Ler Controle – Capítulo 21 Online
Siheon desviou o olhar de Yohan. Lá estava ele, parado na calçada em frente à empresa, sentindo-se patético por ter agido daquela maneira.
— Depois. Não precisa ter pressa.
Era verdade que, por um momento, ele tinha agido como se estivesse possuído, mas Yohan, aproveitando a situação para provocá-lo, também não facilitava as coisas.
— Hmmm…
Yohan estreitou os olhos e soltou um suspiro longo pelo nariz. Parecia desafiá-lo, como se dissesse: “Vai recuar agora?” Será que ele era naturalmente destemido, ou realmente acreditava que Siheon não faria nada? Talvez fosse só alguém absurdamente liberal em relação a sexo.
Com tantos pensamentos na cabeça, Siheon acabou soltando um suspiro sem perceber.
— Vamos comer alguma coisa.
Discutir com aquele sujeito parecia ser só perda de tempo e energia.
— Eu disse que quero um encontro.
— Sim. Um encontro.
— Isso?
‘Qual o problema em querer só ir comer alguma coisa?’
Sem entender a reação dele, Siheon o encarou, e Yohan pareceu pensar seriamente sobre aquilo.
— Isso é um encontro mesmo?
‘Que droga de pergunta era essa agora?’
— Não é para fazer algo especial? Tipo subir a Torre Namsan para ver a vista noturna, ou jantar num barco enquanto assiste a um show de fogos?
— Haah…
Mais um suspiro escapou, e uma dor de cabeça começou a pulsar. Pelo visto, para Yohan, um encontro precisava ser algo grandioso e fora do comum.
— Para mim, um encontro é comer junto, assistir a um filme, andar de mãos dadas por aí. Isso já é suficiente.
Ele nunca imaginou que teria que começar do zero e explicar o que significava a palavra “encontro”.
— Tudo bem. Então vamos comer e ver um filme.
Yohan concordou com mais facilidade do que Siheon esperava. Talvez ele não quisesse necessariamente um encontro caro e luxuoso, afinal.
— Primeiro, a mão.
Yohan se aproximou de lado, pegou a mão de Siheon e entrelaçou os dedos. Depois, levantou o olhar e sorriu de um jeito adorável. Siheon soltou um riso sem força. Não conseguia entender aquele garoto. Primeiro vinha com um papo de vista noturna e show de fogos, e agora parecia perfeitamente satisfeito só de estar de mãos dadas, sorrindo como uma criança.
— O que devemos comer? Você tem alguma comida favorita?
Ele perguntou, e Siheon olhou de canto para o rosto dele. Lembrou-se de como ficou surpreso ontem, quando o supervisor sugeriu que ele escolhesse o menu para o jantar. Parecia alguém que não era exigente com comida.
— Vamos comer o que Siheon quiser.
— Tanto faz para mim, escolha o que você preferir.
— Sério?
Os olhos de Yohan brilharam como pedras preciosas. Siheon ficou curioso para ver o que ele escolheria e apenas esperou em silêncio.
— Que tal ali?
Yohan apontou para algum lugar com o dedo. Quando Siheon virou para ver, chegou a duvidar do que estava vendo e riu sem querer. O restaurante que Yohan tinha escolhido era nada mais, nada menos do que uma lanchonete de rua, daquelas que vendem tteokbokki, sundae e kimbap.
***
Se o conceito de “desproporcional” pudesse ser representado por uma cena, com certeza seria essa. Um garoto com cabelo platinado, pele branca como porcelana e olhos verde-esmeralda brilhantes, sentado em uma lanchonete modesta, soprando o tteokbokki vermelho antes de levá-lo à boca. Ele pegava os pedaços de sundae com os palitos, mergulhava no molho apimentado e comia, sorrindo satisfeito.
Vendo assim, ele não parecia em nada com um típico herdeiro de um conglomerado de empresas. Pelo menos, não como os que Siheon conhecia. Estava claro que Yohan não se importava nem um pouco com aparências ou formalidades.
— Pensando bem, faz tempo que não vou ao cinema. Será que tem algum filme bom em cartaz nesse horário?
Yohan tirou o celular do bolso e acessou o site do cinema. Mais uma vez, perguntou primeiro para Siheon se ele tinha algum gênero de preferência.
