Ler Controle – Capítulo 31 Online
A expressão do líder da equipe de planejamento, ao voltar de uma convocação da diretoria, não era nada boa. Ele reuniu todos os membros que estavam envolvidos no “projeto B” na sala de reuniões. Só de olhar, já dava para sentir o clima pesado e os funcionários apenas observavam o chefe, atentos ao menor sinal.
—Antes de mais nada, vejam isso.
O líder exibiu um vídeo em seu tablet, era o mesmo vídeo que Noah tinha mostrado mais cedo. Os rostos dos membros da equipe gradualmente se tornaram tensos. O vídeo durou apenas alguns segundos, mas ninguém conseguia respirar direito quando terminou.
— O fato do conceito ser tão idêntico a esse nível só poderia significar que houve vazamento de informação.
Com um gemido contido, o chefe abriu a boca com dificuldade.
— Quero acreditar que não, mas não dá para excluir a possibilidade de que a informação tenha vazado de dentro da nossa própria equipe.
— Pode não passar de uma coincidência… Ainda não foi revelado com clareza que tipo de smartphone se trata.
— O simples fato do conceito ter se repetido já é um problema.
Outro funcionário cortou a conversa, como se dissesse para não minimizarem a situação.
— Segundo o time de vendas, a Seonwoo Eletrônicos já garantiu os sensores capazes de medir feromônios.
— Ah…
Ninguém sabia o que dizer, então o silêncio caiu sobre a sala.
— Se o conceito do produto for exatamente o mesmo que o nosso, então isso só pode ser trabalho de um espião…
Outro funcionário comentou com cautela. Mas ninguém tinha a menor ideia de quem poderia ser.
— Então o que acontece com o nosso projeto? Iremos cancelar tudo?
Como a Seonwoo Eletronics já havia anunciado primeiro, não era possível lançar um produto idêntico. Todos tinham se empenhado muito, então ninguém conseguia sugerir o cancelamento do projeto abertamente, apenas trocavam olhares incertos.
— Se o produto deles não for exatamente o mesmo, não teríamos problemas, certo?
Diferente dos outros, que pareciam desolados, a pergunta veio com naturalidade da boca de Yohan. Todos os olhares se voltaram para ele com expressões confusas
— Entendo que o conceito seja parecido, e que medir os feromônios de ômegas e alfas depende do sensor. Entretanto, aplicá-lo em um smartphone e usar o aparelho para agir conforme os níveis de feromônio já é outro assunto. A questão é: a Seonwoo Eletronics tem capacidade técnica para isso? Vocês sabem qual é a maior diferença entre eles e nós?
Yohan sorriu suavemente.
— Nós temos algo que eles não têm: a RF Pharmaceuticals.
Seu tom era quase animado, como se estivesse prestes a colocar um coraçãozinho no final da frase. A RF Pharmaceuticals era reconhecida não só na Coreia, mas no mundo todo, por seus inibidores de cio e rut para ômegas e alfas. Além disso, recentemente, eles estavam liderando de forma absoluta no desenvolvimento de novos medicamentos para que alfas e ômegas pudessem suprimir e controlar os próprios feromônios. Em outras palavras, quando se trata de pesquisa em feromônios, nada supera o laboratório da RF Pharmaceuticals.
Na verdade, o atual projeto também estava recebendo grande apoio do laboratório da RF. A ideia não era apenas medir os feromônios, mas prever possíveis ocorrências baseadas nesses níveis e apresentar soluções imediatas por meio do smartphone – esse era o verdadeiro objetivo para o desenvolvimento do dispositivo voltado para alfas e ômegas.
Não era algo que qualquer fabricante de smartphones poderia fazer só porque quisesse. A RF Digital só estava seguindo com o plano porque tinha onde se apoiar.
— Mas se temos um espião, então essa parte do projeto também pode ter vazado para a Seonwoo, não é?
Diante da pergunta do líder, Yohan sorriu ainda mais com os olhos.
— Impossível. Os dados do laboratório só chegaram hoje.
