Ler Controle – Capítulo 20 Online
— Me dá, eu levo.
— Hã? Ah, não precisa…
Yohan olhou para a mão de Siheon, que tinha se intrometido de repente, e tentou recusar, mas parou a frase no meio quando viu o olhar firme do outro para a bandeja. Com oito canecas, era impossível carregar tudo sozinho, realmente, seria um esforço desnecessário.
— Então, vou aceitar a sua ajuda.
Mudou de atitude rapidamente e sorriu, empurrando uma das bandejas na direção de Siheon.
— Veio me ajudar porque ficou preocupado comigo?
— Não. Só pensei que você iria derrubar tudo no caminho.
Mesmo com a resposta meio atravessada, Yohan deu uma risadinha.
‘No fim das contas, você veio me ajudar, hein?’
Talvez Siheon tivesse um lado mais atencioso do que parecia.
— Tem compromisso mais tarde? Quer sair para um encontro?
Ao ouvir a palavra “encontro”, Siheon virou-se para encará-lo.
— Tanto faz.
Yohan achou que ele ia recusar, mas a resposta veio tão fácil que ele ficou surpreso. Piscando, olhou para Siheon, que soltou um sorriso despretensioso antes de levantar a mão e bagunçar levemente seus cabelos.
‘Ah… isso pareceu tão íntimo e carinhoso.’
E não foi só Yohan que pensou assim. Quando os dois voltaram para mesa com os cafés, os outros funcionários começaram logo a fazer perguntas especulando sobre a relação dos dois.
— Sabemos que vocês são da mesma universidade, mas não são de cursos diferentes? Como ficaram tão próximos?
— Tivemos algumas aulas juntos.
— Então vocês se inscreveram juntos para esse estágio?
— Não. Eu me inscrevi e, quando fui ver, o Siheon… Quer dizer, o Cha Siheon também estava aqui. Eu só descobri ontem.
— Uau, e ainda foram designados como parceiros? Isso é destino!
Cof cof.
Yohan engasgou com a bebida que estava tomando e tossiu.
— O que foi isso?
Siheon franziu a testa e lhe estendeu um lenço. Depois de agradecer, Yohan limpou a boca e olhou para a funcionária que tinha falado sobre “destino”, dando um sorriso meio sem graça como se dissesse; está tudo bem.
‘Destino…? Se fosse assim, então todo mundo da mesma universidade estaria predestinado? Que bobagem…’
— Pois é. Deve ser destino mesmo.
Sorrindo de leve, Yohan concordou com ela. Como esperado, sentiu o olhar irritado de Siheon, mas decidiu ignorar. Se fosse ele quem tivesse dito algo assim, Siheon já teria cortado com um “que bobagem” ou mandado calar a boca… Mas, como era uma colega mais velha de trabalho, ele parecia estar se segurando.
‘Surpreendentemente, ele sabe se comportar no ambiente de trabalho.’
Apesar de ser um pouco rude, Siheon era respeitoso com os superiores. Talvez por isso, os outros funcionários ficassem meio intimidados com ele também.
— Siheon é um alfa, não é?
Um dos funcionários perguntou. Todos já suspeitavam, mas como nos currículos eles não precisavam colocar o gênero secundário, queriam confirmação.
— Sim.
— E Yohan é um ômega.
No caso de Yohan, isso já era praticamente de conhecimento geral. Ele respondeu com um sorriso, e o colega que perguntou estreitou os olhos, rindo de modo suspeito.
‘Que foi isso? Por que você sorriu de forma tão maliciosa? Que incômodo…’
— Sendo um alfa e um ômega… Vocês não estão… hum, bem… Ficando?
‘Eu sabia. Era óbvio que iam pensar exatamente isso.’
— Não estamos ficando.
Cha Siheon mais uma vez negou com firmeza.
— Não estamos ficando mesmo. Eu que estou tentando me aproximar sozinho.
— Ontem decidimos começar a namorar.
— Uéééégh!
Não foi só Yohan que soltou um som esquisito, os outros funcionários também se assustaram e reagiram do mesmo jeito. Alguns começaram a tossir, engasgados, completamente chocados.
— É sério? É sério mesmo que vocês dois estão namorando?
