Ler Controle – Capítulo 03 Online

Modo Claro

O refeitório da escola estava barulhento e cheio. No meio da agitação, Yohan sentou-se tranquilamente para almoçar.

— Sério mesmo, você tem uma personalidade terrível.

Noah resmungou, sentando-se à sua frente. Ele não gostava de comer no refeitório, não importava se a comida era boa ou ruim, ele simplesmente detestava lugares lotados. Mais precisamente, ele odiava o fato de que todos os caras ali ficavam olhando para Yohan como se ele fosse uma celebridade.

— Daqui a alguns meses, nem se quisermos vamos poder vir aqui. Aproveita enquanto pode, isso também vai ser uma memória valiosa no futuro.

Yohan disse, sem se importar com os olhares ao redor. Na verdade, ele parecia até gostar da atenção. Em certos momentos, era como se ele se divertisse com aquilo, chegando a sorrir de volta quando alguém desconhecido cruzava o olhar com ele. Noah balançava a cabeça com descrença toda vez que alguém, encantado com aquele sorriso, se apaixonava por Yohan à primeira vista.

Era por isso que ele dizia que o Yohan tinha um péssimo caráter.

— Vai pra casa esse fim de semana?

Noah perguntou.

— Onde?

— Pra casa.

— A casa principal?

Yohan inclinou a cabeça pensativo, mas logo seus olhos se curvaram suavemente num sorriso. Para os outros, seria apenas um sorriso bonito, mas Noah franziu a testa.

— Porque está rindo?

— É que… Estou animado para ver o que eles vão aprontar dessa vez.

— Humm.

Noah fechou a cara e balançou a cabeça, mas o sorriso de Yohan só cresceu.

— Não importa o que eles façam, são tão patéticos que chega a ser divertido.

Ele não estava sendo irônico – realmente achava aquilo divertido. A casa principal do Grupo RF, o lado materno da família deles, nunca foi um lugar agradável para eles. Quando eram crianças, os parentes cochichavam sobre eles serem “mestiços” e sobre o pai deles, Ilya, pertencer a máfia russa. Mesmo sem entender o significado de “máfia” ou “mestiço” na época, eles conseguiam sentir claramente o desprezo nas palavras.

Depois que chegaram à adolescência e seus gêneros foram definidos, os comentários voltaram-se a Yohan, agora criticado por ser um ômega. Diziam abertamente que era uma vergonha para a família alguém como ele nascer ômega, ainda mais dentro do poderoso Grupo RF. Muitas vezes falavam isso de propósito, bem alto, para que ele ouvisse. E foi aí que Noah começou a rosnar para eles como um lobo pronto para atacar. Eles estavam atacando a pessoa mais preciosa de sua vida – é óbvio que ele reagiria.

Yohan, que cresceu na Rússia e raramente vinha à Coreia, não ligava muito para o que aquela gente dizia.

⟨Eles só estão com inveja. Então é melhor ignorar.⟩

Ele sempre dizia isso tentando acalmar, Noah quando o irmão ficava furioso pronto para sair no soco. Conforme os dois cresciam, tornavam-se cada vez mais destacados entre os primos. Boletins impecáveis, aparência acima da média, até mesmo em esportes e artes – ninguém conseguia se comparar. Por isso mesmo, não só os primos, mas até os adultos da família pareciam se incomodar só de olhar para Yohan.

Com Noah, que era um alfa, eles eram um pouco menos hostis. Como era considerado “natural” que alfas fossem superiores, os comentários eram mais brandos. Mas Yohan, um ômega que superava até os alfas… Ele era como uma farpa nos olhos de todos.

⟨Eles realmente não aprendem.⟩

Yohan diziam, rindo como se aquilo não tivesse importância.

Mesmo com a mãe, Ryu Jin, sendo a pessoa mais capaz da RF Group e provando isso diariamente, aqueles idiotas continuavam tapando os olhos e se recusavam a ver.

— Claro que vou. Dessa vez, estarei lá com certeza.

Yohan disse com um sorriso leve. Noah assentiu, sem protestar. No próximo fim de semana, haveria uma reunião na casa principal do Grupo RF para celebrar a posse de Ryu Jin como presidente do conglomerado. Eles tinham que ir.

— Nossa mãe é incrível. Conseguir se tornar presidente cercado daqueles idiotas.

— É óbvio. Nenhum deles chega aos pés dele.

