Ler Controle – Capítulo 45 Online

Modo Claro

 

Desde quando ele estava ouvindo? Siheon repassou mentalmente a conversa com Seonwoo Geon, mas não parecia ter dito nada que fosse realmente um problema. Afinal, a maior parte do tempo quem ficou falando sozinho foi o Geon.

— Era o Seonwoo Geon no telefone?

Yohan virou o olhar para o celular e perguntou. Mas mesmo assim, Siheon não respondeu. Mesmo sabendo que Yohan já conhecia suas origens, não conseguia imaginar o que ele pensaria ao perceber que Siheon ainda mantinha contato com Seonwoo Geon.

— Eu costumo lembrar bem de rostos, vozes, esse tipo de coisa. Ele estava gritando tanto que a voz estava praticamente saindo pelo telefone. Era ele, não era?

Se Yohan escutou tudo, talvez até fosse melhor assim. Pelo menos não haveria nenhum mal-entendido absurdo. Mas ainda assim, ter exposto tão claramente o desprezo que Geon tinha por ele feriu seu orgulho.

— Então vocês realmente não se dão bem. Eu já imaginava mas….

— Você também investigou sobre mim?

Siheon perguntou já sabendo a resposta. Era óbvio que ele tinha feito isso. Se Yohan tinha pesquisado tão a fundo até sobre Woo Jaryeong, de quem parecia gostar tanto, não haveria motivos para não ter feito o mesmo com ele.

— Sim. O Siheon hyung também investigou tudo sobre mim, não foi?

Ele disse isso de forma tão calma, reconhecendo sem hesitar que tinha vasculhado a vida dele, e ainda assumindo que Siheon tinha feito igual. Não tinha como retrucar, até porque era verdade.

No fim das contas, ele e Ryu Yohan eram parecidos nesse ponto também. Nenhum dos dois confiava em ninguém. Era até irônico pensar que a única coisa que compartilhavam era essa desconfiança absoluta por qualquer pessoa.

— A conversa acabou se desviando… Então quer dizer que quem saiu ganhando por você não ser Seonwoo Siheon… mas sim Cha Siheon fui eu?

Yohan sorria daquele jeito inocente, e Siheon não conseguiu entender o que havia por trás da pergunta.

— Se você tivesse aparecido na minha frente carregando o sobrenome Seonwoo, acho que eu nunca teria me interessado tanto.

Yohan explicou com um pouco mais de clareza.

— Não.

Siheon fitou Yohan com um rosto totalmente sério.

— Independente do meu nome ser Seonwoo Siheon ou Cha Siheon, você teria se interessado da mesma forma.

Diante daquela afirmação tão firme, Yohan ficou com uma expressão um pouco abobada. Logo depois, soltou uma risada alta.

— É verdade…

No fim das contas, não tinha sido por causa do sobrenome ou da família que ele tinha despertado curiosidade. Ironicamente, o que sempre considerou desagradável – a cor incomum dos seus olhos – foi o que  fisgou o olhar de Yohan primeiro. Graças a isso, acabaram se aproximando com uma facilidade que Siheon nunca teria previsto.

— Foi por ser Cha Siheon que você passou tão facilmente na seleção do estágio da Grupo RF.

Yohan apontou outro motivo. E isso também era verdade. Nos documentos, Siheon não tinha qualquer ligação com o Grupo Seonwoo. Se os recrutadores tivessem descoberto que ele era o filho bastardo da família Seonwoo, jamais teriam aceitado a sua inscrição.

— E o que mais? Que outras coisas foram ou seriam possíveis só porque você é Cha Siheon?

Yohan continuava falando com aquele tom quase brincalhão. Por isso mesmo, era difícil saber se ele estava apenas curioso ou se queria testar o que havia por trás de Siheon.

— Isso.

Siheon agarrou a nuca de Yohan e o puxou para si. Colou seus lábios nos dele e empurrou a língua para dentro, explorando toda a boca dele sem pressa, quase como se vasculhasse cada canto. As línguas se misturaram, e de vez em quando se ouviu, no quarto silencioso, o som úmido e indecente da saliva.

Demorou até que eles soltassem os lábios. Mas mesmo depois, ainda ficaram tão próximos que o ar que exalavam esquentava o rosto um do outro.

— Se fosse Seonwoo Siheon… — Yohan mexeu os lábios um pouco inchados devagar. — Você não teria feito isso?

— Talvez não.

