Ler Controle – Capítulo 08 Online

Modo Claro

 

Yohan e Siheon só voltaram ao campus quando já estava quase na hora da aula da tarde começar. Mesmo com o tempo apertado, Yohan insistiu em acompanhar Siheon até o prédio da sua aula. Depois de várias tentativas inúteis de convencê-lo do contrário, Siheon concluiu que não adiantava recusar – aquele cara simplesmente não era do tipo que ouvia. Então, o deixou fazer o que quisesse.

Ele ainda não havia dado uma resposta ao pedido de namoro de Yohan, mas como o outro também não parecia ter pressa, decidiu deixar assim por enquanto.

Assim que chegaram em frente ao prédio, Siheon apenas lhe lançou um olhar como se dissesse “pode ir” e se virou. Foi quando seu celular vibrou dentro do bolso do casaco. Ele pegou o aparelho e viu uma mensagem:

[Sua inscrição no estágio do Grupo RF foi concluída. A data da entrevista é…]

Era a notificação do programa de estágio no qual se inscreveu na noite anterior.

— Siheon, sunbae.

Talvez tenha sido por causa da mensagem sobre o estágio do Grupo RF… mas ele congelou, perplexo, ao ouvir o chamado de Yohan. Quando se virou para responder, Yohan já estava muito mais perto do que ele esperava.

Antes que pudesse perguntar alguma coisa, um perfume adocicado invadiu suas narinas repentinamente, provocando-lhe um arrepio. ‘Droga.’ O palavrão nem teve tempo de sair e os lábios de Yohan já estavam sobre os dele.

—Haaa!

— Uoooh!

Gritos e exclamações ecoaram de todos os lados. Era inevitável: Ryu Yohan, que já atraía todos os olhares normalmente, tinha acabado de dar um beijo público bem em frente ao prédio da faculdade, e justo num dos lugares mais movimentados do campus.

— Tenha uma boa aula.

Disse Yohan, sorrindo lindamente após encerrar o beijo que parecia longo e curto ao mesmo tempo . Siheon não o empurrou, apenas o encarou em silêncio. Ele não demonstrou estar abalado, nem excitado ou animado com o beijo, seu rosto estava inexpressivo, quase frio.

—Exatamente como eu imaginei.

Yohan também não parecia decepcionado com a reação. Apenas sorriu, como se já tivesse feito o que queria, e se virou tranquilamente para ir embora.

‘Haa… esse cara é mesmo irritante.’

Só depois que Yohan sumiu de vista é que Siheon soltou um longo suspiro. Nunca tinha conhecido alguém assim antes. Yohan não era apenas alguém deslumbrante, como os rumores diziam – havia algo nele que era imprevisível, que parecia manipular as pessoas.

Mas, ao mesmo tempo, ele nunca passava do ponto. Sabia exatamente como agir para que o outro não ficasse bravo, mas também não conseguisse rejeitá-lo de verdade. Isso fazia com que fosse difícil detestá-lo.

—Haa.

Um sorriso leve escapou. “Exatamente como eu imaginei…”, ele disse… Mas, para Siheon, Ryu Yohan era completamente diferente do que ele imaginava. Mesmo assim, aquilo não o incomodava. Ainda que fosse diferente do tipo de interesse que Yohan demonstrava por ele. Siheon, definitivamente, estava interessado.

 

***

Yohan acabou chegando cerca de cinco minutos atrasado, mas como Noah havia dito, ele apareceu para a aula. Sentou-se ao lado de Noah, como sempre fazia, e acompanhou o conteúdo sem nenhum problema. Por fora, parecia tudo tranquilo.

Mas depois da aula, Jaryeong estava nervoso, observando os dois sem parar.

Afinal, ele tinha ouvido um boato durante o intervalo que o fez duvidar de seus próprios ouvidos.

“Yohan beijou Cha Siheon. Parece que os dois estão namorando.”

Era só um boato – então talvez não fosse verdade. Porém, se aquilo chegasse aos ouvidos de Noah, ele não tinha ideia de como o outro reagiria. Durante todo o intervalo, Yohan não saiu da sala nem por um segundo, mas Noah havia ido ao banheiro com Jaryeong e, depois, até desceu com ele à cafeteria do primeiro andar para comprar uma bebida.

‘Será que Noah ouviu o boato? Se não ouviu, será que eu deveria contar? se escutou… então com certeza ele não deixaria Cha Siheon em paz.’

