Ler Controle – Capítulo 06 Online

Modo Claro

 

Ao sair do laboratório, Yohan sentou-se no carro e conferiu novamente os resultados do exame. O resultado não era o que ele esperava. A quantidade de feromônio ômega detectada era tão pequena que seria imperceptível para um humano.

‘Será que Cha Siheon se enganou? É possível?’

Enquanto refletia seriamente, a imagem do rosto dele mordendo seu ombro veio à mente. Foi só por um instante, mas seus olhos pareciam bestiais. Eram os olhos de um predador que parecia prestes a devorar a presa à sua frente de uma só vez. Ao mesmo tempo, a sensação da mão quente deslizando sob a camisa e tocando sua pele nua voltou com nitidez.

Ele sentiu os pelos do corpo se eriçarem. Ele não havia odiado aquilo… Na verdade, queria ver mais daquele rosto sendo tomado pelo desejo.

— Hm…

Yohan soltou um longo suspiro pelo nariz e decidiu dirigir na direção oposta à de casa.

Depois de cerca de dez minutos de viagem, parou em frente a um local cuja entrada tinha uma placa preta com letras cor-de-rosa brilhando, e lá estava escrito: Adult Toy.

Ao abrir a porta e entrar, foi recebido com um sorriso radiante do gerente.

— Há quanto tempo! Por que sumiu todo esse tempo?

Mesmo sem saber o nome, ele nunca esquecia o rosto de um cliente frequente.

— Quer dar uma olhada nas novidades?

Era natural lembrar de Yohan, afinal, o garoto costumava levar quase todos os produtos novos toda vez que aparecia. Um verdadeiro cliente VIP.

Yohan balançou a cabeça e se dirigiu à seção onde brinquedos com formato de pênis masculino estavam expostos em fila. Seus olhos percorreram os formatos protuberantes e variados.

‘Será que é mais ou menos desse tamanho?’

Seu olhar parou em um brinquedo que parecia consideravelmente grosso. Ele estreitou os olhos, tentando estimar o tamanho do que havia sentido contra a coxa quando Siheon se aproximou para morder seu ombro.

— Tem algo mais grosso que esse?

— Claro! Esse é o tamanho americano. Temos também o tamanho africano.

— Mostre, por favor.

Siheon provavelmente era mestiço, com ascendência coreana e americana ou europeia, mas aquela parte do corpo parecia ainda mais promissora. E, no fim das contas, que diferença fazia? O rosto podia parecer asiático ou americano, mas aquilo podia muito bem ser de um tamanho africano.

Diante de Yohan, foi colocado um brinquedo tão grande que ele chegou a se perguntar se aquilo caberia mesmo em seu estreito orifício. O gerente até avisou que aquele tamanho era para “usuários avançados” e que ele não deveria se exceder. Mas Yohan nem pensou duas vezes, apenas entregou o cartão.

— Pode passar a compra.

Com um sorriso radiante, disse isso de forma encantadora. O gerente animado, embrulhou rapidamente o brinquedo, tamanho africano, em uma sacola.

De bom humor, Yohan voltou para o carro assobiando. Ao colocar a sacola no banco do passageiro, soltou um “Ah”, como se algo tivesse lhe ocorrido de repente.

‘Vou chamar ele de “Honey”, inspirado no “Heon” de Cha Siheon. Vamos nos dar bem, senhor Honey.’

Olhando para a sacola com um sorriso inocente, como o de uma criança, ele ligou o carro.

 

***

 

Noah, que estava escrevendo um relatório, ergueu a cabeça e inclinou o pescoço de um lado para o outro, tentando aliviar a rigidez. Os músculos estalaram quando ele os relaxou. Sentindo sede, levantou-se e foi até a cozinha buscar água. Ao passar pela sala, viu Yohan sentado no sofá, enxugando o cabelo molhado.

Ele parecia ter acabado de sair do banho, suas bochechas estavam levemente avermelhadas.

— Quer água?

Achando que ele também pudesse estar com sede, Noah perguntou. Yohan ia responder com um “sim”, mas pareceu que a garganta falhou, então deu uma leve tossida e assentiu com a cabeça. Noah lhe entregou uma garrafa e se sentou no sofá, de frente para ele.

— Passou em algum lugar antes de vir?

Perguntou porque Yohan havia dito que chegaria em casa antes, mas acabou chegando depois dele.

— Dei uma passada no laboratório da RF Pharmaceuticals.

— Por quê?

— Você disse que não sentiu nenhum cheiro vindo de mim, certo? Mas parece que outra pessoa sentiu alguma coisa…

— Tem certeza? Não consigo acreditar.

