Ler Controle – Capítulo 12 Online

Modo Claro

 

Siheon, que observava os dois, respirou fundo e sentou-se na mesa ao lado. Graças a Noah, que emanava uma aura assassina em sua direção, ele foi menos afetado pelos feromônios de Yohan. Talvez fosse impressão, mas desde que Noah entrou na sala, aquela fragrância floral sufocante parecia ter diminuído um pouco.

‘Noah realmente não é afetado pelos feromônios de Yohan.’

Aquilo também era intrigante. Os feromônios de um ômega não deixavam de surtir efeito nos alfas só por serem irmãos. Por isso, quando havia um ômega em casa, não era raro ocorrerem desgraças até mesmo entre familiares.

‘Realmente, eles são gêmeos únicos.’

Com a respiração se acalmando e a razão voltando ao lugar, Siheon pegou a mochila e se levantou. Agora que Noah estava ali, ele tomaria conta do Yohan.

—Ei! Eu perguntei se você tocou nele!

Noah gritou para ele, que estava saindo da sala de aula. Siheon apenas virou a cabeça e olhou para ele.

— Não cheguei a meter, pode me agradecer por isso. Ou quer que eu volte agora e termine o que comecei?

— Seu desgraçado…!

Noah rosnou, cerrando os dentes. Mas, como Yohan ainda estava em seus braços, não partiu para cima dele. Por mais que quisesse dar um soco naquele imbecil, proteger o irmão vinha em primeiro lugar.

— Se isso acontecer de novo, eu não vou deixar barato.

Parecia que, se tivesse mesmo transado com Yohan, Noah teria corrido atrás dele para matá-lo ali mesmo. Siheon apenas ergueu o dedo do meio com a mão esquerda e saiu da sala. Ele precisava de um lugar vazio – fosse o banheiro ou outra sala de aula, qualquer lugar onde pudesse aliviar o desejo que os feromônios de Yohan haviam deixado em ebulição dentro dele. Caso contrário, era capaz de acabar agarrando qualquer um no caminho.

Assim que Siheon foi embora, Noah não perdeu tempo: pegou Yohan no colo sem cerimônia. Quando saiu no corredor carregando Yohan, que tinha 1,77 de altura com facilidade, os alunos que estavam murmurando do lado de fora viraram-se todos ao mesmo tempo. O aroma dos feromônios ainda emanava do corpo de Yohan, mas ninguém ousou se aproximar. A presença dominante dos feromônios alfa de Noah os mantinha à distância.

Siheon, por outro lado, já havia desaparecido.

— Noah…

Yohan murmurou, num suspiro fraco, agarrando-se à gola da camisa do irmão.  Suas mãos ainda tremiam, o calor ainda não tinha diminuído.

— Droga… — Noah engoliu seco e apressou o passo. — Aguenta só mais um pouco. No carro tem um sedativo.

Yohan assentiu levemente, quase imperceptível, e enterrou o rosto no peito de Noah. — Haa — O ar quente que escapava de seus lábios passou pela camisa e atingiu a pele de Noah.

Como se tivesse sido contagiado por aquele calor, o corpo de Noah queimou. Ele estava furioso, incontrolavelmente furioso. Nunca deveria ter deixado Yohan sozinho. Se ele estivesse lá, teria resolvido a situação antes que o caos começasse.

‘Maldito seja, Cha Siheon…’

Só de pensar nele, seus dentes rangeram. Mas, ao mesmo tempo, não podia deixar de reconhecer uma coisa: se não fosse por Cha Siheon, o desastre teria sido ainda maior. Por mais furioso que estivesse com o fato de Siheon ter ficado sozinho com Yohan, ele sabia… Se aquele idiota não tivesse trancado a porta da sala e isolado Yohan, muita gente teria tentado atacá-lo, transformando tudo num caos.

Nem fazia sentido perguntar por que Yohan não estava sozinho. Se o tivesse deixado só, era bem provável que o irmão, vencido pelos próprios impulsos, tivesse aberto a porta por conta própria. Foi só porque Siheon ficou com ele ali dentro e resistiu junto, que Yohan não tentou sair.

O estado em que Yohan se encontrava deixava claro: ele não tinha sido realmente violado. Ainda assim, o simples fato de Siheon ter tocado nele o deixava furioso. E mesmo que tivesse feito aquilo só para ajudar, só para aliviar os sintomas do ciclo de calor… Ele o havia tocado, Yohan havia gozado. E Siheon, apesar de não ter feito nada além de usar os dedos, estava com o pênis claramente ereto.