A colega que estava sentada ao lado de Yohan chegou a virar o corpo inteiro para encará-lo.
— Ahaha…
Yohan riu, meio constrangido. Era verdade, mas ele não achava que aquilo fosse ser anunciado assim, em público. Além do mais, mesmo estando juntos, não era como se eles estivessem loucamente apaixonados.
— Sim, decidimos namorar.
Bom, já que tinha vindo à tona, talvez até fosse melhor assim. Poderia ser uma boa desculpa para afastar os colegas que demonstravam interesse nele.
— Uau, a vida realmente surpreende. Até ontem o senhor Cha Siheon dizia que o senhor Yohan não era o tipo dele. Disse até que ele nem era bonito.
Os funcionários ficaram boquiabertos com a fala do supervisor.
— O quê? Ele disse que o Ryu Yohan não é bonito? Sério isso?
Todos reagiram do mesmo jeito. Alguns até perguntaram: “Se Ryu Yohan não é bonito, então quem é?”
— Tem algum famoso que seja o tipo do Cha Siheon?
A conversa logo mudou para tentar entender o quão alto era o padrão de beleza de Cha Siheon. Yohan também ficou curioso. Ele era considerado à altura de qualquer celebridade: rosto do tamanho de um punho, traços bem definidos, pele branca, cílios longos, lábios vermelhos, nariz reto e cabelo platinado que esvoaçava suavemente ao vento. No mundo todo, a única pessoa que já havia dito que ele não era bonito era o Cha Siheon.
— Não tem.
Siheon hesitou por um segundo, mas sua resposta foi firme.
— Ninguém? Se não tiver nenhum famoso coreano, escolha então algum ator estrangeiro.
— Hm… ninguém em especial…
Disse que não conhecia muitos famosos e que, mesmo os que conhecia, nenhum despertava interesse. Todos ficaram surpresos. O supervisor chegou a pegar o celular para mostrar fotos de celebridades reconhecidas por sua beleza.
A essa altura, já estavam desconfiando que Cha Siheon simplesmente não tinha senso estético algum. Parecia alguém que não possuía critérios sobre o que era bonito ou atraente.
Yohan, que observava a conversa em silêncio, sorriu gentilmente. Se fosse isso mesmo, até dava para entender. Isso significava que, para Siheon, não existia ninguém mais interessante do que ele.
— E no nosso encontro mais tarde, o que vamos fazer?
Com a pergunta lançada do nada, todos os olhares se voltaram para Yohan. Já que tinham admitido o namoro, falar de um encontro não era nada demais. Yohan ignorou os olhares e sorriu com doçura enquanto olhava para Siheon.
— O que você quiser.
E como sempre, a resposta foi que tanto fazia.
— Nossa, isso é provocação, certo? Fazer isso na frente de quem está solteiro há 28 anos?
— Eu tô há 30, seu idiota.
— Esses dois são impossíveis. Vieram aqui para trabalhar e ficam de namorico.
As reclamações dos funcionários começaram a pipocar. Yohan os encarou com uma expressão um pouco rígida e, em seguida, olhou com um ar de desculpas e desconforto.
— Namorar na empresa é proibido?
Parecia que, se dissessem que sim, lágrimas iriam cair daqueles olhos verdes esmeralda a qualquer momento. Na verdade, eles já estavam visivelmente úmidos. Os funcionários se apressaram em negar com as mãos, apavorados. Disseram que claro que não, que podiam namorar o quanto quisessem.
Observando essa cena, Siheon apenas estalou a língua em tom reprovador.
***
Siheon se surpreendeu ao perceber que trabalhar com Yohan estava sendo mais tranquilo do que esperava. Já tinha ouvido rumores de que ele era inteligente, até mesmo um gênio, mas, até então, a impressão que tinha era a de que Yohan era apenas um narcisista mimado. Durante as aulas, ele nunca fez nada que chamasse atenção, então não havia como saber se era mesmo inteligente ou não.
Ouviu dizer que ele tinha demonstrado um conhecimento impressionante na entrevista para o estágio, mas parecia algo tão distante que nem deu bola. Como alguém que sorria de modo tão leviano e dizia “vamos transar” poderia ser um gênio? Não fazia sentido.
