Ler Controle – Capítulo 05 Online

Modo Claro

 

— Você…!

Siheon arregalou os olhos, mas engoliu o resto da frase ao ver Yohan apenas piscando inocentemente, como se não entendesse o motivo da reação. O cheiro dos feromônios ômega, que antes ele só havia sentido de leve à distância, agora o atingia com força total – denso, doce, envolvente. Era tão intenso que o corpo de Siheon reagiu de forma automática, e ele sentiu um calor súbito e pesado se concentrar em seu abdômen inferior, quase como se uma chama tivesse sido acesa bem ali. Franziu a testa, incomodado e alerta com a própria reação física, mesmo sem querer.

Era um fato bem conhecido que Yohan era um ômega. Ele mesmo nunca fez questão de esconder isso, então sua condição era praticamente pública. Mesmo assim, andar por aí naquele estado não seria perigoso?

— Onde está seu gêmeo?

— O Noah?

Hoje em dia, mesmo os ômegas, não eram mais vistos com tanto preconceito como antigamente. Nos últimos vinte anos, um medicamento desenvolvido pelo Grupo RF em parceria com a Gallayev Company havia se tornado amplamente utilizado, permitindo que os ômegas tivessem mais controle sobre os ciclos de calor. Além disso, Ryu Jin, do Grupo RF, havia contribuído muito para mudar a percepção social sobre os ômegas.

‘Com um remédio tão bom vindo de uma família influente, por que ele está assim…?’

— Por que está procurando o Noah?

— Você ainda pergunta…!

Ele parou de falar quando finalmente percebeu as reações ao redor. Yohan estava liberando feromônios, e ainda assim, o ambiente parecia surpreendentemente calmo. Ele não poderia ser o único alfa naquela aula – então, por que ninguém mais parecia notar o cheiro de Yohan?

‘Não é possível… Será que só eu estou sentindo esse cheiro?’

— Hah, sério mesmo…

De várias formas, aquele sujeito o deixava esgotado. Não sabia por que os feromônios de Yohan estavam afetando somente ele, mas a situação era desconfortável. Caso não se controlasse, ele mesmo acabaria entrando no rut.

Ignorando Yohan, virou-se e começou a andar rápido. Não tinha inibidores de rut, e não poderia deixar que aquilo acontecesse na escola, ainda mais com Ryu Yohan.

— Hein? Siheon-hyung!

Mas Yohan não estava disposto a deixá-lo ir. Aproximou-se rapidamente e ficou ao lado dele, fazendo com que aquele doce aroma invadisse seu nariz novamente. Siheon cobriu a boca com o braço, mas não adiantou.

— Pare de me seguir.

— Se me evitar tão descaradamente assim… vou acabar me magoando.

Mesmo sendo afastado diretamente, Yohan não pareceu minimamente abalado. Ao contrário, mostrou uma expressão ferida e triste, chamando ainda mais a atenção dos que passavam por ali.

— Ryu Yohan.

Siheon parou de andar e pronunciou seu nome de forma firme, sílaba por sílaba. Yohan também parou e o encarou.

— Estou te avisando. Não se aproxime mais de mim.

— Mas eu não quero…

Respondeu com um sorriso doce, sem hesitação. Aquele sorriso irritou Siheon profundamente. ‘É por isso que não suporto esses riquinhos mimados.’ Aquela arrogância de achar que tudo no mundo tinha que girar ao redor deles era insuportável.

— Eu te avisei claramente. A responsabilidade por ignorar isso é toda sua.

Mesmo com um aviso sincero, Yohan não parecia disposto a recuar. Siheon soltou um longo suspiro, então o agarrou pelo braço e o puxou para mais perto. Talvez pela força repentina, Yohan foi arrastado sem qualquer resistência.

Entraram juntos numa sala de aula vazia ali ao lado. Siheon trancou a porta e o encurralou contra a parede.

— O que significa isso?

Em uma situação como aquela, qualquer um se assustaria. Mas Yohan não demonstrou nenhum sinal de nervosismo. Ergueu o rosto e encarou os olhos de Siheon, sem vacilar.

— Por mais poderosa que seja sua família, você deveria ao menos checar o estado do seu próprio corpo, não acha?

Só então o sorriso desapareceu do rosto de Yohan.

— Se você anda assim por aí…

Ele se aproximou ainda mais, inclinando-se até encostar o rosto no pescoço de Yohan. Ao sentir a respiração dele, Yohan enrijeceu o corpo num reflexo involuntário.

