Ler Controle – Capítulo 09 Online
O som do motor era quase imperceptível. A limusine preta deslizava suavemente pela estrada, como se estivesse flutuando.
— Que luxo mais desnecessário.
Desde que o carro chegou para buscá-los em casa, Noah não parava de resmungar.
— É só por hoje. Aproveite um pouco.
Yohan, ao contrário dele, estava tranquilo.
Vestido com um terno cinza-prateado de tecido brilhante, com um colete rosa-claro por dentro e uma gravata borboleta, Yohan parecia ainda mais radiante do que o normal. Já Noah usava um terno azul-marinho escuro, de corte mais casual, sem gravata. Era provável que escutasse alguma crítica ao chegar na mansão, já que ali se prezava muito pelas formalidades, mas mesmo assim, por teimosia, insistiu naquele visual, e Yohan não tentou dissuadi-lo.
— Ahh, eu não quero ir.
Noah reclamou enquanto se espreguiçava longamente. Seu tom deixava claro que realmente não tinha vontade nenhuma de comparecer.
Aos olhos dos outros, talvez fosse difícil perceber, mas Yohan e Noah haviam crescido de forma relativamente livre, especialmente para filhos de uma família de conglomerado. Quando eram crianças, chegaram a andar com seguranças, mas por volta da metade da adolescência, nem isso mais acontecia. Os amigos também não os tratavam de forma especial só por serem filhos dos Galayev. Até mesmo os pais, Ryu Jin e Ilya, nunca foram do tipo rígidos com formalidades.
Mas na Coreia – especialmente na mansão do Grupo RF – era completamente diferente. Ali, era obrigatório manter as costas retas enquanto estivesse de pé; durante as refeições, não se podia fazer barulho; o uso dos hashis devia seguir regras específicas; até mesmo o som dos talheres encostando nos pratos era considerado inapropriado, as exigências eram muitas. Quando eram crianças, já chegaram a chorar por não aguentarem a pressão daquele ambiente. Os pais, preocupados com o bem-estar deles, evitaram voltar à Coreia por bastante tempo, e assim, por vários anos, não precisaram visitar a casa principal da família.
Mas era impossível fugir disso para sempre. A mãe, Ryu Jin, havia elevado a RF Farmacêutica a um patamar tão alto que a empresa acabou ultrapassando os lucros da RF Digital, a qual era originalmente o núcleo do Grupo RF. Com a sucessão do cargo de líder do grupo, tornou-se inevitável que os filhos participassem dos encontros familiares, gostando ou não.
— Só de imaginar a cara daqueles idiotas, já fico estressado.
Noah bufou, e Yohan soltou uma risada.
— Relaxa e tenta se divertir.
Noah suspirou, encarando Yohan, que tratava tudo com leveza. A verdade é que, mesmo antes de encontrar qualquer parente da RF, ele já se sentia irritado com o peito apertado – e era por causa de Yohan.
‘Será que ele percebe isso?’
— Ngh…
Ele soltou um som abafado, recostando-se profundamente no assento. Talvez Yohan estivesse certo. No fim, as coisas sempre se resolviam. Não havia por que se preocupar antes, isso não mudaria nada.
***
— O senhor Yohan Galayev e o senhor Noah Galayev chegaram.
Mesmo depois de passar pelo portão principal, o carro ainda percorreu uma boa distância até finalmente parar diante do prédio da residência. Um dos empregados que abriu a porta anunciou os dois jovens.
Embora usassem o sobrenome Ryu na Coreia, seguindo o da mãe, toda vez que vinham à casa da família, eram anunciados como Galayev. Quando eram pequenos, nem notavam, mas à medida que cresceram, entenderam o motivo: era uma linha divisória clara: “vocês não são da família RF, são da Galayev.”
Os pais não ligavam para isso e, de fato, eles não sentiam necessidade de fazerem parte da RF. Mesmo assim, quando a distinção era feita de forma tão explícita, era impossível não se sentir desconfortável.
Ao atravessarem a porta, viram que o amplo saguão do primeiro andar havia sido preparado como um salão de festas. “Toc, toc.” O som dos saltos dos sapatos ecoou pelo ambiente, fazendo com que todos os presentes se virassem. Mesmo no meio da multidão, os dois se destacavam facilmente – ambos eram altos e tinham traços marcantes, herdados da ascendência mista. Na Coreia, chamavam ainda mais atenção do que na Rússia.