Entretanto, ao trabalharem juntos, tudo ficou claro. Quando Siheon sugeria uma ideia, Yohan entregava um material perfeito, indo além do necessário. Dava a impressão de que já sabia o que Siheon queria fazer antes mesmo de ouvir. Até o supervisor se mostrava surpreso a cada vez. Dizia que Yohan já estava acima do nível de um estagiário e que era ele, o supervisor, quem precisava aprender com ele.
Yohan aceitava o trabalho dos outros com um sorriso tranquilo e fazia sem reclamar. Siheon chegou a pensar: Será que ele precisa se esforçar tanto? Mas, como ele fazia tudo em metade do tempo dos outros, era impossível repreendê-lo. E como ele não demonstrava cansaço ou estresse nenhum, não havia razão para impedi-lo. Sempre que recebia uma nova tarefa, seus olhos brilhavam como os de uma criança diante de um brinquedo novo.
Ele parecia realmente gostar de resolver tarefas difíceis. E trabalhava com tanto entusiasmo que acabava influenciando todos ao redor. Por causa disso, até mesmo as horas no trabalho passavam mais rápido.
6:30 da tarde.
Assim que deu o horário de ir embora, Yohan arrumou rapidamente a mesa e se levantou.
— Vou encerrar por hoje.
Os outros funcionários ainda estavam trabalhando, mas como Yohan falou com tanta leveza, ninguém teve coragem de dizer nada.
— Você não vai?
Yohan perguntou, olhando para Siheon. Claro que ele assumiu que sairiam juntos depois de marcarem um encontro. Como estagiário, deveria sair depois dos funcionários efetivos, mas não mostrava a menor preocupação com isso.
Siheon olhou ao redor e conteve um suspiro. Yohan tinha trabalhado com afinco o dia todo, até mais que o dobro dos outros, mas mesmo assim… isso não estava certo. Será que era por ter morado tanto tempo fora que não tinha esse tipo de senso? Se ao menos esperasse uns cinco ou dez minutos a mais, não chamaria tanta atenção.
— Está tudo bem, pode ir, senhor Siheon.
O supervisor, não aguentando mais ver a cena, empurrou a cadeira para trás e fez um gesto para que ele fosse. Disse também que logo estariam saindo, para aliviar a culpa. Yohan sorriu radiante como quem dissesse “Viu só?” Não como se fosse insensível, talvez só não conhecesse a cultura corporativa coreana… ou fingia não conhecer.
No fim das contas, Siheon cedeu à alegria de Yohan, bem como, à insistência dos colegas, e foi embora.
Assim que saíram do prédio, uma rajada de ar quente os envolveu. Ele se perguntou se era resquício do fim de verão, e apesar de já estarem no final de setembro, o calor era sufocante. Estar num prédio com ar-condicionado o dia todo fazia o calor parecer ainda mais intenso.
Yohan também devia estar com calor, ele tirou o paletó, afrouxou a gravata e desabotoou o primeiro botão da camisa. A pele branca que se revelou entre as abas da camisa chamou a sua atenção. Uma gota de suor escorreu pelo pescoço até o osso da clavícula. Era uma cena banal, mas carregava uma sensualidade inesperada. Ao mesmo tempo, Siheon teve a estranha impressão de que conseguia sentir o perfume do feromônio de Yohan –aquele aroma adocicado e intenso, parecido com flores.
— O que foi?
Yohan ergueu a cabeça e olhou para Siheon. Só então o alfa percebeu que sua mão estava quase tocando a nuca dele. Assustado, fechou o punho e abaixou a mão de uma vez.
Os olhos de Yohan, que o observavam atentamente, foram se estreitando até se curvarem com doçura, como duas luas crescentes.
— Ficou com vontade de me tocar?
Ele se inclinou levemente para a frente. Será que o calor repentino tinha afetado sua cabeça? O perfume de Yohan, aquele aroma intenso de flores, fez cócegas em seu nariz. Era um cheiro que despertava desejo, e Siheon engoliu em seco sem perceber.
— Pode me tocar, se quiser.
Yohan até afastou mais a gola da camisa enquanto sussurrava. Siheon abaixou o olhar e viu os longos cílios dele. mais abaixo, a curva branca do pescoço que se perdia onde começava os ombros.
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Continua..
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)