Noah, murmurou incrédulo. Era difícil aceitar que alguém, logo outra pessoa e não ele, tivesse conseguido captar o feromônio de Yohan, enquanto ele próprio não sentia nada.

— Eu também não sei explicar, por isso fui fazer o exame.

— E o resultado?

—  Negativo. Disseram que só há uma quantidade mínima de feromônio escapando. Tão fraca que um ser humano normal nem perceberia. E ainda falta algum tempo para o meu próximo ciclo de calor.

— Então aquele cachorro louco ou seja lá o que for, deve ter se enganado.

Noah deduziu que devia ser o mesmo cara que mordeu o ombro de Yohan mais cedo. Yohan apenas riu e deu de ombros, mas a expressão em seu rosto mostrava que ainda havia algo estranho naquela história.

— Pode ter sido um engano dele…

Sua voz deixou uma brecha para dúvidas, e Noah fixou os olhos nele, esperando em silêncio. Yohan, sem alternativa, completou:

— Encontrei nossa mãe no laboratório.

— Ah…

Aquela única frase fez Noah entender por que Yohan não estava totalmente confiante no resultado do exame.

— Foi o Cha Siheon, não foi?

Mais cedo, ele fingiu não saber, mas já suspeitava. Entre todos, Cha Siheon era o único por quem Yohan havia demonstrado um interesse claro – a ponto de ir pessoalmente até o prédio do outro departamento só para vê-lo.

O olhar de Noah se desviou para o ombro de Yohan, visível sob o roupão de banho que ele ainda usava. A marca da mordida estava lá, bem nítida. Percebendo o olhar do irmão, Yohan sorriu discretamente.

— Ele disse pra tomar cuidado, que se eu ficar andando por aí assim, não vou poder reclamar de ser mordido por um cachorro louco.

— E foi só isso?

Se realmente fosse o caso de Yohan estar liberando feromônios ômega e Cha Siheon, como um alfa, tivesse sentido… aquilo era o tipo de situação que raramente parava numa simples mordida no ombro. Noah também era um alfa – e, portanto, sabia melhor do que ninguém o tipo de impulso que um alfa sentia ao ser exposto ao feromônio de um ômega.

Era uma tentação doce que fazia a razão desaparecer. Um aroma intoxicante que anulava qualquer preocupação sobre quem era o outro. E, de todos os ômegas do mundo, o único cujo feromônio não provocava qualquer reação em Noah era o de Yohan.

Quando os gêneros dos dois foram definidos, seus pais ficaram preocupados. Chegaram a considerar separá-los, com medo de que, se Yohan entrasse no cio, Noah acabasse não resistindo e ultrapassasse os limites.

Mas, curiosamente, Noah nunca entrou no rut por causa dos feromônios de Yohan. Ele não era incapaz de sentir o feromônio – pelo contrário, reconhecia o cheiro de Yohan melhor do que ninguém –, mas não havia qualquer reação fisiológica. Nenhum impulso. Nenhum descontrole.

Segundo os exames, isso se devia ao fato de que eles haviam se desenvolvido juntos no útero. Eram gêmeos, e o DNA alfa de Noah já estava parcialmente adaptado ao DNA ômega de Yohan desde o início. O resultado era uma espécie de imunidade, de familiaridade absoluta. Isso permitiu que os dois continuassem inseparáveis.

— Teoricamente, parece possível. Assim como você não reage aos meus feromônios, pode haver alguém que reaja a uma quantidade mínima, imperceptível para os outros.

— E esse alguém é o Cha Siheon?

A ideia de que, justo ele, fosse esse “alguém” não agradava nem um pouco a Noah, independentemente de qualquer teoria.

— Vai saber… pode ter sido mesmo só um mal-entendido.

Yohan tentou dar de ombros e tratar o assunto com leveza. Mas para Noah, aquilo não era nada leve. Yohan já estava mostrando interesse demais por aquele cara, e agora ele ainda era sensível aos feromônios dele… era irritante.

— Yohan.

Noah se levantou, aproximou-se dele e segurou seu rosto, levantando-o para que seus olhos se encontrassem. Os olhos esverdeados de Yohan brilharam sob a luz, encarando os dele por alguns segundos.

Yohan, a pessoa mais linda do mundo. Sua outra metade, a mais preciosa…

— Não se aprofunde demais. Mantenha isso no nível de uma brincadeira.

Com a voz baixa e carregada de intenção, Noah deixou o aviso. E, em silêncio, Yohan sustentou o olhar dele.

— Você nem sabe quem é esse cara.

— …Sim.

Yohan assentiu levemente e desviou o olhar. Noah deslizou a mão até o ombro dele, onde as marcas dos dentes ainda estavam visíveis.

— Doeu?

