Ler Controle – Capítulo 10 Online

Modo Claro

 

Toc, toc.

Ryu Hyungwoo bateu na porta do quarto de hospital e entrou. Ao ver seu primo deitado na cama, ele não pôde evitar um suspiro.

— Está se sentindo melhor?

— Isso parece a cara de alguém que está melhor?

‘É verdade. Foi uma pergunta idiota’

O rosto envolto em ataduras estava tão mal que nem por educação poderia dizer que parecia melhor.

— É por isso que eu disse para não provocar. Você sabia que não ia ganhar.

— E o que eu podia fazer se só de olhar pra cara dele já fico irritado?!

O primo, que tinha arrumado confusão com Yohan, não demonstrava o menor arrependimento. Ele resmungava sem parar, irritado por um ômega ter ousado desafiá-lo, um alfa. Hyung-woo achava que o fato de Yohan ser um ômega não tinha nada a ver com a situação, mas não se deu ao trabalho de dizer. Sabia que, mesmo que explicasse, o primo não entenderia.

A casa principal da RF – ou seja, o pai dele – nunca desprezou os ômegas. Muito disso se devia à influência de Ryu Jin, seu tio. Embora o pai reclamasse a vida inteira que nunca tinha conseguido superá-lo, ele reconhecia as capacidades do irmão. Por isso, mesmo tendo perdido o posto de líder do grupo para ele, nunca demonstrou ressentimento. Na verdade, parecia já ter aceitado, como se sempre soubesse que isso acabaria acontecendo.

Mas os outros parentes alfas ainda não se conformavam com o fato de um ômega ter se tornado o líder. Nenhum deles tinha coragem de enfrentá-lo diretamente, mas falavam mal pelas costas com bastante gosto.

E assim  como os pais pensavam, os filhos seguiam o mesmo caminho. O preconceito contra ômegas, iniciado na geração anterior, se arrastou até os filhos e Yohan virou alvo. Embora a sociedade já não menosprezasse os ômegas, alguns costumes errados ainda persistiam.

O alívio em meio a tudo isso era que Yohan era um ômega que superava até mesmo os alfas. Entre os jovens de sua idade, ninguém se igualava a ele, seja em aparência, ou em desempenho. Na verdade, se parassem para pensar, o ódio não vinha do fato de ele ser um ômega, mas sim da inveja e do ressentimento por ele ser simplesmente bom demais. E esse primo, em especial, por ter uma idade próxima, cresceu sendo comparado o tempo todo com Yohan e Noah.

— Mesmo que o Yohan seja assim, enquanto Noah estiver por perto, não vale a pena provocá-los.

Noah era um alfa  fora do comum. Talvez por isso, o primo nunca tentou se meter com ele. A hierarquia era clara: Noah era superior a ele. Era engraçado pensar nisso, já que Noah nunca usou seus feromônios para intimidar os primos. Bom, ao menos até que mexessem com o Yohan. Aí, sim, ele virava uma fera pronta para atacar.

O primo, ainda irritado por ter sido espancado, resmungou:

— No final das contas, ele ainda é um omega. Dizem que Ryu Jin também era uma puta suja quando era mais novo. Quando entram no cio, todos são iguais, não?

Hyungwoo balançou a cabeça ao ver o primo se referindo daquele jeito ao tio, um adulto e o atual líder do grupo.

— Não saia por aí falando essas besteiras. Você não vai conseguir lidar com as consequências.

Dentro do grupo RF, muitos odiavam Ryu Jin, e por isso vários rumores circulavam. O próprio Hyungwoo já tinha ouvido um bocado de histórias. Algumas diziam até que o tio mais novo, que se suicidou, teria dormido com o Ryu Jin durante um dos ciclos de calor dele. Mas rumores, eram apenas rumores – nada era confirmado. Se ele se deixasse levar por essas fofocas, só acabaria em uma situação embaraçosa.

— E você, não fica indignado? Se continuar assim, você, o neto mais velho, pode acabar perdendo tudo para aqueles bastardos mestiços russos!

O primo tentou arrastar Hyungwoo para o lado dele.

— Se eu perder, significa que eu não fui capaz o suficiente.

Independentemente do orgulho ferido, Hyung-woo acreditava que o grupo deveria ser herdado por quem tivesse mais capacidade. Se ele superasse Yohan ou Noah, herdaria o cargo de líder. Se não, era justo que fosse passado para quem fosse melhor.

— Eu juro que não vou deixar barato. Logo, logo eles vão se arrepender amargamente.