Claro, Siheon também era um alfa. E, sendo um alfa ainda é mais sensível aos feromônios de Yohan, estar sozinho com ele naquela situação deve ter sido insuportável. Quando Noah chegou, era evidente: Siheon também havia entrado no rut, reagindo ao ciclo de Yohan. O cheiro do feromônio no ar deixava óbvio o quanto ele também estava excitado.

Mesmo assim, ele não o penetrou. Se quisesse, poderia tê-lo tomado facilmente, mas resistiu até o fim.

‘Será que realmente não tem interesse em Yohan?’

Não… Os feromônios de um ômega não deixam espaço para racionalidade em um alfa. Mesmo que fosse um inimigo mortal, ao reagir aos feromônios, um alfa pode perder o controle e atacar como um animal. E, ainda assim, Cha Siheon não tocou em Yohan, ele resistiu até o fim.

— Por que…?

Seja qual fosse o motivo, Noah não gostava. A simples existência de Cha Siheon o incomodava profundamente.

 

***

A boca estava toda áspera. Sentia como se até a garganta estivesse seca, completamente ressecada por dentro.

— Estou… com sede…

Mal conseguindo mover os lábios, Yohan sussurrou com esforço, e imediatamente sentiu a presença de alguém bem ao lado.

— Acordou? Quer água?

Era Noah. Sem forças, Yohan apenas assentiu com a cabeça. Noah o havia levado para o carro depois do incidente na sala de aula e aplicou nele uma injeção de emergência para suprimir o cio, algo que carregava para casos como esse. Depois disso, suas memórias se apagaram – ele devia ter adormecido ali mesmo.

Noah encheu um copo d’água e ofereceu, mas Yohan não se mexeu.

— Me dá na boca…

Pediu, manhoso, algo raro vindo dele. Noah suspirou discretamente, como quem não tinha escolha, passou o braço pelas costas do irmão, ajudou-o a se sentar para que pudesse beber, mas mesmo assim ele não reagiu. Com um suspiro resignado, Noah encheu a própria boca com água e pressionou os lábios contra os de Yohan, transferindo o líquido para dentro dele.

Só então Yohan engoliu, e soltou um longo suspiro aliviado, como se estivesse começando a se recuperar.

— Você também perdeu a aula por minha causa?

— Pedi pro Woo Jaryeong anotar tudo. Não se preocupe.

Yohan soltou uma risadinha ao pensar que Noah, mesmo naquela situação, não deixaria de cumprir suas obrigações acadêmicas.

— Você está rindo? Meu coração quase parou por sua causa.

— Você se preocupou comigo?

Yohan sorriu docemente enquanto olhava para o irmão. Era típico dele. Desde pequeno, sempre que fazia algo errado ou se sentia culpado, dava um sorrisinho mais brilhante que o normal, tentando passar por cima da situação.

— O Cha Siheon…

— Antes disso, você ainda está com aquela bebida que recebeu na sala de aula?

Quando Noah tentou puxar o assunto sobre Siheon, Yohan mudou de assunto com naturalidade.

— Aquilo parece suspeito…

Noah, engolindo as palavras que queria dizer sobre Siheon, pegou a garrafa que havia guardado na mochila e a entregou a Yohan. Ele observou o recipiente por alguns segundos, fez um som baixo com o nariz e abriu a tampa.

— Ei!

Quando Yohan levou a garrafa à boca, Noah segurou seu braço de repente.

— Você não disse que era suspeito? E agora vai tomar de novo?

— Está tudo bem.

A segurança com que ele disse isso era quase irritante. Depois de todo o caos que havia acontecido, parecia que ainda não tinha recuperado totalmente o juízo.

— Se todas as bebidas estivessem alteradas, outras pessoas também teriam passado mal, não acha? Podia ter mais ômegas naquela sala além de mim.

Yohan tinha razão. Vários alunos haviam tomado a mesma água ali, mas só ele apresentou reações anormais. Quando Noah soltou o braço, Yohan levou a garrafa aos lábios e bebeu alguns goles, sem hesitar. Depois fez uma expressão como se tivesse confirmado algo.

— É só água mesmo.

— Isso você já tinha dito. Que parecia água.

— É. Mas a que eu tomei antes tinha um cheiro doce… tipo de pêssego. Mesmo o gosto sendo só de água.

— Então alguém colocou alguma coisa só na sua garrafa?

— É o mais provável. Aposto que era um indutor de cio.