— Não é nem isso o que me impressiona. O que me surpreende é ele ter aguentado décadas de perseguição só por ser ômega. Se fosse comigo, eu já teria exterminado todos.

‘Por ser um ômega.’

Noah estava genuinamente furioso com isso. Mesmo sendo um alfa, ele era diferente dos outros. Não se gabava por ser alfa nem menosprezava os ômegas de forma leviana. Cresceu ao lado de Yohan e tinha Ryu Jin como mãe, então isso era natural para ele.

Os tempos haviam mudado. Com o desenvolvimento de vários medicamentos, os ômegas podiam viver socialmente sem grandes restrições, e muitos deles se destacavam atuando ativamente em diversas áreas. Ainda assim, dentro do Grupo RF, a percepção de desprezo pelos ômegas ainda persistia. Era irônico, considerando que a RF Farmacêutica, famosa justamente por desenvolver remédios de modificação genética para ômegas, fazia parte do mesmo grupo. Talvez fosse uma forma de resistência contra o próprio Ryu Jin.

— Exterminar eles? Por quê? — Yohan respondeu com um sorriso. — É mais divertido deixá-los vivos e atormentá-los. Não é fofo quando eles se desesperam toda vez que perdem para mim?

Noah estalou a língua em desaprovação. — Só você acha fofo. Pros outros, é só irritante — ele retrucou, pegando uma colher de sopa.

— Sunbaes!

A voz surgiu do nada, fazendo Noah quase derrubar a sopa. Ele virou o rosto com uma expressão incomodada, mas ao ver quem era, relaxou os músculos do rosto.

— Se iam comer aqui, podiam ter me avisado.

Com olhos grandes e expressão gentil, o rapaz – um pouco baixo para os padrões masculinos – colocou sua bandeja sobre a mesa e sentou ao lado de Noah. Era Woo Jaryeong, um colega mais novo do mesmo curso, conhecido por ser particularmente apegado a Yohan e Noah.

— Se soubéssemos que as aulas terminariam no mesmo horário, teríamos chamado.

E, além disso, ele era a única pessoa com quem Noah não alarmado.

— Ah, Yohan Sunbae, se não for comer isso, posso pegar?

Jaryeong apontou para um dos acompanhamentos que Yohan havia deixado. Como ele já estava quase terminando a refeição, empurrou a bandeja na direção de Jaryeong com um aceno.

— Fica à vontade.

Jaryeong sorriu como uma criança feliz e transferiu os acompanhamentos para sua própria bandeja.

— Noah Sunbae, já escolheu o professor que vai orientar sua monografia?

Ele perguntou enquanto mastigava um pedaço enorme de tonkatsu. Noah estalou a língua e puxou um guardanapo, entregando-o ao hoobae.

— Primeiro limpa a boca e engole direito antes de falar.

A atitude protetora, como a de um irmão mais velho, fez Yohan esboçar um pequeno sorriso. Dentro da universidade – e talvez até fora dela – era raro Noah não estar em guarda com alguém. Mas fazia sentido: Woo Jaryeong nunca olhou para Yohan com segundas intenções. Ele os seguia como um cachorrinho segue seu dono, e isso era tudo.

— Os outros sunbaes estão todos enlouquecidos por causa da monografia, mas vocês dois parecem tão tranquilos. Já terminaram?

— Eu meio que terminei.

A resposta de Yohan fez os olhos de Noah se arregalarem.

— Você terminou escondido de mim? Traidor!

— Não precisei me esforçar muito. Só organizei o que já tinha em mente.

Enquanto outros sofriam com suas teses, ele falava como se estivesse escrevendo uma resenha de livro.

— Terminou sem ajuda do professor?

Os olhos de Jaryeong brilharam de admiração. Noah riu ao ouvi-lo perguntar se Yohan era um gênio.

— Só percebeu isso agora?

Embora as notas de Noah fossem ótimas também, as de Yohan estavam em outro patamar. Às vezes, Noah até suspeitava que ele ajustava suas notas para menos apenas para não deixá-lo muito atrás.

— Ainda vou mostrar ao professor. Deve ter alguma coisa para corrigir.

Yohan respondeu de forma modesta. Enquanto Jaryeong ficava maravilhado, Noah, que olhou para Johan, soltou um gemido abafado. Mesmo levasse para o professor, seria difícil encontrar algo que precisasse de correção. Yohan conhecia a matéria melhor do que muitos docentes do curso.

— Ah, é verdade. Ouvi dizer que o Cha Siheon apareceu na aula que vocês tiveram hoje?

