Ler Controle – Capítulo 41 Online
Assim que a porta da entrada se abriu, Yohan falou:
— Para quem estava fazendo todo aquele drama, isso aqui é bem impressionante.
Siheon não respondeu, apenas entrou primeiro. Yohan o seguiu, parou na sala e olhou ao redor.
— É exatamente como eu imaginei.
Ao ver o ambiente impecável, sem uma folha de papel ou uma peça de roupa largada fora do lugar, Yohan fez uma expressão de “eu sabia”.
— Combina bem com o Cha Siheon. Nada fora do lugar, nenhum objeto desnecessário.
‘E, por isso, também é sem qualquer traço de vida.’
Yohan acabou engolindo as últimas palavras que ficaram na ponta da língua. De certa forma, já esperava. Desde o colégio, depois que a sua mãe morreu, Siheon morava sozinho, e considerando sua personalidade, era difícil imaginá-lo vivendo no meio da bagunça.
Ainda assim, era óbvio que aquele espaço não passava de um lugar para dormir. A ponto de dar a impressão de que não tinha calor humano nenhum. Por outro lado, talvez fosse inevitável. Desde pequeno, o homem que chamava de pai nunca o reconheceu como filho, e a única família que tinha, a mãe, morreu quando ele ainda estava no ensino médio. Desde então, Siheon viveu sozinho por quase sete anos.
Se fosse do tipo que sentisse muita solidão, teria ao menos mantido algumas pessoas por perto. Mas o problema era justamente que ele conseguia viver bem demais sozinho. Pelo que Yohan descobriu, ele nunca teve nenhum relacionamento sério. Provavelmente achava que namorar era um luxo desnecessário.
‘Pra alguém assim, até que ele é absurdamente habilidoso no sexo… Então quer dizer que, mesmo sem namorar, ficava transando por aí? Como esse cretino pode falar que meu buraco parecia bem acostumado…? Mas, pelo menos, não foi com qualquer um.’
Quando seus pensamentos chegaram a esse ponto, ele começou a se sentir levemente irritado. Ele sabia que não tinha o direito de demonstrar ciúmes, então ficou quieto, mas, sem querer, sua mente se encheu de pensamentos que só fizeram seu humor piorar.
— Vai tomar banho?
Siheon perguntou, fazendo um gesto com os olhos na direção do banheiro. O jeito como falava deixava claro que não tinha intenção de conversar sobre nada. Estavam ali para transar, e pronto. Isso, por algum motivo, deixou Yohan um pouco magoado.
‘Estou me sentindo estranho hoje. Será que é porque é a última vez?’
Ele balançou a cabeça, tentando se livrar dos pensamentos intrusivos, tirou o paletó e o deixou no sofá. Em seguida, soltou a gravata, puxando-a para deixá-la frouxa, depois a removeu e começou a desabotoar a camisa social. Siheon, que até então apenas observava em silêncio, finalmente reagiu quando Yohan começou a desfazer o cinto.
— Para. Você vai tirar tudo aqui mesmo?
— Você que me mandou tomar banho.
Yohan respondeu com uma expressão de “qual é o problema?”, fazendo Siheon suspirar profundamente.
— Você não tem nenhum senso de vergonha?
— Por que essa pergunta agora? Já vimos tudo um do outro.
Sem dar a menor importância, Yohan tirou também a última peça de roupa e ficou completamente nu, olhando Siheon de frente. Apesar de falar sobre vergonha, Siheon manteve o rosto sem expressão e encarou Yohan nos olhos, sem desviar o olhar nem abaixar para encarar o corpo dele.
— Quer tomar banho comigo?
Yohan sorriu ao perguntar, e Siheon franziu a testa.
— Prefiro evitar ficar completamente encharcado com roupa e tudo, igual da outra vez.
— Então entra pelado também.
— Deixa de besteira e vai logo.
Siheon abriu a porta do banheiro e fez um gesto para ele entrar. Yohan riu baixinho e entrou no banheiro. Era um banheiro simples, com uma área de box como qualquer outra. Até o chuveiro tinha um modelo padrão, então não havia como abrir a torneira errado e se molhar sem querer.
‘Uma pena. Não vou ter desculpa para chamar ele pra entrar junto.’