— Qualquer coisa, menos romance.
Romance definitivamente não era seu estilo. Ele não gostava da forma açucarada como o amor era retratado, e toda aquela conversa de “destino” só lhe dava vontade de suspirar.
— Você é bem pessimista quando o assunto é sobre amor, hein?!
Yohan murmurou isso baixinho. Mas assim que cruzou olhares com Siheon, sorriu como se não tivesse dito nada. Siheon tinha escutado claramente o que ele disse, mas fingiu não perceber. Não fazia questão de negar, e se Yohan tivesse notado mesmo, talvez ele largasse de vez essa história de namoro por contrato.
— Sabe, minha mãe…
Quando já estavam terminando a refeição, Yohan puxou assunto de forma inesperada.
— Sabe como ele conheceu meu pai?
O relacionamento entre Ilya Galayev e Ryu Jin foi um escândalo na época, ao ponto de virar manchete em tudo quanto era lugar. Mas isso foi há mais de vinte anos, então se a pessoa não se interessasse por esse tipo de assunto, assim como Siheon, dificilmente saberia os detalhes.
— Minha mãe manipulou o valor das criptomoedas e fez meu pai perder uma fortuna que ele tinha investido. Aí meu pai sequestrou ele. Ah, naquela época meu pai ainda era o chefe da máfia russa.
Era uma história tão absurda que demorou um instante até o cérebro de Siheon processar.
‘Sequestro…? Ele não era o caçula da família principal do Grupo RF? E ainda assim tinha sido sequestrado? Como uma coisa dessas aconteceu e a família não fez nada?’
— No começo meu pai quis matá-lo, mas aí minha mãe prometeu pagar o prejuízo investindo de novo em criptomoedas. Então ele resolveu poupá-lo.
Era uma história que desafiava qualquer lógica comum.
— Não é incrível? Ele se apaixonou pelo homem que o sequestrou para matá-lo….
— Pode ter sido síndrome de Estocolmo. Dizem que quando alguém se vê em uma situação de risco extremo e o agressor mostra um pouco de gentileza, a vítima pode acabar se apaixonando por ele.
— Hm…
Yohan fez um som pensativo pelo nariz e balançou a cabeça.
— Mas nesse caso acho que não se aplica. Porque minha mãe esfaqueou o meu pai pelas costas, fugindo, o que deixou ele louco.
‘Ai, meu Deus… Que tipo de gente eram os pais desse cara?’
Até onde Siheon entendia, não havia o menor sinal de “amor” nessa história – como eles tinham acabado juntos e casados era um mistério.
— A vida é mesmo imprevisível. Talvez por isso seja tão interessante.
Mas parecia que o verdadeiro objetivo de Yohan ao trazer esse assunto não era apenas contar o romance maluco dos pais.
— Do mesmo jeito, ninguém sabe que tipo de relação teremos no futuro, certo? Daqui a um mês, podemos acabar desenvolvendo sentimentos reais e nos tornando namorados de verdade… ou…
Com a voz cada vez mais suave, Yohan abaixou o olhar e curvou os lábios num sorriso quase imperceptível.
— Ou então, virarmos inimigos mortais.
Diante daquelas palavras ambíguas, Siheon o encarou com uma expressão séria. Yohan, ao levantar os olhos e encontrar o olhar de Siheon, apenas sorriu de canto com leveza.
— Não fique tenso. Só estou dizendo que o futuro é incerto.
Será que era só impressão dele, ou Yohan estava falando como se soubesse de alguma coisa? Ele continuou sorrindo, todo tranquilo e amável, mas Siheon sentia que entendia cada vez menos o que passava por dentro daquele garoto.
— Vamos indo. O filme vai começar logo. Como você disse que qualquer coisa servia, escolhi um por conta própria e já reservei.
‘Quando foi que ele fez a reserva?’
Yohan se levantou naturalmente, chamando Siheon para sair. Mudou de assunto tão rápido que não deu tempo de perguntar o que ele quis dizer com aquilo tudo de antes.
Assim que saíram do restaurante, Yohan novamente pegou na mão de Siheon como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Isso também é bom.
