Ler Controle – Capítulo 02 Online
— No que você está tá pensando?
Yohan achava que não estava transparecendo nada, mas parece que Noah percebeu.
— Em nada.
Ele respondeu com um sorriso tranquilo, quase inocente, o irmão estreitou os olhos, desconfiado, mas não insistiu. Nesse momento, o professor entrou pela porta da frente. Yohan fez um leve gesto com a cabeça na direção do professor, sugerindo que era hora de prestar atenção, Noah soltou um pequeno resmungo de concordância e logo se sentou. Yohan também se virou para a frente, mas sua atenção estava totalmente voltada para o desconhecido sentado à sua direita.
O rapaz não fez nenhum movimento suspeito. Durante toda a aula, ele não olhou para Yohan nem uma única vez. Passou o tempo inteiro com a mesma expressão neutra, encarando o professor na frente da sala, nem no intervalo ele se mexeu. Mesmo com os outros alunos conversando alto ao redor, ele não foi ao banheiro, não saiu para tomar café no corredor. Também não folheou o material de estudo com interesse.
Era como se tudo simplesmente passasse por ele – a aula, o barulho, as pessoas. Ele parecia viver num mundo à parte, isolado do resto.
— Quer beber alguma coisa?
Noah se levantou e perguntou. Yohan balançou a cabeça, mas logo murmurou:
— Ah quer saber…. Quero suco de morango com banana. Com frutas frescas, batido na hora.
Noah reclamou da escolha aleatória, mas aceitou e saiu da sala. Como aquele suco só era vendido no café do saguão, no primeiro andar, ele provavelmente levaria um tempo para voltar – mas mesmo assim, não demonstrou nenhum sinal de incômodo.
‘Esse cara realmente, seria um namorado tão atencioso. É uma pena ainda estar solteiro.’
— De que departamento você é?
Cerca de um minuto depois de Noah sair, Yohan virou-se para o rapaz ao lado e perguntou. Pela primeira vez, o desconhecido olhou para ele.
‘Olhos azuis…? Ele é mestiço?’
A cor inesperada de seus olhos o surpreendeu, mas Yohan não deixou transparecer. Em vez disso, sorriu.
— Não lembro de ter visto você antes… Você não é do nosso curso, certo?
— …
O rapaz ficou apenas o encarou em silêncio, como se não pretendesse responder, e então começou a desviar o olhar.
‘Nossa, isso não é um pouco rude? Eu estou aqui todo simpático, e o cara me ignora assim?’
Com o orgulho ligeiramente ferido, Yohan tentou esconder a frustração e sorriu com ainda mais intensidade.
— Eu sou Yohan Galayev. Meu nome coreano é Ryu Yohan. Minha mãe é coreana.
Deliberadamente, ele mencionou o sobrenome Galayev e estendeu a mão, achando que, se o outro fosse mestiço, reagiria ao nome. Mas, mais uma vez, o homem apenas olhou para sua mão sem se mover. Depois de alguns segundos de silêncio constrangedor, Yohan recolheu a mão.
— Você não vai me dizer seu nome? Eu disse o meu…
Com um leve tom de birra, ele tentou de novo. O outro então virou o rosto, ainda sem emoção, e respondeu:
— Galayev ou Ryu Yohan, tanto faz. Não me interessa.
A voz dele era ainda mais grave do que Yohan esperava. Um tom rouco e baixo, mas agradável, que fez o fez arrepiar.
— Mas eu me interessei.
Ele respondeu com um sorriso, provocador, com isso o rapaz voltou a encará-lo.
— Especialmente pela cor dos seus olhos.
Como o outro havia abandonado as formalidades primeiro, Yohan também não viu necessidade de manter o tratamento polido. Quando mencionou a cor dos olhos, o desconhecido finalmente franziu a testa.
— Dispenso esse tipo de curiosidade inútil.
— Vai ver nem é tão inútil assim.
Ele achou curioso o fato de o outro ter dito, com todas as letras, que alguém com o nome de Galayev e pertencente ao grupo RF era “inútil”. Podia até ser que o rapaz não tivesse interesse nele, mas dizer assim, sem rodeios, que era inútil? Era a primeira vez que alguém fazia isso. Yohan não sabia se ele falou aquilo por pura ignorância ou porque, mesmo sabendo, simplesmente não se importava.
— Mesmo assim, a gente vai se ver nesse curso pelo semestre inteiro. Acho que podia pelo menos me dizer seu nome, certo?
‘Por que será que, quando alguém demonstra desinteresse, a gente sente ainda mais vontade de cutucar?’