Ele soltou uma risada amarga ao pensar nisso. Não entendia o porquê de estar se sentindo tão frustrado. Quando propôs que tivessem a última transa, não tinha pensado nada demais. Mas agora que estava de verdade na casa de Cha Siheon, o clima estava estranhamente melancólico.
Se soubesse que ia acabar assim, não teria insistido tanto para que ele o levasse para casa. Quando Yohan disse que queria transar, Siheon respondeu na lata que não tinha dinheiro sobrando para pagar um hotel e que se sentiria desconfortável se Yohan bancasse tudo sozinho. E também deixou claro que também não iria para a casa deles, onde o Noah mora.
Assim, só sobravam duas opções: um motel ou o apartamento de Siheon. Na verdade, para Yohan tanto fazia se fossem para um motel. Da outra vez ele só não quis porque era a primeira vez dele. Yohan sempre foi o tipo de pessoa que, se tivesse que ir a uma excursão da faculdade, dormia e fazia tudo tranquilamente num alojamento velho e apertado.
Ele só queria conhecer o lugar onde Siheon vivia. Com essa intenção egoísta, insistiu até ele ceder e concordar em levá-lo para casa. Na hora, Siheon ficou visivelmente tenso.
“Nunca deixei ninguém entrar no meu apartamento.”
Foi uma recusa indireta. Um jeito de dizer: Nem você será exceção. Mas isso só despertou ainda mais o espírito competitivo de Yohan. Já que nenhum outro tinha entrado, ele queria ser o primeiro. O primeiro a entrar naquela casa, o primeiro a transar com ele ali. Queria ficar marcado na memória de Cha Siheon de alguma forma.
Tinha prometido que, depois do fim do contrato, sairia da vida dele sem insistir, mas a ideia de desaparecer sem deixar nenhum vestígio na vida de Siheon, sendo esquecido como se nunca tivesse existido, feriu seu orgulho.
Mesmo sabendo que era uma birra infantil, continuou firme até Siheon finalmente suspirar e dizer que fizesse como quisesse. No caminho até lá, os dois praticamente não trocaram nenhuma palavra. Quando estavam quase chegando, Siheon comentou num tom seco que o apartamento era bem diferente do de Yohan e que não adiantava reclamar.
Yohan pensou em responder que já imaginava isso, mas desistiu. Cha Siheon tinha uma espécie de complexo de inferioridade peculiar em relação a ele. No começo, Yohan nem percebeu, mas depois de um mês juntos acabou notando. Considerando a história familiar dele, não era de se estranhar. Ainda assim, como ele nunca deixava isso transparecer, Yohan decidiu fingir até o fim que não sabia. Achou que era a melhor forma de preservar o orgulho de Siheon.
Ele se sentia à vontade na presença de Noah. Entre todas as pessoas com quem convivera, eram raríssimos os que não sentiam algum tipo de inveja ou constrangimento ao seu lado, seja pela aparência, pelo dinheiro, pela família. Noah era o único que estava exatamente no mesmo patamar, o único com quem se sentia completamente igual.
Mesmo assim, não foi Noah quem ele escolheu. Quando se conheceram, foi só curiosidade: aqueles olhos azuis chamaram sua atenção. Mas agora… agora definitivamente, tinha se tornado mais do que uma simples curiosidade. Ele sabia disso, mas também não sentia vontade de fazer nada a respeito.
Com essa consciência de que seu jeito de ser também não era lá muito saudável, ligou o chuveiro e se colocou debaixo da água. Sem pensar, ergueu a mão e olhou para a palma.
‘Será que posso me soltar por completo? Já que é a última vez… uma única vez não vai fazer mal, vai?
O feromônio de ômega. Desde aquela primeira vez, quando um alfa o obrigou a entrar num ciclo de calor, Yohan nunca mais havia liberado seus feromônios por completo. Ele não conseguia aceitar a ideia de ser dominado por um desejo que apagasse sua racionalidade. Por isso começou a frequentar o laboratório de pesquisa, estudou seu próprio corpo a fundo, passou a tomar os remédios que a RF Farmacêutica desenvolveu junto com a Galayev, e aprendeu a se controlar sozinho.
Mesmo naquela vez na universidade, quando entrou no cio por causa do Ryu Saemin, ele não tinha liberado tudo. Graças aos medicamentos que tomava regularmente, o efeito do indutor foi atenuado.
