Ler Controle – Capítulo 16 Online

Modo Claro

 

1 hora e 27 minutos. Esse foi o tempo que Yohan e Siheon levaram para terminar a tarefa que o supervisor havia dado. No meio disso, ainda encontraram outro erro que antes não havia sido identificado, o que fez com que o time responsável fosse acionado, causando um grande rebuliço. Como o produto já havia sido lançado, era preciso resolver o problema antes que as reclamações dos clientes começassem a chegar.

Yohan permaneceu ao lado de Siheon até o horário de saída, esperando o supervisor, que parecia sobrecarregado. Um acordo era um acordo, então ao ver Yohan sorrindo abertamente e pedindo um jantar, o supervisor acabou cedendo e aceitou levá-los. Por ser um chaebol de segunda geração pedindo uma refeição, o supervisor ficou bastante nervoso, mas deu um sorriso aliviado ao ver o restaurante que Yohan havia escolhido.

Ao contrário da aparência refinada de Yohan, a escolha foi surpreendentemente humilde, deixando o supervisor impressionado durante toda a refeição. Disse que, com aquela aparência, achava que Yohan só combinava com um bom bife de filé cortado em pedaços finos.

— O senhor Yohan já foi uma surpresa, mas o senhor Cha Siheon me surpreendeu ainda mais.

O supervisor comentou, vendo Siheon grelhar a carne com habilidade, usando as pinças. Durante o expediente, Siheon mantinha uma expressão tão séria que parecia difícil de se lidar, mas agora que estava ali grelhando carne com naturalidade, parecia bem mais acessível.

— Não é algo digno de elogio. Estou apenas acostumado, porque trabalhei num restaurante de churrasco coreano.

Apesar do elogio, Siheon respondeu de maneira fria. Yohan soltou um “hm”  pelo nariz. ‘Um trabalho de meio período num restaurante de churrasco?’ Só de imaginar aquele rosto impassível servindo carne para os clientes, deu vontade de rir.

Ao ouvir a risada, o supervisor e Siheon se viraram para ele. Yohan fez um gesto com a mão, dizendo que não era nada.

— A propósito, Yohan, você deve ouvir com frequência que é bonito?

Pela primeira vez, o supervisor, que no trabalho era sempre sério, puxou assunto pessoal.

— Pra ser sincero, quando apareceu rapidamente na TV ao lado do nosso presidente, não percebi direito. Mas hoje, vendo pessoalmente, fiquei chocado. Pensei que fosse um boneco. É possível existir alguém tão bonito assim no mundo?

— O senhor está exagerando. Tem muita gente que diz que eu não sou bonito.

Apesar das palavras, Yohan sorriu com os olhos de forma suave e encantadora, como se fosse derreter.

— Cada um tem seu gosto, claro, mas existe mesmo alguém que olhe para o senhor Yohan e diga que não é bonito?

O supervisor questionou, como se dissesse: “Onde no mundo existe alguém assim? Se existir, traga- o aqui”. Yohan deu uma olhadinha rápida para Siheon. O olhar do supervisor seguiu a direção dos olhos de Yohan e parou no rosto de Siheon.

— O quê?! Sério?! Cha Siheon, qual é o nível do seu padrão de beleza, hein?

A flecha voltando para si fez com que a testa de Siheon se franzisse levemente, mas ele logo escondeu isso atrás da costumeira expressão neutra – talvez por respeito ao supervisor. Yohan, que já havia percebido tudo, puxou os cantos dos lábios em um sorriso malicioso.

— Meu padrão é comum.

— Ah, comum nada. Quem tem gosto comum não acha o senhor Yohan bonito?

O supervisor balançou as mãos, como se a ideia fosse absurda.

— Eu nunca disse que ele não é bonito.

Com a resposta seca, Yohan curvou os olhos em forma de meia-lua e olhou para ele com um sorriso.

— Então você acha que eu sou bonito?

Perguntou descaradamente, e Siheon respirou fundo, seu peito se moveu visivelmente. Se estivessem sozinhos, provavelmente ele teria mandado o ômega parar de falar besteira na hora, mas como estavam com o supervisor, então o homem parecia estar se controlando.

— Você gosta de ser chamado de bonito mesmo sendo homem?

Ao invés de responder, Siheon devolveu com outra pergunta, claramente querendo escapar. Mas Yohan apenas sorriu com tranquilidade.

— Bonito, lindo… não são insultos, certo? As pessoas, por natureza, buscam o que é belo. Quem não gosta de uma joia brilhante ou de uma flor perfumada?

