Ler Controle – Capítulo 14 Online
No primeiro dia de estágio no Grupo RF, cerca de 200 estudantes foram selecionados – entre calouros e veteranos de diversas universidades – todos haviam passado por uma triagem de documentos e entrevista presencial. Eles foram distribuídos entre as empresas afiliadas ao grupo, como a RF Farmacêutica e a RF Digital.
— Por que vocês não me contaram que iam se inscrever no estágio? Mas que sorte ficar no mesmo lugar que os meus sunbaes!
Jaryeong, sentado ao lado de Yohan e Noah, não parava de tagarelar animado. Apesar de estar no terceiro ano, suas notas eram tão boas que ele já poderia se formar no próximo semestre. Por isso, aquela era sua única chance de participar do estágio.
Yohan e Noah, no entanto, não estavam ali porque queriam. Durante a festa de posse de Ryu Jin como presidente do Grupo RF, ele os chamou separadamente e sugeriu que participassem do programa.
“Isso não significa que vocês precisem entrar no Grupo RF depois da graduação. Podem ir para a empresa do seu pai ou fazer o que quiserem.”
Eles não entendiam por que ele os estava incentivando a fazer o estágio, já que não era como se estivesse tentando treiná-los para assumir o negócio.
“Só quero ver o quanto vocês cresceram. Não precisam se sentir pressionados.”
A mãe disse isso sorrindo, mas aquilo só aumentou ainda mais a pressão. Quando eles eram adolescentes, ele já adotava uma postura quase de total liberdade, e depois que se tornaram adultos, realmente nunca interferiu em nada na vida dos dois. O mesmo valia para os estudos. E agora, do nada, Jin veio com esse papo de “quero ver o quanto vocês cresceram”? Era impossível não achar estranho.
Noah, desde o começo, afirmou com convicção que ele com certeza tinha algum plano escondido, e que não deviam participar deste estágio à toa. Já Yohan apenas riu com uma expressão enigmática.
Uma semana antes do estágio começar, os dois já tinham terminado toda a pesquisa sobre as empresas do Grupo RF. Desempenho financeiro, estratégias de marketing, objetivos – estavam tão preparados que poderiam recitar tudo de cor, deixando os outros candidatos para trás.
Graças a isso, ambos obtiveram as maiores notas na avaliação documental e nas entrevistas. Como seus rostos eram bem conhecidos, houve quem murmurasse que estavam recebendo tratamento especial, mas quem participou da entrevista em grupo com eles logo descartou essa ideia.
Especialmente os que fizeram a entrevista com Yohan ficaram chocados. Para um universitário, ele sabia coisas demais. Durante a entrevista, demonstrou um conhecimento tão profundo sobre os princípios dos novos smartphones em desenvolvimento pela RF Digital que até os recrutadores ficaram sem reação. Em determinado momento, Yohan explicou o funcionamento interno de um dispositivo que nem os próprios avaliadores sabiam como funcionava, e eles precisaram parar a entrevista para checar se ele estava certo – uma situação quase cômica.
Os relatos de quem participou da entrevista com ele se espalharam rápido, e os boatos sobre favorecimento sanaram de vez.
— Dizem que quem ficou entre os melhores nas entrevistas foi designado para a RF Digital. É verdade?
Jaryeong perguntou, orgulhoso. Yohan e Noah apenas balançaram a cabeça, dizendo que não sabiam. Apesar da mãe deles ser presidente do grupo, não havia lhe dado nenhuma informação. A única coisa que ouviram foi somente aquele “Que tal participarem do estágio?”
—Mas se vocês estão aqui, deve ser verdade!
Ninguém sabia ao certo quem espalhou esse boato, mas provavelmente era só isso mesmo: um boato. A maior receita do grupo atualmente não vinha da área digital, mas sim da farmacêutica. Ainda assim, como Jaryeong parecia tão empolgado, os dois preferiram não estragar seu momento.
— Hã?
Enquanto conversavam animadamente, Jaryeong congelou. Intrigado, Noah acompanhou o olhar dele – e também franziu as sobrancelhas. Cha Siheon tinha acabado de entrar na sala onde aconteceria o seminário de abertura do estágio. Ele também parou ao avistar o grupo.
Yohan, notando a mudança de expressão nos dois, também virou o rosto e o viu. Fazia quase uma semana desde o beijo. Yohan estava ocupado se preparando para o estágio e, deliberadamente, evitou procurá-lo.
