Ler Controle – Capítulo 17 Online
— Espera, espera um pouco!
Yohan, desconcertado, afastou a mão de Siheon que segurava seu braço.
— Por quê? Qual o problema?
Siheon perguntou, como se não conseguisse entender o motivo da recusa.
‘Qual o problema? Ora!’
Por mais que ele tivesse dito que queria ver aquele rosto excitado, ir direto para um motel assim que a conversa acabou…? Nem era hotel, mas sim um motel?
‘Hah, eu nunca nem fui num lugar desses! Não dá para ser tão direto assim.’
Além disso, mesmo que não soubesse como era para Siheon, para ele seria a primeira vez. Mesmo que parecesse difícil de acreditar, era verdade. Já havia se divertido bastante sozinho com brinquedos, mas nunca tinha feito sexo de verdade com outra pessoa.
Tinha sido ele quem começou com as provocações e piadas sobre sexo, mas ainda assim, achava que precisava de algum tipo de preparo emocional. E nem sequer estava em período de cio.
Haviam muitas palavras na ponta da língua, mas nenhuma parecia fácil de dizer. Não conseguia sequer admitir que era virgem, com medo de parecer imaturo ou sensível demais. Aquilo feria o orgulho dele.
— Eu… nunca fui em um lugar como um motel.
Essa foi a única frase que conseguiu dizer. Mesmo quando viajava para o exterior, só se hospedava em hotéis. Nunca tinha ido a um motel ou a um albergue. Ao ouvir isso, a expressão de Siheon se distorceu levemente.
— Até agora você só me mostra o quanto cresceu mimado.
O tom dele deixava claro que aquilo o desagradava. Mas Yohan não podia fazer nada. O que ele não gostava, simplesmente não gostava.
— Me desculpe, mas eu não consigo me adequar ao seu nível. Você sabe quanto custa uma noite num hotel?
— Eu não disse que você precisa pagar.
— Ah, claro. Óbvio que não, senhor herdeiro de conglomerado.
Dessa vez, seu tom foi claramente sarcástico.
— Mas eu não gosto de receber coisas de mão beijada. Especialmente em um relacionamento.
O que ele queria dizer era que não poderia ir a um hotel caro mesmo se tivesse que pagar apenas a metade. Mas o verdadeiro problema, para Yohan, não era dinheiro. Ainda assim, ele hesitou em dizer que não queria entregar sua primeira vez num motel barato.
— O que foi? Era só da boca pra fora? Agora que está para acontecer, desistiu?
— Não, não é isso…
De repente, seu celular tocou, interrompendo a conversa. O olhar de Siheon se voltou para o bolso de Yohan, de onde vinha o som. Ao pegar o telefone, Yohan viu que era Noah, ficou em dúvida se atendia ou não naquele momento, e acabou deixando tocar até cair a ligação.
‘Droga, Noah provavelmente vai ficar bravo.’
Enquanto franzia levemente a testa, o celular voltou a tocar. De novo, era Noah.
— Ryu Noah?
Siheon perguntou com uma expressão que deixava claro que já suspeitava. Diante do gesto dele indicando que deveria atender, Yohan respirou fundo e apertou o botão de chamada.
— Alô.
[Onde você está?]
— Eu disse que ia depois do jantar.
[Ainda está no restaurante?]
O tom parecia um tanto interrogativo.
— Acabamos de terminar de comer.
[Então vai para casa agora? Eu ainda estou perto da empresa, também sai para jantar com o Jaryeong.]
‘Ah…’
Parecia que Noah havia ligado para ver se voltavam juntos, caso os horários coincidissem.
— Não. Vou ficar mais um pouco. Pode ir na frente, eu volto sozinho.
[Está com o Cha Siheon?]
— Sim.
[E o que vão fazer?]
Noah não era do tipo que ficava perguntando detalhes, mas hoje estava estranho.
— Só… só vamos beber um pouco e conversar.
Diante da resposta de Yohan, houve um breve silêncio do outro lado da linha.
[Esse drink… vocês vão tomar em um motel?]
— Hã…?
Instintivamente, ele olhou ao redor e soltou um leve gemido ao reconhecer alguém. Do outro lado da rua, viu Noah de pé com o celular encostado ao ouvido, ao lado dele estava Jaryeong. Parecia que os dois tinham acabado de sair do restaurante e, por coincidência, encontraram Yohan e Siheon.
