Ler Controle – Capítulo 33 Online
O clima dentro da equipe de planejamento também estava tenso. Bastavam duas ou mais pessoas se reunirem para que começassem a cochichar sobre os boatos que estavam circulando.
Falavam que o Cha Siheon tinha ligação com a Seonwoo Eletrônicos –e não apenas uma ligação qualquer, mas que era o filho escondido do presidente do Grupo Seonwoo. Alguns até afirmaram tê-lo visto recentemente com o Seonwoo Geon, diretor-executivo da Seonwoo Eletrônicos e filho mais velho do presidente…
O boato mais cruel, porém, era o de que ele era um filho ilegítimo e que, para ser reconhecido pelo presidente do Grupo, estava atuando como espião. O fato de Siheon ter um sobrenome diferente do presidente Seonwoo Seungmin era usado como “prova” para apoiar esse rumor. Ainda no início, comentava-se que não fazia sentido ele ser filho do presidente do grupo e ter outro sobrenome, mas quando surgiu a história de que ele era um filho fora do casamento, logo ligaram tudo ao caso do vazamento e concluíram com um “sabia que tinha algo estranho”.
— Nunca pensei isso dele, mas é como dizem… Realmente, não dá para julgar pelas aparências.
Um dos funcionários da equipe de planejamento falou em alto e bom som, como se quisesse que Siheon ouvisse. Mesmo os que não chegavam a esse extremo evitavam se aproximar dele como antes, observando suas reações com cautela.
— Você terminou de organizar o que pedi mais cedo?
Entre todos, apenas Yohan tratava Siheon da mesma forma. Sem qualquer distância, conversava com ele naturalmente, às vezes até sorrindo, e discutia abertamente os problemas nos projetos em andamento, propondo alternativas sem hesitação.
Os outros funcionários achavam aquilo estranho. Não conseguiam entender como logo Ryu Yohan, herdeiro do Grupo RF, conseguia se dar tão bem com Cha Siheon, que praticamente já era considerado um espião e filho ilegítimo do grupo rival, Seonwoo.
— Quando alguém está cego de amor, não enxerga mais nada mesmo.
Com essa frase dita em voz alta, Yohan levantou a cabeça. O funcionário que falou rapidamente desviou o olhar, talvez percebendo que tinha passado dos limites.
‘Estar cego de amor, é…?’
Yohan repetiu mentalmente as palavras, soltando uma risada contida. Ele até tinha certa curiosidade sobre como seria esse tipo de amor. Às vezes, ao ver seus pais, ele até fantasiava sobre um sentimento tão intenso que pudesse fazê-lo questionar sua sanidade… mas o sonho e realidade eram coisas bem diferentes.
— Dá uma olhada no material que eu acabei de te mandar. Listei as mudanças no corpo de acordo com os níveis de feromônio. Achei melhor você revisar a parte relacionada aos ômegas.
Ao ouvir a voz de Siheon, Yohan voltou a olhar para ele. Seu rosto realmente não demonstrava nenhuma mudança de expressão. Não importava o que dissessem sobre ele, suas sobrancelhas sequer se moviam. A esse ponto, já não era apenas impressionante – era quase digno de admiração.
‘É… acho que gosto mesmo disso nele.’
Independentemente de Siheon ser espião ou não, estar no centro de tanta fofoca e seguir trabalhando com tamanha serenidade era algo fora do comum. Mais que calmo, ele cumpria suas funções com precisão e eficiência impressionantes.
— Isso não te incomoda?
Yohan perguntou em voz baixa. Siheon parou o que fazia e o encarou.
— O que deveria me incomodar?
Uma resposta direta para uma pergunta vaga. Yohan riu de leve e deu de ombros. Se não era espião, não tinha nada a esconder, e se fosse, não deixaria transparecer. Era lógico.
— E quanto a você…
Siheon começou a dizer algo, mas desistiu no meio da frase, franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça como quem diz “esquece”.
‘Por que você continua me tratando do mesmo jeito?’
Yohan teve quase certeza de que era isso que ele queria perguntar, mas apenas sorriu. Siheon também não insistiu. Voltou para sua mesa e retomou o trabalho com concentração.
Yohan não era ingênuo a ponto de não desconfiar, mas para ele, Siheon era como qualquer outro membro da equipe. Embora parecesse que os outros pensavam diferente.
— Sr. Ryu Yohan, pode vir aqui um instante?
