Ler Controle – Capítulo 15 Online
Noah e Jaryeong foram designados para a equipe de vendas, enquanto Yohan e Siheon ficaram com a equipe de planejamento. Como era o primeiro dia do estágio, depois da orientação geral, cada um seguiu para o setor ao qual tinha sido designado, onde foram apresentados ao responsável direto e ouviram uma explicação básica sobre o funcionamento do departamento. Embora todos os setores tivessem ficado agitados com a chegada dos novos estagiários, os times de vendas e planejamento estavam especialmente tensos. Afinal, comentava-se que os filhos do presidente do grupo RF haviam chegado, e os funcionários estavam claramente nervosos.
— É só tirar algumas cópias desses papéis? Eu posso fazer.
Ao ver Yohan parado diante da copiadora, um dos funcionários da equipe de planejamento deu um pulo, surpreso. Aparentemente, sua aparência marcante não facilitava a adaptação. Apesar de o Grupo RF ser uma empresa internacional, a sede coreana era composta quase inteiramente por coreanos, por isso, Yohan, sendo mestiço e com traços mais estrangeiros do que coreanos, parecia ainda mais fora do comum.
— Quantas cópias são necessárias?
Era surpreendente. Esperava-se que o herdeiro de um conglomerado fosse arrogante, mas Yohan, com um leve sorriso no rosto, falava com os funcionários com gentileza e educação. Não se importava em fazer tarefas simples e tomava a iniciativa sem hesitar. Por isso, os funcionários, que no início estavam tensos, começaram a se sentir mais à vontade com ele.
— Terminei de inserir os dados.
Cha Siheon, que havia chegado com ele, também impressionou seu supervisor. Embora, por ser o primeiro dia, só lhe tivessem passado tarefas simples, sua velocidade de execução era mais rápida do que a dos funcionários experientes. O líder da equipe ficou satisfeito, comentando que parecia ter conseguido um estagiário competente que seria útil.
— Pode dar uma olhada nisso?
O responsável entregou a Yohan uma pasta com documentos. Era um plano de projeto sobre um tablet com inteligência artificial lançado recentemente.
— Ah, eu conheço esse produto.
Yohan folheou a primeira página do documento e respondeu:
— Há uma falha crítica nessa proposta. Encontrá-la é a tarefa de vocês dois para hoje.
O supervisor entregou a Siheon uma pasta com o mesmo conteúdo.
— Até quando devemos entregar?
Era óbvio que, por ser uma tarefa, deveria ser entregue até o dia seguinte. Por isso, a pergunta de Siheon deixou o supervisor confuso. O rapaz olhou o relógio: ainda faltavam cerca de duas horas para o fim do expediente.
— Podemos entregar até o fim do expediente?
— Hã… você acha que é possível?
A proposta era extensa. Só para ler, levaria mais de uma hora, mas ele estava sugerindo terminar tudo em duas.
— Parece impossível.
Diante do comentário do supervisor, Siheon olhou para Yohan. “É Impossível?” Seu olhar parecia perguntar. Yohan sorriu e balançou a cabeça.
— Se terminarmos antes do fim do expediente, ganhamos um prêmio?
A pergunta, feita num tom brincalhão, deixou o responsável ainda mais sem jeito.
— Que tal um jantar? Se não terminarmos a tempo, nós pagamos. Se terminarmos, o senhor paga.
Yohan era social demais. Enquanto os outros estagiários mal conseguiam falar direito de tanto nervosismo, evitando até mesmo olhar nos olhos dos supervisores, Yohan agia como se já os conhecesse há anos. No começo, parecia que aquela tranquilidade vinha do fato de ser um herdeiro do grupo RF, mas agora parecia apenas parte de sua natureza.
— Tudo bem. — respondeu o responsável, sorrindo.
No fim das contas, era difícil não gostar de alguém que se aproximava com um sorriso tão caloroso. Além disso, seu rosto era tão bonito que, quando sorria, fazia o coração de qualquer um bater mais rápido sem motivo.
— Cha Siheon, você concorda, certo?
Yohan olhou para Siheon e perguntou. Ele já havia decidido tudo e até obtido a resposta do supervisor. Que tipo de pergunta era essa? A resposta já era óbvia.
***
Noah e Jaryeong, designados para o time de vendas, estavam sobrecarregados com tarefas desde o primeiro dia. Noah não era tão sociável quanto Yohan, mas cumpria todas as tarefas passadas pelo supervisor com diligência.
