Ler Controle – Capítulo 38 Online

Modo Claro

 

— Ha!

O supervisor ficou tão atônito que deixou a mão que segurava o celular cair, pendendo ao lado do corpo. funcionários do departamento de planejamento estavam tão chocados que nem conseguiam fechar a boca. Uma das funcionárias chegou a erguer a mão para tapar a própria boca, de onde escapou um gemido surpreso.

Jaryeong, que repetiu “alô?” várias vezes sem obter resposta, estranhou o silêncio do outro lado da linha. Inclinou a cabeça, apertou o botão de encerrar e voltou a entrar na sala.

— Yohan, sunbae… Por que me chamou…?

Quando percebeu que todos os olhares estavam fixos nele, Jaryeong interrompeu a frase e olhou ao redor, confuso.

Haa…

Yohan respirou fundo, soltando o ar devagar. Assim que viu o número que o supervisor discou e que ele mesmo havia descoberto como sendo do verdadeiro responsável pelo vazamento dos dados, soube imediatamente que pertencia a Jaryeong. Era alguém que ele jamais esperava, o que o deixou desconcertado. Mesmo assim, ele havia mandado uma mensagem, pedindo que viesse ao departamento de planejamento, pois precisava tratar de um assunto. E em seguida pediu ao supervisor que ligasse para o número dele.

Era um jeito cruel, mas foi a única forma de mostrar a todos, sem deixar dúvidas, quem era o verdadeiro espião.

— Seu desgraçado!

O supervisor avançou de repente e agarrou Jaryeong pelo colarinho. Sem entender nada, ele arregalou apenas os olhos, apavorado.

— O que pensa que está fazendo, hein?

— O… o quê? O senhor pode me dizer pelo menos por quê…?

— Por quê? Pergunte para sua consciência!

Yohan interveio antes que o homem perdesse totalmente o controle.

— Não é assim que vamos resolver as coisas. Tente se acalmar.

— Como quer que eu me acalme?! Por causa desse desgraçado, o projeto quase foi perdido!

No fim, o supervisor não aguentou e ergueu o punho. Hic. Jaryeong fechou os olhos com força e virou o rosto, esperando o impacto. Mas a dor nunca veio. Foi Siheon quem, no último instante, segurou o punho do supervisor.

— Já chega.

A voz de Siheon saiu tão baixa e fria que era assustadora. O supervisor se encolheu ao perceber aquela raiva silenciosa e recuou um passo.

— O que está acontecendo?! — Jaryeong se soltou, desnorteado. — Por que estão todos assim?

Jaryeong, que havia sido libertado das mãos do supervisor, perguntou de volta como se não entendesse. ele parecia indignado por ter sido chamado ali só para levar um golpe.

Yohan observou Siheon, curioso para ver como ele reagiria. Afinal, o maior prejudicado era Siheon. Ele tinha sido acusado de algo que não fez e carregou nas costas toda a culpa durante aqueles dias. Por isso, Yohan imaginou que ele explodiria de raiva contra Jaryeong.

Ele claramente estava furioso. Parecia ainda mais inexpressivo que o normal, e seu olhar estava tão frio que chegava a doer. Mas não disse uma palavra a Jaryeong. O silêncio dele era mais assustador que qualquer grito.

— Por que você fez isso?

Quem perguntou foi Yohan.

— O quê? O que eu fiz? Eu realmente não entendo por que o sunbae e todos aqui estão agindo assim comigo.

Ainda com os olhos muito abertos, Jaryeong parecia sinceramente confuso. Por um instante, Yohan chegou a pensar que talvez estivessem enganados, que algo estivesse errado. Será que ele era mesmo inocente? De tão inocente que parecia, era difícil não se deixar balançar.

— Nosso projeto. O smartphone que usa feromônio. Foi você que passou o arquivo para a Seonwoo Eletrônica.

Quando Yohan falou sem rodeios, os olhos de Jaryeong se arregalaram ainda mais. Em seguida, ele começou a balançar a cabeça de um lado para o outro.

— Isso é um absurdo…! Eu não sei por que o sunbae acha isso, mas não fui eu!

Com uma expressão quase chorosa, ele protestou. Os outros funcionários ficaram ainda mais confusos. Alguns se perguntavam, em silêncio, se Yohan não estaria enganado. Seus olhares iam e voltavam entre Jaryeong e ele, sem saber em quem acreditar.

