Ler Controle – Capítulo 32 Online

Modo Claro

 

— Claro que o Siheon não faria algo assim.

Yohan sorriu gentilmente, negando por conta própria o que ele mesmo havia sugerido instantes antes.

— Afinal, o que o Siheon teria a ganhar fazendo algo assim? Não é mesmo?

Seu sorriso era tão despreocupado e confiante que, por um momento, até aqueles que tinham duvidado de Siheon se sentiram constrangidos e acabaram concordando com um aceno de cabeça.

O vazamento do conceito já era irreversível, mas a equipe decidiu seguir com o plano de concluir  rapidamente o desenvolvimento e lançar o novo produto antes da concorrência. Durante toda a reunião, Siheon manteve um olhar frio e fixo em Yohan. E embora Yohan sentisse os olhos sobre si, fingia não perceber e continuava sorrindo, conversando apenas com os outros.

Mesmo em meio àquela tensão, o projeto do novo produto foi avançando passo a passo. Quando a reunião chegou ao fim, a confusão inicial já havia se dissipado bastante. No meio de uma crise que parecia prestes a destruir tudo, foi Yohan quem conseguiu mudar o clima entre os colegas.

— Você tem um minuto?

Siheon segurou o braço de Yohan enquanto ele deixava a sala de reuniões e voltava para sua mesa. Com um olhar, indicou que queria conversar lá fora, e Yohan o seguiu sem resistência.

— O que você quis dizer com aquilo?

Yohan inclinou levemente a cabeça, fingindo não entender do que ele estava falando.

— Você acha mesmo que eu roubei os dados daquele USB?

— Ah, isso?

Yohan soltou uma risadinha, como se não fosse grande coisa.

— Quem sabe?

Era o oposto do que ele havia dito na reunião, quando afirmou que Siheon jamais faria algo assim.

— Você poderia ter copiado os arquivos do pendrive, ou então simplesmente escaneado os documentos e tê-lo entregado para alguém antes de chegar aqui.

— Ryu Yohan.

A voz de Siheon ficou mais grave.

— Qualquer um pode ser suspeito, então não tem por que ficar ofendido. Até eu poderia ter vendido esses dados para a Seonwoo Eletrônicos. É melhor não confiar demais em mim.

Siheon franziu a testa visivelmente. A ideia de Yohan vender dados para a concorrência era completamente absurda.

— E você, faria  isso por quê?

— Eu odeio o pessoal da matriz do Grupo RF. Nossa relação é péssima. Você viu, não viu? Aquela vez na sala de aula, o que aquele cara fez comigo.

— Ainda assim, essa é a empresa da sua mãe.

Por mais que ele estivesse em conflito com o grupo principal, ninguém acreditaria que Yohan tentaria arruinar a própria mãe.

— Quem sabe? Vai que eu também me dou mal com ele.

Mas Siheon nunca ouviu rumores nesse sentido. Pelo contrário, Ryu Yohan era visto quase como um príncipe mimado, valorizado tanto pelo Grupo RF quanto pela Galayev. Sabia-se que seus pais o amavam, assim como também demonstravam carinho por Noah.

— Isso não faz o menor sentido…!

— E com base em quê você tem tanta certeza? Parece até que andou investigando minha vida.

Yohan perguntou com um sorriso leve, fazendo Siheon se calar.

— Mas é claro que isso não é possível. O Siheon hyung nunca teve o menor interesse em mim. Não é?

Era difícil entender que tipo de resposta Yohan esperava. Seu sorriso era o mesmo de sempre, mas havia algo de afiado em seu olhar… seria impressão?

— O que eu quero saber é se você desconfia de mim.

A conversa já havia se desviado bastante do assunto original. Quando Siheon apontou isso, Yohan apenas deu de ombros.

— Quer que eu seja sincero?

— ……

O sorriso desapareceu do rosto de Yohan. Seus olhos esverdeados fitaram diretamente o rosto de Siheon, não havia o menor sinal de hesitação. Siheon podia ver seu próprio reflexo nitidamente naqueles olhos translúcidos.

— Eu não confio.

O tom de Yohan era igualmente firme.