O chefe da equipe chamou Yohan para a sala de reuniões. Ao entrar, viu que seu supervisor já estava lá sentado.
— Sente-se.
O chefe de equipe indicou a cadeira, e Yohan contornou a mesa e sentou-se de frente para ele.
— Não é nada demais, mas…
O líder da equipe trocou um olhar rápido com o supervisor, respirou fundo e começou a falar.
— É sobre o Cha Siheon… Ele nunca demonstrou nenhum comportamento suspeito?
— Hm… Acho que não.
Yohan balançou a cabeça com naturalidade. O supervisor, aparentemente incomodado com a resposta, franziu a testa.
— O subgerente Park disse que está cada vez mais convencido de que o Cha Siheon é o espião.
Nem precisava apontar especificamente para o supervisor. A maioria dentro do escritório – ou melhor, de toda a empresa – pensava a mesma coisa.
— É porque ele pode ser o filho ilegítimo do presidente do Grupo Seonwoo?
— Você já sabia disso, Yohan?
— Sim.
O chefe e o supervisor arregalaram os olhos, surpresos.
— Desde quando?
— Pouco tempo depois de começar o estágio. O Noah me contou.
— O Ryu Noah? E como ele descobriu?
— Acho que ficou preocupado quando soube que eu estava saindo com o Cha Siheon e foi investigar algumas coisas.
— Então você continuou namorando o Cha Siheon mesmo sabendo que ele era ligado ao Grupo Seonwoo?
O supervisor parecia chocado.
— Sim. Tem algum motivo para não continuar?
— Bom, é que…
O fato de alguém ser ligado a uma empresa rival não significava que não pudesse haver um relacionamento entre eles. Podiam ser amigos, até mesmo um casal. Não existia nada mais absurdo do que julgar com quem alguém pode ou não se relacionar com base nisso.
— Estávamos pensando em remover o Cha Siheon do planejamento do novo produto.
O chefe de equipe soltou um suspiro pesado ao dizer isso.
— Posso saber o motivo?
A pergunta de Yohan deixou o chefe e o supervisor ainda mais desconcertados.
— Agora que sabemos com certeza que o Cha Siheon é ligado ao Grupo Seonwoo, não podemos simplesmente manter ele no projeto do novo produto, ainda mais depois do vazamento do conceito.
— E por quê?
Yohan repetiu a pergunta como uma criança de quatro anos perguntando “por quê?” sem parar.
— Como assim, “por quê”? O conceito já foi roubado. Quem garante que o que nós desenvolvemos até agora também não foi repassado?
— Mas não há nenhuma prova de que o Cha Siheon seja o espião.
— Ryu Yohan…
O supervisor soltou um longo suspiro.
— Entendo que você queira confiar nele, mas isso vai além de sentimentos pessoais. É uma questão profissional. É o futuro da empresa que está em jogo.
— Justamente por ser uma questão profissional, não seria melhor tratar com mais clareza? Acusar alguém sem provas também não me parece uma atitude correta.
— Não temos provas, então não vamos demitir o estagiário de imediato. Mas manter alguém que está sob suspeita dentro da equipe também não é razoável, concorda?
Nesse ponto, o chefe estava sendo mais racional que o supervisor. O outro parecia tomado pelo sentimento de traição – talvez porque sempre cuidou e protegeu Siheon, e agora não conseguia aceitar que ele pudesse ser um espião.
— Estamos falando com você, Yohan, porque você é o parceiro de trabalho do Sr Cha Siheon. O estágio aqui é feito em duplas fixas, então, se ele sair do projeto, você terá que trabalhar sozinho. E isso provavelmente vai exigir uma mudança nos critérios de avaliação do estágio. Por isso estamos te avisando com antecedência.
Na verdade, não havia necessidade de informar a um estagiário com tanta antecedência. Estavam fazendo isso apenas porque o estagiário em questão era Yohan – e estavam tentando ser cuidadosos com ele.
— Neste ponto, excluir o Cha Siheon faz alguma diferença? — Yohan argumentou. — Se ele for mesmo o espião, então provavelmente já deve ter copiado todos os dados no dia em que foi ao laboratório.
Mesmo sendo só um estagiário, Yohan – que também era o herdeiro do grupo RF – falava do pior cenário possível com uma naturalidade perturbadora, como se fosse algo alheio a ele. O chefe de equipe e o supervisor involuntariamente franziram as sobrancelhas.