Embora respondesse com um sorriso meigo, suas palavras eram, de certa forma, descaradas. Comparar a si mesmo a uma joia ou flor era uma ousadia sem limites, e Siheon ficou sem palavras.

— Diga que eu sou bonito. Estou dizendo que quero ouvir.

O supervisor caiu na gargalhada, achando a conversa extremamente divertida. Provavelmente, para ele – que já estava na casa dos trinta – o pequeno embate entre Yohan e Siheon parecia apenas uma troca fofa e inocente entre novatos.

— Vamos, me diga. Como eu sou aos seus olhos?

Como estavam com o supervisor, Yohan foi até educado, usando linguagem formal, o que só deixava tudo ainda mais inacreditável.

— Vamos dizer que você é bonito.

Ao responder como quem diz “aceite isso e me deixa em paz”, o sorriso de Yohan se aprofundou ainda mais. Ao mesmo tempo, uma fragrância adocicada, semelhante ao de jasmim, começou a se espalhar.

‘Lá vamos nós de novo.’

Como é que ele conseguia exalar aqueles feromônios mesmo sem estar no ciclo de cio? E o pior: por que só Siheon parecia notar, enquanto os outros permaneciam alheios?

— Que tipo de resposta é essa? “Vamos dizer que você é bonito”? Parece que você está respondendo forçado, como se não achasse isso de verdade.

Yohan reclamou com uma expressão abatida. Isso deixou o supervisor claramente desconcertado, e ele deu uma leve cutucada no joelho de Siheon por debaixo da mesa. Haa… Siheon engoliu o suspiro que ameaçava escapar. Aquele desgraçado estava fazendo de propósito, com certeza. Prova disso era que, ao cruzar os olhos com Siheon, Yohan deixou escapar um leve tremor nos cantos dos lábios.

O supervisor continuou mandando sinais, como quem diz: responde logo, vai. Mesmo assim, Siheon permaneceu calado. Por algum motivo, agora ele não queria dizer que achava Yohan bonito.

— Está vendo? Eu disse. Cha Siheon não acha que eu sou bonito.

Yohan sorriu de maneira amarga, como quem se resigna. O supervisor, que foi quem puxou o assunto, agora se viu preso no meio da situação, completamente desconfortável.

— É porque vocês ainda estão meio travados um com o outro. Agora que viraram parceiros, que tal tentarem se aproximar mais? Ainda é cedo, então que tal vocês dois beberem mais um pouco? Eu, por outro lado, tenho família me esperando, então acho melhor ir embora.

No fim, o supervisor pagou o jantar e literalmente fugiu do lugar. Assim que ele saiu do restaurante, Yohan caiu na gargalhada.

— Nossa, sua personalidade é mesmo horrível.

Siheon balançou a cabeça e comentou. Yohan apenas riu baixinho, apoiando o queixo nas mãos enquanto o encarava.

— Ninguém mais percebe como eu tenho uma personalidade horrível.

— Isso é porque os outros são burros. Está estampado na sua cara.

Pois é. Ele nunca fez questão de esconder, mas as pessoas viam só seu rosto bonito e tiravam conclusões. Achavam que por ter uma aparência linda, seu caráter seria igualmente adorável. E não existe nada mais perigoso do que esse tipo de preconceito.

— Gosto da sua sinceridade, hyung. Você não se esforça para me agradar.

Isso era verdade. Essa era uma das coisas em que Cha Siheon lembrava Noah. Por isso, ironicamente, Yohan se sentia mais à vontade perto dele – embora Siheon provavelmente não sentisse o mesmo.

— Quer ir beber alguma coisa comigo hyung?

Ele não queria que a noite terminasse só com o jantar. Tinha insistido para o supervisor pagar, mas no fundo, era só uma desculpa para manter Cha Siheon por perto.

— Eu passo.

Como era de se esperar, ele recusou na hora, sem nem pensar duas vezes. Mas Yohan não era do tipo que desistia fácil.

— Já pensou na minha proposta?

Siheon poderia ter perguntado “Que proposta?”, mas em vez disso, apenas o encarou em silêncio.

— Por que você quer namorar comigo?

A pergunta veio num tom calmo e direto. ‘É porque quer transar comigo?’ Quase deixou escapar seus verdadeiros pensamentos. Yohan já havia insinuado algo parecido antes, mas agora parecia errado responder desse jeito.

— Quero ver esse seu rosto impassível se desfazer de desejo.

