Ler Controle – Capítulo 29 Online

Modo Claro

 

Siheon levou a garrafa de água que segurava até a boca e engoliu em grandes goles. Só depois de esvaziar quase metade dela é que a baixou e encarou Noah.

— Perguntei por que você está aqui.

— Qual o problema de estar na casa do meu namorado?

— Namorado… ha!

Noah passou a mão pelos cabelos, irritado, empurrando a franja para trás.

— Já disse isso antes, mesmo sendo gêmeos, esse seu comportamento é exagerado.

Diante da observação de Siheon, ele franziu a testa.

— Não vão passar a vida de mãos dadas, certo? Você não namora?

— Eu namoro, e não tenho intenção de atrapalhar o namoro do Yohan. O que eu não gosto é de você.

Noah lançou um olhar afiado para Siheon.

— Os bastardos que mostram seus desejos descaradamente são irritantes, mas você é seco demais. Mesmo assim aceitou as investidas do Yohan. Não sei que tipo de jogo você está jogando, mas dá para ver que você é podre por dentro. É por isso que eu não gosto de você.

Siheon ficou observando-o em silêncio. Então, puxou os cantos dos lábios em um sorriso irônico. ‘Parece que o cachorro não é tão burro assim.’ Mas, mesmo que não fosse, o que ele poderia fazer? Tudo que Ryu Noah conseguia era mostrar os dentes, rosnar e latir.

Noah pareceu entender aquele silêncio como deboche e, irritado, cerrou os punhos. Foi nesse momento que click, o som da porta do quarto soou.

— Yohan, você…!

Noah virou-se e ficou boquiaberto. Yohan saiu andando até a sala, com nada além de um lençol fino jogado por cima do corpo. Ainda meio sonolento, seus cabelos bagunçados brilhavam sob o sol da manhã que entrava pelas janelas. Aqueles fios platinados davam um efeito que o fazia parecer radiante. Mesmo com o estado do seu corpo revelando claramente o que tinha acontecido na noite anterior, o clima ao redor de Yohan era tão único que bastaria colar duas asas brancas nas costas dele para parecer um anjo recém-chegado do céu.

— Se cubra direito!

Noah marchou até ele e puxou o lençol para envolver melhor o corpo do irmão, mas congelou no meio do gesto. A nuca, os ombros, o peito… estava tudo coberto de marcas vermelhas. Por conta da pele clara, as manchas se destacavam ainda mais, eram difíceis de ignorar.

Ele respirou fundo e olhou para Siheon. Lançou um olhar carregado, mas, diferente de antes, não disse nada, sabia que Yohan tinha consentido. Isso, pelo menos, ele entendia.

‘Que relação mais bizarra…’

Siheon engoliu um riso interior. Noah o odiava com todas as forças, isso era óbvio. Mas como Yohan o queria por perto, ele se obrigava a aguentar calado. Parecia mesmo um cão grande, preso na coleira, rangendo os dentes querendo atacar, mas se contendo porque o dono mandou se comportar.

— Se já terminou o que veio fazer, pode ir embora!

Noah envolveu os ombros de Yohan com um braço, puxando-o para perto de si, e falou para Siheon.

— Ah…

Agora um pouco mais desperto, Yohan se afastou levemente do abraço de Noah.

— Quando você acordou?

Ele olhou para Siheon por cima do ombro do irmão.

— Há pouco.

— Está com fome? Quer comer alguma coisa?

— Não precisa.

Siheon jogou a garrafa d’água na pia e saiu da cozinha.

— Já que terminei o que vim fazer, vou embora.

Embora estivesse falando com Yohan, estava claro que as palavras eram direcionadas a Noah. A atitude de que “o que vim fazer” era apenas sexo deixou Noah ainda mais furioso, e seu olhar se tornou mais hostil. Não que fizesse diferença. Siheon deu um meio sorriso e seguiu em direção ao quarto de Yohan para se vestir.

— Você vai mesmo embora?

Yohan perguntou mais uma vez.

— Vai mesmo embora?

Em vez de responder, Siheon apenas pegou as roupas jogadas no chão. Como as havia tirado ainda molhadas na noite passada, agora estavam completamente amassadas.

— Vai vestir isso?

