Ler Controle – Capítulo 37 Online

Modo Claro

 

—Toma.

Cha Siheon olhou alternadamente para o saquinho de remédios estendido diante dele e para o rosto de Yohan. O que diabos ele estava tentando fazer dessa vez? Desde o início, mas especialmente recentemente, Siheon não conseguia decifrar o que se passava na cabeça de Ryu Yohan. Quando o projeto vazou, ele tinha certeza de que Yohan seria o primeiro a mudar de atitude, mas aconteceu exatamente o contrário. Enquanto todos apontavam o dedo e comentavam pelas costas dele, Yohan permaneceu indiferente, como se nada tivesse acontecido.

— Isto é remédio.

Quando Siheon não se moveu para pegar e apenas ficou olhando, ele abriu o pacote e mostrou o conteúdo. Dentro havia uma pomada cicatrizante e adesivos para dor.

— Você levou umas pancadas do Noah. E ontem parecia que nem tinha passado nada nos machucados.

‘Como se você tivesse me dado tempo para aplicar qualquer remédio.’

Siheon pensou, encarando-o em silêncio, lembrando perfeitamente do que Yohan fez com ele no terraço ontem. Talvez por isso, Yohan também ficou um pouco sem jeito, pigarreou e desviou o olhar.

— Dizem que isso funciona bem para hematomas.

Yohan indicou o adesivo com um gesto de cabeça.

— Eu não tenho hematomas.

— Como não? Foi o meu pai que ensinou o Noah a lutar. E, caso você não saiba, meu pai era das Forças Especiais Russa.

— Ha…

Siheon soltou um suspiro descrente.

‘Isso explica muita coisa.’

Nunca tinha levado um soco na vida, mas ontem acabou trocando uns bons empurrões com Noah. O estilo de luta não parecia uma arte marcial específica, mas algo eficiente em combate real, o que tinha deixado ele intrigado.

‘Mas afinal, quem é esse Ilya Galayev?’

Siheon só sabia que ele era um empresário e ex-mafioso russo, mas agora descobriu que ele vinha das Forças Especiais? Quanto mais ele sabia sobre aquela família, menos entendia. Talvez por isso Yohan também fosse tão imprevisível.

— Não preciso disso.

Ele afastou o pacote de remédios dizendo que não era nada tão grave. Mas Yohan continuou olhando fixamente e se aproximou mais um passo.

— Posso levantar sua camisa pra ver?

Estavam no escritório. Assim que ele disse isso, todos os funcionários das mesas ao lado e à frente arregalaram os olhos e se viraram para encará-los.

‘Esse cara realmente não se importa com o que os outros pensam.’

Siheon sempre viveu sem se importar muito com os outros, mas a indiferença dele e a audácia de Yohan estavam em níveis completamente diferentes.

— Ah, não pense besteira. — Yohan disse, sorrindo de leve. — Você disse que está bem, então eu só quero confirmar.

Levantou as mãos como quem dizia que não tinha nenhuma segunda intenção. O que ele queria deixar claro era que só sossegaria se pudesse ver com os próprios olhos que o corpo de Siheon não tinha nenhum machucado. Siheon soltou um longo suspiro e pegou o saquinho de remédios.

— Pronto, satisfeito?

— Uhum.

Yohan sorriu com aqueles olhos tranquilos, puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dele. Siheon o olhou com a expressão de quem pensava “já peguei o remédio, o que você quer mais agora?”, mas Yohan tirou a pomada de dentro do pacote.

— Se não cuidar, pode infeccionar. Seria um desperdício estragar um rosto tão bonito.

Ele abriu a tampa e começou a passar a pomada diretamente nos cortes do rosto de Siheon. Ainda soprou de leve para ajudar. Não foram só os funcionários que ficaram paralisados; o próprio Siheon também congelou, encarando Yohan em silêncio.

— Mas o que você… Ha… esquece. Nem adianta falar nada.

No dia anterior, Noah tinha surtado justamente porque Yohan protegeu Siheon. E por ter ficado do lado de Cha Siheon, Yohan também acabou ouvindo comentários que não precisava ter escutado. E como haviam vários idiotas falando abertamente, como se quisessem que ele escutasse, então Siheon sabia de tudo.

O motivo de Noah ter surtado e mandado Yohan se afastar era que não suportava ver o irmão ser alvo de fofoca. Qualquer um, observando de fora, entenderia toda a situação. Yohan não era burro a ponto de ignorar isso.

Mas então… Por que ele insistia em se aproximar ainda mais? Mesmo sabendo que Noah, seu irmão gêmeo, detestava isso, por que ele continuava fazendo essas coisas?

