Ler Controle – Capítulo 07 Online

Modo Claro

 

Yohan escolheu algo rapidamente e devolveu o cardápio ao garçom.

— Podem levar o tempo que precisarem, mas por favor, façam algo delicioso.

Ele pediu com um sorriso doce, e o pescoço do garçom ficou imediatamente vermelho. O homem respondeu com um “sim” meio nervoso. Cha Siheon observou a cena com uma expressão de desaprovação.

— Por que está com essa cara de novo?

Cha Siheon normalmente tinha um rosto inexpressivo, mas dessa vez ele parecia claramente incomodado. Yohan o viu  passando pela universidade e o agarrou, arrastando-o para o restaurante sob o pretexto de que queria conversar. Desde então, Siheon parecia estar de mau humor.

— Deve ser da sua natureza.

— O quê?

— Hipnotizar todo mundo com esse sorriso falso que não tem um pingo de sinceridade.

Apesar da resposta fria, Yohan apenas riu, ainda assim, por dentro, ficou surpreso. As pessoas geralmente ficavam felizes quando ele sorria, assumindo que ele gostava delas. Ninguém nunca questionava se havia ou não sinceridade por trás daquele sorriso.

— Já que nasci com esse dom, melhor aproveitar, não acha?

Ele apoiou o queixo sobre a mão, olhando fixamente para Cha Siheon.

— Se o hyung relaxasse só um pouco os músculos do rosto, sua vida também seria bem mais fácil.

— Igual a você? Não obrigado.

Cha Siheon recusou com firmeza, balançando a cabeça como se não entendesse o estilo de vida de Yohan.

— Dizem que meu rosto pode “persuadir” qualquer um, sabia?

Yohan disse isso quase sussurrando, olhando para ele com intensidade. Ao ouvir tais palavras, Cha Siheon soltou um riso descrente.

— Mas por que será que isso não funciona com você, hein, Siheon?

— Porque, aparentemente, o seu rosto bonito não faz o meu estilo.

— Então quer dizer que, no fundo, você me acha bonito.

Yohan sorriu, pegando a ponta da frase dele. Viu as sobrancelhas de Siheon se contraírem ligeiramente.

— Só porque um rosto é objetivamente bonito, não significa que seja do meu gosto.

— É só questão de gosto, então?

Cha Siheon encarou Yohan em silêncio, com uma expressão que parecia perguntar o que ele realmente queria dizer com aquilo. Yohan também o encarou sem dizer nada.

O olhar que Siheon lançava para ele era frio demais para alguém que apenas “não gostava” do tipo dele. Yohan não sabia se era simplesmente indiferença por todos os seres humanos ou se era, especificamente contra ele, não era falta de interesse, mas talvez aversão.

Bem, seja qual fosse o caso, isso era algo para descobrir mais tarde. Ele o havia agarrado hoje por outro motivo.

— Ontem, você sentiu feromônios de ômega vindo de mim?

Ele foi direto ao ponto. Os olhos de Siheon se estreitaram levemente e depois pousaram firmemente sobre Yohan.

— Se está me perguntando assim… quer dizer que você mesmo não tinha consciência disso?

Ele tinha razão. Yohan assentiu, sem negar.

— Ninguém mais sentiu nada, nem mesmo o Noah.

— Talvez seja porque ele anda com você o tempo todo. Está acostumado.

Esse argumento fazia sentido. Foi justamente por isso que Yohan tinha ido até o laboratório para fazer um exame.

— E… agora? Você ainda sente?

Yohan se levantou e foi se sentar ao lado de Cha Siheon. Assim que a distância diminuiu, o rosto de Siheon ficou tenso, e ele se afastou para trás. ‘Ah, então é isso.’ Dessa vez, Yohan também não forçou e apenas voltou ao seu lugar.

— Que estranho… Eu nem estou no meu ciclo de cio agora. Nem o Noah, nem ninguém sentiu nada. Por que só o hyung consegue sentir?

— …Desde quando eu virei seu “hyung”?

— Você é mais velho que eu, certo? Então não deveria te chamar de “hyung”?

Apesar de ter morado na Rússia, Yohan ia e vinha com frequência para a Coreia, mas ainda não havia se adaptado completamente à cultura local. Na Rússia, amigos se chamavam pelo nome, independentemente da diferença de idade, mas na Coreia, os títulos e formas de tratamento eram inúmeros. Títulos como “sunbae” ou “hyung” ainda não lhe eram familiares.

— Se não gosta de ser chamado de hyung, posso te chamar de Siheon-sunbae? Mas, pensando bem, você nem é meu veterano no curso… Ah, que tal Siheon-ssi?