Com o coração apertado, Jaryeong observava Noah e Yohan  o tempo todo. Mas nenhum dos dois dava qualquer indício de saber do boato.

‘Devo contar? Ou é melhor ficar quieto?’

Ele se afundou em pensamentos, mergulhando-se em dúvidas. Nesse meio tempo a aula terminou.

— Hã… Sunbaes…

Mesmo que Noah fosse sua preocupação, era Yohan – o próprio envolvido – quem mais precisava saber do boato. Quando eles começaram a se levantar e arrumar suas coisas para sair, Jaryeong os chamou, os dois se viraram ao mesmo tempo.

— É que… bem, no intervalo… eu acabei ouvindo um boato…

— Boato?

Yohan repetiu a pergunta. Jaryeong rolou os olhos discretamente, observando a reação de Noah.

— Tem algum boato sobre o Noah?

Yohan perguntou de novo. Vendo Jaryeong lançar olhares para Noah, pareceu pensar que o boato fosse sobre ele.

— Não.— Ele balançou a cabeça e, desta vez, olhou diretamente para Yohan. — É sobre, Yohan Sunbae.

— Sobre mim?

Yohan fez uma expressão de quem não estava entendendo nada.

‘Então era mesmo só um boato sem sentido? Se fosse verdade, ele já teria alguma ideia do que se tratava e não agiria com tanta naturalidade…’

— Ah… por acaso é sobre o beijo que eu dei em Cha Siheon? Isso já se espalhou por aqui?

Com, COF.

Enquanto Jaryeong arregalava os olhos em choque, Yohan apenas esboçou um sorriso leve. Noah, por outro lado, ficou com o rosto tenso.

— Então é verdade? Não era só um boato? Vocês dois realmente estão namorando?

— Só uma parte do boato está certa. Pelo jeito, ele foi ficando cada vez mais exagerado conforme se espalhava.

O próprio Yohan falava como se não fosse nada demais.

— Eu realmente o pedi em namoro, mas ainda não recebi uma resposta. O beijo… foi coisa minha.

Ao ouvir isso, Noah soltou um grunhido baixo. “Ugh…” Jaryeong ficou preso no meio do clima pesado, sem saber o que fazer.

— Você vai mesmo namorar aquele cara?

Noah franziu a testa.

— Se ele aceitar, vou tentar, sim.

— Yohan!

A voz de Noah se elevou. Tanto que até os outros alunos, que estavam saindo da sala, se viraram para olhar.

— Há algum problema em eu namorar com ele?

Yohan perguntou com a voz calma.

— Você nem sabe direito que tipo de cara ele é.

— E por que não posso namorar justamente para conhecê-lo melhor?”

Enquanto Noah parecia realmente preocupado e aflito, Yohan respondia com leveza. E talvez por estar mesmo irritado, Noah apenas o encarou em silêncio.

— É que… hã… eu acho que o Noah sunbae só está  preocupado com você, Yohan sunbae. É que… como posso dizer… vocês dois têm uma relação diferente dos outros…

Jaryeong tentou, de algum jeito, defender Noah.

— Noah.

Yohan passou a alça da mochila sobre um ombro e se aproximou dele. Levantou o braço devagar, passou por trás do pescoço de Noah e deitou suavemente a cabeça em seu ombro.

— Não precisa se preocupar. Você sabe, eu só confio em uma pessoa no mundo, e essa pessoa é você.

As palavras, dependendo de como fossem ouvidas, podiam parecer simples. Mas o tom doce com que ele as disse fez o coração de Jaryeong, que estava ao lado, bater mais rápido.

‘Esses dois… são muito suspeitos.’

Enquanto Jaryeong resmungava mentalmente, Yohan levantou o rosto e encarou Noah de perto. Seus olhos se curvaram em formato de lua crescente, doces e suaves. Sem dizer mais nada, ele tentou derreter a expressão rígida de Noah apenas com um sorriso.

Haa…

No fim, Noah soltou um longo suspiro e passou a mão pela nuca de Yohan, puxando-o de leve para que repousasse no seu ombro.

— Não vou te impedir. Mas não tem como eu deixar de me preocupar.

— Só vai com calma, tá certo?

Yohan deu uma risada baixa, com isso a tensão entre os dois pareceu se dissolver instantaneamente. Noah assentiu com a cabeça, como se finalmente estivesse se rendendo, e os músculos do rosto, antes tensos, já estavam relaxados.