— Se o Ryu Noah souber, vai fazer um escândalo.

Assim que ele murmurou aquilo, a mão de Yohan, que estava passando a pomada, parou no ar. Por um instante pareceu que sua expressão iria endurecer, mas foi tão rápido que ninguém percebeu. Logo ele voltou a sorrir como se nada tivesse acontecido.

— Está preocupado com o Noah?

— ……

Não é irracional não se importar quando eles estão fazendo tanto alarde?

— Achei que você não ligasse para nada. Nem para o Noah, nem para ninguém. Você nunca se importou.

Como ele não podia negar que isso era verdade, preferiu ficar calado.

— Eu também.

Yohan tirou a mão do rosto de Siheon e esboçou um sorriso suave.

— Mesmo que se aproximassem, mesmo que pedissem para serem abraçados… Você também não se importava com nada disso, não é?

A pergunta soou estranha. Não se importava – no passado. Siheon estreitou os olhos, encarando-o, e Yohan sorriu ainda mais, com aquele olhar que deixava claro que percebeu que ele entendeu o que queria dizer. Mas não acrescentou nenhuma outra palavra.

— Yohan…

O colega da mesa ao lado se inclinou sobre a divisória e deu um leve sinal de alerta, apontando discretamente para o corredor. Quando Siheon olhou, percebeu que funcionários de outros departamentos estavam passando e espiando com curiosidade. Era um aviso para que não chamassem ainda mais atenção. Yohan assentiu como se entendesse e voltou calmamente ao seu lugar.

Ele ligou o computador e começou a clicar no mouse. Aos poucos, o canto de seus lábios se ergueram em um sorriso contido.

‘Finalmente caiu na armadilha!’

Yohan colocou o celular ao lado do monitor e abriu um aplicativo. Imediatamente, a tela do computador mudou de cor. Seus dedos começaram a se mover rápido pelo teclado. Na tela, agora completamente preta, linhas e mais linhas de letras e números apareciam em sequência, como um código indecifrável para qualquer pessoa comum.

O som frenético das teclas durou bastante até parar de repente. Ao mesmo tempo, o sorriso sumiu completamente do rosto de Yohan. Ele ficou olhando fixamente para o monitor, franzindo as sobrancelhas finas.

— Ha…

Um suspiro que não conseguiu conter escapou por entre seus lábios. O barulho foi tão alto que o colega da esquerda e o próprio Siheon se viraram para ele.

— Acho que encontrei.

Yohan levantou uma das mãos e passou pelo rosto.

‘Encontrei, mas…’

— Encontrou o quê?

O colega perguntou, piscando os olhos sem entender nada.

— Hã… — Yohan soltou outro suspiro pesado. — O verdadeiro culpado que roubou nosso projeto e passou para a Seonwoo Eletrônicos.

BANG!

Siheon se levantou tão bruscamente que a cadeira arrastou e bateu na divisória, fazendo um estrondo.

— O que você quer dizer com isso?

O que mais seria? Yohan não respondeu mais nada. Em vez disso, virou o monitor na direção de Siheon e do colega. Na tela havia várias janelas abertas. No topo, uma mostrava um mapa de toda a cidade de Seul – mais precisamente, uma linha vermelha traçada da RF Digital até a sede da Seonwoo Eletrônica.

— Eu já tinha comentado que havia indícios de alguém acessando os arquivos, lembra? Naquela época, eu deixei um arquivo armadilha. Por fora, parecia um documento normal, mas por dentro tinha um vírus que monitora o caminho do arquivo.

O colega ainda parecia perdido, alternando o olhar entre a tela e Yohan com uma  expressão confusa. Já Siheon mantinha os olhos fixos na tela, e a testa franzida. Aquela linha vermelha era a prova de que arquivos da RF Digital tinham sido enviados diretamente para algum ponto dentro da Seonwoo Eletrônica.

Yohan pegou o mouse e clicou em outra janela que estava minimizada ao fundo. Era uma planta baixa que parecia o mapa interno da empresa. Na parte superior lia-se claramente Seonwoo Eletrônica. Dentro do enorme prédio, um ponto vermelho piscava. Quando ele deu zoom, surgiram os nomes de cada departamento.

Siheon sentiu um calafrio.

‘De onde esse maluco tirou uma planta interna da Seonwoo Eletrônica?’

Só de terem esse arquivo, já era motivo para um processo. O ponto vermelho piscava na sala do diretor executivo Seonwoo Geon. Ao reconhecer o nome, Siheon mordeu o lábio inferior sem perceber.

