Ler Controle – Capítulo 04 Online
O prédio do curso de Economia Internacional, onde Yohan costumava assistir às aulas, não ficava muito longe do prédio do curso de Ciência Política e Relações Internacionais.
Assim que parou em frente ao prédio, como era de se esperar, sentiu olhares discretos vindos de todos os lados. Mesmo quem conhecia Yohan não entendia o motivo de ele estar ali, já que era de outro curso e raramente aparecia naquela área.
— Com licença.
Yohan abordou um estudante que passava. Era um rapaz de estatura parecida com a dele e, no instante em que seus olhares se cruzaram, ele percebeu que o outro ficou instantaneamente vermelho. ‘O que será que ele está pensando para ficar assim?’ Enquanto se divertia vendo isso, Yohan mostrou um sorriso gentil e manteve o contato visual.
— Você conhece o Cha Siheon?
— Ah…
A reação sugeria que ele sabia quem era, mas não eram próximos.
— Se não conhecer, você poderia me dar o cronograma das minhas aulas do 4º ano?
Era uma pergunta meio estranha para se fazer a um desconhecido. Ainda assim, Yohan tinha certeza de que aquele estudante conseguiria o que ele queria. Claro, se não desse certo ali, ele tinha outras formas de conseguir. Apenas escolheu o que lhe pareceu o caminho mais rápido.
— Só um instante.
O rapaz pediu que esperasse e entrou no prédio. Yohan ficou observando, curioso sobre o que ele faria, mas permaneceu ali pacientemente. Cerca de cinco minutos depois, o estudante voltou correndo, ofegante, com uma folha de papel na mão.
— Aqui está a grade dos horários das principais disciplinas do 4º ano.
Ele entregou o papel com o rosto vermelho.
— Você foi muito gentil… Obrigado.
‘Realmente, tenho um bom olho para as pessoas.’
Yohan sorriu satisfeito e entregou ao aluno um café que havia comprado antes na cafeteria. Disse que era só uma pequena demonstração de gratidão e pediu que aceitasse. O outro hesitou, dizendo que não precisava, mas no fim acabou aceitando.
Entrando no prédio, ele percorreu o corredor enquanto conferia atentamente a grade horária que havia recebido. Segundo Jaeryeong, Cha Siheon era do 4º ano, então ele deveria estar em uma dessas aulas.
Por não ser do departamento de Ciência Política, sua presença ali atraía ainda mais atenção do que o normal. Pelo menos os alunos de Economia Internacional já estavam acostumados com ele e com Noah.
Enquanto verificava as salas de aula que estavam prestes a começar, finalmente encontrou o rosto que procurava. Sem hesitar, entrou na sala e foi até a frente de Cha Siheon. Ao redor dele, todos os assentos estavam vazios, o que confirmava os boatos de que ele não gostava de pessoas.
— Posso me sentar aqui?
Os lugares estavam livres, então tecnicamente qualquer um podia sentar ali. Mas Yohan perguntou de propósito, para atrair a atenção dele. Quando Siheon levantou a cabeça e viu quem era, franziu a testa de imediato. Claramente não ficou feliz com a presença de Yohan, ironicamente, quanto mais ele agia assim, mais Yohan queria se aproximar.
Parecendo não querer responder, Siheon simplesmente virou o rosto. Pelo menos não disse que não podia se sentar, considerando a situação, até que não foi tão ruim. Yohan deixou a mochila na cadeira ao lado e se sentou.
— Eu não tenho o material da aula.
Murmurou em voz baixa, quase como se falasse consigo mesmo. Ainda assim, pôde notar um leve movimento nos músculos da testa de Siheon. Se fosse qualquer outra pessoa, ou ofereceria para compartilhar ou responderia com irritação, mas Siheon persistiu em fingir que não ouviu.
— Você pode me mostrar?
Apoiando o queixo na mão e inclinando-se para frente, Yohan aproximou o seu rosto do dele de propósito. — Haha! — Siheon suspirou fundo e, com irritação, fechou o livro que estava lendo.
— O que você quer?
A voz saiu fria, cortante. Mesmo assim, Yohan manteve o sorriso.
— Nada em especial. Só pedi para me mostrar o livro, já que estou sem o meu.
— Você nem está matriculado nessa aula.
Essa afirmação fez Yohan parar por um momento.
— Como sabe que eu não estou?
‘Por acaso, ele já tinha me investigado antes, mesmo fingindo indiferença na minha frente? Será que ele se aproximou de mim de propósito e agora está fingindo desinteresse?’