Quando ele sugeriu outros títulos com um sorriso radiante, Cha Siheon, parecendo incomodado com a conversa longa, balançou a cabeça e disse:

— Deixa pra lá.

— Se você consegue sentir o cheiro do meu feromônio… quer dizer que está no rut por minha causa?

Siheon, que estava prestes a beber água, parou com o copo perto dos lábios e olhou para Yohan. Como alguém podia fazer uma pergunta daquelas com uma cara tão tranquila? Não parecia haver nenhuma intenção sexual na pergunta – apenas pura curiosidade. E isso o deixou ainda mais atônito. Definitivamente, ele era diferente das pessoas com quem Siheon costumava lidar. Era impossível prever suas reações.

— Que tipo de resposta você quer ouvir?

Se ele dissesse que entrou no rut, o que Yohan faria? E se dissesse que não? Ele nem sequer entendia o motivo da pergunta.

— Eu só… fiquei curioso. Será que esse seu rostinho inexpressivo desmorona quando está no rut?

A resposta o deixou ainda mais perplexo. Será que ele era tão atrevido porque cresceu protegido demais, feito um príncipe mimado?

— Se tá tão curioso assim… Quer descobrir?

Siheon devolveu a pergunta em tom provocativo. Ele tinha certeza de que havia deixado um aviso bem claro no dia anterior, mas parecia que Yohan não tinha entendido. — Descobrir? — Yohan inclinou a cabeça, como se estivesse ponderando o significado, e então estreitou os olhos, mostrando um sorriso doce como algodão-doce.

— Não seria uma má ideia.

A resposta inesperada o pegou de surpresa. Sempre imaginou que Yohan tinha sido criado como um jovem protegido pela família, a ponto de ter um cão de guarda sempre ao seu lado, mas talvez não fosse bem assim.

— Só que… eu não sou tão barato assim, sabia?

Yohan acrescentou com um tom casual. Siheon ficou em silêncio, tentando entender o que ele queria dizer.

— Não posso, simplesmente, sair abrindo as pernas para qualquer um.

Ele falava sorrindo, o que só tornava mais difícil entender o que se passava dentro dele. Ao mesmo tempo, Siheon ficou irritado por ser reduzido a “qualquer um”.

— Mas se o Siheon-hyung deixar de ser “qualquer um”, então não tem problema, certo?

Ele estava jogando com as palavras, como se tivesse o poder de elevar e reduzir uma pessoa num piscar de olhos. Se fosse outra pessoa sentada ali, com certeza estaria se sentindo no céu ou no inferno a cada frase de Ryu Yohan.

— Quer namorar comigo?

Essa foi a gota d’água. Siheon não pôde evitar uma risada seca. Fazia apenas dois dias que se conheciam, e agora ele vinha com uma proposta de namoro? Era surreal.

— Por que você é tão leviano?

A frase escapou antes que ele percebesse. Era tarde para voltar atrás. Como sempre, Yohan apenas sorriu, com os olhos curvados de maneira encantadora.

— Não é melhor do que propor sexo sem nem mesmo namorar?

Para Siheon, tanto fazia. Mas Yohan falava com tanta naturalidade, que ele não conseguia sequer pensar em uma boa resposta.

— E se eu disser que não quero?

— Vou persistir até você dizer que sim.

— Ha!

A conversa estava indo por caminhos que Siheon jamais esperaria. Ele sabia que a situação não era desvantajosa para ele, mas aceitar a proposta de Yohan sem resistência deixava um gosto amargo na boca.

— O que você quer de mim, afinal?

Talvez essa não fosse uma pergunta para se fazer a alguém que te propôs namoro. Mas ele não pôde evitar. Não importava o quanto olhasse para Yohan – o jeito como ele o encarava não tinha nada de apaixonado. E ainda assim, agora aparecia com uma proposta dessas só para conseguir transar? Era impossível não desconfiar.

— O que eu quero, hein?

Yohan murmurou, abaixando levemente o olhar como se estivesse refletindo. Os cílios longos, da mesma cor do cabelo, brilhavam ao serem tocados pela luz do sol.

— O direito de observar o Cha Siheon bem de perto? — Ele respondeu de forma brincalhona, com um sorriso inocente. Se ele não conhecesse Ryu Yohan, certamente cairia encantado por aquela expressão. — É que quando eu me interesso por alguma coisa, não sei recuar.

Ou seja, no momento, ele estava obcecado por Cha Siheon. Receber toda a atenção da pessoa mais popular da universidade parecia algo bom, mas estranhamente aquilo não o deixava feliz. Em vez disso, só conseguia se perguntar que tipo de intenção se escondia por trás daquele sorriso tão bonito.