O primo rangeu os dentes, furioso. — Sim, sim. — Hyungwoo respondeu de forma displicente, achando que o outro não teria capacidade de fazer grande coisa sozinho. E mesmo que tentasse algo, confiava que os gêmeos Yohan e Noah saberiam lidar com um tipo como ele com facilidade.

Uma semana se passou mais rápido do que o esperado. Quando chegou o dia da aula que tinha junto com Cha Siheon, Yohan acordou de bom humor. Desde a proposta que fez na semana anterior, perguntado se eles poderiam namorar, vinha se controlando para não incomodá-lo mais. Se o alfa fosse alguém que cedesse à pressão, ele já teria tentado umas cem vezes. Mas, no caso de Siheon, sabia que agir assim só o faria se afastar.

Além disso, depois de visitar a sede principal do Grupo RF no fim de semana, Yohan ficou ocupado se inscrevendo para participar do estágio da empresa e se preparando para isso.

— Você vai mesmo entrar no Grupo RF depois de se formar?

Desde que a mãe sugeriu o estágio, Noah não ficou muito entusiasmado. Era compreensível, já que ele detestava a maioria das pessoas de lá. Se fosse para herdar alguma coisa, dizia que preferia a Galayev.

— Ficando ou não pro Grupo RF, fazer o estágio vai ser uma boa experiência. Eu gosto da ideia. Acho que vai ser divertido.

Disse que, em vez de assistir sempre às mesmas aulas, seria mais interessante experimentar a rotina de uma empresa, num ambiente novo. Noah apenas suspirou, balançando a cabeça como quem já esperava algo assim.

Enquanto estavam sentados na sala de aula, uma pessoa desconhecida entrou pedindo licença. Disse que estava promovendo uma nova bebida e distribuiu pequenas garrafinhas de 200 ml.

Yohan examinou a garrafinha que recebeu, depois abriu a tampa. O líquido era transparente, com um cheiro doce de pêssego. Deu um gole e inclinou levemente a cabeça, confuso. O sabor era muito mais sem graça do que o aroma sugeria.

— Isso é… água?

Leu o rótulo. Estava escrito “Water”.

— Será que é tipo uma água mineral? Mas porque colocaram esse cheiro de pêssego?

— Você nem sabe o que é e já sai bebendo?

Noah olhou com desconfiança, mas Yohan apontou com o queixo para os outros alunos. Todos estavam abrindo e provando, alguns já tinham jogado as garrafinhas vazias no lixo. Era como se dissesse: “Está todo mundo tomando, qual o problema?”

— Você não vai beber?

— Agora não tô com vontade. Talvez depois.

Noah apenas guardou a garrafinha na mochila. Yohan, por outro lado, mesmo sem saber se era água mineral, continuou tomando a bebida aos poucos.

Cha Siheon entrou na sala bem na hora em que a aula estava prestes a começar. Seus olhos encontraram os de Yohan, mas em vez de ir até a cadeira vazia ao lado dele, olhou em volta e escolheu outro lugar para se sentar. Yohan soltou um sorrisinho de canto. A essa altura, sentia uma teimosia nascer dentro de si – queria conquistá-lo de qualquer jeito.

— Você está insistindo só porque ele disse não, não é?

Noah perguntou como se estivesse lendo sua mente.

— Também não posso dizer que não seja isso.

— Também, é?

Noah arqueou uma sobrancelha ao pegar no pé dele por causa daquela palavrinha.

— É uma curiosidade pessoal. Quero ver aquele rosto contido se desfazer… E também tem outras razões.

Chamou apenas de “outras razões”, sem explicar o que eram. Quando Yohan se desviava assim do assunto, era sinal de que não pretendia contar, nem mesmo para Noah. Por isso, ele não insistiu.

— A aula de hoje começa na página 5 do material 3, que está disponível na sala de arquivos.

O professor iniciou a aula, e logo ambos se concentraram, deixando o assunto de lado.

 

***

 

Durante a aula, Yohan começou a sentir uma sede estranha. Sua boca realmente estava ficando seca, então acabou bebendo toda a garrafinha que tinha recebido antes do início da aula. Mesmo assim, a sede não passava. Além disso, uma leve sensação de aperto no peito começou a incomodar. Não era intensa, mas o suficiente para incomodar.

Por um instante, pensou que podia ser um sintoma antecipado do ciclo de cio, mas logo sacudiu a cabeça. Seu ciclo costuma ser bem regular. E, além disso, ele tomava remédios para controle de feromônio justamente para prevenir esse tipo de imprevisto.

