Ler Controle – Capítulo 25 Online

Modo Claro

 

Os dias estavam passando num piscar de olhos. Com tanto para aprender e agora participando ativamente dos projetos e planejamentos, a vida universitária parecia até brincadeira de criança se fosse comparar. Até os estagiários de outros departamentos, antes mais relaxados, tinham perdido completamente o ar despreocupado. Como, além de ajudar nas tarefas do setor, cada um ainda tinha um projeto individual como estagiário, muitos já estavam reclamando que nem em casa conseguiam descansar.

Surgiu a ideia de fazer um encontro entre os estagiários para descontrair, mas não era algo tão fácil quanto parecia. Mesmo assim, sempre havia alguém disposto a tomar a frente, e, depois de duas semanas, marcaram de se encontrar numa sexta-feira após o trabalho.

Talvez por conta da ameaça absurda de que quem faltasse seria considerado um traidor pro resto da vida, não teve ninguém que não apareceu. Quando Yohan chegou com Siheon, cerca de cinco minutos atrasados, o local já estava lotado.

— Yohan sunbae! Aqui!

Jaryeong levantou uma das mãos e acenou com entusiasmo. Como era de se esperar, Noah estava sentado ao lado dele. Só havia um assento vago, bem do lado de Jaryeong, o que significava que Siheon teria que se sentar separado. Mas Yohan retribuiu o cumprimento com um aceno e puxou Siheon para uma mesa com dois lugares vagos.

— Não vai sentar ao lado do Ryu Noah?

— Vou ver ele em casa mesmo, qual o problema?

— Acho que ele não pensa assim…

Mesmo com a observação de que Noah parecia prestes a matar alguém só com o olhar, Yohan apenas riu. O problema não era se sentar separado, e sim a presença de Siheon – no fim, dava na mesma.

— Você é o Ryu Yohan, certo?

Um dos homens sentado à frente na mesa puxou conversa. Yohan assentiu com a cabeça, e o outro estendeu a mão para cumprimentá-lo.

— É um prazer conhecê-lo. Queria muito ver você de perto.

O comentário poderia soar meio ofensivo dependendo do tom, mas ele disse aquilo com um sorriso tão natural que não havia como levar a mal.

— E então, o que achou?

Yohan perguntou sem se importar, com um sorriso malicioso.

— Nossa, superou as expectativas. Até pensei que fosse um boneco andando.

Com a lábia do outro e o jeito leve com que Yohan lidava com aquilo, a atmosfera da mesa logo ficou animada.

— Bem típico de você…

Siheon resmungou em voz baixa, só para Yohan ouvir, enquanto balançava a cabeça.

— Não me diga que está com ciúmes?

Yohan se virou na cadeira para olhar diretamente para ele e perguntou.

— Eu? Claro que não.

— Queria que tivesse.

Brincando, bateu de leve seu copo de soju contra o de Siheon e sorriu provocante.

— Opa, opa, que papo é esse? O que tá rolando entre vocês dois? Essa conversa parece suspeita.

Um dos estagiários próximos arregalou os olhos e ficou olhando de um para o outro.

— Somos namorados.

Yohan respondeu sem titubear e Siheon só conseguiu engolir em seco.

‘Por que ele espalha isso por todo lado, se nem estamos juntos de verdade? Será porque, depois do estágio, nunca mais vamos ver essa gente? Mesmo assim, isso é a RF Digital. Não vai ser bom para ele, de todas as pessoas, ter esse tipo de rumor…

— Fizemos um contrato de namoro por um mês.

E ele ainda adicionou mais lenha na fogueira, sorrindo com naturalidade ao contar uma informação que ninguém precisava saber. O estagiário que tinha feito a pergunta ficou tão desconcertado que nem conseguiu dizer nada.

‘O que se passa na cabeça desse cara?’

Todos pareciam pensar o mesmo enquanto o olhavam, com isso o clima na mesa de Yohan esfriou rapidamente.

— Na verdade, eu confessei meus sentimentos primeiro, mas o Siheon me rejeitou.

Yohan ainda completou, como se fosse a coisa mais casual do mundo.

