Ler Controle – Capítulo 18 Online

Modo Claro

 

Assim que chegou em casa, Noah disse que estava cansado e foi tomar banho primeiro. Parecia até que evitava encarar Yohan, que pensou em chamá-lo, mas acabou desistindo, pois, mesmo que o parasse, não saberia o que dizer. Como era de se esperar, depois de tomar banho, Noah se trancou no quarto, dizendo que ia dormir, e não saiu mais.

Yohan também estava cheio de pensamentos. Já esperava que Noah reagisse assim ao saber que ele estava namorando Siheon. O que o surpreendeu, na verdade, foi o próprio Cha Siheon. Desde o momento em que sugeriu que começassem a namorar, ele parecia uma pessoa completamente diferente. Mais do que Yohan havia imaginado.

‘Como explicar isso? Achei que ele seria indiferente e frio mesmo com alguém que estivesse saindo, mas…’

Ele até aceitou numa boa quando Siheon sugeriu irem direto para um motel – afinal, ele mesmo tinha sido quem começou a falar sobre sexo. Mas o que aconteceu quando eles cruzaram com Noah foi realmente inesperado.

“Não gosto que toquem no que é meu sem permissão.”

Aquela frase soou como quase como um ciúme possessivo.

‘Parece até que ele tem um senso de posse… Não, imagina. Ele só está namorando comigo porque eu insisti, não porque queira de verdade. Provavelmente só respondeu daquele jeito porque o Noah provocou.’

‘Mas então… por que ele me beijou na bochecha antes de ir? Como se fôssemos namorados de verdade…’

Ele levantou uma mão e tocou no peito, perto do coração. Não tinha sido um beijo molhado ou intenso, mas a área onde os lábios tocaram brevemente ainda ardia. E seu coração estava estranhamente inquieto, como se formigasse.

‘Se continuar assim, vou acabar me apaixonando de verdade.’

Aterrorizado com aquele pensamento repentino, ele balançou a cabeça.

‘Impossível.’

Ele ergueu os olhos na direção da porta do quarto de Noah. Seu peito estava inquieto, e ele acabou indo até lá, parando em frente à porta. Levantou a mão, mas não teve coragem de bater, deixando-a cair logo em seguida.

— Noah… está dormindo?

Chamou baixinho, em um tom tão fraco que talvez nem desse para ouvir, mesmo que ele estivesse acordado. Mas, de dentro do quarto, não veio nenhuma resposta. Não dava para saber se era porque Noah estava realmente dormindo ou simplesmente ignorando-o.

‘Não quero que ele fique bravo de novo.’

Enquanto hesitava, pensando se chamava mais uma vez, o celular que estava sobre a mesa da sala vibrou, emitindo um som alto. Yohan voltou até lá, pegou o celular e viu o nome “Mãe” piscando na tela.

— Alô.

[Como foi o primeiro dia no trabalho? O Noah não atende o telefone.]

— Acho que ele não ouviu porque estava no banho. Quer que eu peça para ele te ligar?

[Não, tudo bem. Já que consegui falar com você, está ótimo. Então… me conta, o que você achou?]

Ele parecia realmente curioso para saber como tinha sido o primeiro dia de estágio. Yohan não respondeu de imediato, soltando um leve “hmm” enquanto pensava no que dizer. Nesse momento, ouviu ao fundo a voz de Ryu Jin dizendo para alguém ficar quieto, seguida por um gemido abafado. Aquilo fez Yohan rir, ele já conseguia imaginar exatamente o que estava acontecendo.

— O pai está aí com você?

Desde que eram pequenos, os dois sempre foram muito próximos, e mesmo agora, com os filhos adultos, a relação deles continua muito boa. Quando era pequeno, Yohan olhava para os pais e sonhava que um dia também encontraria seu alfa destinado. Mas, à medida que foi crescendo, percebeu que a realidade não era tão fácil assim. Não existiam muitos alfas dispostos a se entregar por completo, muito menos a fazer uma marca. E, convivendo com Noah, ele acabou adotando o próprio Noah como seu padrão de alfa.

‘Se for para ter um alfa que não chegue nem aos pés do Noah, então eu não preciso. Prefiro continuar ao lado dele, mesmo que não seja meu destino.’

[Mesmo dizendo que está tudo bem, ele não para de se preocupar com vocês.]

‘Será mesmo? Está tão preocupado que não consegue deixar minha mãe em paz mesmo durante uma ligação? Mas, bem, isso é típico dele.’