Vendo o estado das roupas, Yohan balançou a cabeça e disse para ele esperar um pouco. Foi até a sala, trocou algumas palavras com Noah e logo voltou com uma camisa e uma calça nas mãos.

— São do Ryu Noah?

Não era muito animador vestir algo daquele cara.

— Eu comprei pra ele, mas ele nunca usou. A partir de agora pode considerar como sendo suas.

— E ele deixou numa boa?

Estranhou, pois imaginou que Noah ficaria possesso só de pensar em dar algo a ele.

— De qualquer forma, fui eu quem escolheu e comprou.

Ou seja, também era decisão dele pegá-las de volta. Como não eram roupas usadas e estavam novas, Siheon não tinha motivo para recusar. Yohan ficou encostado na porta observando enquanto ele se trocava e, assim que terminou, acenou com a mão e se despediu sem mostrar nenhum sinal de apego.

Noah havia ficado furioso, perguntando se sexo era tudo que ele tinha vindo fazer, mas Siheon suspeitava que, no fundo, era Yohan quem pensava assim. Mas que diferença fazia? Não era como se ele e Yohan estivessem loucamente apaixonados.

Naquela altura, parecia mais apropriado chamar aquilo de relação entre parceiros sexuais.E ainda não entendia a lógica de Yohan, que rejeitava o termo “parceiro sexual” mas aceitava algo como “namoro por contrato”. Entretanto, como tudo terminaria em um mês, decidiu deixar as coisas fluírem.

 

***

 

Quando Yohan saiu do banho, Noah fez um gesto para que ele se aproximasse. Ele foi até lá naturalmente e se sentou na frente do irmão, que começou a secar seu cabelo com uma toalha. Yohan, relaxado sob seus cuidados, inclinou a cabeça para trás e olhou para ele.

— E aí, como foi lá na casa principal?

— Disseram que devemos viver sem nos intrometermos mais na vida um do outro.

— O Ryu Saemin?

Noah assentiu com a cabeça, e Yohan soltou um “hmm” prolongado, pelo nariz.

— E o pedido de desculpas?

— Ah, quase esqueci.

Noah pegou um envelope no paletó que tinha deixado de lado.

— Uma carta de desculpas escrita à mão, para você.

— Carta de desculpas?

Yohan caiu na risada ao ouvir aquilo. Abriu o envelope e, como esperado, havia uma folha branca com um texto breve.

O conteúdo era previsível: ele reconhecia que estava arrependido por tê-lo menosprezado por ser um ômega, que isso não voltaria a acontecer, e que, se possível, preferia que não se encontrassem nunca mais.

— Está faltando algo.

A parte sobre o indutor que induzia o ciclo de cio havia sido omitida.

— Ele jamais admitiria isso. Se confessar, vai ser completamente expulso da família.

Noah também não insistiu que Ryu Saemin se desculpasse por aquilo. Quando Hyungwoo perguntou se a história do hospital tinha sido armação do Yohan, ele não confirmou nem negou. No fundo, era óbvio que tinha sido seu irmão, mas ele era cuidadoso demais para deixar qualquer rastro.

Ryu Hyungwoo parecia ter uma noção geral do que tinha acontecido, mas preferiu não se aprofundar. Provavelmente assumiu que, se Yohan agiu daquela forma, teve seus motivos. Por mais que fossem parentes, criar inimizade só deixaria futuros encontros familiares mais desconfortáveis. Por isso tentou intermediar, mas não queria se envolver demais, não queria acabar enrolado na confusão.

Depois de ouvir toda essa explicação, Yohan apenas estreitou os olhos e assentiu com um sorriso de quem já esperava tudo aquilo.

— Assim está ótimo.

Provavelmente, o Ryu Saemin nunca mais iria se meter com o Yohan. Ele só tinha percebido que deveria ter sido mais cuidadoso depois de ter sido severamente castigado – o que já o tornava burro por si só, mas, pelo menos, significava menos problemas no futuro. Yohan estava satisfeito com isso.

As mãos de Noah, que haviam acabado de secar seus cabelos, deslizaram para a sua nuca. Yohan olhou para cima, curioso, e viu que ele franziu ligeiramente as sobrancelhas. Só então se deu conta de que ali havia marcas de chupão.

— Eu odeio aquele bastardo, Cha Siheon.

Noah resmungou como uma criança. Yohan levantou a mão e acariciou seu rosto.

