Ler Controle – Capítulo 22 Online

Modo Claro

 

O parente que havia arrumado confusão com Yohan e acabou sendo espancado por Noah, ficou internado, e teve alta exatamente duas semanas depois. Seu nariz estava fraturado e seu rosto, severamente machucado, mas a verdade é que ele não precisava ficar internado por tanto tempo. Mesmo assim, insistiu em permanecer no hospital, como forma de protesto. Não é como se sair do hospital e voltar ao trabalho fosse render reconhecimento, então decidiu estender ao máximo a internação para mostrar aos familiares o quanto havia sofrido por causa de Noah.

“Meu filho é meio impulsivo. Você devia ter tomado mais cuidado para não provocá-lo.”

Durante o período de internação, Ryu Jin foi visitá-lo. E mesmo dizendo isso com um rosto completamente sereno, não demonstrou um pingo de remorso. Pior ainda, agiu como se estivesse fazendo um favor ao oferecer-se para pagar as despesas hospitalares, como se fosse um gesto de magnanimidade.

“Não importa que seu pai é um dos diretores da empresa. Não deveria usar o dinheiro da empresa de forma leviana. Como é a primeira vez e o valor é insignificante, vou deixar passar por consideração ao seu pai. Mas não haverá uma segunda vez.”

Com um sorriso suave, Ryu Jin deixou claro que aquilo era uma ameaça. Pensar naquele homem e em seus filhos fazia seu sangue ferver, mas não tinha coragem de se opor diretamente a Ryu Jin, o chefe do grupo RF – nem mesmo os gêmeos teriam essa audácia. Além disso, não houve nenhuma repreensão da família principal sobre o incidente, o que era ainda mais assustador.

Seu próprio pai também não ficou do lado dele. Disse que não havia nada de bom em se indispor com Ryu Jin e que, se ele continuasse agindo daquele jeito, era melhor saísse da família de uma vez. O mesmo pai que, longe dos ouvidos de Ryu Jin, não poupava críticas ao herdeiro, agora jogava toda a culpa no próprio filho.

No dia da alta, nem seus pais, nem seus irmãos apareceram. Apenas o secretário de seu pai foi ao hospital, cuidou dos trâmites e entregou-lhe as chaves do carro, dizendo que ele já havia descansado o suficiente e deveria ser capaz de dirigir.

‘Por que sou eu quem estou passando por isso, se quem errou foram Yohan e Noah?’

A indignação e a frustração o deixavam à beira da loucura.

— Um dia, eu vou acabar com aquele merda…

Rangendo os dentes de ódio, foi interrompido por uma notificação no celular. Esperando que fosse seu pai, ele pegou o aparelho rapidamente.

[Parabéns pela alta. Parece que você estava bem entediado no hospital, até se deu o trabalho de fazer certas coisas. Por isso, preparei um presentinho para você. Um pouco mais potente do que o que você usou. Ah, fui eu mesmo que mandei fazer especialmente para você, então não vai achar em lugar nenhum.]

Era uma mensagem de Yohan. Franziu a testa, sem entender o que ele queria dizer, e releu o texto. Logo depois, chegou outra notificação com uma foto anexada.

Era o comprimido que ele tinha tomado pela manhã. A enfermeira o havia trazido dizendo que era o último antes da alta.

[Essa enfermeira… o rosto dela não lhe pareceu familiar?]

A nova mensagem fez um arrepio gélido percorrer sua espinha.

[Acho que vai começar a fazer efeito a qualquer momento…]

Tum.

O coração deu um salto tão forte que parecia sair do peito. Em seguida, começou a disparar sem controle. Ele sentia até o crânio pulsar, como se o próprio cérebro tivesse um coração batendo dentro dele, de repente todo seu corpo começou a formigar. O ar que expirava estava quente e a dor pulsante logo virou um calor abrasador que subia como fogo. Sua visão girou quando uma onda intensa de calor desceu abruptamente.

— Merda…

O Palavrão escapou entre os dentes, mas já era tarde demais.

[Estou curioso, o ciclo de calor é mais intenso? Ou será o Rut? Pena que não vou poder ver. Boa sorte. Duvido que uma única punheta vá resolver. Cuidado para não se tornar um estuprador.]

Suas mãos tremiam enquanto segurava o celular. Abaixo, a calça já estava visivelmente inflada, prestes a explodir. Seus olhos injetados de sangue ardiam. Um desejo selvagem de penetrar qualquer pessoa tomou conta dele.