Se não fosse Cha Siheon, mas Seonwoo Siheon… O encontro com Yohan teria sido diferente, e mesmo que o outro elogiasse sua aparência, ele não teria dado a menor atenção. Teria se concentrado em firmar sua posição dentro do Grupo Seonwoo com toda a segurança e o orgulho de seu sobrenome. Se por acaso surgisse algum interesse por Yohan, o peso do nome “Seonwoo” teria dificultado qualquer aproximação. E, acima de tudo, ele jamais teria aceitado algo como um “relacionamento por contrato”. Se quisesse Yohan, teria usado métodos mais diretos, para conquistá-lo abertamente.

Seonwoo Geon não estava errado em suas críticas. Justamente por ser Cha Siheon, ele já tinha se preparado para ser visto  de forma pré determinada pelo Grupo RF, e não teve escolha a não ser aproximar-se de Yohan indiretamente. Por mais humilhante que fosse admitir, na sociedade em que viviam, a família, a formação e essas credenciais contavam muito. Siheon tinha aprendido isso mais cedo que os outros.

— Ainda prefiro o Cha Siheon.

Não o “Seonwoo”, mas sim do Cha Siheon. Talvez Yohan fosse a única pessoa no mundo que diria algo assim. Um sorriso fraco escapou de Siheon.

No fim… Queria mesmo possuir aquele garoto. De qualquer jeito que fosse.

Siheon passou o braço pela cintura de Yohan e o puxou. Ele se deixou abraçar sem resistir. Quando Yohan ergueu o rosto, Siheon viu seu próprio reflexo nos olhos cor de esmeralda. Enquanto o observava em silêncio, Yohan levantou os braços e os passou ao redor do seu pescoço.

— O que isso significa? Eu pensei que já tinha acabado?

Os olhos de Yohan se curvaram, ficando como duas finas luas crescentes. Ao mesmo tempo, o aroma de flores, parecido com jasmim, que tinha dado uma trégua, voltou a se espalhar devagar.

Siheon encostou o rosto no pescoço dele e inspirou profundamente. Quanto mais se acostumava, mais aquele cheiro estimulava os seus desejos mais profundos.

— Você vai se arrepender…

Murmurou entre um beijo no pescoço. Yohan soltou um gemido breve e reclinou a cabeça. Siheon mordeu a pele branca com cuidado, só o bastante para não deixar marca, e depois passou a língua sobre o ponto, repetindo o gesto. A cada vez, o cheiro ficava mais intenso.

‘Tanto esforço para ventilar o quarto, mas pelo visto não adiantou de nada.’

Com um pensamento resignado, levantou o rosto de Yohan e cobriu seus lábios com os próprios.

— Ainda tem força para continuar?

Yohan perguntou num tom provocador.

— Você é o último que deveria questionar isso.

Siheon deslizou a mão pela cintura dele e apertou uma das nádegas, afastando-a. Quando enfiou o dedo, sentiu que ele já estava ficando molhado novamente. Será que o corpo de todo omega era assim mesmo? Era surpreendente, mesmo depois de tudo o que fizeram na noite passada, Yohan estava novamente molhado desse jeito.

Bom… Ele também não estava em posição de criticar ninguém. Seu próprio pau já estava ereto de novo, latejando.

Empurrou Yohan para a cama e subiu sobre ele, fazendo o colchão afundar. Sem que combinassem nada, os dois começaram a tocar um ao outro, pele contra pele, numa ânsia que dispensava palavras. Depois disso, as memórias se perderam no denso aroma floral, tornando-se indistintas.

 

***

 

Quanto tempo haviam dormido? Normalmente, ele acordava na hora certa sem precisar de alarme, mas, ao abrir os olhos, o sol já brilhava no céu. Yohan se virou na cama e soltou um gemido fraco. Pelo jeito, eles tinham realmente exagerado na noite anterior. Quando tentou levantar sentiu que todas as juntas estalavam.

Quantas vezes eles tinham feito? Tentou contar nos dedos, mas desistiu. Da metade em diante, a mente tinha ficado tão turva que ele já não lembrava direito de nada.

— Siheon hyung?

Yohan chamou por ele ao notar que o espaço ao lado estava vazio, mas não recebeu resposta. Com um suspiro resignado, forçou-se a sentar, reclamando baixinho. Ao se erguer, sentiu as pernas quase dormentes do quadril para baixo. Não teve como conter uma risada boba, tinham transado até não aguentarem mais.

Seu corpo estava mais limpo do que esperava. Como não lembrava de ter tomado banho, Siheon devia tê-lo limpado.