— Eu sei.

Ele sorriu, mas não tinha a menor intenção de fazer algo a respeito. Não era porque Cha Siheon fosse mais importante para ele do que Noah – longe disso.

— O olhar dele me incomoda. Não consigo entender o que se passa naquela cabeça.

— É por isso mesmo que eu gosto daquele olhar. Me dá vontade de descobrir o que se passa na cabeça dele.

Mesmo vendo a mesma coisa, os dois pensavam de forma oposta. Enquanto Noah suspirava, Yohan apenas continuava sorrindo docemente. Derrotado, Noah se curvou e deu um beijo na testa dele, antes de abraçar seus ombros com força.

— Quer dar uma volta pra tomar um ar?

— Claro.

Com a sugestão, o humor de Noah pareceu melhorar. Um leve sorriso surgiu no canto dos seus olhos. ‘Mesmo sendo grande, ele é tão fofo.’, Yohan pensou, passando a mão nos cabelos do irmão que se agarrava a ele. ‘As pessoas que acham Noah assustador e me veem como um anjo… realmente não têm olhos para enxergar.’

 

***

 

No caminho de volta para casa, depois de sair da casa de Yohan, o celular do Siheon tocou. Era uma ligação de Geon. Ele pensou em ignorar, mas sabia que, se não atendesse, o outro acabaria indo até a porta da sua casa. Então atendeu, contrariado.

[Fiquei sabendo que você entrou no time de planejamento do novo lançamento da RF Digital.]

‘Onde ele consegue essas informações?’

Siheon começou a se perguntar seriamente se não estava sendo vigiado.

[Quando o projeto estiver quase pronto, não se esqueça de me passar as informações, hein.]

Geon foi direto ao ponto, sem rodeios.

[Se fizer isso direito, ele prometeu garantir uma posição para você na Seonwoo Eletronics depois da formatura.]

Nem precisava perguntar quem tinha dito isso. Era óbvio que tinha sido Seonwoo Seungmin, o presidente do grupo Seonwoo e pai biológico de Siheon. E um presidente não sairia por aí fazendo promessas vazias. Se realmente entregasse os dados que eles queriam, seu futuro na empresa estaria garantido.

Mas aquilo era só o começo. Seonwoo Seungmin ainda não tinha reconhecido publicamente que Siheon era seu filho. Legalmente nem eram considerados parentes. Mas Siheon estava determinado a forçar aquele homem a admitir, um dia, que ele era seu filho.

Seja Geon ou qualquer outro dos filhos, ele iria superar todos, ia ser reconhecido não por laços de sangue, mas pela sua própria competência. Iria fazer com que Seungmin não tivesse escolha a não ser reconhecê-lo. Esse era o propósito que o mantinha firme até ali.

E o primeiro passo para isso era “Ryu Yohan” – o herdeiro do Grupo RF e da Galayev, um ômega vulnerável aos feromônios de um alfa.

— Se quer negociar, seja claro. Não tente me enrolar. Diga exatamente o que podem me oferecer.

Geon deu uma risada seca, como se achasse aquilo ridículo.

[Você ainda não entendeu, não é? Em vez de agradecer de joelhos por qualquer coisa que eu oferecer, ainda quer negociar comigo? Que audácia.]

Não. O objetivo de Siheon nunca foi negociar com Geon. Ele queria negociar com Seonwoo Seungmin.

— Acho que quem devia parar de se achar não sou eu, mas você. Ouvi dizer que o projeto ambicioso da última vez foi um fracasso, certo? Inclusive perderam para a RF Digital. A participação de mercado da Seonwoo Eletronics ficou abaixo dos 10% no último ano. Daqui a pouco vão ter que fechar as portas, não acha?

Ele sabia disso porque tinha acessado os relatórios enquanto trabalhava nos materiais da RF Digital.

— Se quer fazer um acordo com base numa empresa com menos de 10% de participação, é bom oferecer algo a mais, bem maior, para compensar.

Ao ouvir as palavras carregadas de sarcasmo, Geon gritou furioso:

[Seu filho da p…!]

Mas, na prática, não teve como retrucar. Siheon nem perdeu tempo e encerrou a ligação. Quem precisava correr atrás disso eram Seonwoo Geon ou Seonwoo Seungmin.

 

°

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Continua…

 

 

 

 

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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