Foi uma resposta indireta, mas a mensagem era a mesma. Como esperado, Siheon soltou um suspiro incrédulo.

— E deixar você me arrastar para seu ciclo de calor? Não, obrigado.

— Por isso mesmo que estou propondo namoro. Se estivéssemos juntos, eu poderia argumentar que não é só por causa do cio. Podemos usar isso como desculpa, entende?

Ele respondeu com um sorriso doce. Sabia que soava como uma bela desculpa esfarrapada. E mesmo ciente disso, continuou sorrindo, o que fez Siheon lançar um olhar gélido antes de se levantar da cadeira.

— Dispenso esse joguinho idiota.

‘É… não vai ser fácil mesmo.’

Yohan rapidamente segurou o pulso de Siheon, fazendo-o parar. O outro o encarou de cima com uma expressão de “e agora, o que mais você quer?”

— Um mês.

Yohan falou enquanto mantinha o olhar fixo no dele. O sorriso usual havia sumido de seu rosto. Agora, sem nenhuma brincadeira, ele o encarava com uma seriedade incomum.

— Que tal um namoro por contrato, limitado a um mês durante o período do estágio? Se eu não conseguir te conquistar nesse tempo, desisto de vez.

Ao ouvir as palavras “namoro por contrato”, Siheon franziu a testa. De fato, ele parecia ser do tipo que não gostava dessas coisas.

— Não é melhor isso do que eu ficar te importunando o tempo todo?

— Então você tem consciência de que está me importunando.

— Claro.

Quando Yoham sorriu abertamente, Siheon balançou a cabeça.

— E se…

Siheon começou a falar algo, mas se calou no meio da frase. Yoham esperou em silêncio pelo que viria depois. Com um suspiro profundo, Siheon finalmente falou:

— E se um de nós acabar desenvolvendo sentimentos de verdade?

“Se” quem? O sujeito da frase não estava claro. Era sobre Yoham? Ou sobre Siheon? Não dava para saber. Mas, de qualquer forma, isso não importava.

‘Sentimentos de verdade, hein… Seria possível?’

Yoham chegou a esse ponto do pensamento e deu um risinho por dentro. Ele percebeu que, assim como Cha Siheon dizia detestar pessoas, ele próprio também não confiava nos outros.

— Essa pergunta está direcionada a mim, certo?

Se por acaso ele mesmo acabasse desenvolvendo sentimentos sérios, faria de tudo para não deixar Siheon escapar. Usaria até os feromônios de ômega, se necessário, já que Siheon era um alfa.

Mas isso era apenas do ponto de vista de Yoham. Por outro lado, se quem levasse a sério fosse Cha Siheon, o que fazer a respeito seria uma decisão dele, não cabia a Yoham responder.

— Aff…

Siheon respirou fundo, com força.

— Na minha vida toda, nunca vi alguém pedir um outro alguém em namoro só pra transar sem culpa.

Mesmo com a fala carregada de indignação, Yoham apenas sorriu. Bom, não era só pelo sexo, afinal.

— Seria mais fácil de entender se você pedisse para ser meu parceiro sexual

— Isso seria vulgar demais.

— Você é um caso perdido.

Namorar era tão estranho assim? Ele não queria algo casual, não ia abrir as pernas para qualquer um – então qual era o problema em propor um relacionamento? Siheon claramente não entendia a lógica de Yohan, e ele também não entendia a do alfa.

— E para quê durar um mês? Não é mais simples namorar só até transar uma vez?

— Você já planeja terminar depois de uma única vez? Que cruel.

Na Coreia, havia o ditado “samsebeon”, que dizia que era preciso fazer algo três vezes para realmente ter uma certeza. Yohan piscou para Siheon com um olhar inocente, e viu quando ele cobriu a testa com uma das mãos.

— Tudo bem. Vamos namorar.

— O quê? Sério?

Ele até tinha sugerido um prazo limitado, mas não esperava que Siheon fosse aceitar tão fácil. Acabou ficando um pouco surpreso.

— Vem comigo.

Siheon agarrou o braço de Yoham e o puxou para fora do restaurante.

— Aonde estamos indo?

A mudança brusca de atitude deixou Yohan confuso.

— Em um Motel.

‘Mo… tel? Agora?’

Sem nem acreditar direito no que tinha acabado de ouvir, Yoham só piscou os olhos. Quando percebeu, já estava sendo puxado por Siheon para uma rua cheia de motéis.

 

 

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Continua….

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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