— Não fique parado aí, clique na próxima janela.

O colega, finalmente entendendo a situação, apontou para uma janela oculta atrás da planta da Seonwoo. Nela, estava escrito: RF Digital.

Sem dúvida, aquilo era o diagrama interno da RF Digital. E com certeza naquele mapa também haveria um ponto vermelho brilhando. O ponto que piscava no mapa da Seonwoo Eletrônica mostrava o local onde o arquivo havia sido finalmente entregue. Nesse caso, o ponto que brilhava no mapa da RF Digital era…  o local de origem do vazamento. Ou seja, onde o espião estava.

Cliq.

No momento em que o mouse clicou na janela da RF Digital, o supervisor engoliu em seco. O departamento de planejamento, a mesa do Cha Siheon. Será que aquilo realmente apareceria? Se aparecesse, o que fariam depois? Em apenas um ou dois segundos, milhares de pensamentos passaram pela cabeça dele.

Pisca, pisca.

O ponto vermelho estava, sem erro, no andar onde ficava o escritório da equipe de planejamento. Ah… O supervisor soltou um gemido baixo.

— Amplie a imagem. Vai mostrar a localização exata.

Foi Yohan, que até então só estava observando, que falou atrás deles. O supervisor pediu que Siheon se afastasse e, em seguida, ele mesmo girou a rodinha do mouse para dar zoom no mapa. Yohan virou o rosto para Siheon, que tinha recuado. Ele estava encarando o monitor com um olhar gelado.

‘O que será que ele está pensando neste momento?’ Se pudesse, Yohan gostaria de entrar na mente dele para saber.

— O quê?

O supervisor se surpreendeu ao ver a imagem ampliada.

— Mas… Isso aqui é a sua mesa, Yohan.

E por que aquilo seria motivo de surpresa? Era o mais óbvio.

— Eu já expliquei antes. Eu instalei o arquivo-armadilha no meu computador. Então, é claro que o ponto de origem ficaria marcado na minha mesa.

— Ah…

O supervisor passou a mão no peito, aliviado, e balançou a cabeça. Era mesmo cansativo ter que explicar tudo passo a passo. Ao contrário dele, Siheon permaneceu com os lábios cerrados, sem tirar os olhos da tela.

— Olha só.

Yohan diminuiu o zoom de novo, de forma que o prédio inteiro da empresa aparecesse.

— Aqui também tem pontos vermelhos. Ué? E não é só um, tem vários.

— Provavelmente, o arquivo foi transferido em etapas. E não usaram apenas um computador, mas notebook e celular, em diferentes locais.

O hacker tinha sido cauteloso. Mas seus esforços foram inúteis. Yohan digitou um comando simples, e os pontos vermelhos dispersos se agruparam em um só. Com um beep, um número de onze dígitos apareceu na tela.

— Não me diga que isso é…?

O supervisor apontou o dedo para os números que surgiram no monitor.

— É um número de telefone. A conexão que usaram para transferir os dados não foi a rede interna da empresa, mas um plano de dados móvel.

— Ha… Quem quer que seja esse desgraçado, não vai ficar impune.

O supervisor bufou de raiva, puxando seu celular. Com o indicador firme, ele começou a digitar os onze números que apareciam na tela. Enquanto isso, seus olhos se voltaram naturalmente para Siheon. Os outros funcionários que escutavam a conversa também prenderam a respiração e fixaram o olhar nele.

Vrrr.

Graças ao silêncio absoluto que se instalou, o som da vibração do celular ecoou alto por toda a sala. Mas não vinha de Siheon. Todos viraram a cabeça para a origem do barulho, e seus olhos se arregalaram.

Na entrada do escritório da equipe de planejamento, um homem estava parado. O celular em sua mão não parava de vibrar. Ele olhou para o visor, depois inclinou a cabeça, sem reconhecer o número.

— Atenda, Woo Jaryeong.

Yohan, que tinha se levantado, virou-se e olhou para o homem que estava na porta.‘Woo Jaryeong, estagiário do setor de vendas?’ O olhar dos funcionários da equipe de planejamento se encheu de confusão. ‘Não é aquele que vivia grudado no Ryu Noah? Dizem que ele era muito próximo dos irmãos…’ Ninguém teve coragem de comentar em voz alta, mas todos pensaram a mesma coisa.

‘Deve ser um engano. Não pode ser…’

— Ah, com licença um instante.

Jaryeong, percebendo os olhares, saiu rapidamente do escritório e atendeu o celular.

— Alô?

A voz dele ecoou no viva-voz do telefone que o supervisor segurava.

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Continua..

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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