‘Inesperadamente ele é bom atencioso…’

Era engraçado pensar que aquele homem de cara fechada podia ter esse tipo de delicadeza.

Sentado na beira da cama, olhou ao redor. Sobre uma poltrona estava a camisa social que Siheon tinha tirado na noite anterior, ele se aproximou e a pegou. Estava limpa, mas ainda carregava o cheiro dele – nada comparado ao feromônio alfa que Siheon liberava durante o sexo, mas ainda assim o suficiente para fazer seu coração acelerar.

— Hmm…

Yohan soltou um som nasal e ficou um instante pensando. Depois, enfiou os braços nas mangas da camisa. Como Siheon tinha o porte maior que ele, a camisa também era grande. Estar vestido somente com aquela camisa larga sobre o corpo nu acabou lhe arrancando um sorriso. Era isso que chamavam, supostamente, de “camisa do namorado”. Se comentasse isso na frente de Siheon, provavelmente ele o mandaria parar de falar besteira e riria com desdém, mas, ao ver o próprio reflexo no espelho, Yohan finalmente entendeu um pouco o fascínio das pessoas por isso.

A barra da camisa mal cobria suas partes íntimas, deixando suas pernas brancas completamente expostas. O mínimo movimento faria com que tudo ficasse à mostra.

‘Ótimo.’ Satisfeito com a própria aparência, Yohan resolveu que mostraria aquilo a Siheon e saiu daquele jeito para a sala.

— Siheon hyung? Cha Siheon-ssi?

Chamou de propósito num tom brincalhão e manhoso, mas não encontrou sinal dele. Vasculhou até o banheiro, mas nem ali estava.

‘Onde ele foi, me deixando sozinho assim?’

Não era que ele se sentisse abandonado por acordar sozinho depois do sexo… mas a ideia de Siheon ter saído e deixado a casa vazia para ele fez um riso sarcástico escapar de seus lábios.

— Olha só…. Eu vou fazer coisas ruins.

Yohan ligou o notebook que estava em cima da mesa da sala. É claro que havia uma senha na tela de login.

— Hmm…

Ergueu o canto da boca num sorriso torto e pegou o próprio celular para conectar ao computador. Uma senha desse nível era algo que ele conseguia quebrar em segundos se quisesse.

— A culpa é sua, Siheon hyung.

Não sentia nenhum peso na consciência por estar bisbilhotando o notebook de outra pessoa. Era o mesmo que já tinha feito com o servidor inteiro da RF Digital. E, de todo jeito, Siheon também devia ter vasculhado tudo sobre ele. Se o deixou sozinho e ainda por cima largou o notebook à vista, a culpa era dele por ser descuidado. Principalmente depois de ter presenciado com os próprios olhos como Yohan era habilidoso com esse tipo de coisa, quando ele pegou o Woo Jaryeong.

Em poucos instantes, ele quebrou a senha usando um programa de hacking que tinha instalado no celular e conseguiu fazer login. Na área de trabalho, quase não havia nada. A imagem de fundo era a padrão do sistema operacional. Tão estéril e sem graça bem típico de Cha Siheon.

‘Mas nem tudo é visível à primeira vista.’

Assobiando baixinho, Yohan começou a fuçar cada canto do notebook. Não tinha um motivo específico para procurar nada. Assim como quando invadiu o servidor da RF Digital, não era que planejasse fazer algo com aquilo. Para ele, vasculhar tudo que havia dentro de um computador era quase um hobby.

Além disso, em um notebook pessoal, bastava passar os olhos e logo dava para ver a personalidade do dono. Tinha alguns amigos que, de vez em quando, guardavam uns arquivos de fetiches sexuais bem estranhos. Será que Cha Siheon tinha alguma mania bizarra também? Com o olhar cheio de curiosidade travessa, Yohan ficou vigiando o monitor. Foi aí que um dos ícones chamou sua atenção.

RF Digital.

Era uma pasta escondida, feita para não aparecer normalmente. Será que era algo criado durante o estágio? Sem pensar muito, Yohan abriu a pasta e começou a checar os arquivos dentro dela. Aos poucos, seu sorriso foi sumindo do rosto.

Dentro da pasta estava tudo sobre a RF Digital. Desde o novo projeto que Woo Jaryeong tinha roubado, passando pelos resultados de pesquisa sobre feromônios que tinham vindo da RF Pharmaceutical, até dados detalhados sobre o chip de reconhecimento de feromônios que o setor de desenvolvimento estava criando. Absolutamente todos os materiais que Yohan viu no servidor da RF Digital estavam ali, guardados no notebook de Siheon.

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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