— Sejam bem-vindos. Por aqui, por favor.
O senhor Kim, um homem mais velho, veio recebê-los. Ele trabalhava há décadas para a família principal do Grupo RF e era uma das poucas pessoas com quem Yohan e Noah tinham certa familiaridade.
— E a mamãe?
— Chegou há uma hora. Está no segundo andar conversando com os outros adultos.
Yohan assentiu ao confirmar onde Ryu Jin estava. De qualquer forma, os filhos da segunda geração não tinham grandes responsabilidades naquele evento. Como se tratava de uma comemoração pela nomeação oficial de Ryu Jin como presidente do grupo, bastava aparecer, socializar um pouco e ir embora.
— E aí.
Alguém se aproximou, fingindo familiaridade. Era um primo de sexto grau… mas qual era mesmo o nome dele? Enquanto Noah franzia as sobrancelhas tentando lembrar, Yohan foi mais rápido e sorriu para o rapaz.
— Há quanto tempo.
— Você está com uma cara ótima, hein? Parece que a Coreia está te fazendo bem.
O tom do outro não era exatamente amigável. Mas não era novidade. Desde criança, ele era do tipo que não conseguia se segurar e precisava arrumar encrenca só de olhar para a cara de alguém.
— Já você está com expressão de cansaço. Soube que entrou na RF Digital, está difícil se adaptar?
Yohan respondeu com um sorriso gentil, quase brincalhão. Mas, pelo visto, acertou em cheio – o rosto do outro se contorceu na hora.
— Sem o apoio dos pais, começando como um mero estagiário, deve ser complicado, né?
Embora a frase soasse preocupação, era apenas sarcasmo. Desde que Ryu Jin assumiu o controle do Grupo RF, a regra era clara: todos os candidatos – mesmo os parentes – seriam tratados como qualquer outro funcionário. A política era baseada no mérito, independentemente do sobrenome. Os funcionários comemoraram a política de meritocracia, enquanto os familiares ficaram incomodados.
Não importava se fosse o filho do presidente ou não, todo mundo começava de baixo. As promoções também eram baseadas em pontos de desempenho, o que resultava em vários filhos de parentes entrando nas empresas do grupo e se arrastando anos sem conseguir subir de posição.
O antigo sistema, centrado nos alfas, também havia mudado. Como o próprio Ryu Jin era ômega, ninguém se atrevia a desrespeitar ômegas – ao menos dentro da empresa.
Mas dentro da casa principal do Grupo RF, o culto ao alfa ainda estava vivo.
— Se eu, sendo alfa, já estou sofrendo tudo isso… imagina você, que é ômega?
Mesmo com o tom zombeteiro, Yohan apenas sorriu.
— Então você está mesmo sofrendo… Acertei só chutando. Te desejo força.
Yohan sorriu ainda mais e deu um tapinha no ombro dele. Noah, ao lado, não conseguiu segurar uma risada baixa.
‘Vai entender por que insiste em provocar se nunca consegue vencer.’
— Seu desgraçado arrogante…!
O outro cerrou os punhos e partiu para cima, mas seu soco foi interceptado por Noah antes mesmo de chegar perto de Yohan, com um baque surdo.
— Você iria mesmo bater nele agora?
Noah rosnou, olhando de cima para ele. Como ele era bem mais forte fisicamente, ao ser encarado com aquele olhar intimidador, o outro recuou automaticamente. No meio disso tudo, Yohan observava os dois como se nada tivesse acontecido, mantendo a expressão serena.
— Vamos parar por aqui. Não tem motivo para estragar o clima num dia importante.
A voz vinha de Ryu Hyungwoo, filho do irmão mais velho de Ryu Jin, e, portanto, o herdeiro primogênito da família.
— Que fique bem claro quem começou. Todo mundo viu esse idiota provocar e ainda partir para a violência.
A voz de Noah agora estava ainda mais fria. Quando ele olhou ao redor, todos desviaram o olhar, evitando confrontar a aura quase palpável de fúria que emanava dele. Era como se uma aura escura estivesse vibrando em volta de Noah. Só por ter tentado encostar um dedo em Yohan, ele já deixava claro que não deixaria passar.