— Sunbae, depois de ver você aqui, você parece ainda mais esforçado.
Jaryeong, que estava sentado na sala de conferências organizando uma pilha de documentos com Noah, soltou um suspiro profundo.
— Achei que meus sunbaes jamais fariam esse tipo de trabalho banal. É até surpreendente.
— Que tipo de preconceito é esse?
— Mas vocês são herdeiros de um conglomerado. Só o fato de terem se candidatado à vaga de estágio já é incrível. Achei que iriam entrar direto como diretores ou algo assim.
Noah soltou um riso cético diante da ideia absurda de Jaryeong sobre a vida dos filhos de um chaebol.
— Da onde você tirou isso?
— Dos doramas.
Jaryeong respondeu com naturalidade, com os olhos brilhando. Ele parecia realmente acreditar naquilo.
— Apague esse tipo de pensamento da sua cabeça. A Galayev não é uma empresa de gestão familiar. E dentro do grupo RF, mesmo sendo filho do presidente, todo mundo começa como estagiário hoje em dia.
— “Hoje em dia”, quer dizer que antes não era assim?
— Não faço ideia. O passado não me interessa.
— Você não vai herdar a empresa?
Jaryeong perguntou porque sempre sentia que, quando Noah falava sobre o grupo RF, parecia que falava de algo que não tinha nada a ver com ele.
— Não vou herdar.
— Sério? Mas por quê? Você tem capacidade e, se quiser, pode suceder sua mãe, não? Além disso, você é um alfa.
Todo mundo sabia que a RF Group era liderada por uma linhagem de alfas – era um boato famoso, e Jaryeong também estava ciente.
— É justamente por isso que eu não quero.
Noah explicou que o fato de ele ser um alfa e toda essa imposição de papéis era exatamente o que o fazia detestar a ideia de entrar na RF Group, que ele jamais seguiria esse caminho. Jaryeong soltou mais um “Nossa!” impressionado.
— Tem gente que daria tudo por uma oportunidade dessas, mas você é diferente. Isso é bem incomum. Mas… e o Yohan sunbae? Ele também não vai entrar no grupo?
— Não sei.
Dessa vez, Jaryeong realmente se surpreendeu. Pensava que Noah sabia tudo sobre Yohan.
— Mas e o Cha Siheon? Eles estão mesmo juntos? No começo, eu achei que o Yohan sunbae só estava brincando, sabe?
Ao ouvir a pergunta, Noah cerrou os lábios numa linha reta. No começo, ele também pensava o mesmo. Yohan sempre foi curioso, impulsivo – se algo chamasse sua atenção, ele tinha que testar na hora. Achou que Siheon fosse só mais uma curiosidade, talvez uma leve atração.
Mas com o passar do tempo, a relação dos dois começou a parecer… diferente. Até o Siheon, que parecia indiferente, acabou beijando Yohan. Não que fosse inesperado – se alguém conseguisse resistir aos encantos de Yohan quando ele realmente quisesse, isso sim seria estranho.
Mesmo assim, já não era hora de o Yohan ter perdido o interesse? Ou será que ele realmente quer namorar com o Cha Siheon? Não importava se era brincadeira ou sério, a ideia desagradava Noah. Preferiria que Cha Siheon fosse mais um dos muitos que se rendiam aos encantos de Yohan. O que o irritava ainda mais era o olhar arrogante de Sihen, que, mesmo depois de beijá-lo, agia como se Yohan não lhe interessasse nem um pouco.
— Não acha tudo meio esquisito?
— O quê?
Só de pensar em Cha Siheon, Noah já ficou de mau humor, e sua voz saiu seca.
— O Cha Siheon. É estranho, não acha? Do nada, começa a frequentar a mesma aula, e agora aparece no mesmo estágio. Isso tudo é coincidência?
— O que você está querendo dizer?
— Quero dizer… será que ele não está se aproximando de propósito? O Yohan sunbae é bonito demais. É bem possível, não acha?
Jaryeong perguntou com um olhar sério, com os olhos grandes fixos em Noah.
— E tem mais. Eu ouvi uns boatos meio estranhos…
Como se fosse contar um segredo proibido, ele se inclinou para mais perto de Noah. Instintivamente, o alfa também se aproximou.
— Ouvi dizer que o Cha Siheon é filho do grupo Seonwoo.
‘Grupo Seonwoo?’