Dessa vez, todos os olhares se voltaram para Siheon. Era verdade? Como assim ele rejeitou Ryu Yohan? Com aquele rosto e ainda por cima sendo filho do presidente do grupo RF. Para aqueles que se candidataram ao estágio sonhando em trabalhar na RF após a formatura, era um comportamento impossível de entender. Recebendo olhares que lançavam críticas silenciosas, Siheon apenas suspirou. Não era um clima em que qualquer explicação sua seria bem recebida. De qualquer forma, ele também não tinha intenção de se explicar.

— Mesmo assim, fui eu quem o pediu para namorarmos por um mês. E disse que se, depois desse tempo, ainda não desse certo, desistiria sem insistir.

Diante dessa fala, ninguém sabia bem o que dizer. Uma pessoa tão bonita como ele, com uma posição quase de príncipe do grupo RF, praticamente implorando para namorar com alguém… Os olhares sobre Siheon se encheram de emoções confusas. Que tipo de cara era ele para rejeitar Ryu Yohan? Que charme tinha, afinal, para Yohan se esforçar tanto daquele jeito? A curiosidade estava ali, mas ninguém teve coragem de perguntar diretamente.

Cada um reagia com uma mistura de inveja, surpresa e até desconforto, mas uma coisa era certa: eles passaram a ver Cha Siheon com outros olhos. Até então, ele passava despercebido diante do brilho dos gêmeos Ryu Yohan e Ryu Noah. Mas agora, graças a Yohan, o valor de Siheon tinha disparado. E ele também era bastante bonito. Mesmo sentado ao lado de Yohan, sua presença e beleza não diminuía em nada.

— Ah…? O Cha Siheon também é mestiço?

Uma das estagiárias, que só agora tinha reparado nos olhos dele, perguntou. Era uma pergunta que ele escutava sempre que encontrava alguém pela primeira vez. Mesmo que a pessoa falasse só por curiosidade, para Siheon, não era uma pergunta agradável.

— Minha mãe é britânica.

Ele respondeu, num tom que deixava claro que não queria continuar com o assunto. Mas os outros não perceberam isso.

— Uau! Seus pais fizeram um casamento internacional? Como eles se conheceram?

Começaram a chover perguntas inúteis.

— Desculpe, mas eu não gosto muito de falar sobre a cor dos meus olhos. Me sinto desconfortável.

Se a cor dos seus olhos não chamasse tanta atenção, ninguém saberia que ele era mestiço. E assim ele também seria poupado desse tipo de curiosidade desnecessária. Por isso, não gostava daquela cor. Houve uma época em que pensou em usar lentes de contacto para disfarçar, mas era trabalhoso demais e ele não queria viver se preocupando com o que os outros pensavam. Então, desistiu.

Depois de vê-lo falar com seriedade que aquilo o incomodava, os que estavam empolgados com curiosidade ficaram constrangidos.

— Eu gosto bastante, sabia?

Foi Yohan quem disse isso, virando-se para olhar para ele.

— Os olhos do Siheon parecem um lago profundo. Por isso gosto deles. Não seria exagero dizer que foi por causa deles que fiquei encantado por você.

Fez um elogio direto e constrangedor, mas com tanta naturalidade que ninguém soube como reagir.

— Ahaha… Yohan, você gosta mesmo do Siheon, hein?

Ainda bem que alguém interveio.

— Sim, eu gosto.

Respondeu, sorrindo com os olhos curvados, radiante. Ninguém conseguia desviar o olhar dele. E todos pensaram a mesma coisa: ‘Siheon realmente recebeu uma bênção caída do céu. Com certeza ele salvou um país na vida passada.’

 

***

 

Quando Yohan saiu do banheiro após lavar as mãos, Noah estava parado bem à sua frente. Parecia que ele o tinha seguido até lá.

— Não bebe demais.

Yohan mal tinha tomado alguns copos, e sua resistência ao álcool não era ruim, mas Noah já estava preocupado.

— Se eu ficar bêbado, você me leva pra casa.

— Justamente porque acho que não vou conseguir fazer isso, estou te avisando agora.

— Por quê?

Ele naturalmente assumira que Noah voltaria com ele.

 

— Preciso ir à casa principal. Ryu Hyungwoo quer me ver.

Ao mencionar o primo, Yohan estreitou os olhos.

— Não me diga que é por causa do Ryu Saemin?

Noah não respondeu. E o fato de não negar já deixava claro que era isso mesmo.