Yohan apenas o encarou, calado. Não levantou a voz, mas também não tinha o menor resquício daquele sorriso que era quase sua marca registrada.

— Tem certeza que não foi você?

Yohan perguntou de novo. Jaryeong balançou a cabeça com força outra vez. Os funcionários começaram a cochichar, dizendo que estavam com medo de que estivessem acusando alguém inocente.

— No arquivo que você roubou do meu computador, eu botei um vírus. Assim que eu o ativasse, ele ferraria todos os dados do computador que recebeu o arquivo.

As sobrancelhas de Jaryeong se mexeram, bem de leve.

— Mentira…

Ele murmurou sem querer e, percebendo a besteira que falou, mordeu o lábio inferior.

— Podemos verificar. Para saber se estou mentindo ou não.

Yohan pegou seu celular, abriu um aplicativo desconhecido e pressionou um botão. Nada parecia acontecer ali, mas em menos de dez segundos, o celular de Jaryeong tocou. Ao olhar para a tela, ele engoliu seco.

— Não vai atender?

— …

O rosto de Jaryeong foi ficando todo contorcido. Yohan chegou mais perto e arrancou o celular da mão dele.

— N-não, não faz isso…

— Não? Por quê?

Yohan perguntou com a voz fria, sem nenhuma expressão. Jaryeong cerrou os dentes com força.

— Se não tem nada a esconder, não tem motivo para não atender. Não é?

Assim que terminou de falar, Yohan apertou o botão de atender e colocou no viva-voz, para todo mundo ouvir.

[Ei! Que porra é essa? O arquivo que você mandou provocou uma pequena explosão aqui e fodeu meu computador todo! O que diabos você me mandou?!]

A voz furiosa de alguém gritou. Siheon franziu a testa, reconhecendo o tom. Era Seonwoo Geon, o diretor executivo da Seonwoo Eletrônica.

[Woo Jaryeong, seu filho da puta! Vai ficar calado, é? Fala logo o que aconteceu! Como vai resolver essa merda?!]

A voz ecoou tão alto pelo escritório que todo mundo ficou pálido.

— Desculpe, mas Jaryeong não está em condições de atender no momento.

Yohan respondeu com a maior calma.

[…Quem é você? Cadê o Woo Jaryeong?]

— Sr. Seonwoo Geon.

Yohan falou o nome dele com todas as letras. Assim que ele fez isso, o sangue sumiu do rosto de Jaryeong. Ele ficou branco que nem papel, tremendo, e começou a dar passos para trás. Mas já estava cercado pelos outros funcionários e não tinha para onde fugir.

— Nos veremos no tribunal, em breve.

Yohan  só disse isso e desligou na cara do homem. Depois, colocou o celular de volta na mão de Jaryeong.

— Você também vai ter que se explicar na Justiça.

A voz dele era calma, até baixa, mas por isso mesmo era ainda mais assustadora. Seria melhor se ele tivesse gritado e xingado, igual o supervisor tinha feito antes.

— Sunbae! Me escute, por favor!

Jaryeong segurou no braço dele, quase implorando.

— Eu não queria fazer isso! Eles me ameaçaram! Eu não tive escolha…

— Woo Jaryeong.

Yohan o interrompeu, olhando fixamente para ele antes de suspirar profundamente.

— Três anos atrás, o vencedor mais jovem do campeonato de hackers da América do Norte… foi você, não foi?

Os funcionários arregalaram os olhos de novo, sem acreditar no que tinham acabado de ouvir.

O Woo Jaryeong, que tinha se formado em Economia Internacional, era o vencedor de um torneio de hackers? Que história era aquela? E como diabos o Yohan sabia de tudo isso?

Todo mundo tinha a mesma interrogação no rosto. Até o próprio Jaryeong ficou com os olhos arregalados, sem nem piscar, chocado por Yohan saber daquilo.

— Por que está tão surpreso? Eu já sabia disso desde o dia em que você veio falar comigo e com o Noah, quando voltamos para a Coreia.

— Como você…?

— Como eu sabia? Simples, eu normalmente não confio em ninguém. Quando alguém chega puxando assunto e querendo ser amiguinho, a primeira coisa que faço é desconfiar. Então, desculpe, mas eu pesquisei tudo sobre você. Tudo mesmo.