Ele então fez um leve gesto com o queixo na direção de Siheon, que então colocou sobre a mesa um envelope cheio de documentos que havia trazido para a reunião. Eram os materiais recém-recebidos do laboratório. Normalmente, os arquivos eram enviados por e-mail, mas, por algum motivo, desta vez foram impressos em papel e entregues pessoalmente.
— Agora que você comentou… Por que mandaram desse jeito?
O chefe abriu o envelope e tirou os documentos de dentro. A pilha devia ter uns cinco centímetros de espessura. Tlec. Um pequeno pendrive do tamanho de uma unha caiu sobre a mesa, se não tivesse feito barulho, ninguém teria notado que estava ali.
— Colocaram também em arquivo digital?
Para o sistema dar andamento ao processo, todos os arquivos precisavam, no fim das contas, ser processados eletronicamente. Portanto, os arquivos digitais eram essenciais.
— Eu pedi para não enviarem por e-mail. Por isso, o Siheon teve que ir buscar pessoalmente, o que deu um pouco mais de trabalho.
O chefe de equipe, assim como os outros funcionários, ficaram surpresos.
— Você já sabia que alguém estava roubando nosso projeto? Como?
Yohan balançou a cabeça com um sorriso sem graça.
— Não que eu tivesse certeza, mas percebi que alguém estava mexendo nos arquivos da pasta compartilhada da equipe. Por precaução, pedi ao diretor do laboratório que não enviasse os dados por e-mail. O arquivo iria direto para a pasta compartilhada assim que fosse salvo.
Mesmo com a explicação, todos continuaram com expressões de dúvida. Era uma pasta compartilhada, acessada por todos, mas ninguém além de Yohan tinha notado nada de estranho.
— Na verdade, eu costumo marcar todos os arquivos em que mexo, e notei que as marcações estavam diferentes.
Yohan acabou tendo que explicar mais um pouco. Marcação em arquivos…? O que exatamente era isso? Os rostos dos colegas estavam cheios de pontos de interrogação. Apenas Siheon parecia entender, assentindo discretamente.
Yohan o encarou fixamente. Ele tinha usado o termo “marcação” de forma vaga, mas aquilo não era algo que pessoas da área de humanas estivessem familiarizados. Por trás de documentos aparentemente normais, Yohan criava arquivos ocultos com criptografia e inseria sequências numéricas invisíveis.
Entender aquilo significava de duas uma: ou a pessoa tinha conhecimento técnico suficiente para compreender criptografia, ou era alguém que já tinha aberto os arquivos marcados por ele.
Mas qual dos dois seria? Yohan estreitou os olhos, observando Siheon. Talvez percebendo o olhar, Siheon também olhou para ele. Quando seus olhos se encontraram, Yohan sorriu, como se nada tivesse acontecido, e o alfa desviou o olhar com naturalidade.
— E agora, o que faremos? Continuaremos com o projeto?
Um dos membros da equipe perguntou. A ideia era continuar com o que tinham, já que era improvável que a Seonwoo tivesse acesso aos demais arquivos.
— Mas para entregar isso à equipe de desenvolvimento, não vamos ter que subir os arquivos na rede da empresa de qualquer jeito?
Eles eram do setor de planejamento. Criavam os projetos viáveis, mas quem executava era a equipe de desenvolvimento, logo, seria necessário repassar os dados do laboratório.
— Não seria melhor entregar direto em mãos? E se subirmos para o servidor e o roubarem de novo?
— Mas, mesmo assim, o time de desenvolvimento teria que reprocessar tudo.
— Mas a equipe de desenvolvimento tem um sistema de segurança mais forte, então talvez seja seguro.
— Antes disso, precisamos de autorização para seguir com o projeto, certo? Não podemos decidir sozinhos algo desse tamanho. Depois que passa para a equipe de desenvolvimento, entra a questão do investimento.
Afinal, aquilo não era uma organização de caridade. A empresa existia para gerar lucro, e assim que o time de desenvolvimento entrasse em ação, os custos de investimento começariam a ser gastos. Esse dinheiro só seria recuperado se o produto fosse finalizado, lançado e gerasse vendas.
Se a equipe de planejamento cometesse um erro, poderiam acabar gastando recursos sem obter nenhum retorno.
— Continuar com o projeto sem descobrir quem é o espião me deixa bem preocupado.
