso, Noah se levantou de repente e se aproximou de Yohan. Puxou bruscamente a camisa dele, fazendo Yohan pular de susto.
— Queria ver se tinha algum machucado no seu corpo.
Yohan ficou olhando com um ar abobalhado e, só depois de um segundo, explodiu numa risada alta.
— Ele não fez nada estranho comigo. Pare de imaginar coisas.
Empurrou Noah de volta e ajeitou as roupas.
— Então o que foi? Por que essa cara tão séria? Você e ele já não deviam ter terminado?
Tinha certeza de que era um relacionamento limitado a um mês. Assim que o estágio acabasse, o namoro de fachada também ia acabar. Por isso, embora não gostasse nada da situação, Noah se contentou em só observar.
— Por acaso… você começou a ter sentimentos por ele.
Ele perguntou só por desencargo de consciência, mas Yohan ficou em silêncio, desviou o olhar e simplesmente não respondeu.
— Yohan!
— Não é isso. É outro tipo de problema.
— Outro problema? Que problema?
— Quando eu… entender melhor, te conto. Agora nem eu sei direito o que está acontecendo.
Yohan falou num tom ambíguo, o que deixou Noah ainda mais agoniado. Parecia que ele realmente não queria explicar nada naquele momento. Forçou um sorriso com uma expressão complicada e entrou no quarto.
‘Será que aquele filho da puta do Siheon não fez mesmo nada?’
Só de pensar nisso, Noah sentiu o sangue ferver. Teve vontade de ir atrás dele naquele instante, socar sua cara e obrigá-lo a falar o que tinha acontecido. Mas, lembrando do jeito de Siheon, Noah apenas soltou um gemido contido. Não era do tipo que ia apanhar calado, e principalmente não parecia alguém que abriria a boca com facilidade.
Noah encarou a porta fechada do quarto de Yohan e soltou um longo suspiro.
Ultimamente, Yohan já não parecia mais o mesmo que ele conhecia. Quer dizer, continuava igual, mas… ao mesmo tempo, estava diferente, mais distante. Sempre acreditou que conhecia quase tudo sobre ele, mesmo que não soubesse cem por cento, mas agora já não tinha certeza.
O que ele estava pensando? O que pretendia fazer? O que sentia por Cha Siheon…
Era uma sensação tão desagradável que ele nem conseguia descrever. Por mais que não quisesse admitir, parecia que tinha perdido Yohan para Cha Siheon.
‘Ah… Será que eu deveria arrumar um namorado?’
Até hoje, Noah sempre deixou as pessoas virem e irem sem se importar muito. Mas, de repente, sentiu vontade de ter alguém. Parecia que o lugar ao seu lado, que sempre esteve preenchido, agora estava completamente vazio. Mas será que conseguiria preencher esse espaço com outra pessoa que não fosse Yohan? Essa parte ele não tinha certeza nenhuma.
Haa… Soltou um suspiro profundo e cobriu o rosto com uma das mãos.
Noah sabia que era apegado a Yohan. Até então, isso nunca foi um problema, mas agora que sentia que Yohan estava lentamente se afastando dele, percebeu que se sentia muito mais perdido e magoado do que imaginava.
“Mesmo que a gente não queira, as crianças crescem e acabam se tornando independentes dos pais. Vai chegar uma hora em que Yohan e Noah também, por mais que hoje pareça que só existe um para o outro no mundo, conforme exploram mais vida, inevitavelmente começarão a ver coisas diferentes.”
Quando Noah decidiu se transferir para uma faculdade na Coreia, a mãe dele disse isso como quem não quer nada. Nunca imaginou que aquelas palavras fossem bater tão fundo só agora.
Achava que ainda tinha um pouco mais de tempo para ficarem juntos… Mas o tempo estava passando muito mais depressa – e de um jeito tão cruel que ele não podia fazer nada para impedir.
Quando entrou no quarto, Yohan se jogou na cama e ficou olhando o teto, sem foco.
— Cha Siheon…
Quando repetia o nome dele em voz baixa, o rosto do homem naturalmente vinha à mente, aquele rosto bonito e sempre sem expressão.