A dúvida surgiu. Afinal, já tinha conhecido outros que agiram exatamente assim. Se fosse o caso, seria decepcionante.
— Você não estava na aula passada.
Cha Siheon respondeu sem nem um segundo de hesitação. Só então Yohan soltou um pequeno suspiro.
— Ah…
Era a primeira semana do semestre, então ele presumiu que aquela fosse a primeira aula, mas pelo visto já tinha ocorrido uma anterior.
— É verdade. Eu não estou matriculado nessa disciplina.
Respondeu com a maior naturalidade e descaramento, o que fez a expressão de Siheon se fechar ainda mais, franzindo a testa.
— Na verdade, eu vim para ver você.
Com essa declaração de interesse completamente escancarada, o rosto de Siheon endureceu. Mesmo que não fosse Yohan quem estivesse dizendo aquilo, em geral, quando alguém demonstra interesse, a reação natural seria, no mínimo, ficar lisonjeado… a não ser que fosse um stalker, claro.
— Qual é o seu objetivo?
Seu rosto deixava claro: Se tem algo pra dizer, diga logo e desapareça. Yohan manteve o olhar fixo em Siheon e sorriu com um canto da boca.
— Nenhum.
A resposta seca fez as sobrancelhas de Siheon se contraírem de novo. Uma mudança tão sutil que passaria despercebida para a maioria, mas Yohan a captou perfeitamente.
— Huu…
Ele ouviu Siheon soltar um longo suspiro. Esperava que ele dissesse algo rude, mas, em vez disso, o rapaz simplesmente desviou o olhar, como se estivesse desistindo. A atitude dizia claramente: “Não me importo se você ficar ou sair.”
‘Seria melhor se ele ficasse indignado ou pelo menos irritado. Mas isso aqui é um muro ainda mais intransponível do que eu imaginava.’
‘E agora?’
Enquanto pensava no que fazer, o professor entrou na sala. Seu olhar percorreu a turma e parou em Yohan. Com aquela aparência chamativa, era difícil passar despercebido.
— Você não me parece ser aluno do nosso curso.
Disse o professor, empurrando os óculos para cima do nariz.
— Não sou mesmo, professor.
— Então, por que está sentado aí?
— Ouvi rumores de que as aulas do senhor são excelentes, então vim assistir como ouvinte.
Ele respondeu com um sorriso desinibido. O professor soltou uma risadinha sem graça.
— Minhas aulas podem ser difíceis para um ouvinte. Você sabe que esta é uma disciplina obrigatória do quarto ano?
— Claro, professor.
— Vai ser complicado para alguém sem base.
— Quer dizer então que, se eu tiver a base, posso assistir?
Diante da expressão confiante de Yohan, o professor estreitou os olhos. Parecia estar desafiando-o, como quem diz: Então prove.
— Explique a diferença entre Ciência Política Internacional e Relações Internacionais.
A pergunta inesperada, causou um burburinho entre os alunos. Todos os olhares se voltaram para Yohan. Até Cha Siheon o olhava agora com um ar de desafio, como quem diz: Vamos ver se responde mesmo. O canto dos lábios de Yohan se curvaram sutilmente.
— Os termos Ciência Política Internacional e Relações Internacionais às vezes são usados como sinônimos, mas estudiosos da área – especialmente aqueles especializados no comportamento político – costumam fazer uma distinção entre eles. Ciência Política Internacional tem um significado mais restrito: ela se concentra no estudo das interações políticas entre dois ou mais Estados, especialmente quando essas interações envolvem a busca por interesses e objetivos nacionais nas áreas da política, segurança e assuntos militares. Um dos principais acadêmicos que destacou essa abordagem foi o professor Hans Joachim Morgenthau. Já as Relações Internacionais abrangem um campo mais amplo. Elas não se limitam apenas aos aspectos políticos ou militares entre Estados, mas também consideram fatores econômicos, sociais, culturais e até ambientais, envolvendo não apenas governos, mas também organizações internacionais, ONGs…….
Da boca de Yohan saiu uma explicação tão técnica e articulada que muitos alunos de Ciência Política ficariam no chinelo. O professor também parecia genuinamente surpreso, ele claramente não esperava uma resposta tão completa.
— Foi uma excelente resposta.
Quando Yohan terminou, o professor reconheceu com sinceridade. Alguns estudantes até deixaram escapar um “uau” impressionado.
— Se quiser, pode assistir às aulas.
O professor deu sua permissão. E Yohan sorriu ainda mais radiante do que antes.