Yohan estava exatamente assim agora. Claro que a aparência e a aura do cara o intrigavam, mas, se o sujeito tivesse demonstrado o mínimo de interesse, ele provavelmente já teria deixado pra lá. Não insistiria tanto por um nome.
O rapaz soltou um suspiro carregado de irritação.
— Cha Siheon. Satisfeito?
Era como se estivesse dizendo: “Toma, agora some.” Disse o nome como quem queria encerrar o assunto e logo virou o rosto na direção do professor, mostrando que não queria mais conversa.
— De que curso você é?
— …
— Você não é do nosso. Por que está assistindo essa aula? É disciplina do quarto ano.
Não era uma matéria eletiva, e sim uma disciplina importante do curso. Algo que um aluno de fora não escolheria por hobby. Então ver aquele rosto desconhecido ali, do nada, era mesmo intrigante.
Cha Siheon, no entanto, continuou de boca fechada, com os lábios cerrados em linha reta, fingindo não ouvir. Quanto mais ele ignorava, mais Yohan sorria com aqueles olhos semicerrados. Só o fato de Ryu Yohan puxar assunto com alguém já era o suficiente para atrair olhares ao redor.
— Sr Cha Siheon. Siheon-gun. Siheon-ah…
Yohan testou todos os tipos de tratamento, usando a voz mais doce que tinha. Os alunos das fileiras da frente e de trás, claramente enfeitiçados, agora encaravam descaradamente a cena. Mesmo assim, Siheon não cedeu.
— Siheon hyung?
Ao chamá-lo com um tom manhoso, cheio de provocação, as sobrancelhas do outro se franziram. — Haah — Ele suspirou fundo e se levantou de repente. Pegou o tablet com o material da aula que estava sobre a mesa e o enfiou na mochila. Yohan ficou observando, sem entender o que ele estava fazendo, até vê-lo pegar a mochila e ir se sentar em uma das cadeiras vazias à frente.
— Hã?
Yohan soltou uma risada seca.
‘Então ele realmente tinha sentado ao meu lado por acaso? E agora que estou incomodando, resolveu fugir? Nossa…’
Não era como se sua autoestima tivesse sido ferida ou estivesse irritado. Era mais uma sensação de surpresa.
‘Então existe gente assim mesmo…’
Era um tipo que ele nunca tinha visto ao seu redor. Um cara que não demonstrava o mínimo interesse, nem mesmo por Ryu Yohan, que normalmente atraía todos os olhares.
‘Será que pessoas como ele chegam a se interessar por algo ou alguém?’
Yohan sentiu uma curiosidade genuína. Como seria ver alguém tão indiferente, que tratava tudo como irrelevante, se apaixonar por algo? Aquilo o instigava.
⟨Yohan, você puxou ao Ryujin. Tem curiosidade demais pelas coisas erradas. Um dia isso ainda vai te meter em encrenca.⟩
Não sabia por que aquelas palavras do seu pai, ditas com reprovação, vieram à mente agora. Mas ele não podia negar. Era uma curiosidade absolutamente inútil – e mesmo assim, não conseguia se livrar dela.
O que ele poderia fazer? O tal de Cha Siheon já tinha chamado sua atenção.
— Toma.
Uma mão colocou sobre a mesa um copo transparente com suco de morango e banana.
— Hmm. Valeu.
Yohan aceitou com um sorriso, mas os olhos de Noah se voltaram para a cadeira vazia ao seu lado.
— E o cara que estava aqui?
Parecia que, mesmo tentando disfarçar, ele tinha notado e se incomodado com o desconhecido. Yohan apenas gesticulou com a cabeça, apontando para a frente.
— Mudou de lugar?
A pergunta trazia, a dúvida que ele não disse em voz alta: “Por quê?”.
— Porque eu o estava incomodando.
Yohan respondeu com um sorriso radiante. Achou que não dava na cara, mas ao que pareceu, Noah havia notado. Ele franziu o cenho, como se não conseguisse imaginar Yohan sendo o inconveniente, em vez do contrário.
— Já ouviu falar de alguém chamado Cha Siheon?
Mesmo que parecesse ter um complexo de irmão mais velho só por Yohan, Noah tinha uma rede de contatos surpreendentemente vasta e sempre sabia dos boatos. Pensando em como tanto ele quanto Noah sempre atraíam olhares, ele imaginou que alguém com a aparência marcante de Cha Siheon, com aqueles olhos azul-claros tão incomuns, devia ser conhecido por alguém.
— Cha Siheon?