Noah guardou o celular no bolso e começou a caminhar na direção deles. A distância parecia grande, mas num piscar de olhos ele já estava bem na frente dos dois.
— Espero estar enganado sobre o que vocês estão fazendo aqui.
Ele agarrou o braço de Yohan e o puxou para perto de si, depois olhou diretamente para Siheon. O olhar de Yohan se dirigiu para o beco atrás de Siheon, onde uma fileira de letreiros neon de motéis se estendia de forma descarada.
— Disse que ia beber, mas não vejo nenhum bar por aqui.
A voz de Noah ficou mais grave. Siheon sustentou o olhar gelado que vinha dele, sem desviar.
— Sei que são gêmeos, mas isso aí já está passando do ponto. O Yohan não é nenhuma criança, tem o direito de ir para onde quiser, não acha?
— Vocês não estão namorando, mas vai levá-lo a um motel? Hah… então esse tempo todo você só fingiu que não estava interessado.
— Noah, não é isso…
— Decidimos namorar. Então, seria bom se você soltasse o braço dele. Eu não gosto quando alguém toca no que é meu. Nem mesmo se for o irmão gêmeo.
A resposta de Siheon deixou todos paralisados no lugar. “Meu?” Ele disse “meu”? Até Yohan ficou atordoado. Ele tinha aceitado namorar meio a contragosto, então desde quando ele era “dele”?
— Ai!
Enquanto piscava, confuso, Noah apertou com força o braço que ainda segurava, arrancando um gemido de dor de Yohan.
— É sério isso?
Dessa vez, a pergunta foi dirigida a Yohan.
— Você está mesmo namorando esse cara?
Yohan ergueu os olhos e encarou Noah. O rosto dele estava completamente distorcido pela frustração, como o de uma criança que acabou de ter seu brinquedo favorito arrancado das mãos.
‘E agora…?’
Yohan sempre ficava vulnerável diante desse tipo de expressão de Noah. Por mais que parecesse que Noah sempre cedia às vontades de Yohan, quando ele agia assim, quem acabava cedendo era o próprio Yohan. Ele já sabia que Noah não gostava de Siheon, mas não imaginava que fosse a esse ponto.
— É só por um tempo…!
Tentou responder, mas de repente seu corpo foi puxado para trás. Siheon o envolveu pelos ombros com um braço e o atraiu para perto de si.
— Eu entendo que vocês sejam gêmeos grudados, mas já não passou da hora de se desgrudarem? Vocês não têm mais idade para ficar de mãozinhas dadas o tempo todo, não acha?
Siheon estava batendo de frente com Noah com mais firmeza do que Yohan jamais teria imaginado. Pensando no Siheon que conhecia da faculdade, era mesmo surpreendente. Ele sempre parecia alguém frio o bastante para ignorar até uma tragédia acontecendo ao lado. Mesmo quando Yohan ficava insistindo e o seguindo por todo canto, ele raramente mudava a expressão.
Mas agora que estavam “namorando”, parecia outra pessoa. Não hesitou nem um pouco em encarar Noah de frente.
— E então? O primeiro lugar que você leva ele depois de decidirem namorar é um motel barato?
Noah também retrucou, em tom acusatório. Mas Siheon continuava impassível.
— Quem está desesperado para transar é o próprio Yohan.
Mal terminou de falar, Noah virou imediatamente para encarar Yohan, que soltou uma risadinha sem graça.
Ele não podia negar o que Siheon disse, mas isso não significava que ele quisesse fazer agora mesmo. Mas uma desculpa boba como essa não ajudaria, então resolveu apenas engolir em seco.
— Vamos para casa.
Noah tentou puxar novamente a mão de Yohan. No entanto, Siheon não afrouxou o braço que envolvia seus ombros. Bem no meio da rua, e ainda por cima em frente a uma viela cheia de motéis… O que estavam fazendo, afinal? Para quem olhasse de fora, parecia que dois homens estavam brigando por causa de um ômega. Aliás, pensando bem… não era muito diferente, na verdade.
— Ei… vamos parar com isso aqui e ir para algum lugar conversar……
Jaryeong se intrometeu com dificuldade entre os três. Enquanto os envolvidos ignoravam completamente os arredores, seu rosto e pescoço estavam vermelhos de vergonha. Olhando em volta, percebeu que os transeuntes lançavam olhares curiosos. Alguns até estavam com o celular na mão, prontos para tirar fotos.