Siheon começou a caminhar na direção deles. Yohan acenou com naturalidade, como se nada tivesse acontecido, e sorriu. Sem dizer uma palavra, Siheon se sentou no lugar vazio ao lado de Yohan. Jaryeong arregalou os olhos, observando a tensão entre os três.
— Na universidade, você finge que ele não existe, e agora decide bancar o amigo? Que previsível.
Noah provocou, sem cerimônias.
— Bancar o amigo?
Siheon olhou para Noah e puxou um canto da boca em um sorriso irônico.
— Nunca fiz isso e nem tenho intenção.
— Então por que diabos você se sentou justo aí?
Noah se questionou por que ele, que sempre evitava Yohan na universidade, agora estava se aproximando. Em vez de responder, Siheon apenas olhou ao redor. Noah, acompanhando o movimento, virou o rosto e soltou um leve gemido ao compreender. Infelizmente, o único assento vago era justamente ao lado de Yohan. Como a orientação do estágio estava prestes a começar, quase todos já estavam acomodados, e ninguém quis se sentar ao lado de Yohan justamente porque ele chamava muita atenção.
Inconformado, mas sem argumentos, Noah franziu a testa. Uma pessoa com o crachá de ‘chefe do departamento de RH’ entrou e se posicionou à frente.
— Sejam bem-vindos ao programa de estágio da RF Digital. Este não é um ambiente acadêmico, mas corporativo. Apesar de estarem aqui como estagiários, a partir deste momento, descartem qualquer mentalidade relaxada de estudante. Achar que “erros acontecem” aqui não será tolerado.
Logo de início, o discurso rígido se impôs. Diante do alerta de que um único erro poderia causar prejuízos de bilhões, os alunos engoliram seco. A partir daquele momento, suas tarefas não seriam apenas exercícios do programa – se consideradas valiosas, poderiam ser implementadas diretamente nos negócios.
— Basicamente, todas as atividades serão realizadas em duplas. A pessoa ao seu lado será seu parceiro, portanto, lembrem-se disso.
Todos se entreolharam surpresos, conferindo quem estava ao lado. A explicação era que, seguindo da ponta esquerda da sala, a formação das duplas seria feita com os colegas mais próximos. Seguindo a ordem dos assentos, Noah ficou com Jaryeong, e Yohan com Siheon.
‘Por esse imbecil tinha que ter sentado justo nessa cadeira?’
Noah não disfarçou sua insatisfação com a combinação, mas Jaryeong, ao contrário, comemorou a sorte de estar com um dos sunbaes ao invés de um desconhecido qualquer.
Yohan, por sua vez, não se importava muito com quem fosse seu parceiro. Claro que teria sido ótimo estar com Noah, mas sabia que os dois não seriam colocados juntos de qualquer forma. Ele olhou de perfil para Siheon. O outro também parecia indiferente – não mostrava qualquer sinal de que se importava com quem estava ao seu lado. Como esperado.
— Após conversar com seu parceiro, preencham o formulário com o nome do departamento onde desejam estagiar. Obviamente, nem todos terão seu desejo atendido, mas tentaremos levar as preferências em consideração. Seus mentores serão designados após a alocação nos departamentos.
Com a instrução do chefe de RH, Yohan se virou para encarar Siheon.
— Tem algum departamento que você queira?
Como ele mesmo não tinha preferência, estava disposto a seguir a escolha de Siheon. Enquanto os outros estudantes folheavam os papéis tentando entender as funções de cada área e decidir, Siheon sequer abriu o material.
— Departamento de Planejamento ou de Pesquisa e Desenvolvimento.
A resposta veio direta, como se já tivesse decidido antes mesmo de chegar ali. Yohan apenas soltou um “hmm” e marcou as duas opções na ficha de inscrição. Nesse momento, Siheon o encarou fixamente.
— O que foi?
— Tem certeza de que não se importa com essas opções?
Ele queria saber se podia decidir livremente. Yohan assentiu com a cabeça. No fim, tanto faz para ele.
— E então… tem passado bem?
Como não precisavam discutir a escolha do departamento, sobrou tempo.
— Não sentiu minha falta?