O professor olhou o relógio e disse que encerraria a aula por ali. Desligou a tela do projetor e explicou que ainda restava uma hora, mas como tinha um seminário importante, compensaria com uma aula extra na semana seguinte.

— O que você vai fazer?

Com o tempo livre que tinham agora, Yohan voltou seu olhar para Cha Siheon. Fazia dias que não o via e queria conversar com ele. Noah até fez uma cara de poucos amigos, mas deu de ombros, virando as costas e deixando Yohan fazer o que tinha vontade.

Quando viu que Siheon estava prestes a sair, Yohan se levantou às pressas da cadeira. Nesse instante, sua visão vacilou, ficando turva por um segundo. “Ué…? O que é isso?” Cambaleou por um momento, mas por sorte conseguiu se segurar na mesa e manter o equilíbrio. Ele permaneceu ali, parado, tentando recuperar o fôlego, mas a tontura não passou tão facilmente.

— Hã?

Um aluno que estava sentado logo à frente se virou, e ao ver Yohan, rapidamente levantou uma das mãos para cobrir o nariz e a boca.

— Ryu Yohan, você está…

Fwhoosh.

Um calor intenso subiu do interior do corpo de Yohan até sua garganta, fazendo tudo queimar por dentro.

‘Droga. Isso e o ciclo de calor, com certeza. Mas por quê, de repente?’

Ele nem teve tempo de pensar direito, seu corpo inteiro começou a latejar.

— Noah…

Se soubesse que isso ia acontecer, não teria deixado ele ir embora. Mas agora era tarde demais para se arrepender. Tentou pegar o celular, mas sua mão escorregou. Sua visão começou a ficar turva, e logo ele já não conseguia pensar em nada. Tudo o que sentia era um calor insuportável, como se fosse enlouquecer.

De repente, um aroma doce e intenso se espalhou pelo ambiente, fazendo um burburinho tomar conta da sala. Não só os poucos alfas presentes reagiram de imediato, como até os betas começaram a cochichar, perguntando de onde vinha aquele cheiro. Um por um, os olhares se voltaram para Yohan.

‘Será que o Ryu Yohan está entrando no cio..?’

Todos pensaram o mesmo, mas ninguém teve coragem de dizer em voz alta. Alguns alfas já respiravam com dificuldade. Os feromônios de Yohan estavam forçando seus corpos a entrarem no rut.

— Alguém faça alguma coisa, por favor!

Uma garota beta começou a bater os pés, aflita. A sensação era de que, se continuasse assim, algo muito ruim poderia acontecer. O ar parecia prestes a se romper, bastava um passo em falso, e tudo desabaria.

— Ah… Eu…

Yohan, com muito esforço, conseguiu se erguer e tentou dar um passo. Mas antes mesmo de conseguir se mover, desabou no chão. Um murmúrio de irritação escapou de alguém.

— Sério… Você realmente é um problema ambulante.

Siheon, que o agarrou pela cintura antes que caísse, resmungou irritado. Ele também estava tonto por causa dos feromônios de Yohan. Talvez os outros não percebessem a intensidade, mas para Siheon, aqueles eram os feromônios de ômega mais forte que já sentiu na vida – forte o bastante para entorpecer completamente a razão. Ele já havia percebido, no meio da aula, que os feromônios de Yohan estavam ficando mais fortes.

Tinha imaginado… Mas não queria acreditar. E agora estava ali: Ryu Yohan realmente estava entrando no cio, bem no meio de uma aula. Aquilo era um absurdo!

Mas isso não importava agora. Precisava dar um jeito nos feromônios de Yohan, antes que até os betas começassem a ser afetados.

— TODO MUNDO FORA DAQUI!

A voz de Siheon ecoou pela sala de aula com tanta força que pareceu tremer as paredes. Os alunos, até então paralisados, finalmente despertaram do choque.

— Estão esperando o quê?! EU DISSE PRA SAÍREM!

Diante do grito, os estudantes que hesitaram começaram a sair às pressas, um por um. Assim que o último deixou a sala, Siheon correu até a porta e a fechou, impedindo que os feromônios se espalhassem pelo corredor.

Mas, ao se virar, ele logo se arrependeu.

‘Eu devia ter saído também…’

Os feromônios de Ryu Yohan estavam ficando ainda mais intensos. Um aroma doce, perigoso, agora preenchia por completo a sala de aula, envolvendo e dominando Siheon como uma onda incontrolável.

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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