Ele soltou aquela bomba com uma calma absurda. Jaryeong ficou paralisado, sem conseguir desviar os olhos de Yohan.

— Você tinha um currículo que não batia com alguém que escolheu Economia Internacional. Mas isso era problema seu, então ignorei. Só que… — O olhar de Yohan ficou afiado. — Eu nunca imaginei que você fosse um espião plantado pelo Grupo Seonwoo. O meu erro foi não investigar também com quem você andava.

— Desde quando você sabia… sobre o arquivo?

— Acho que desde o primeiro dia.

Ele não tinha como saber que era Jaryeong, mas tinha notado que alguém estava mexendo na pasta compartilhada da equipe assim que começou.

— Como…?

Jaryeong ainda tinha confiança de que não tinha deixado rastros, afinal ele era vencedor de um torneio de hackers. Mas o problema…

— Eu aprendi tudo sobre computadores e programação brincando, desde muito novo. Mas nunca me interessei por essas competições.

No fim das contas, Yohan era mais habilidoso do que ele.

— Por hábito e diversão, coloco senhas ocultas em todos os arquivos que mexo. Se alguém mexer neles, meu celular recebe um alerta.

Yohan levantou o próprio celular e deu uma balançadinha. Jaryeong soltou um riso nervoso. Era uma derrota completa. Ele nem notou que tinha uma senha naquele arquivo. O que queria dizer que Yohan era tão bom que ele, mesmo sendo hacker, não percebeu nada.

Do corredor, veio um burburinho e logo depois um grupo de homens de terno preto entrou no escritório. Atrás deles, estava Ryu Jin. Todo mundo entrou em pânico quando o presidente apareceu do nada, até mesmo Yohan, que não esperava aquilo, ficou meio surpreso.

— Bom trabalho.

Ryu Jin deu um tapinha leve no ombro de Yohan e mandou os homens levarem Jaryeong. Yohan só conseguiu soltar um longo suspiro, sem acreditar.

— O senhor já sabia disso tudo desde o início?

Será que ele já sabia que a Seonwoo Eletrônica ia enfiar um espião no programa de estágio, e por isso tinha colocado ele e Noah lá dentro? Às vezes ele achava que nunca ia entender até onde chegava a capacidade de sua mãe. No fim, ele tinha aprendido tudo com ele, desde hackear até programar vírus, então não tinha muito mais o que dizer.

O olhar de Ryu Jin se voltou pra Siheon, que estava ao lado de Yohan. Ele não falou nada, mas quando olhou nos olhos dele, deu um leve sorriso. Só isso já bastou para Yohan ter certeza de que a mãe sabia tudo sobre Siheon – inclusive que ele era filho ilegítimo do presidente do Grupo Seonwoo.

— Lamento pelo transtorno. Sobre o projeto dos smartphones que lidam com feromônios, pode continuar como estava planejado. Os problemas com o Grupo Seonwoo, eu mesmo vou resolver, então podem ficar tranquilos para trabalhar.

Depois de acalmar a situação, Ryu Jin se virou para sair, levando Jaryeong com ele.

— Só um instante.

Yohan chamou, fazendo Ryu Jin parar, e caminhou até Jaryeong, que estava sendo segurado pelos seguranças.

— Com seu talento, deveria trabalhar para alguém que realmente te valorize. Não para um imbecil como Seonwoo Geon. Deveria seguir alguém que soubesse te colocar no lugar certo.

Jaryeong deu um sorriso triste. Se ele tivesse conhecido Yohan e Noah antes do Seonwoo Geon… Talvez tudo fosse diferente. Foi batendo um arrependimento enorme, mas já era tarde demais.

Ryu Jin, que estava quase saindo pela porta, soltou um “ah” como se tivesse lembrado de alguma coisa e se virou. O olhar dele foi direto para Siheon.

— Em breve…

Ele sorriu de leve. O jeito dele sorrir era diferente, mas ao mesmo tempo muito parecido com o de Yohan.

— Vamos jantar em breve.

Yohan soltou um gemido baixinho, tapando o rosto com a mão. Um convite para jantar do nada… Era óbvio que ele também já sabia tudo sobre o que estava acontecendo entre ele e Siheon.

 

°

°

Continua…

 

 

 

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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