— Não confio em ninguém. Nem no hyung, nem no chefe de equipe, nem no meu superior direto, nem em nenhum outro funcionário. Em ninguém.

Havia uma frieza em Yohan, algo que Siheon jamais havia visto antes. Nem um vestígio daquele sorriso sempre brincalhão. Nenhuma pista daquelas expressões falsas que nunca revelavam o que ele realmente estava pensando.

— As únicas pessoas em quem eu confio são em mim mesmo… e no Noah.

— Haa…

Siheon soltou uma risada seca e curta.

‘No fim das contas, é sempre sobre o Noah. Esses gêmeos… que inferno!’

A irritação crescia nele quando Yohan se aproximou mais um passo e agarrou a gola da camisa de Siheon, puxando-o para si.

— Mas mesmo sem confiar, ainda posso gostar de você.

Os lábios de Yohan tocaram de leve os de Siheon e se afastaram. No rosto pálido de Yohan, agora havia um sorriso angelical.

— Talvez eu goste de você mais do que o hyung imagina. Eu gostei de transar com você também.

Yohan deu dois tapinhas na camisa de Siheon, ajeitando sua gola com calma.

— E, de qualquer forma, ainda falta o restante desse mês, não é?

Com um sorriso gracioso, Yohan se virou e voltou para o escritório. Siheon ficou parado, soltou um longo suspiro e levou a mão à testa, pressionando as têmporas com o polegar e o dedo do meio.

As coisas estavam saindo do controle. Ele não conseguia mais afastar a sensação de que estava sendo encurralado, pouco a pouco, por Ryu Yohan.

 

***

 

— Vocês vão seguir com aquele projeto mesmo assim?

Era hora do almoço, Noah se sentou ao lado de Yohan no refeitório da empresa e perguntou. Yohan apenas assentiu com um leve movimento de cabeça. Já haviam passado três dias desde que o vazamento do projeto foi revelado. O chefe da equipe de planejamento havia garantido à diretoria que tinham registrado a patente primeiro, e que poderiam compensar a desvantagem na divulgação com um produto mais sólido. Assim, a equipe começou a trabalhar oficialmente com os times de marketing, vendas e desenvolvimento no projeto do smartphone voltado para feromônios de alfas e ômegas.

As reações foram diversas. Muitos ainda estavam desconfortáveis com a ideia de prosseguir com o projeto mesmo sem saber quem era o possível espião dentro da empresa. Como as instruções proibiam o compartilhamento de arquivos pela rede interna, o feedback se tornava mais lento, o que causava frustração.

— Não sabem onde o morcego está escondido, mas mesmo assim o trabalho continua seguindo, hein?

Noah falou com sarcasmo. Siheon, que estava sentado à frente de Yohan, franziu a testa, mas Noah ignorou completamente. Jaryeong, sentado à frente de Noah e ao lado de Siheon, engasgou com a comida e precisou beber água rapidamente. Por que foi se sentar logo ali? Era parceiro de Noah, só tinha vindo almoçar com ele, mas agora mal conseguia distinguir se estava comendo ou sufocando.

— Vai acabar fazendo ele engasgar. Pare com isso.

Só depois que Yohan interveio, Noah fechou a boca. Um silêncio pesado e desconfortável se instalou entre eles. Curiosamente, Yohan também não fez piadas nem sorriu como de costume. A atmosfera era tão opressiva que Jaryeong decidiu terminar sua refeição o mais rápido possível, enfiando uma colherada enorme de arroz na boca.

— …É ele, né?

— Sério? Mesmo assim… não dá pra acreditar…

— Disseram que é. Que cara sem vergonha.

— Mas ele nem parece esse tipo de pessoa…

— Mas por que ele está com…

Como o grupo de quatro estava estranhamente quieto, os murmúrios das outras mesas ficaram mais audíveis. Jaryeong olhou em volta, estranhando os fragmentos de conversa que ouvia. Foi então que seus olhos encontraram os de algumas pessoas que estavam olhando para a mesa deles.

‘Eles estão falando da gente? Por quê?’

A estranheza logo se concentrou em uma pessoa. Os olhares das pessoas que espiavam a mesa deles deslizavam rapidamente por Jaryeong, mas a maioria se fixava em Siheon. Em seguida, começaram a cochichar novamente entre si.