[Quer que eu te diga como  acalma isso?]

Mais uma provocação. Yohan, esse filho da… A respiração começou a se tornar ofegante. Como uma alucinação, flashes da pele branca de Yohan e de sua nuca delicada surgiam em sua mente. O impulso de mordê-lo até sangrar quase o enlouqueceu.

[Eu sou mesmo bonzinho, não é?]

Uma mensagem incompreensível veio acompanhada de um arquivo anexo. Com as mãos tremendo, ele abriu o anexo, na esperança de que contivesse alguma maneira de acalmar essa súbita onda de rut.

Bip.

Um som estranho de alarme soou do celular. Logo depois, a tela ficou completamente preta, e no centro apareceu apenas um grande número: 10, 9, 8, 7, 6… Os números diminuíam um por um, mas ele, sem entender o que estava acontecendo, ficou apenas olhando, paralisado.

Bomb!

Uma pequena explosão gráfica surgiu, seguida de uma imagem mostrando um dedo do meio levantado. Em seguida, o celular foi completamente resetado. Até as mensagens que Yohan havia mandado desapareceram num piscar de olhos.

— Ha… haha…

Ele soltou uma risada vazia, incrédulo. Aquele desgraçado não só o havia provocado até o limite, como ainda apagou todas as provas de que havia mandado qualquer coisa.

Toc, toc.

O som de alguém batendo na porta do quarto fez seu corpo estremecer.

— O senhor já terminou os preparativos para… ah!

No instante em que a enfermeira abriu a porta e entrou no quarto, ele não conseguiu pensar em mais nada. Um doce aroma pareceu se espalhar no ar vindo dela. Esse cheiro paralisava toda sua razão. Só restava o instinto animal de possuir, de violentar, a qualquer custo.

 

***

 

— Nossa… Que loucura.

Um funcionário leu uma notícia na internet e soltou um comentário chocado.

— O que foi agora?

— O filho do CEO da RF Apparel causou um escândalo no hospital. Tentou estuprar a enfermeira que cuidava dele.

— Estupro?!

O colega da mesa ao lado, assustado, puxou a cadeira para ver o monitor junto com ele. A notícia trazia até imagens de uma câmera de segurança. Era possível ver claramente o momento em que o homem avançava como um animal sobre a enfermeira que entrava no quarto, rasgando as roupas dela.

— Caramba… que monstro!

Todos torceram o nariz em desgosto.

— A RF Apparel vai pegar fogo com isso aí. Dizem que esse cara entrou na empresa outro dia mesmo… se bobear, o pai vai ter que renunciar ao cargo de CEO.

— Um erro na criação do filho custa o sangue de muita gente.

— O que aconteceu?

Yohan, que havia voltado de uma entrega em outro setor, se aproximou do grupo que estava reunido ao redor da tela.

— Ah, Yohan, você deve conhecer ele. É o filho do CEO da RF Apparel.

— O Ryu Se-min?

— Ele é seu primo?

— Na verdade, é meu primo de sexto grau.

Os funcionários trocaram olhares entre si. Ainda era família – será que podiam continuar falando mal dele na frente de Yohan? Ele apenas inclinou a cabeça, espiando o monitor além dos colegas. O título chamativo da matéria pulava aos olhos: “Filho mais velho do CEO da RF Apparel tenta estuprar enfermeira em hospital”. Um dos funcionários, achando que Yohan já havia visto, até deu espaço para que ele pudesse ler melhor.

Yohan parou diante do monitor e passou os olhos calmamente pela matéria.

‹O filho mais velho do CEO da RF Apparel, identificado como A, foi internado cerca de duas semanas atrás. A razão exata da internação não foi divulgada, mas pelas marcas visíveis no rosto e o nariz fraturado, acredita-se que tenha se envolvido em uma briga. Apesar de ter recebido alta várias vezes, A insistia em permanecer no hospital. Hoje, quando uma enfermeira foi até o quarto para confirmar se ele estava pronto para sair, A tentou estuprá-la repentinamente. Felizmente, outras enfermeiras e funcionários conseguiram contê-lo com força, e a polícia foi chamada imediatamente. O homem alegou estar em estado de “rut”, e testemunhas também disseram que ele parecia fora de si. No entanto, os exames não apontaram nenhuma condição que justificasse um rut tão repentino.›

Esse era, em linhas gerais, o conteúdo da reportagem.