— Gostaria de ficar, mas acho que já causei confusão demais. Procurarei o senhor numa outra oportunidade, professor.
Ao dizer isso de maneira elegante, levantou-se com naturalidade e pegou sua mochila. Do outro lado, Cha Siheon o observava com uma expressão incrédula. Depois de toda aquela cena, dizer que não ia assistir à aula e simplesmente sair… era realmente estranho. Yohan lançou-lhe um leve sorriso antes de deixar a sala de aula. Provavelmente, durante toda aquela aula, Siheon ficaria pensando nesse “cara esquisito”. Por ora, isso já bastava.
***
Era uma aula de apenas uma hora, então terminou rapidamente. Enquanto Siheon salvava suas anotações no tablet, sentiu o celular vibrar dentro do casaco. Ele pegou o aparelho, checou a tela e leu a mensagem sem demonstrar qualquer emoção.
Ao se levantar, discou para o remetente. Não demorou para ouvir um [Alô?] do outro lado.
— É o Cha Siheon.
A outra pessoa o cumprimentou de forma seca, e não perdeu tempo, indo direto ao assunto, Siheon apenas escutou, respondendo de forma concisa: que não havia problemas e que tudo estava correndo conforme o planejado. A ligação foi curta, tempo suficiente para ele pegar sua mochila e chegar até a porta da sala.
Do outro lado do corredor, encostado na janela em frente à porta da sala, estava Ryu Yohan, impossível de ignorar, observava-o com aquele visual deslumbrante.
— Siheon hyung.
O modo direto como Yohan o chamou tornava impossível fingir que não o viu. Ele ainda acenou com um sorriso radiante. Até mesmo os alunos que não conheciam Yohan – se é que havia alguém assim – viraram-se para olhar.
— Me elogie. Esperei quietinho até o fim da aula.
Siheon pensou que, em toda sua vida, jamais havia encontrado alguém tão descarado. E o pior era que aquela cara de pau vinha embalada num rosto doce como o de um anjo. Se ele ignorasse Yohan agora, todos o considerariam o frio e insensível da história. Não que ele se importasse com sua reputação – ser visto como rude ou mau nunca o incomodou –, mas sabia que, mesmo se tentasse passar direto, era evidente que aquele sujeito não o deixaria em paz.
— Huuu.
Sem perceber, ele soltou um suspiro longo. Mesmo assim, encarou Yohan diretamente, sem desviar o olhar. O outro então abriu um sorriso ainda mais gentil, curvando os olhos de maneira encantadora. Era, de fato, um rosto absurdamente bonito, o suficiente para enfeitiçar. Além disso, por algum motivo, o cheiro característico de um ômega pairou no ar. Ainda muito sutil, perceptível apenas para alfas com sentidos mais apurados, porém… se continuasse assim, poderia se tornar algo perigoso.
Mas… perigoso por quê? O que importava isso, afinal?
— Qual o motivo?
Foi direto ao ponto. Por que, afinal, estava interessado nele? A pergunta foi jogada abruptamente, sem rodeios, mas Yohan entendeu perfeitamente – e até pareceu gostar. Seus olhos se estreitaram num sorriso quase satisfeito. Siheon se perguntou, por um instante, que tipo de expressão ele faria se dissesse que não gostava daquele sorriso. Mas não deixou transparecer o pensamento.
— Eu disse, não disse? Você despertou meu interesse.
— Por causa da cor dos meus olhos?
Lembrou-se do comentário feito por Yohan mais cedo, quando ele invadiu a aula, e devolveu a pergunta com ironia. Yohan apenas o olhou com aquela expressão límpida e olhar puro – se alguém de fora visse, juraria que ele estava sinceramente encantado pelo outro. — Pfft — Siheon soltou um riso curto e cínico, o canto dos lábios se curvando para o alto.
— São lentes de contato. Satisfeito?
A resposta veio seca, como quem dizia “então pare com isso e caia fora”. Mas Yohan não recuou nem um milímetro. Continuou sorrindo com os olhos semicerrados, encarando-o.
— Mentira. A cor é diferente das lentes.
Yohan deu um passo à frente, aproximando seu rosto de Siheon. A distância entre eles era de menos de um palmo. E então, o aroma doce, antes leve, espalhou-se com intensidade, atingindo em cheio as narinas de Shieon.
— Tch.
Por reflexo, Siheon agarrou os ombros de Yohan e o empurrou para trás. Surpreso com a reação, os olhos de Yohan se arregalaram.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)