Perguntou com as sobrancelhas franzidas, como se ele próprio tivesse sido mordido. Diferente do tom firme de poucos minutos atrás, sua voz agora estava carregada de preocupação, o que fez Yohan soltar uma risadinha baixa.

— Não muito.

Noah se ajoelhou diante dele, ficando na mesma altura, e puxou a gola da camisa de Yohan para baixo. Ao ver a ferida exposta, aproximou-se e encostou os lábios levemente sobre ela. Quando ele beijo suavemente o ferimento, o corpo de Yohan estremeceu.

— Às vezes fico imaginando como seria… se a gente não fosse gêmeo.

Disse aquilo encostando o rosto no ombro de Yohan, falando baixo. E Yohan, ao invés de empurrá-lo, passou a mão devagar pelos cabelos do irmão.

— Eu gosto das coisas como são.

Yohan respondeu, dando um beijo leve no topo da cabeça de Noah.

— Noah… você é o único em quem posso confiar completamente, sempre.

Se fosse qualquer outra pessoa, isso seria impossível. Mas sendo Noah, a metade que esteve com ele a vida inteira, ele podia confiar.

 

***

 

De pé sob o chuveiro, Siheon inspirava fundo enquanto a água caía com força sobre ele. Mesmo depois de voltar da universidade, aquela fragrância doce não saía de seu nariz.

‘Ryu Yohan…’

Os olhos verdes cor de esmeralda que o encaravam de baixo voltavam à sua mente. Eram ainda mais claros e intensos do que nas fotos ou nos rumores. Por um instante, Siheon se viu tão absorvido por aquele olhar que quase perdeu a razão.

‘E aquele cheiro adocicado… Era definitivamente o feromônio de um ômega em cio.’

‘Mas por que  ninguém percebeu? Mesmo que não fosse seu ciclo completo, um aroma daquele nível deveria ser perceptível…’

Ele já havia estado com vários ômegas, inclusive durante seus ciclos, mas o cheiro de Yohan era diferente. Tinha uma doçura intensa e ao mesmo tempo sutil, como um perfume natural de flores – não algo artificial. Era a primeira vez que sentia algo assim.

Só de lembrar, sentiu o corpo esquentar. Ser arrastado para um ciclo de rut por influência de outro não era algo exatamente agradável. Ainda assim, o fato de não conseguir parar de pensar no cheiro de Yohan o deixava desconcertado.

Ele girou o registro do chuveiro para o lado da água fria. E só quando a água gelada caiu sobre ele, como se fosse congelar seu cérebro, o calor em seu corpo começou a diminuir. Quando saiu do banho, sua expressão já tinha voltado à frieza habitual.

Enxugou-se rapidamente, cobrindo apenas a parte inferior do corpo com uma toalha, e se sentou na cama com o notebook no colo. Abriu o navegador e digitou “Grupo RF” na barra de pesquisa. A página do conglomerado surgiu na tela.

Moveu o cursor até clicar numa pequena barra brilhante no rodapé. “Programa de estágio do segundo semestre do RF Group.” Ficou encarando as letras grandes no topo da página por um tempo. Clique. O botão “Inscreva-se” foi pressionado. Pisca, pisca. O cursor piscava dentro da caixa de texto branca.

Nome do candidato: Cha Siheon.

Letras pretas preencheram lentamente o campo vazio.

 

***

— Ah, vou levantar primeiro.

Após a aula da manhã, Yohan, que observava a paisagem pela janela no saguão do primeiro andar, levantou-se de repente segurando sua bebida. Antes que alguém pudesse detê-lo, saiu apressadamente, deixando Noah e Jaryeong para trás, apenas observando em silêncio as costas dele se afastando.

— Hã?

Jaryeong, que também estava olhando, apontou com o dedo para uma direção específica.

— Aquele ali… não é Cha Siheon?

Na direção que ele indicava, Cha Siheon realmente caminhava. E logo em seguida, Yohan saiu do prédio e se aproximou dele, iniciando uma conversa.

— Hum…? O que é isso?

Jaryeong olhou para Noah com uma expressão que quase parecia precisar de um ponto de interrogação desenhado no rosto. Mas Noah não respondeu – apenas fechou os lábios numa linha reta e ficou observando os dois de longe, seu olhar cravado nas costas deles.

— Ah… hã…

Jaryeong olhou alternadamente entre Yohan e Noah, depois recolheu discretamente o dedo que ainda apontava na direção dos dois. Em silêncio, voltou a tomar sua bebida, apenas sugando o canudo. A atmosfera ao redor de Noah havia ficado subitamente gelada, tão densa e fria que nem uma piada leve parecia apropriada naquele momento.

 

°

°

Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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