O chefe de Yohan e Siheon comentou com o rosto carregado. Para ele, antes de seguir com qualquer coisa, era preciso capturar o responsável pelo vazamento.
— Eu penso diferente.
Yohan voltou a se pronunciar.
— Quanto mais tempo dermos para eles, maior a chance da Seonwoo encontrar outras fontes de pesquisa sobre feromônios. O laboratório da RF não é o único no mundo, certo? Eles podem se aliar a algum laboratório estrangeiro. É melhor lançarmos nosso produto antes deles.
— Mas como eles já fizeram uma propaganda com a imagem do produto, mesmo que a gente lance primeiro, vão dizer que estamos copiando a Seonwoo.
O chefe reagiu de forma cética, mas Yohan permaneceu tranquilo. Foi até o tablet e acessou algo rapidamente. Em seguida, abriu um arquivo de imagem e o mostrou para os colegas.
— Peço desculpas por ter agido por conta própria e sem permissão.
Era a página do escritório de patentes, mostrando que ele já havia registrado a patente para o smartphone que utilizava feromônios. Todos arregalaram os olhos e olharam para Yohan.
— Uau… Ryu Yohan! Muito bem! Você mandou muito bem mesmo!
O supervisor se levantou de repente e puxou Yohan para um abraço apertado, dando alguns tapinhas nas suas costas enquanto perguntava como ele tinha conseguido fazer algo tão louvável.
— Normalmente, o pedido de patente só é feito depois que o projeto é oficialmente aprovado…
O chefe de equipe também parecia pasmo.
— Desde que o assunto surgiu, achei que seria viável.
Ele respondeu que, por ter crescido frequentando o laboratório de pesquisa de feromônios, teve um “pressentimento”. Mas, por dentro, Yohan sorriu de forma significativa. Não era um pressentimento sobre o sucesso do smartphone com feromônios, mas sim sobre alguém estar de olho nesse projeto desde o início.
— Como registramos a patente antes da Seonwoo Eletrônicos, podemos seguir em frente. Mesmo que eles também façam um smartphone com feromônios, não vão poder usar o mesmo método que o nosso.
— Mesmo assim, vamos repassar os arquivos para a equipe de desenvolvimento da mesma forma que recebemos do laboratório. Vamos explicar a situação para eles também e evitar colocar na pasta compartilhada da equipe. E aqui, entre nós, cada um pode guardar uma cópia do arquivo em seu próprio USB…
O funcionário, achando que estava oferecendo uma boa solução, de repente parou a frase com um som abafado. Afinal, poderia haver um espião dentro da equipe. Se todos tivessem uma cópia do arquivo, isso aumentaria o risco. Dar o arquivo em USB seria como colocar peixe fresco diante de um gato faminto.
Mas quem, entre nós, seria o espião? Todos pareciam suspeitos, mas ninguém tinha coragem de acusar ninguém.
— Eu fico com o arquivo.
Yohan estendeu a mão para o chefe de equipe. O chefe alternava o olhar entre o USB em sua mão e a de Yohan.
— O senhor fica com os documentos originais. E, para os membros da equipe, vamos copiar e distribuir só as partes necessárias, conforme a necessidade.
Entre todos ali, não havia quem duvidasse de que Ryu Yohan era a única pessoa que jamais poderia ser o espião. Afinal, ele era o herdeiro do Grupo RF, filho direto do atual presidente. Nem que o céu desabasse ele entregaria dados à Seonwoo Eletrônicos.
Convencido, o chefe entregou o USB a Yohan.
— Agora só existem duas pessoas que poderiam vazar esses dados.
— Duas?
Todos achavam que apenas Yohan tinha o USB, então por que ele disse duas pessoas? Segurando firmemente o dispositivo na mão, Yohan levantou os olhos e olhou para Siheon, que estava sentado do outro lado da mesa.
— Eu, que estou com o arquivo agora. E Cha Siheon, que trouxe esse arquivo até a empresa. Ele poderia muito bem ter copiado tudo no caminho.
Diante daquela observação inesperada, os rostos dos colegas ficaram tensos. Siheon também franziu a testa ao sentir os olhares de todos se voltando para ele.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)