— Não importa o que façam com você, você não terá o direito de reclamar…

No instante em que a voz baixa sussurrou em seu ouvido, a mão de Siheon começou a desabotoar a camisa de Yohan. Os dedos deslizaram por entre o tecido aberto e roçaram seus mamilos, fazendo os pelos finos de seu corpo se arrepiarem instantaneamente.

— Ugh!

Crac!

Yohan deixou escapar um gemido quando Siheon mordeu com força seu ombro. A dor aguda o trouxe de volta à realidade num piscar de olhos. Yohan empurrou Siheon com força, afastando-o, e levou a mão ao local da mordida, apertando a pele machucada. Doía tanto que ele se perguntou se não estava sangrando.

— É melhor parar de brincar desse jeito.

Siheon, que se deixou ser empurrado sem resistência, fitou Yohan com um olhar frio e advertiu:

— Nem todo mundo no mundo vai considerar seu status. Lembre-se de que a qualquer momento você pode ser mordido por um cachorro louco assim.

Depois de dizer apenas o que queria, ele simplesmente saiu da sala sem olhar para trás. Yohan, que ficou sozinho, soltou um suspiro vazio, atônito.

‘Mas que merda foi isso? Por que ele agiu daquele jeito?’

Com as sobrancelhas franzidas, Yohan tentou repassar mentalmente o que havia acabado de acontecer. Repetiu as palavras de Siheon várias vezes em sua cabeça, mas, por mais que tentasse, não conseguia entender o que, afinal, ele havia feito de errado.

‘“Andar por aí assim”… o que ele quis dizer com isso? Será que…?’

Ele rapidamente checou a data no celular, levantou o braço e cheirou discretamente a própria pele.

‘Será que estou no ciclo de cio? Não, impossível.’

Yohan sempre teve um ciclo regular, e nunca apresentou efeitos colaterais com o uso dos remédios, então isso nunca atrapalhou sua vida. Desde que tomasse os medicamentos corretamente, ninguém sequer notava quando ele estava no cio.

Mesmo assim, por precaução, mandou uma mensagem para Noah. Disse onde estava e pediu que viesse encontrá-lo. Em menos de dez minutos, ele apareceu.

— Aconteceu alguma coisa?

Noah chegou ofegante, como se tivesse corrido. Yohan raramente o chamava assim, sem explicação, o que o deixou preocupado.

— Estou liberando feromônio?

A pergunta, inesperada, fez Noah franzir a testa.

— Que bobagem é essa?

Apesar da resposta cética, ele se aproximou e cheirou o pescoço de Yohan.

— Hã? O que é isso?

Sua voz ficou afiada ao avistar a marca de mordida no pescoço exposto pela camisa aberta.

— Bom, é que… — Yohan desviou o olhar — Antes de falar sobre isso, estou ou não estou liberando feromônio?

Noah franziu a testa e balançou a cabeça.

— Não, nada.

Sendo ele um alfa, se houvesse qualquer traço de feromônio no ar, com certeza ele teria percebido. Então talvez não houvesse mesmo nenhum cheiro.

‘Mas então… por que o Cha Siheon…?’

— Yohan. O que é isso?

Noah apontou com o dedo para a marca da mordida.

— Me morderam.

— Óbvio que sei que foi mordido. Eu quero saber quem fez isso.

Noah estava claramente furioso. Dava para ver em seus olhos, que se soubesse quem era o autor da mordida, ele iria atrás da pessoa para deixá-la meio morta.

— Um cachorro louco.

A resposta direta deixou Noah com uma expressão perplexa.

— Está me dizendo que foi mordido por um cachorro louco… e simplesmente deixou por isso mesmo?

Noah conhecia Yohan o suficiente para saber que ele jamais deixaria uma agressão dessas passar batido. Se alguém tivesse tentado forçá-lo a alguma coisa, as suas roupas estariam muito mais bagunçadas, mas não era o caso. Por outro lado, aquela marca estava num ponto delicado, o que o deixava extremamente incomodado.

— Pois é. Foi tão inesperado, então fiquei meio sem reação.

Aquilo sim, foi ainda mais surpreendente para Noah.

‘Você, sem reação?’

Ele o encarou, incrédulo.

‘O mundo podia estar desabando que você continuaria sorrindo. Como assim agora ficou sem reação?’

— Vou para casa.

Mesmo ainda tendo aulas pela frente, Yohan anunciou que queria ir embora. Noah apenas soltou um suspiro abafado e não disse mais nada. Nem sequer perguntou por que Yohan estava ali.

— Aqui, a chave do carro.