— Ah, merda…
Noah resmungou. Soltando a mão de Yohan, se virou e deu um chute violento numa placa de publicidade que estava na calçada.
Crash!
O barulho estridente ecoou quando a placa de plástico se quebrou, fazendo as pessoas ao redor se assustarem e recuarem.
— Apaga isso.
Noah lançou um olhar ameaçador a uma pessoa que segurava o celular. O outro, apavorado, guardou rapidamente o aparelho, balançando as mãos.
— Eu nem tirei! Nem fiz nada ainda!
Ele se justificou, só então desviando o olhar de Noah.
‘Ah, isso está ficando sério.’
Yohan pensou, claramente desconfortável com a situação. Nessas horas, chamar atenção só pela aparência era uma verdadeira maldição. Ele então se virou, ficando de frente para Siheon.
— Desculpa. Hoje não vai dá, fica pra próxima.
— Que próxima, caramba!
Noah gritou atrás dele. Os cantos dos lábios de Siheon se curvaram sutilmente, como se achasse divertida a reação de Noah.
‘Será que esse homem está provocando Noah de propósito?’ Quem é que até pouco tempo estava dizendo que eu tenho uma péssima personalidade, hein?’
Yohan respirou fundo, se virou deixando Siheon de lado e olhou para Noah. A menção de ir embora pareceu acalmar um pouco o clima agressivo que pairava sobre Noah.
— Yohan.
Siheon chamou, quando ele deu um passo na direção de Noah. Yohan se virou, pensando que ele tinha algo a dizer, e seus olhos se arregalaram. Siheon segurou o rosto de Yohan com uma mão, inclinou-se e, de repente, pousou os lábios na bochecha dele.
— Te vejo amanhã.
Acompanhado de um sorriso deslumbrante, tão diferente de tudo que Yohan já tinha visto, ao ver isso seu coração disparou. A sensação era tão estranha que ele ficou paralisado por um instante.
Siheon então soltou Yohan, mas, antes de ir, lançou um olhar direto para Noah. Quando seus olhares se cruzaram, ele puxou um sorriso torto de canto de boca. Noah claramente ficou furioso, mas Siheon o ignorou e se aproximou dele.
— Saiba se colocar no seu lugar. Mantenha o limite de…“família”.
Ele colocou uma mão no ombro de Noah e sussurrou baixo o suficiente para só ele ouvir. Noah cerrou os punhos e levantou o braço para golpeá-lo, mas Siheon o segurou pelo pulso antes que o soco chegasse.
— Meu Deus! Vocês vão sair no soco mesmo?!
Jaryeong gritou, entrando em pânico.
— Pelo jeito que você reage, parece que entendeu.
Siheon, soltou a mão de Noah e se afastou como se aquilo não fosse mais problema dele. Jaryeong, temendo que Noah corresse atrás dele, segurou rapidamente a barra da jaqueta de Noah, balançando a cabeça desesperadamente.
— Yohan.
Ao ouvir Noah chamando, Yohan finalmente voltou a si. Siheon já estava longe.
— Por que você tá tão na defensiva assim.
— Você está perguntando isso de verdade?
Diante da cobrança de Noah, Yohan mordeu os lábios. Noah estava mais afiado do que o normal. E como ele parecia saber o motivo, não conseguia responder.
— Sabe, se é só porque você quer transar…!
Noah começou a dizer algo, mas cortou a frase. Passou a mão nos cabelos com força, parecendo irritado, e se virou primeiro. Yohan ficou parado, apenas olhando as costas dele. Noah deu alguns passos, parou e suspirou alto o suficiente para Yohan ouvir, então olhou para trás.
— Anda logo. Não vai vir?
Ainda que estivesse reclamando, já era o mesmo Noah de sempre. Yohan sorriu levemente e foi até o lado dele. Quando discretamente entrelaçou sua mão na dele, Noah olhou de canto para baixo e segurou a mão de Yohan de volta.
Jaryeong, que seguia alguns passos atrás, assistiu à cena e reprimiu um gemido abafado.
‘Sério… Eu realmente não entendo…’
Como poderia explicar a relação entre aqueles dois? Era definitivamente mais do que apenas “gêmeos unidos”. Yohan queria transar com Cha Siheon… No fim das contas, quem ele menos entendia… era o próprio Yohan.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)