Só de ouvir a voz da mãe, aquele incômodo que apertava seu peito antes simplesmente desapareceu. Yohan sorriu de leve, e a mãe, percebendo, comentou.

[Tem mais alguma coisa que queira me contar?]

A pergunta pareceu casual, mas tinha um tom sugestivo. Yohan apertou os olhos, encarando seu próprio reflexo no vidro da varanda.

— Ainda não.

Ao invés de dizer simplesmente “não”, ele respondeu “ainda não”, e isso fez sua mãe soltar uma risada.

[Se surgir qualquer problema, me ligue imediatamente, entendeu? Estaremos sempre do seu lado.]

Embora essa fala tenha sido descontraída, o fato de vir da sua mãe fazia Yohan se sentir bem mais seguro. Ele sorriu e respondeu que entendia.

Depois de encerrar a ligação, ele olhou mais uma vez na direção do quarto de Noah, mas, diferente de antes, nem pensou em chamá-lo. Espreguiçou-se, soltando um longo suspiro. — Usha — e então voltou para o próprio quarto. Ligou o notebook e clicou em uma pasta sem nome que ficava no desktop. Era uma pasta protegida por senha.

Dentro dela, estavam reunidos diversos arquivos relacionados à RF Digital. Só tinha mexido rapidamente no computador da empresa naquele dia, mas, para sua surpresa, tinha sido mais fácil invadir o sistema do que imaginava.

‘Será que devo contar isso à minha mãe?’

Refletiu por uns três segundos, mas logo começou a assobiar, deixando o pensamento de lado. “Fácil” isso era para o seu padrão – provavelmente outras pessoas não conseguiriam roubar esses dados com essa facilidade. Poderia contar a eles quando o estágio estivesse terminando.

Seus olhos brilhavam como nunca enquanto abria arquivo após arquivo. Era uma quantidade enorme de dados, mas sua curiosidade em aprender coisas novas era tanta que ele nem percebeu o tempo passando.

 

***

 

Depois do banho, Noah fez uma ligação para Natasha, amiga dos pais e ex-guarda-costas da sua mãe.

« Aqui é o Noah. A senhora tem passado bem?»

Falava em russo, idioma que não usava há muito tempo.

« Noah! Você está bem, meu querido? E Yohan, como está? »

Natasha respondeu, com a voz cheia de carinho, como se estivesse falando com o próprio filho.

« Mas… o que houve para você me ligar assim, do nada? Aconteceu alguma coisa? »

Se ele respondesse que sim, ela pegaria o primeiro voo para a Coreia. Natasha era assim – desde seus tempos como guarda-costas de sua mãe, era extremamente sensível quando o assunto era a segurança da família.

«Aqui não é a Rússia, Natasha. Não tem nenhum perigo. »

«Então por que o meu príncipe me procurou?»

Ela perguntou em tom brincalhão, rindo de forma provocativa.

«Preciso da sua ajuda com uma coisa.»

«Sem que Ilya saiba?»

«Por que a senhora é tão perspicaz assim?»

«Se fosse algo que Ilya pudesse saber, você teria procurado Andrey, não a mim… A menos que seja para matar alguém.»

Ela falou em tom de piada, mas Noah sabia que não era brincadeira. Quando era criança, só via Natasha como uma “tia” carinhosa e bonita. Mas, ao crescer, descobriu que ela, assim como seu pai, havia sido da unidade das forças especiais russas. E na época em que fez parte da máfia, Natasha atuava como uma assassina de elite. E, fora sua mãe, ela era provavelmente a única pessoa no mundo que não se intimidava diante do seu pai.

«Não é algo que eu precise esconder, mas também não é tão importante que eu queira comentar agora.»

«Você me deixou ainda mais curiosa. Se  ligou para mim, é porque, mesmo achando que não é algo tão importante, precisa de alguém em quem possa confiar, certo?»

A voz de Natasha tinha aquele tom sempre animado, que, por alguma razão, fazia até assuntos sérios parecerem leves quando conversavam.

«Você conhece o Grupo Seonwoo?»

«Acho que sim… é aquela empresa coreana famosa, né? De eletrônicos.»

«Isso. Você poderia verificar se há algum filho fora do casamento na família Seonwoo? Até onde pesquisei, não encontrei nada, e minhas fontes são limitadas.»

Noah poderia simplesmente perguntar aos pais e teria respostas muito mais rápido, mas não queria isso.

«Filho fora do casamento? Por que isso, de repente?»

«É que… tem uma pessoa que anda me deixando desconfiado.»

«E qual o nome dessa pessoa? Vai ser mais fácil investigar se eu souber.»