Ao sair do prédio, Noah estendeu a chave para Yohan. O olhar dele desceu até a chave na mão do irmão, depois subiu até o rosto de Noah.

— E você?

— Eu vou assistir a aula. Você pode ir na frente e levar o carro.

— Hm…

— Alguém tem que assistir, não é?

‘Quem diria que era tão responsável assim.’

Yohan engoliu o comentário e sorriu levemente. As pessoas geralmente viam Noah como alguém rude, por causa do jeito direto de falar e agir. Mas, na verdade, ele era muito mais sensato e dedicado que Yohan. E, além disso, também era gentil. O problema era que essa gentileza parecia se aplicar somente ao irmão.

 

***

 

Em vez de ir para casa, Yohan foi direto ao laboratório de pesquisas da RF Pharmaceuticals. Ao entrar, cumprimentou os pesquisadores que o reconheceram e seguiu direto para a sala do diretor.

Toc, toc.

Bateu na porta, e a voz do diretor veio de dentro, autorizando a entrada.

— Diretor, sou eu.

Com um sorriso brilhante, Yohan abriu a porta, mas parou ao ver quem estava lá dentro.

— Ora, seja bem-vindo.

Quem o cumprimentou foi sua mãe, Ryu Jin.

— Oh? O que o senhor está fazendo aqui?

— Tinha algumas coisas pra resolver. Mas e você? O que veio fazer aqui?

— Queria confirmar uma coisa.

Tanto o diretor quanto Ryu Jin trocaram olhares curiosos. Embora Yohan estivesse acostumado com aquele ambiente – afinal, desde criança, quando viviam na Rússia, acompanhava a mãe pelos corredores do laboratório –  ele não costumava ir até lá sem um motivo específico, principalmente depois de mais velho.

— Há algum problema com seu corpo?

Yohan negou com a cabeça, acalmando a preocupação do diretor.

— Não, nada disso. Não precisa se preocupar.

Ele se sentou na cadeira em frente à mãe.

— É possível que um ômega esteja liberando feromônio sem que as outras pessoas percebam?

Ryu Jin arqueou as sobrancelhas, sem entender a pergunta.

— Como assim, liberar feromônio sem que os outros não percebam?

— Quero dizer… é possível que um ômega libere feromônio que a maioria dos alfas não conseguem sentir, mas que um alfa específico consiga?

Ao ouvir isso, Ryu Jin estreitou os olhos e soltou um — Hmm… prolongado.

— Não me diga que o Noah não sentiu nada, mas alguém sentiu os seus feromônios?

Um leve sorriso apareceu nos lábios dele, como se achasse a situação divertida. Yohan apenas deu de ombros, ele mesmo não tinha certeza. Mas, pensando bem, a única explicação plausível para o comportamento de Cha Siheon era essa:

‘Que ele tivesse sentido um feromônio que nem mesmo Noah percebeu.’

Para confirmar sua hipótese, ele veio ao laboratório. Queria medir com exatidão se, naquele momento, havia alguma liberação de feromônio fora do normal.

Yohan não quis dar detalhes sobre Siheon, então explicou apenas que um colega de curso comentou que parecia que ele estava liberando feromônio, mas Noah, que é um alfa, não percebeu nada.

O diretor respondeu que isso poderia acontecer em casos muito específicos, e então chamou um pesquisador para levar Yohan e iniciar os exames.

Ryu Jin permaneceu na sala junto ao diretor, acompanhando o processo de avaliação de seu filho.

— Já ouvi falar disso. De vez em quando, há casos em que os feromônios de um ômega passam despercebidos por todos, exceto por uma única pessoa específica.

Ryu Jin manteve os olhos fixos em Yohan, do outro lado da parede de vidro, enquanto falava.

— Mas o senhor também sabe o que isso significa, não é, diretor?

Sua voz era suave e calma, mas mesmo assim o diretor do laboratório sentiu uma pressão inexplicável e conteve um gemido, engolindo em seco.

— O que seria mais apropriado dizer ao Yohan nesse caso?

Com um sorriso gentil, Ryu Jin voltou o rosto para o diretor.

— Considerando que alguém conseguiu sentir os feromônios do Yohan mesmo o Noah não tendo percebido… Fico curioso para saber quem foi.

Ele não deu ordens explícitas ao diretor. Mesmo assim, ele conseguiu decifrar perfeitamente a intenção por trás daquele olhar sorridente. Ele sabia o que dizer ao Yohan sobre os resultados do exame.

 

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Continua…

 

Ler Controle Yaoi Mangá Online

SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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