Ele perguntou com um leve sorriso nos olhos. Para sua surpresa, Siheon também sorriu de canto. “Hum?” Até então, por mais que Yohan insistisse em se aproximar, Siheon nunca havia demonstrado qualquer emoção – sua expressão era sempre indiferente. Mesmo que aquele sorriso fosse o mais próximo de deboche, ainda assim foi inesperado.
— Parece que quem sentiu saudade foi você.
A resposta de Siheon fez Yohan sorrir em silêncio, mas por dentro ele se sentiu um pouco atingido. Para ser honesto, aquele beijo tinha sido… intenso. Tirando Noah, que era família, Siheon basicamente foi seu primeiro beijo. E mesmo que não desse importância a “primeiras vezes”, foi um choque perceber que alguém podia beijar com tanta intensidade enquanto mantinha um rosto tão frio e impassível.
‘E se fosse algo além de um beijo?’
Era essa a pergunta que martelava na cabeça de Yohan. Sentindo-se como se tivesse vislumbrado uma fagulha de fogo escondida por trás da expressão gélida com a qual Cha Siheon sempre se protegia. Será que era mais intenso do que imaginava? E se, ao cutucar essa intensidade sem pensar, acabasse se queimando? Pela primeira vez, ele hesitou.
Mas o fato era que sentia saudade. Algo mais profundo do que uma simples brincadeira começava a criar raízes dentro dele. Por isso, tinha evitado procurar Cha Siheon de propósito.
— Você não vai negar?
Siheon se inclinou na direção de Yohan, aproximando o rosto com mais uma provocação. A distância entre os dois reduziu num instante, mas Yohan não desviou. Encarou o outro diretamente.
— Você ainda é tão imprudente quanto sempre.
“Imprudente”, era isso? Yohan apenas respondeu com um sorriso delicado, sem dizer nada, e Siheon recuou um pouco o rosto.
— Não vai me dar uma resposta?
Yohan desviou o assunto primeiro. — Que resposta?— Siheon ficou confuso por um instante, mas logo entendeu.
Siheon, que o encarava como se perguntasse isso com os olhos, soltou um “ah” de reconhecimento logo depois.
— Se já terminou de preencher a ficha de inscrição, entregue logo.
De repente, Noah se intrometeu entre os dois, encarando Siheon com hostilidade. Mesmo que a ficha estivesse na mão de Yohan, ele não tirou os olhos de Siheon.
— Se veio aprender, foque no trabalho. E pare de fazer coisas ridículas.
Estava claro que não gostou da proximidade entre Yohan e Siheon momentos antes.
— Você está claramente procurando briga desde antes.
Siheon também não evitou o confronto.
— Eu te causei algum problema?
Ao ouvir a pergunta, Noah ficou ainda mais na defensiva, posicionando-se na frente de Yohan como se quisesse protegê-lo fisicamente. Até pouco tempo atrás, ele não se mostrava tão desconfiado assim, mas agora demonstrava uma hostilidade aberta. E Siheon sabia o motivo.
Porque ele havia beijado Yohan.
Não era a mesma coisa que quando Yohan o beijou por curiosidade ou brincadeira. Noah permitia que Yohan se interessasse pelos outros, mas não aceitava que alguém se interessasse por ele.
Siheon já tinha ouvido falar da fama de “guarda-costas” que Noah tinha com Yohan, mas vê-la ao vivo e em ação era outra história. Era como se ele estivesse pronto para arrancar um pedaço de quem ousasse tocar no Yohan.
— Pelo visto, você esqueceu quem é que está seduzindo quem aqui.
Mesmo dizendo que só tinha correspondido à provocação de Yohan, o olhar assassino de Noah não se apagou.
— Noah.
Yohan interveio, segurando o braço de Noah e balançando a cabeça. Só então, com relutância, ele recuou, afastando-se dos dois. Siheon riu baixinho ao ver aquilo. O cão de guarda feroz que mostrava os dentes até agora, abaixava o rabo como um animal domesticado, com uma única palavra de Yohan. Não era à toa que Yohan fazia tudo o que queria.
No entanto, no fundo, os dois não eram tão diferentes. Yohan, com seu sorriso encantador, acreditava que podia levar qualquer um a fazer o que quisesse, e Noah, com sua agressividade gritante, deixava claro que ninguém se aproximava do que era dele. Ambos carregavam uma crença profunda de que eram especiais – diferentes das outras pessoas.
Aquela arrogância típica dos herdeiros de chaebols era, honestamente, irritante.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)