Noah repetiu, inclinando a cabeça. Pelo visto, não era um nome que lhe vinha à mente com facilidade. O que, por si só, era estranho. Como ninguém o conhecia? Com um rosto tão marcante e aqueles olhos azuis de outro mundo? A não ser que ele tivesse realmente caído do céu ou brotado do chão…
— Hmmm…
Yohan soltou um som comprido pelo nariz, e Noah o encarou com os olhos semicerrados.
— Você…
— Não é nada disso.
Ele adivinhou o que Noah estava prestes a insinuar, então cortou a frase com um sorriso suave. Sabia que estava sendo analisado por ele, mesmo assim desviou o olhar para Cha Siheon, que estava sentado à frente deles. Como se seguissem um comando silencioso, os olhos de Noah também se viraram para o homem.
— Ele só é… diferente. Fiquei curioso, quero saber mais sobre ele.
Quando Yohan verbalizou sua curiosidade por Cha Siheon, Noah estalou a língua, visivelmente irritado. Se Yohan decidisse perseguir algo, ninguém poderia detê-lo – e Noah não era exceção.
— Deixa eu brincar um pouco, acho que vai ser divertido por um tempo.
Seus olhos verde-esmeralda brilharam com um entusiasmo travesso. Noah balançou a cabeça, resignado, como se dissesse: “Faz o que quiser.” Claro, ele não pretendia ficar de braços cruzados.Não importava o que dissessem, Yohan era a pessoa mais preciosa do mundo para ele. E ele não permitiria que algo ou alguém o machucasse.
⟨Respeite as escolhas do Yohan. Mas nunca se esqueça que ele é um ômega. Não deixe ninguém tocá-lo levianamente. Essa é sua missão.⟩
Quando sua natureza secundária se manifestou, Yohan teve uma escolha. Com a droga desenvolvida em conjunto pelas Galayev Corporation e da RF Pharmaceuticals, ele poderia suprimir completamente sua biologia de Ômega, o que permitiria que ele vivesse como qualquer outra pessoa comum. Mas Yohan não hesitou nem por um segundo. Ele escolheu viver como ômega.
⟨Minha mãe viveu orgulhosamente como ômega e ainda assim lidera o Grupo RF. Por que eu não poderia fazer o mesmo?⟩
Foi o que ele respondeu quando lhe perguntaram.
Sua mãe, Ryu Jin, riu. Seu pai, Ilya, ficou tenso. Mas nem ele se opôs à escolha. Naquela noite, Ilya chamou Noah em particular e pediu que ele protegesse Yohan. Na época, Noah era jovem demais para entender o que significava viver como ômega, ele apenas assentiu, porque seu pai assim o disse.
Foi só anos depois que Noah entendeu o peso real da palavra “ômega”.
— Se estiver curioso, posso investigar para você.
Ainda olhando para Cha Siheon, Noah ofereceu ajuda. Mas Yohan balançou a cabeça com um sorriso.
— Não precisa, eu mesmo vou fazer isso. Já falei que acho que vai ser divertido.
Atrás daquele sorriso inocente havia uma ponta de travessura.
— Como quiser.
Se Yohan queria, Noah não tinha motivo para impedir.
‘Cha Siheon…’
Enquanto repetia o nome em silêncio, os olhos de Noah se tornaram mais profundos. Se ele representasse qualquer ameaça para Yohan, não haveria misericórdia. Por enquanto, o desconhecido parecia indiferente, mas pela experiência dele, nenhum homem que se aproximava de Yohan conseguia permanecer indiferente até o fim. Nenhum.
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Continua…
Ler Controle Yaoi Mangá Online
SpinOffs de ESCAPE.
— Esse é o Jenny, veio dos Estados Unidos. Ao lado está o Alexei, que está comigo desde a Rússia, é um dos mais antigos. O próximo é o Jordi, que vem direto da França. E por último, aquele ali é o mais novo, o “Honey”. Escolhi ele porque achei que teria o tamanho ideal para hyung Siheon. O que acha, gostou?
À medida que ele ia apontando um por um com o dedo e explicando, o rosto de Siheon ia ficando cada vez mais sombrio. ‘Parece que ele entendeu perfeitamente.’ Yohan olhou para Siheon e sorriu com um ar inocente, quase doce.
— Pode cumprimentar. Todos já passaram pelo mesmo buraquinho.
— Haa…
Siheon soltou um som comprido, que ninguém saberia dizer se era um suspiro ou uma risada vazia. Em seguida, lançou um olhar fulminante para os brinquedos enfileirados.
— Está me dizendo que eu estou no mesmo nível que essas coisas?
— Bom, eu não disse exatamente isso… Mas, no fim das contas, o único ser humano que já entrou em mim foi você, hyung.
(Trecho de CTRL.)