Yohan estava sentado com o notebook no colo, fazendo buscas na internet. Depois de uns cinco minutos, pareceu ter encontrado algo. Virou a tela na direção de Noah e mostrou. Era uma reportagem sobre um indutor de cio ilegal, distribuído clandestinamente. O artigo explicava que a substância era incolor, insípida, mas exalava um cheiro adocicado. Mencionava também casos de estupro nos quais a droga era misturada em bebidas alcoólicas e dada a ômegas.

O rosto de Noah ficou sombrio ao ler a reportagem. Ele se levantou num pulo, mas Yohan o segurou.

— Aonde você vai?

Noah manteve os lábios cerrados, sem responder.

— Vai falar com o nosso pai?

Ele continuou em silêncio. A empresa Galayev, fundada por Ilya, o pai deles, mesmo que hoje tivesse se distanciado completamente daquele passado, havia nascido sobre as bases da máfia russa. Até hoje, para quem conhecia a história, o nome Galayev ainda era sinônimo de crime organizado.

Vários dos funcionários da empresa, inclusive, seguiam Ilya desde os tempos da máfia. Se fosse por ordem dele, não hesitariam em cometer crimes – nem mesmo matar. Claro, desde que a Galayev havia se estabilizado como uma empresa legítima, essas práticas foram deixadas de lado, mas a índole de muitos daqueles homens não havia mudado tanto assim.

— Você odeia isso, lembra?

Ao contrário de Yohan, que aceitou o passado do pai sem grandes dificuldades, Noah havia entrado em crise ao descobrir a verdade durante a adolescência. O choque de saber que aqueles homens que o protegiam e o tratavam com carinho eram na verdade ex-subordinados da máfia o abalou bastante.

— Você não precisa se associar a isso por minha causa. Eu não gosto disso.

Yohan apertou a mão de Noah com força e ergueu o rosto para encará-lo. Quando os olhares se cruzaram, ele balançou a cabeça, pedindo para que Noah não fizesse aquilo.

O motivo pelo qual o relacionamento entre Noah e o pai, que antes parecia irremediavelmente rompido, havia se restabelecido, era Yohan.

— Agora eu já consigo me virar sozinho, mesmo sem você me protegendo.

Ele sorriu de leve e voltou a examinar o rótulo da garrafa. Seus dedos se moviam com mais agilidade sobre o teclado do notebook. Pouco mais de dez minutos depois, um sorriso se desenhou em seus lábios.

— Se fizeram isso comigo, nada mais justo do que devolver em dobro, certo?

Ao ver os olhos verde-esmeralda de Yohan brilhando com malícia, Noah apenas balançou a cabeça em silêncio.

 

***

De volta em casa, Siheon engoliu de uma vez o supressor de rut que havia comprado no caminho. Mesmo tendo se aliviado uma vez no banheiro da universidade, sua excitação ainda não havia passado completamente.

‘Ah… como eu resolvo isso… nh…’

O cheiro de Yohan, implorando e se esfregando nele, ainda parecia impregnado em seus sentidos. A voz trêmula de excitação, o rubor quente nas bochechas, a pele lisa, e aquele perfume de feromônio que enfeitiçava… Era ridículo ele ter se masturbado pensando nisso.

Foi inútil tê-lo ignorado quando Yohan o pediu para namorar. Jurava que não sentia nada “Isso foi só os feromônios”, ele tentou justificar, mas o incômodo persistia.

Nada estava saindo como o planejado. A existência de Ryu Yohan tinha se tornado uma variável imprevisível. Será que seria um ganho… ou uma perda?

Siheon abriu uma das gavetas trancadas com cadeado e tirou uma pasta de arquivos. Poderia deixar tudo armazenado no computador, mas preferiu imprimir os documentos importantes e mantê-los guardados, com medo de ser hackeado algum dia.

Ao abrir a pasta, a primeira página exibia uma grande foto de Ryu Yohan e seu irmão gêmeo, filhos de Ilya Galayev – ex-chefe da máfia russa e fundador da empresa Galayev – e de Ryu Jin, o atual chefe do grupo RF, considerado um gênio mesmo sendo um ômega. Um chaebol herdeiro de segunda geração, de origem completamente oposta à de Siheon.

Os olhos de Siheon, fixos na foto de Yohan, foram escurecendo aos poucos, mergulhando numa frieza cortante. Talvez fosse o efeito do remédio. A excitação que o consumia antes havia desaparecido sem deixar rastros, dando lugar a um ar gélido que o envolvia por completo.

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Continua…

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SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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