— Mesmo assim, nós não podemos simplesmente ignorar a situação.
O supervisor rebateu, visivelmente contrariado. Só então Yohan esboçou um leve sorriso.
— Me deem só mais três dias.
— Três dias? Yohan, de que lado você está afinal? Em três dias o conteúdo do desenvolvimento pode acabar todo nas mãos da Seonwoo Eletrônicos!
— Por isso mesmo temos que evitar que isso aconteça.
— E vamos evitar como? Deixando o Cha Siheon envolvido e torcendo para que ele não roube mais nada? Isso é o mesmo que colocar um peixe fresco na frente de um gato e dizer para ele não comer.
— O Cha Siheon não é um gato.
A forma indiferente como ele disse isso deixou o supervisor sem palavras, como se tivesse perdido até o fôlego.
— Em três dias eu vou descobrir quem é o espião. Até lá, por favor, me deem esse tempo, e eu assumo toda a responsabilidade.
— E como o Ryu Yohan pretende encontrar esse espião?
O líder perguntou, cauteloso. Yohan apenas sorriu, tranquilo, com seu costumeiro olhar gentil.
— Vocês lembram que, há um tempo atrás, eu perguntei se os dados do nosso time podiam ser acessados por outros departamentos?
O supervisor assentiu, lembrando.
— Bom, na verdade eu…
Yohan começou a explicar. À medida que falava, os semblantes do chefe de equipe e do supervisor foram ficando cada vez mais sérios. Quando terminou, nenhum dos dois insistiu mais em excluir o Cha Siheon da equipe imediatamente. No fim, acabaram concordando com o pedido de Yohan e decidiram dar a ele os três dias.
— Mas se, por um acaso, durante esses três dias as informações de desenvolvimento vazarem para a Seonwoo, você disse que vai assumir a responsabilidade. Como exatamente pretende fazer isso?
O chefe perguntou. Sem hesitar, Yohan respondeu: ele arcaria com todos os custos envolvidos no desenvolvimento do novo produto, além de uma indenização por danos morais. Com essa resposta, o chefe apenas engoliu seco. Afinal, não era qualquer um – era o herdeiro do Grupo RF dizendo que se responsabilizaria financeiramente. Não havia o que se discutir depois disso.
— O presidente está sabendo dessa situação?
Mesmo assim, preocupado, o chefe perguntou se o presidente estava ciente. Não queria que confiassem apenas nas palavras de Yohan e depois a culpa recaísse toda sobre ele.
— Se for necessário relatar, eu faço isso agora mesmo. Está bem assim?
Sem hesitar, Yohan pegou o celular e ligou para alguém.
— Mãe, sou eu.
Sabendo a quem ele estava se referindo ao dizer “mãe”, o chefe e o supervisor se levantaram automaticamente, tensos.
— O senhor já deve estar sabendo do vazamento do projeto… Sim. Já que está acompanhando, poderia me dar só mais três dias?
O chefe de equipe engoliu em seco enquanto observava Yohan pedindo esse tempo diretamente ao presidente, e ainda por cima dizendo que queria esse tempo não para toda a equipe, mas apenas para ele.
— Se algo der errado, eu assumo toda a responsabilidade financeira.
Do outro lado da linha, veio uma risada. Logo depois, ouviram também uma voz respondendo com uma pergunta provocadora: [E desde quando você tem dinheiro?]
— Sou seu filho, mãe. Ter talento para ganhar dinheiro está no meu sangue.
O chefe de equipe e o supervisor ficaram sem saber o que dizer diante das palavras de Yohan, que como uma criança, sorriu radiante. No fim das contas, ele conseguiu obter os três dias do presidente. Houve, porém, uma condição: se algo desse errado, ele teria que arcar não apenas com os custos que já haviam sido investidos no projeto, mas também com uma compensação pelo tempo e esforço desperdiçados pelo time de planejamento e os outros departamentos envolvidos.
— Eu não entendo por que o Sr Yohan está fazendo tudo isso. Gosta tanto assim do Cha Siheon?
O supervisor parecia acreditar que Yohan estava defendendo Siheon por pura afeição pessoal. Yohan apenas sorriu em resposta, sem dizer nada.
Não era porque tinha dinheiro sobrando que estava se metendo numa aposta como essa. E também não era para proteger Cha Siheon.
Era apenas para confirmar se estava certo.
Se havia um motivo, era esse – e só esse.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)