Será que desde o início ele tinha mesmo se candidatado ao estágio na RF Digital só para agir como espião? Não… Por mais que pensasse nisso, não parecia ser o caso. Se fosse, ele não teria deixado o notebook ali. Yohan tinha certeza. Siheon tinha deixado o notebook de propósito na sala, conduzindo-o a ver tudo.
Por mais que tentasse, não conseguia entender o motivo. Se fosse entregar aqueles dados à Seonwoo Eletrônicos, não deixaria que fosse descoberto.
Mas se não precisava daquilo, então por que teria feito todo aquele esforço de recriar tantos dados? Então por que, agora acabou mostrando tudo para ele assim? As ações dele não batiam com nenhuma lógica, e isso só aumentava a confusão.
Será que… ele mudou de ideia? Brigou com o Grupo Seonwoo, talvez? Não, isso também não fazia sentido. Pelo que sabia, Cha Siheon e o Grupo Seonwoo – mais especificamente, o presidente Seonwoo Seungmin e seu filho mais velho, Seonwoo Geon – nunca tiveram um bom relacionamento. O rótulo de “filho ilegítimo” parecia atormentar Siheon, e era exatamente por isso que ele precisaria dos dados confidenciais da RF Digital para ganhar o reconhecimento deles.
‘Então por quê…?’
Por mais que pensasse e repensasse, não conseguia chegar a lugar nenhum. Era a primeira vez que se sentia tão incapaz de entender alguém e, de um jeito estranho, isso provocava até uma espécie de ânimo competitivo nele. Um desejo obstinado de descobrir o que Siheon estava pensando tomou conta dele.
Desde que soube que Siheon era filho ilegítimo de Seonwoo Seungmin, nunca chegou a confiar nele de verdade. No caso do vazamento do projeto, só tinha ficado do lado dele porque, de fato, Siheon não tinha encostado nos arquivos. Mas confiar plenamente? Nunca aconteceu. Quando encontrou a pasta no notebook, não tinha ficado chocado por ele ter roubado dados da RF Digital, mas sim pelo volume absurdo e pelo fato de não conseguir entender como aquilo tinha sido copiado.
‘Memorizar tudo o que viu como se fosse uma fotografia… Isso é realmente possível?’
Era difícil de acreditar, mas, como testemunhou pessoalmente, não podia negar completamente. Sempre achou que isso só existia em livros ou filmes…
Se aquilo fosse verdade, deletar os arquivos não adiantaria nada. A menos que controlasse o próprio Cha Siheon, os dados da RF Digital – e toda a pesquisa sobre feromônios da RF Farmacêutica – poderiam vazar a qualquer momento.
‘Isso é um problema sério demais… Será que eu deveria contar à mãe e pedir orientação?’
Siheon também devia saber que ele poderia reagir assim. Se Yohan contasse tudo à mãe, o problema se tornaria algo que envolveria todo o Grupo RF. Nesse caso, por mais que Siheon tivesse uma memória extraordinária, não tinha como um indivíduo sozinho vencer um conglomerado inteiro. No pior dos casos, apareceriam pessoas dizendo que seria melhor eliminá-lo de uma vez.
Sua mãe, porém, procuraria uma solução mais inteligente, menos extrema. Provavelmente escolheria um jeito de trazer Cha Siheon totalmente para o lado deles, porque não seria sensato tê-lo como inimigo…
— Ah!
Yohan sentou-se de repente, como se tivesse levado uma pancada na nuca.
‘Será que… era isso que Cha Siheon queria? Ele está disposto a cortar laços com o Grupo Seonwoo? Sério…?’
Mesmo após chegar a essa conclusão, era difícil acreditar. Por mais que ele dissesse que Seonwoo Seungmin era só seu “pai biológico” e nada mais, no fundo, aquele era o único laço de sangue que Siheon tinha. Por pior que fosse a relação, abrir mão de um pai não era algo simples. Ainda mais se pensar que Seonwoo Geon implicava tanto com Siheon justamente porque o via como uma ameaça à sua posição. Em outras palavras, Sunwoo Seungmin não desprezava Siheon tanto quanto ele pensava e que, de certo modo, ele ainda estava no páreo como possível sucessor.