Havia um medicamento capaz de inibir de vez o funcionamento das glândulas de feromônio, mas ele nunca quis usar. Se sua vida fosse prejudicada por ser um ômega, ele aceitaria como uma limitação pessoal – não como uma falha inerente ao seu gênero. Na prática, a própria mãe também era um ômega e sempre vivera com dignidade e orgulho. Não queria se render por causa do gênero. Mas também não queria ser escravo do próprio corpo, então preferiu aprender a controlar os ciclos com auxílio dos medicamentos.
Mas, nos últimos dias, ele parou de tomar os reguladores de feromônio de propósito. E, se seus cálculos estivessem certos, seu ciclo de calor estava prestes a começar. Se Siheon liberasse seu feromônio alfa durante o sexo, era certo que o feromônio ômega de Yohan explodiria em resposta. Desde o começo, Yohan planejou que na última noite não tomaria nada para se conter. Queria transar com Siheon sem filtro algum.
‘Devo tomar o remédio agora?’
Agora que estava prestes a acontecer, ele sentiu um frio na espinha. Não conseguia nem imaginar como ficaria se perdesse totalmente a razão.
‘Será que posso mesmo me permitir isso? Bem na frente do Cha Siheon?’
Como se tentasse segurar a água que escorria pelos dedos, ele fechou o punho com força.
‘Mas já que cheguei até aqui, não adianta ficar pensando demais. Se não for agora, nunca mais terei coragem de tentar…’
Quando terminou o banho e abriu a porta do banheiro, Siheon estava parado bem na frente. Yohan ergueu os olhos, intrigado, como se perguntasse por que ele estava ali esperando.
— Como eu esperava…
Siheon fez um som de reprovação com a língua, agarrou o braço de Yohan e o puxou para a sala, fazendo-o sentar no sofá. Em seguida, jogou um roupão em sua direção.
— Veste isso.
Parecia que o fato dele estar completamente nu o incomodava muito.
— Mas vou acabar tirando de novo.
— Então tira quando for a hora. Vai ficar assim até eu sair do banho? Se pegar um resfriado, depois vai pôr a culpa em quem?
O tom era ríspido, mas ele parecia genuinamente preocupado com a possibilidade de Yohan ficar doente. Yohan sorriu de leve, enfiou obediente os braços nas mangas do roupão e o amarrou direito na cintura.
— Pronto, satisfeito?
Mesmo assim, Siheon ainda olhou com cara de poucos amigos. Depois virou as costas, foi até o banheiro e voltou com uma toalha.
— Seca esse cabelo direito também.
Os fios pingavam porque ele nem tinha tentado secar antes.
— Nunca fui bom nisso. Deixa, vai acabar secando sozinho.
— O quê? Por acaso seus empregados secavam sua cabeça desde pequeno também?
Siheon franziu a testa. Estava escrito na cara dele que queria zombar: De que país veio esse príncipe mimado, hein?
— Por mais que fosse assim… olha quantos anos você tem…
— Noah.
— O quê?
— Normalmente é o Noah quem seca meu cabelo.
O rosto de Siheon se contorceu de um jeito ainda mais feio do que antes. Parecia que ia soltar mais uma resposta sarcástica mas, dessa vez, ele ficou calado – embora as rugas em sua testa tenham se aprofundado.
— No quarto tem um secador em cima da penteadeira. Vai lá e seca direito.
Como se não quisesse prolongar a conversa, ele apenas indicou a localização do quarto e entrou no banheiro. Yohan ficou sentado no sofá, olhando fixamente na direção do quarto.
‘Então ele quer que eu entre sozinho, no quarto dele, onde ninguém nunca entrou, e fique esperando? Nossa, você realmente não tem um pingo de delicadeza.’
Mas também, o que ele esperava? Nem ele mesmo se imaginava vivendo uma cena romântica em que Siheon o carregava nos braços até a cama.
‘Se eu fosse mesmo o namorado de Cha Siheon, se eu fosse alguém de quem ele gostasse de verdade a ponto de perder a cabeça… será que esse momento teria sido diferente?’
Mais uma vez, pensamentos inúteis brotaram e tomaram conta.
— Há…
Yohan soltou um risinho fraco, balançou a cabeça e se levantou, indo na direção do quarto.
‘Talvez eu deva mesmo tentar um relacionamento sério da próxima vez. Não um namoro com prazo de validade, só para transar… mas um namoro de verdade, com alguém que realmente goste de mim.’
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)