‘Pelo amor de Deus… mais parece um cão infernal saído direto do submundo.’
Hyung-woo soltou um suspiro baixo. As pessoas costumavam ver Yohan como alguém gentil e Noah como um encrenqueiro, mas a verdade era o contrário. Ele mesmo pensava assim no início, mas com o tempo, observando de perto, entendeu como realmente eram.
Yohan, apesar do rosto angelical, escondia lâminas nas palavras. Sempre sorridente, era capaz de estraçalhar o coração de alguém com um comentário aparentemente inofensivo. Inteligente e perspicaz, quem tentasse provocá-lo acabava se ferrando duas vezes pior.
Noah, por outro lado, era mais simples. Desde que não mexessem com Yohan, ele permanecia tranquilo. Por isso, muita gente cochichava pelas costas dizendo que Noah era o “cão de guarda” de Yohan.
— Noah, Yohan.
A voz de Ryu Jin soou do segundo andar, chamando os dois. Ela estava de pé junto ao corrimão, fazendo sinal para que subissem. Com isso, a tensão que pairava no salão pareceu finalmente se dissipar um pouco.
— Por mais que se ache o máximo, continua sendo só um ômega. Quando entrar no ciclo de calor, não vai passar de uma cadela no cio mesmo!
Yohan tinha acabado de subir o segundo degrau da escada quando ouviu aquele imbecil gritar, provocando-o em voz alta. “Ahhh.” Ele soltou um longo suspiro e se virou para encará-lo. Estava sorrindo, mas seus olhos, de um verde esmeralda, pareciam mais gélidos do que o normal.
— Parece que você esqueceu porque estamos reunidos aqui hoje, certo? Isso aqui não é justamente uma reunião de alfas patéticos, subjugados por um ômega que tanto desprezam. É isso, não é mesmo?
Seus olhos se curvaram suavemente, em forma de lua crescente.
— Como é que vamos saber que artimanha suja ele usou por trás dos panos? Sabe o que o pessoal anda cochichando por aí? Que ele chegou até essa posição usando esse corpinho vulgar…!
Clang!
Um barulho ensurdecedor ecoou. Quando todos se viraram, viram que Noah havia chutado uma mesa, que agora rolava pelo chão. O homem que falava alto até então arregalou os olhos e engoliu em seco. Toc, toc. Noah avançou a passos pesados em direção a ele. Antes que o outro pudesse reagir, Noah o agarrou pelo colarinho e esmagou seu rosto contra o chão.
Ryu Jin observava toda a cena do segundo andar, mas não tentou impedir, nem demonstrou a menor intenção de acalmar a situação. Apenas estalou a língua com um “Tsk” e se virou, como se não fosse da sua conta. Yohan, ainda parado nos degraus da escada, apenas assistiu em silêncio.
Parecia que Noah iria soltar o rapaz, mas em vez disso ergueu novamente sua cabeça, e o esmagou contra o chão mais uma vez. Pof! Pof! Os sons surdos se repetiram algumas vezes, até que o rosto do sujeito ficou ensanguentado e seu corpo completamente mole. Os convidados no salão nem ousavam respirar fundo, com medo de atrair a fúria para si.
— O que você disse sobre os ômegas mesmo? Repete, vai.
Noah perguntou com uma voz baixa, mesmo sabendo que o outro já estava inconsciente. Mas, naquele momento, a pergunta já não era só para ele, era para todos os presentes no salão.
Haa…
Ryu Hyungwoo balançou a cabeça diante do caos no salão. Ele definitivamente precisava rever o que pensava sobre Noah. Antes o via como um cão de guarda fiel do Yohan… mas não, ele era um cão louco. Um cão louco saído diretamente do inferno, encarregado de proteger os ômegas da família Galayev.
Ao chegarem no segundo andar, Ryu Jin os esperava no corredor.
— Vocês realmente causam um espetáculo por onde passam, hein?!
Apesar de tudo o que Noah tinha feito, ele não o repreendeu. Mas também não o elogiou.
— Limpem a bagunça antes de ir embora. Os empregados não têm culpa nenhuma.
E foi só isso que disse.
— Aliás… vocês não querem participar do programa de estágio do Grupo RF?
Ryu Jin perguntou, com um sorriso cheio de intenções ocultas.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)