— Se fosse para chamar alguém, devia ter sido eu, não você. Por que não me chamaram?

Foi ele quem tinha dado uma bela lição em Ryu Saemin, não Noah. E antes disso, também tinha sido ele quem sofreu as consequências por causa da armação de Saemin.

— Ele me chamou para irmos juntos, mas eu recusei. Não quero que você tenha que encarar aquele lixo de novo.

Ah… Então provavelmente Ryu Saemin também tinha sido chamado para aquele encontro. Apesar de todo o escândalo causado pela tentativa de estupro no hospital, os boatos diziam que o pai dele estava usando dinheiro e influência para transformar tudo em uma simples multa. Por sorte, outras enfermeiras tinham conseguido intervir a tempo, então o estupro em si não aconteceu. Além disso, Ryu Saemin continuava afirmando que estava fora de si por causa do rut, e a polícia parecia disposta a aliviar sua barra.

— Ele está querendo juntar todo mundo para promover a reconciliação, é isso?

Yohan sorriu, como se achasse aquilo curioso.

— Será que a boca do Ryu Saemin é capaz de dizer a palavra “desculpa”? Se ele tivesse inteligência suficiente pra pensar assim, não teria arranjado briga comigo daquele jeito desde o começo.

— Segundo o Ryu Hyungwoo, é essa a intenção. Mas eu não acredito.

Noah disse, com a mesma desconfiança.

— Por isso mesmo não quero que você se envolva.

Parecia que ele realmente não queria que Yohan passasse por aquilo de novo e ouvisse mais comentários nojentos por ser um ômega.

— Que horas é esse encontro?

Mesmo que tivessem combinado de se encontrar depois do expediente, parecia meio tarde.

— Oito horas.

— Já são nove.

— E daí? Quem estiver com pressa que espere.

Basicamente, tanto fazia o horário combinado – ele ia resolver as coisas no tempo dele, e se os outros estivessem com pressa, que lidassem com isso sozinhos. Yohan não conseguiu segurar a risada.

— Só não vai bater nele de novo, hein? Promete?

Yohan se aproximou e, com as mãos, envolveu o rosto de Noah num gesto carinhoso. Dessa vez, Noah apenas assentiu sem protestar. Como alfa, até sentia uma pontinha de pena do Ryu Saemin por ter o Yohan como inimigo.

Quando voltou para a mesa, o grupo já estava praticamente se dispersando. Alguns estavam se organizando para ir ao segundo round, enquanto outros já se preparavam para ir embora.

— E você, Yohan? Vai com a gente pra segunda rodada?

— Desculpe, mas vou ficar por aqui. Tenho coisas para fazer.

— Entendi, tudo bem. E você, Cha Siheon?

— Ele também não vai.

Ele respondeu antes que Siheon pudesse abrir a boca. Siheon realmente não pretendia ir, então não desmentiu, mas ficou se perguntando que “coisa” era essa que Yohan precisava resolver. Ignorando o olhar dele, Yohan se limitou a sorrir e acenar para os outros com seu típico ar encantador. Só depois que todos saíram, ele enfim virou-se para Siheon.

— Ué, por que o Noah foi embora sem você?

Como moravam juntos, era natural esperar que Noah o levasse junto, mas ele tinha simplesmente se despedido como todo mundo e ido embora.

— Ele disse que tinha que passar na casa da família. Como está indo a essa hora, provavelmente vai dormir lá.

Yohan levantou os olhos e sorriu. Era um sorriso suave, mas que escondia alguma intenção, o que fez Siheon franzir as sobrancelhas automaticamente. Yohan riu ao ver a reação.

— Se ficar tão desconfiado assim, vou ficar magoado.

— Então faça uma cara de magoado antes de dizer isso.

— Que cruel…

Apesar da resposta, Yohan deu um passo a mais, se aproximando. Então, estendeu os braços e os colocou em volta do pescoço de Siheon.

— A minha casa está vazia hoje.

Aquilo Siheon já sabia. Noah e Yohan moravam sozinhos, e, se Noah foi para a casa principal, ele ficaria completamente sozinho.

— Então… quer ir pra lá?

O rosto de Yohan se aproximou ainda mais. Seus lábios estavam perigosamente próximos, a ponto de quase se tocarem. Seu hálito carregava um leve traço de álcool.

 

 

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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