— Uff.

Ele suspirou profundamente e estava prestes a falar quando Yohan o interrompeu com um:

— Espera. Eu gostaria que você pensasse bem antes de responder. Se me rejeitar de cara, acho que vou ficar magoado.

Era revoltante vê-lo falar de mágoa com uma expressão que não demonstrava um pingo de fragilidade. Mas Yohan sabia disfarçar bem sua audácia sob aquele rosto angelical.

Naquele momento, os pratos que haviam pedido chegaram. Siheon pegou os hashis sem responder, deixando claro que não diria nada agora. Yohan, entendendo a indireta, apenas sorriu e começou a comer também.

 

***

 

Faltando 10 minutos para o início da aula da tarde, e ainda sem sinal de Yohan, o rosto de Noah estava cada vez mais fechado. Jaryeong, que assistia à mesma aula, estava sentado ao lado dele, inquieto.

— Quer que eu ligue para o Yohan-sunbae?

Enquanto ele mexia no celular, Noah respondeu na hora:

— Não.

— Mas…

As palavras “Acho que ele ainda está com o Cha Siheon” chegaram até a ponta da língua, mas ele engoliu de volta. Mencionar esse nome agora só deixaria o clima ainda mais tenso, e ele ficou receoso. Até se arrependeu de ter falado sobre o homem antes, quando Yohan perguntou.

— Se ele for faltar à aula, vai avisar. Então não precisa. — Noah tentou parecer indiferente, mas era óbvio que toda sua atenção estava voltada para Yohan. — Não se preocupe.

Ele disse isso, encontrando espaço para consolar Jaryeong, que estava preocupado, com um leve tapinha na cabeça. Se ignorasse essa fixação por Yohan, Noah era uma pessoa incrível – atento aos outros, mesmo que seu foco principal fosse sempre o irmão. Ele sempre notava quando Jaryeong o observava de forma hesitante, e fazia questão de tranquilizá-lo, como agora.

Jaryeong chegou a pensar: “Será que eles realmente estão num relacionamento?” Mesmo estando por perto dos dois com frequência, era difícil afastar essa dúvida. Eram irmãos gêmeos, sim, mas o nível de proximidade entre eles era… demais. Quando Noah tocava o rosto de Yohan com carinho, o olhar dele transbordava afeto. Dava para chamar isso de amor fraternal? Jaryeong também tinha um irmão mais novo, mas aquilo… ele não conseguia entender.

Yohan e Noah… A cumplicidade entre gêmeos já era intensa, mas o que eles tinham parecia ir além – perigosamente além. Algumas pessoas até questionavam se eram realmente gêmeos, mas, como vinham de uma família famosa, suas infâncias haviam sido amplamente documentadas. Eram gêmeos, sim.

— Se algum dos dois arrumar namorado, acho que vai ser o fim do mundo —  Jaryeong comentou, sem pensar.

Noah o encarou, perguntando com os olhos o que ele queria dizer. A frase foi meio indelicada, ele sabia, mas já que tinha falado, então resolveu dizer tudo que pensava.

— Tanto o Yohan-sunbae quanto você… parece que nenhum dos dois aceitaria bem a ideia de ver o outro com alguém. É essa a impressão que passa.

— Não é bem assim.

— …Hã?

A resposta tão tranquila de Noah o pegou desprevenido, e ele demorou um segundo para reagir.

— Eu já tive namorados. Na verdade, vários.

— Hããã?

Jaryeong ficou em choque. O quê? Noah, e não Yohan, já teve namorados? Justamente esse homem que parecia não enxergar mais ninguém além do próprio irmão? Se fosse Yohan quem tivesse tido uma legião de namorados, ele até entenderia. Ele definitivamente chamava mais atenção do que Noah, além de parecer mais sociável.

— O Yohan sunbae também?

Se Noah teve, era lógico supor que Yohan também tivesse tido…

— Não. O Yohan nunca teve nenhum.

— O quê?

A resposta veio sem nem um segundo de hesitação, e Jaryeong ficou de boca aberta. Aquilo, sim, era surpreendente. Justamente o Yohan, que parecia ser do tipo que teria uma fila de pretendentes, tinha sido solteiro a vida toda. Enquanto Noah, que sempre pareceu seguir Yohan como uma sombra, tinha tido muitos namorados? Realmente, é mais fácil medir a profundidade do oceano do que entender o coração de uma pessoa.

°

°

Continua…

 

 

 

 

 

 

 

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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