«Cha Siheon. O sobrenome dele é Cha.»

«Cha Siheon… Hmm… Entendi. Deixa comigo, assim que eu tiver algo, te aviso.»

«Obrigado, Natasha. Eu vou pagar essa dívida, com certeza.»

Natasha riu, dizendo que criança nenhuma deveria falar essas coisas.

Após desligar a ligação, Noah pousou o celular e, nesse momento, notou as folhas de papel ofício jogadas em um canto da mesa. Pegou-as e começou a folheá-las lentamente, uma a uma.

Já havia pesquisado praticamente tudo sobre Cha Siheon. Fora o fato de que sua mãe havia falecido há alguns anos e que, no registro civil, seu pai simplesmente não existia, não havia nada de muito relevante.

‘Cha Siheon, filho do Grupo Seonwoo? Isso não faz o menor sentido.’

Pensou, balançando a cabeça. Ainda assim, não podia descartar essa possibilidade por completo. Se o que Jaryeong disse for verdade, olhando o registro civil, era bem provável que Siheon fosse um filho fora do casamento.

Se ele realmente fosse um filho ilegítimo do Grupo Seonwoo, então talvez tivesse se aproximado de Yohan de forma intencional. E, se  esse for o caso… Yohan precisava saber.

Noah largou os papéis e soltou um longo suspiro.

‘Se isso se confirmar, aí sim eu conto pra ele.’

O fato é que Yohan parecia bastante animado ultimamente. Noah não conseguia entender exatamente o que havia de tão especial em Cha Siheon, mas era óbvio que Yohan gostava dele.

Mesmo que ele próprio não gostasse, não poderia simplesmente acusar alguém de má intenção sem ter uma prova concreta, principalmente se era alguém de quem Yohan gostava. Portanto, tudo só poderia ser dito quando tivesse certeza.

 

***

 

Sentado na beirada da cama, Siheon olhava fixamente para a moldura em cima da cômoda. Dentro do porta-retratos, havia uma linda mulher loira, de olhos azuis, sorrindo radiante enquanto segurava uma criança nos braços. A criança, apesar de ter os mesmos olhos azuis que a mulher, tinha traços faciais e cabelos claramente asiáticos. Aquela criança era o próprio Cha Siheon, quando pequeno.

“Mamãe ama você mais que tudo nesse mundo, meu amor. E depois de você, quem a mamãe mais ama é o papai. Seu pai é um homem incrível.”

Quando dizia aquilo, sua mãe parecia brilhar mais do que nunca. Por isso, quando era criança, Siheon realmente acreditava que seu pai era uma pessoa maravilhosa. Só achava que ele estava muito ocupado para poder vê-lo.

“Por favor… encontre seu filho só uma vez. Só isso… Eu só quero isso. Afinal, ele é seu filho…”

Siheon viveu durante anos acreditando que fazia parte de uma família feliz e comum. Isso até o dia em que, por acaso, ouviu sua mãe chorando e implorando por telefone para alguém.

Dos olhos azuis da mãe, lágrimas transparentes caíam silenciosamente. Siheon queria tanto correr até ela, abraçá-la e dizer para não chorar, que ele estava ali… Mas, mesmo sendo uma criança, algo dentro dele dizia que não deveria aparecer naquela hora. Então ele se conteve.

Depois disso, sua mãe saiu do quarto como se nada tivesse acontecido. Pegou Siheon no colo, beijou a sua bochecha e agiu como a pessoa mais feliz do mundo. E, como em todos os anos anteriores, aquele homem que ela chamava de seu pai nunca apareceu nem uma única vez.

“Então você é… Siheon.”

Foi só por volta da formatura do ensino médio que Siheon viu aquele homem pela primeira vez. Naquela época, já sabia de forma dolorosa, exatamente qual era seu lugar.

Seus colegas de escola achavam muito curiosos seus olhos azuis. Quando descobriram que era herança genética da mãe, acharam bonito e até o elogiaram. Mas quando ele disse que o pai “não existia”, olharam para ele com pena. Por ser um alfa, ninguém o desrespeitava abertamente, mas cochichavam:

“Alfa ou não, a mãe é uma ômega e sem origem conhecida ele nunca vai ser alguém.”

Siheon, no entanto, nunca, nem por um segundo, se achou uma pessoa digna de pena. Por isso, toda aquela compaixão barata só servia para ferir seu orgulho. E o golpe final veio quando Seungmin Seonwoo – presidente do Grupo Seonwoo e pai biológico de Siheon, apareceu.

 

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Continua..

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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