‘Cha Siheon.’

Ao ouvirem o nome, tanto Yohan quanto Noah reagiram de imediato. Os olhos de Yohan brilharam de curiosidade, enquanto Noah franziu levemente a testa.

— Você conhece o Cha Siheon?

— Bem, só de vista. Ele não ficou tão famoso quanto os sunbaes, mas virou uma sensação em poucos dias. O cara tem um porte físico ótimo, é bonito… E você viu a cor dos olhos dele? São azuis! À primeira vista, parece um coreano qualquer, mas por causa da cor dos olhos, tem muita gente cochichando sobre ele por aí.

— Hm…

Yohan estreitou os olhos, olhando para Jaryeong.

— E?

Ao perceber que ele queria ouvir mais sobre Cha Siheon, Jaryeong piscou rapidamente e, em seguida, lançou um olhar hesitante para Noah. Era como se estivesse pedindo permissão: agora que Yohan demonstrava interesse, será que podia continuar? Noah apenas deu de ombros, indicando que ele podia falar à vontade.

— Na verdade, não se sabe muita coisa sobre ele. Só que um dia apareceu do nada, sabe? Parece que ficou afastado por três anos e voltou neste semestre. Então, praticamente nenhum dos alunos atuais o conhece.

Se era um aluno do quarto ano que havia passado três anos afastado, era compreensível que quase ninguém soubesse quem ele era. De certo modo, isso explicava o motivo de não haver tantos rumores sobre ele, apesar de sua aparência marcante.

— E dizem que ele tem aquela personalidade típica de alfa que não gosta de gente. Algo assim?

— Ele não gosta de pessoas?

Yohan perguntou de volta.

— Não parece? Mesmo quando alguém fala com ele, mal responde. E pelo que sei, ele também não se enturma com os colegas do curso. Nem entrou em nenhum clube.

— Ah, faz sentido.

Noah assentiu, como se agora estivesse entendendo melhor.

— Mas por que ele não gosta de gente?

Jaryeong balançou a cabeça diante da pergunta de Yohan. Disse que isso ele também não sabia.

— Melhor não se aproximar demais. Ele é um alfa. Nunca se sabe o que pode acontecer.

Ao ouvir a palavra “alfa”, Noah imediatamente ficou tenso. Yohan apenas sorriu de canto, sem confirmar nem negar nada.

— Não seja imprudente. Se você entrar no ciclo de calor, pode não ser algo fácil de controlar como você imagina.

Noah advertiu mais uma vez.

— Está tomando os remédios direitinho?

— Mas e se for ele quem entrar em rut?

Era uma possibilidade. Yohan sabia o que preocupava Noah, mas não achava necessário se preocupar tanto só porque ele era um alfa. Se Cha Siheon estivesse interessado nele por ser um ômega, não teria mudado de lugar durante a aula.

‘Mas… e se eu entrasse em cio na frente de Cha Siheon? Como ele reagiria? Será que aquele rosto sempre frio se desmancharia em desejo? Seria interessante ver isso…’

— Pare de pensar besteira.

Noah cortou os devaneios de Yohan de forma seca.

‘Droga. Esse garoto é mesmo o mais difícil de lidar.’

Yohan o encarou com um sorriso tão doce que parecia derreter. Diante daquele sorriso, Noah não teve escolha a não ser suspirar profundamente e desviar o olhar e virar o rosto.

— Você sabe de que curso o Cha Siheon é?

Yohan voltou a perguntar a Jaryeong.

— Ah, então… é que…

Ele sabia, mas não tinha certeza se podia contar. Seus olhos rodaram inquietos até pousarem em Noah, que fingiu não ver se levantou e pegou as bandejas vazias dele e de Yohan.

Quando ele saiu para devolver as bandejas, Yohan perguntou a Jaryeong de novo.

— Então, qual é o curso dele?

Ele sorriu com gentileza ao repetir a pergunta.

— Ciência Política e Relações Internacionais…

— Valeu.

Assim que ouviu a resposta, Yohan se levantou, e o olhar de Jaryeong o acompanhou automaticamente.

— Aonde você vai?

— Quem sabe?

Respondeu com outra pergunta e pegou a mochila. Ele se virou e começou a andar, Jaryeong, desconcertado, chamou:

— Yohan sunbae! E o Noah sunbae?

— Está tudo bem.

Acenou com a mão e saiu do restaurante estudantil.

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Continua…

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SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
 
(Trecho de CTRL.)

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