Será que Siheon não percebia isso? Mesmo que não percebesse, qualquer um no lugar dele pensaria em entrar no Grupo Seonwoo e subir na hierarquia…
Não, todo o comportamento de Siheon até agora indicava exatamente isso. Ele devia ter criado aqueles arquivos no laptop para entregá-los a Seonwoo Seungmin e, assim, ter seu valor reconhecido.
‘Então, por que ele mudou de ideia de repente? Será que… Não, não pode ser.’
Quando Yohan se pegou pensando nessa possibilidade, balançou a cabeça com força. Mesmo quando ele disse que seria a última vez, Siheon não demonstrou emoção nenhuma. Era como se nada daquilo tivesse a ver com ele. Como se estivesse apenas aturando Yohan, porque ele insistia em ficar por perto.
Então, pensar que ele tinha mudado de ideia por causa dele parecia pretensioso demais.
‘Mas… e se?’
‘E se eu estiver certo?’
“Pense por si mesmo, você é inteligente.”
‘Siheon estava querendo que eu desse uma resposta. Naquele momento, pensei que fosse apenas uma questão de como lidar com o vazamento dos dados da RF Digital…’
‘Mas e se ele, na verdade, ele quisesse que eu decidisse tudo sozinho? Sobre nós dois, sobre a relação entre Ryu Yohan e Cha Siheon?’
Yohan se levantou da cama e, apressado, procurou e vestiu o casaco. Precisava encontrar Siheon. Nem sabia ao certo o que queria dizer a ele, mas tinha certeza de que precisava olhar seu rosto e conversar.
Estava prestes a girar a maçaneta quando o seu celular começou a tocar. Por um segundo, teve a esperança de que fosse ele. Mas, ao olhar o visor, viu que era um número desconhecido. ‘Que incômodo… Será que eu devo atender?’ Enquanto pensava, teve uma sensação ruim, como se alguém puxasse seu pescoço por trás. Por fim, pressionou o botão de atender e levou o celular ao ouvido.
— Alô?
[Ryu Yohan?]
Era uma voz que ele achava ter ouvido em algum lugar. Logo se deu conta de que era Seonwoo Geon.
[Lembra de mim? Sou Seonwoo Geon, da Seonwoo Eletrônicos.]
Ele mesmo se apresentou e cumprimentou com calma.
— Como conseguiu meu número?
[Ah, isso não é tão difícil assim. Nada que um pouco de influência não resolva, não é?]
Havia um “clube” exclusivo para herdeiros de conglomerados – provavelmente conseguiu o contato por lá. Mesmo assim, Yohan e Noah não costumavam frequentar aqueles encontros, então não fazia ideia de onde o número tinha vazado.
[Sei que é fim de semana, então imagino que esteja descansando. Me desculpe pelo incômodo. Mas, se puder, poderia me ceder um pouco do seu tempo?]
— Não quero.
A resposta saiu sem nem pensar. Do outro lado da linha, fez-se um silêncio surpreso, como se o outro não esperasse uma recusa tão imediata.
— Se não tiver mais nada pra dizer, vou desligar.
[Cha Siheon.]
Ele ia apertar o botão de encerrar a chamada quando ouviu o nome de Siheon.
‘Ah, merda. Que irritante.’
[Imagino que haja algo sobre ele que você gostaria de saber.]
— Eu sei que ele é seu meio-irmão e que vocês dois se odeiam. Não preciso de mais.
Foi a forma mais educada que encontrou para dizer “Não acho que você tenha nada útil para acrescentar sobre ele.”
[Você sabia que, assim que ele se formar, vai ser nomeado chefe da divisão de planejamento da Seonwoo Eletrônicos? Logo ele, que acabou de terminar um estágio na RF Digital.]
Ele estava dando voltas, mas a mensagem era clara: “Ele só conseguiu isso porque roubou dados.” Yohan apertou o celular na mão e respirou fundo, tentando manter a calma.
— Onde nos encontramos?
Assim que fez a pergunta, ouviu uma risada baixa do outro lado da linha.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)