Yohan balançou levemente as mãos entrelaçadas para frente e para trás, sorrindo satisfeito. Como o cinema não era muito longe, ele foi puxando assunto durante todo o trajeto, falando sem parar de coisas banais. Contou, por exemplo, que um colega de faculdade fez uma besteira e todos riram, que o diretor executivo da RF Digital na verdade levava uma vida dupla mantendo duas famílias, e dicas de como conseguir notas boas com um certo professor. A maioria dos assuntos não tinha nenhum peso real.
Ao chegarem ao cinema, eles compraram refrigerante e pipoca como qualquer casal comum e entraram na sala de exibição. O filme era um dos mais populares do momento, um suspense policial. Yohan se mostrou mais concentrado do que Siheon esperava. Assim que o filme começou, ele nem percebia quando Siheon o observava de relance algumas vezes.
Quando o filme mostrava uma cena tensa, a expressão de Yohan se contraía junto e se era algo engraçado, ele ria abertamente, soltando um “ahaha”.
Tudo era muito mais normal do que Siheon tinha imaginado. Considerando que Ryu Yohan estava longe de ser uma pessoa normal em qualquer aspecto, e que toda aquela proposta de “namoro por contrato” tinha sido bizarra desde o início, o primeiro encontro deles foi surpreendentemente tranquilo e cotidiano.
Graças a isso, Siheon conseguiu relaxar um pouco pela primeira vez em muito tempo. Há quanto tempo ele não ficava assim ao lado de alguém sem se manter em constante alerta? Nem se lembrava mais. E ainda por cima, com Ryu Yohan… Realmente, como ele mesmo disse, a vida era imprevisível.
***
— Achei!
Yohan sorriu satisfeito enquanto mexia no notebook, pouco antes de dormir. Noah, que estava pegando uma lata de cerveja na geladeira, perguntou se ele também queria uma, mas ao ver a expressão do outro, estreitou os olhos com desconfiança.
— O que foi? Por que está com essa cara de quem tá tramando algo de novo?
Ele balançou uma lata gelada com gotinhas de água escorrendo na frente de Yohan, perguntando. Yohan ergueu o olhar e sorriu ainda mais maliciosamente. Esse garoto… Estava aprontando alguma coisa de novo, dava para sentir.
— Sabe aquele indutor de ciclo de cio?
No mesmo instante em que Yohan mencionou o incidente, a testa de Noah se franziu. Só de lembrar, a raiva tomava conta. Ele apertou com tanta força a lata que a amassou.
— Eles esconderam bem, eu demorei para rastrear.
Noah também havia investigado, mas a empresa que aparecia no rótulo da garrafa era uma empresa fantasma. Quando perguntou como Yohan conseguiu descobrir, o sorriso do outro se aprofundou ainda mais.
— Mesmo sendo uma quantidade pequena, para entrar na universidade como amostra de divulgação, eles teriam que encomendar um certo número de garrafas PET. Então eu investiguei todas as fábricas de garrafas para ver se algum pedido de pessoa física foi feito nesse período.
Yohan verificou se havia alguma empresa ou indivíduo novo encomendando esse tipo de embalagem. Alguns lugares chamaram sua atenção. Depois de filtrar tudo e rastrear o fluxo de dinheiro, um nome conhecido apareceu. Alguém que tanto Yohan quanto Noah conheciam muito bem.
Essa pessoa criou uma empresa fantasma e colocou outra pessoa como representante. E ainda assim, com medo de ser descoberto, ao fazer os pagamentos – tanto das garrafas PET, quanto do indutor ilegal, incluindo até uma “gratificação” – fez o dinheiro circular duas ou três vezes antes. Mesmo assim, a persistência de Yohan venceu. Como o alvo era ele, e ele foi o único a quem o indutor foi administrado, estava claro que o culpado era alguém ligado a Yohan. E sua intuição estava certa.
— E então, quem foi?
Noah, impaciente, pressionou para que ele contasse logo.
— Amanhã você vai descobrir.
Os olhos de Yohan brilharam, cheios de malícia. Noah balançou a cabeça, exasperado. — Amanhã? — ele disse. Ou seja, já tinha preparado tudo e agora só esperava confirmar o culpado para agir imediatamente. Quem quer que fosse… Noah só podia desejar que descansasse em paz.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)