A sobrancelha de Noah se arqueou com desconfiança. Se era o Seonwoo Group, então estavam falando de um dos maiores conglomerados da Coreia, logo abaixo do Grupo RF. Especialmente na área de eletrônicos, competia de igual para igual com a RF Digital, e o volume de exportações também era impressionante.
— Se é do Grupo Seonwoo, por que o sobrenome dele é Cha?
— Ah, isso eu também não sei.
Ele tinha jogado uma bomba de informação e, mesmo assim, respondeu com uma naturalidade absurda, como se não tivesse dito nada demais. Deixou Noah completamente sem palavras.
— Deve ser só mais um boato idiota.
Noah também já tinha suspeitado que o Cha Siheon pudesse ter se aproximado de propósito. Nunca comentou com Yohan, mas havia investigado o rapaz por conta própria. Nada profundo, mas já tinha levantado informações básicas sobre a rotina dele.
Morava sozinho num edifício não muito longe da universidade e, depois das aulas, trabalhava meio período. Se fosse pertencente ao grupo Seonwoo, teria necessidade de fazer isso? Também descobriu o motivo do afastamento dele da faculdade durante três anos – e a resposta foi surpreendente: falta de dinheiro para as mensalidades. Trabalhar em meio período poderia até ser visto como hobby ou experiência de vida, mas um herdeiro do Seonwoo Group trancando a faculdade por não ter como pagar? Era simplesmente absurdo.
Além disso, o Grupo Seonwoo também era administrado por membros da família, e o sobrenome do presidente era literalmente “Seonwoo”. Nem mesmo do lado materno havia alguém com o sobrenome “Cha”.
— Você conhece o Seonwoo Geon? O filho mais velho do presidente do Seonwoo Group.
Noah balançou a cabeça. Nunca teve tanto interesse assim nas famílias empresariais coreanas.
— Dizem que viram o Cha Siheon se encontrando com ele.
Jaryeong falava animadamente, afirmando que a informação vinha de uma fonte confiável. Noah olhava para ele, intrigado. De onde será que esse menino tirava essas coisas? E quem seria essa tal “fonte confiável” de quem ele sempre falava? Era impressionante como os boatos sem fundamento se espalhavam na Coreia. Até pouco tempo atrás, circulava o rumor de que um certo idol estava namorando com uma filha de chaebol, e depois descobriram que era tudo invenção. Por que será que todo mundo se interessa tanto pela vida alheia? Noah simplesmente não conseguia entender.
— Mas se ele for mesmo um segundo herdeiro do Grupo Seonwoo… por que participaria de um estágio na RF? Será que é um espião?
A imaginação de Jaryeong estava indo longe demais. Noah soltou um suspiro e respondeu apenas para que ele voltasse ao trabalho. O que estavam fazendo era algo bem burocrático: checar as entregas e os volumes fornecidos para cada cliente da RF Digital, calcular médias e fazer previsões para o mês seguinte. Mas a carga de trabalho era tão grande que o tempo parecia não passar.
— Estou dizendo que tem algo estranho aí…
Ele ainda insistiu, repetindo as palavras com convicção, mas Noah apenas balançou a cabeça e fingiu que não ouviu.
Se Cha Siheon fosse mesmo um herdeiro do Seonwoo, então provavelmente eles já teriam se cruzado em algum dos encontros sociais forçados entre as famílias chaebol – mas por mais que Noah puxasse pela memória, ele nunca tinha visto aquele rosto antes. Devia ser só confusão de Jaryeong mesmo. Ainda assim, por precaução, decidiu que investigaria mais quando chegasse em casa.
Afinal, enquanto Cha Siheon continuasse se aproximando de Yohan, mesmo o menor indício de perigo não podia ser ignorado.
Bzz. Bzz.
De repente, a tela do celular piscou silenciosamente sobre a mesa. Como estava trabalhando, Noah tinha deixado o aparelho no modo mudo, mas viu a notificação chegando na hora certa. Ao levantar o celular, Jaryeong esticou o pescoço, curioso.
— Quem é?
— É o Yohan.
Ao ler a mensagem, Noah franziu a testa.
[Vou jantar fora hoje. Você pode ir na frente.]
Chegou a pensar em perguntar com quem ele ia jantar, mas desistiu. Era óbvio que a resposta seria “com o Cha Siheon”. Era melhor nem confirmar – algumas coisas era preferível não saber.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)