 

***

 

A aula terminou à tarde, mas quando Siheon chegou em casa já passava das nove da noite.

Ele havia encerrado seu trabalho de meio período naquele dia. Não era por falta de dinheiro que trabalhava – infelizmente, sua conta bancária estava transbordando. O motivo de não querer tocar naquele dinheiro era unicamente seu orgulho.

Quando faltavam uns dez metros para chegar em casa, ele avistou um sedã preto estacionado no beco. Um homem que estava do lado do motorista abriu a porta de trás, e outro homem desceu do carro. Sob a luz do poste, o rosto do homem ficou visível, e os passos de Siheon desaceleraram.

— Está atrasado.

A primeira coisa que o homem disse, com um tom de irritação, foi uma cobrança. Eles não tinham combinado nada, e o homem também não havia avisado que viria – mesmo assim, culpou Siheon. Ele apenas ignorou-o e tentou passar direto.

— Ouvi dizer que se inscreveu para o estágio do Grupo RF?

Ao ouvir isso, ele parou.

‘Como ele soube? Bem, se quisesse descobrir, conseguiria facilmente.’

— Então no fim das contas resolveu ir em frente?

Ele evitou todas as palavras-chave. Embora já fosse tarde e não houvesse muitas pessoas por perto, ele parecia preocupado que alguém pudesse ouvir.

— Combina com você, esse tipo de trabalho.

Apesar do tom carregado de sarcasmo, Siheon não reagiu. Já estava mais do que acostumado com aquele jeito de falar, tão familiar quanto detestável.

— Não que vá mudar alguma coisa. No final, você não passa de um cão de caça. Vão te usar o quanto puderem e depois te descartar. De forma miserável. Igual fizeram com aquela mulher.

Siheon cerrou os dentes com força ao ouvir a última frase. Apertou o punho com força, mas não o levantou. Não valia a pena desperdiçar energia com alguém assim.

— Ah, não me entenda mal. Eu vim aqui pra te apoiar, à minha maneira. Quero ver você se debater. Estou curioso para ver até onde consegue rastejar.

O sorriso debochado do homem irritou Siheon.

— Você não tem nada melhor pra fazer não? — Por fim, ele rebateu. — Tem tanto tempo livre assim para ficar esperando por alguém tão insignificante? O cargo de diretor executivo deve ser só para encher linguiça, certo?

A expressão do homem se contorceu com raiva ao ouvir aquilo.

— Bom, faz sentido. Combina perfeitamente com você. Um cargo perfeito para quem não tem competência, só ego inflado.

Siheon puxou o canto da boca num sorriso frio, e o homem tremeu de humilhação.

— Seu filho da-…!

— Diretor! Aqui não, por favor!

O homem ao lado, talvez motorista, talvez secretário, segurou o braço do diretor e tentou contê-lo. Seu olhar se voltou rapidamente para a câmera de segurança instalada no canto do beco. Era um aviso claro de que não seria bom ser filmado cometendo um ato de agressão.

Ele talvez tenha se dado conta disso, pois respirou fundo e se forçou a conter sua raiva.

— Geon Seonwu.

Siheon chamou o nome dele.

— Olha só esse moleque atrevido me chamando pelo nome como se fosse igual! É por isso que você nunca vai sair do fundo do poço!

Geon gritou com raiva.

— Não preciso do seu ‘apoio.’ E não volte a me procurar. A melhor ajuda que você pode me dar é manter essa sua cara longe de mim.

— Esse ….esse …!

Ignorando os tremores de raiva do outro, Siheon passou por ele e entrou no prédio. Do lado de fora, o grito estridente ecoou sem força contra as paredes de vidro, mas não chegaram a Siheon.

“O que não quer ouvir, basta ignorar. Pessoas que não querem ver, é só não olhar. Palavras inúteis que não surtiram efeito, não merecem resposta.”

Foi assim, com olhos, ouvidos e boca fechados, que viveu por mais de vinte anos. Só assim conseguia suportar.

Mas isso também estava chegando ao fim. Ter vivido até aqui, em silêncio e escondendo as garras, foi tudo por causa deste momento.

Parado na entrada, Siheon pegou o celular e voltou a olhar a mensagem recebida. O programa de estágio do Grupo RF. Aquilo era uma oportunidade crucial, um verdadeiro ponto de virada em sua vida.

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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