— O presidente do Grupo Seonwoo, sabe…

— Ele é mesmo filho dele?

Dessa vez, palavras ainda mais decisivas chegaram aos seus ouvidos. ‘Grupo Seonwoo, Presidente, filho.’ Jaryeong arregalou os olhos e olhou para Yohan, que estava sentado à sua frente. Com certeza, Yohan também ouviu tudo aquilo que ele tinha acabado de escutar, mas continuava comendo com a maior naturalidade. O mesmo valia para Cha Siheon, sentado ao lado dele. Só então ele percebeu por que o clima durante o almoço estava tão gelado.

— Ah, é que…

— Estão falando demais pelas costas.

Foi Noah quem falou, deixando os palitos de lado com um ar irritado. Sua voz foi alta o suficiente não só para Yohan, Siheon e Jaryeong, mas também para as pessoas próximas, que viraram para olhar.

O olhar de Noah foi direto para o rosto de Siheon.

— E você ainda consegue engolir a comida numa situação dessas?

Com a provocação explícita, todo o refeitório ficou em silêncio, observando os dois.

— Todos estão falando de você, não está vendo? Estão dizendo que Cha Siheon é filho do presidente do Grupo Seonwoo.

Ao ouvir o nome do grupo ser citado, Siheon soltou um longo suspiro e pousou os hashis.

— E daí?

— “E daí” o quê? Estão cochichando que foi você quem vazou o projeto do novo produto.

‘Ai, meu Deus…’

Jaryeong sentiu o coração apertar e cobriu o rosto, abaixando a cabeça. Mesmo que todos estivessem murmurando sobre isso, era realmente necessário apontar essa questão de forma tão explícita na frente de todos?

— Você não vai nem se explicar? Dizer se é verdade ou não?

— Deixe falarem o que quiserem.

Siheon respondeu com desdém e se levantou da mesa. Todos o acompanharam com os olhos enquanto ele devolvia sua bandeja e saía do refeitório. Menos uma pessoa, Yohan. Ele continuou comendo com a mesma tranquilidade de sempre, alheio à tensão ao redor. Só depois de engolir a última colherada é que finalmente ergueu o olhar.

— Foi você quem espalhou o boato?

Yohan perguntou a Noah, seu tom não era acusador nem zangado. Soava apenas como uma verificação, como se estivesse checando uma informação qualquer.

— E por que eu faria isso?

Noah também respondeu com indiferença, diferente do tom provocativo que usava com Siheon. Parecendo satisfeito com a resposta, Yohan sorriu levemente e se levantou.

— Se não foi o Noah, então está tudo certo. Bom apetite.

Ele falou como se o clima ainda permitisse que alguém aproveitasse a refeição.  Noah apenas deu de ombros e voltou a pegar os hashis.

— E aí? Vai comer ou não?

Até se deu ao trabalho de dizer algo para Jaryeong continuar comendo.

‘Sinceramente, sunbae… às vezes eu realmente não entendo vocês. E ultimamente, além dos sunbaes, nem o Cha Siheon também…’

Jaryeong engoliu tudo o que queria dizer junto com os grãos de arroz. ‘Será que havia alguma farmácia perto da empresa?’ Ele realmente achava que ia ter uma indigestão. Começou a dar leves batidinhas no peito com o punho, e Noah perguntou por que ele estava fazendo aquilo.

— Acho que a comida não caiu bem…

— Quer um remédio para digestão?

— Você tem?

— Tenho um de emergência no escritório.

— …Sunbae, por acaso você carrega de tudo? Tipo band-aid, pomada, esses remédios de primeiros socorros?

— Essas coisas ficam no carro.

— Não me diga que tem até linha e agulha?

— Talvez tenha no porta-malas?

— Nossa…

No fim das contas, Noah era sempre o mais surpreendente.

— Se você arrumar um namorado, será incrível com ele…

‘Mesmo que faça só metade do que faz pelo Yohan sunbae…’

A parte final, ele não teve coragem de dizer em voz alta. Só disfarçou com uma risadinha constrangida.

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FIM do volume 01. Continua no vol 02….

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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