— Nossa…. que horror.

Ele fez uma expressão de preocupação, franzindo a testa, mas o canto de seus lábios se curvou quase imperceptivelmente. E Siheon foi o único que percebeu.

Enquanto os outros funcionários conversavam sobre o caso, perguntando se um rut poderia realmente acontecer de forma tão repentina, o quanto aquilo seria perigoso, e comentando que talvez a empresa devesse manter inibidores de rut à disposição, Yohan saiu da sala dizendo que ia comprar uma bebida.

Na sala de descanso, enquanto tirava uma lata da máquina de venda automática, uma sombra se projetou ao lado dele. Quando se virou, era Siheon.

— Foi você?

A pergunta surgiu do nada, e Yohan apenas piscou com uma expressão que dizia claramente: “Do que você está falando?”

— Estou falando da notícia de agora há pouco. Foi coisa sua?

Os olhos de Yohan se arregalaram por um instante, mas rapidamente ele balançou a cabeça como se estivesse ouvindo um absurdo.

— É mesmo uma pergunta sem sentido. Que poder você teria para induzir um rut em um alfa do nada? Mas, ao mesmo tempo, se tem alguém que conseguiria fazer algo tão absurdo, seria você.

— Não faço ideia do que você está falando.

— Antes de vir para a Coreia, quando você estava na Rússia, frequentava o laboratório de pesquisa conjunto da RF Farmacêutica e da Galayev, não era? Mesmo sendo só um estudante do ensino médio, ouvi dizer que você era tão inteligente que te deixavam acompanhar as aulas experimentais no centro de pesquisa.

— Uau, parece que você se interessa por mim mais do que imaginei. Para saber até sobre disso.

— Os funcionários estavam comentando por aí.

Apesar de já fazer alguns anos, era verdade que Yohan frequentou aquele laboratório. Ele queria entender melhor sua condição como ômega e, com a ajuda da mãe, participou de diversas observações. Foi nessa época que ele aprendeu os princípios básicos de como controlar ou induzir ciclos de calor e rut entre ômegas e alfas.

Não havia como evitar o interesse que os funcionários da RF Digital tinham por Yohan. Se alguém conhecia pessoas de outros departamentos, como o de pesquisa da RF Farmacêutica, era provável que informações tivessem vazado de lá. Mesmo que não tivessem, o simples fato de Yohan e Noah estarem participando do programa de estágio já era suficiente para alimentar fofocas anônimas nos fóruns internos. Metade era verdade, metade não, mas o interesse nunca diminuía.

— Por que você fez isso?

Siheon já havia praticamente concluído que Yohan era o responsável, e agora só queria confirmar.

— Por que você acha?

Yohan devolveu a pergunta com um leve sorriso, sem negar nada. O olhar fixo de Siheon se intensificou, até que uma possibilidade lhe veio à mente, fazendo-o suspirar.

— Não me diga que aquele ciclo de calor… foi coisa do seu primo?

Siheon também foi vítima daquele episódio. Se aquele ciclo de cio que Yohan sofreu tivesse sido induzido por alguém, ele também queria ver o desgraçado por trás disso atrás das grades.

— Não é primo. É um parente de sexto grau.

Yohan franziu a testa, como se até mesmo associar-se minimamente àquele cara fosse irritante.

— Você é assustador, sabia? Por trás desse rostinho angelical…

Não importava se era primo ou sexto grau. O que importava era que Siheon tinha acabado de ver como Yohan lidava com quem lhe causava dano. Ele era como uma criança de rosto doce que arrancava as asas de uma libélula com um sorriso inocente.

Enquanto isso, Yohan terminou sua bebida, jogou a lata no lixo reciclável e se aproximou de Siheon. Parou a um passo dele, segurou sua gravata e puxou com força. O corpo de Siheon se inclinou para frente, e o rosto de Yohan se aproximou devagar.

Antes que seus lábios se tocassem, Yohan desviou levemente, passando pela bochecha e chegando ao ouvido.

— Eu não costumo fazer nada desse tipo com quem gosto. Então pode ficar tranquilo.

Sussurrou com uma voz doce antes de soltar a gravata. Siheon olhou para Yohan, que sorria como algodão-doce derretido, e, pela primeira vez, pensou que talvez tivesse realmente se metido com alguém perigosamente imprevisível.

 

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Continua..

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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