Ler Cão Real. – Capítulo 54 Online

Modo Claro

Dentro da jaula de ferro, havia uma cama, uma pia e até um vaso sanitário, a estrutura que lembrava uma cela solitária de prisão.

— Inacreditável.

Veio um riso de escárnio. Aquilo não era uma brincadeira? Quem diria que trariam uma coisa dessas? A porta da jaula estava aberta; ele entrou andando devagar e se sentou na cama.

O colchão era surpreendentemente macio. A pia e o vaso sanitário estavam muito limpos e não havia nem um grão de pó no chão. Tudo extremamente bem conservado. Parecia que algum funcionário mantinha aquilo em condições para que, se necessário, alguém pudesse ser mantido ali sem passar por algum desconforto.

— Maldito louco.

Era ridículo demais; ele acabou soltando um xingamento.

— Esse cara é realmente doente.

Dessa vez, uma risada explodiu. Uma vez que a risada começou, ele não conseguiu parar. Hayul abaixou a cabeça e os ombros tremeram enquanto gargalhava. Foi então que – um ruído muito pequeno, um sinal de presença – foi percebido. Reflexivamente, Hayul pegou a arma que havia deixado ao lado e apontou na direção do som.

Quem surgiu das sombras foi Pavel. Ele caminhou em sua direção, erguendo as mãos de forma brincalhona, fazendo sinal de rendição. O homem devia ter se aproximado escondendo seus feromônios e sua presença de propósito.

— Para de se aproximar furtivamente feito um gato, seu merda. Como um cara grande como você consegue esconder sua presença tão sorrateiramente?

— É mais impressionante que você tenha percebido minha presença. Como esperado o hyung é incrível.

— Não se mexa.

Hayul permaneceu mirando a arma, ameaçando. Era uma fala comum entre os dois; sempre conversavam assim. Mas Pavel não se importou e se moveu. Naquele instante, Hayul puxou o gatilho, claro, era só para intimidar; ele pensou que o pente estava vazio.

Bang.

Mas a arma realmente disparou. Pavel, atingido pela bala, agarrou o peito e cambaleou fortemente antes de cair no chão com um baque. Com o estampido inesperado, Hayul também ficou chocado. Era uma situação totalmente imprevista. Ele foi um idiota – distraído com outros pensamentos, nem havia verificado o pente.

— Ei!

Hayul pulou e correu até o corpo caído de Pavel. Sentou-se à frente dele, apalpando o rosto pálido do sujeito, que estava de olhos fechados, e tateou o corpo em busca de ferimentos. Suas mãos tremiam incontrolavelmente e o coração batia como louco.

— Ei, Pavel! Você não pode cair assim!

Gritando em pânico, encostou o ouvido no peito de Pavel. Tum-tum. O som de batidas cardíacas fortes era audível. Pouco depois, ouviu-se um som baixo de risada, — hahahaha — acima de sua cabeça. ‘Merda!’ Ele caiu na armadilha.

— Seu filho da puta!

Ainda xingando, ergueu o rosto que estava pressionado contra o peito de Pavel – e então o outro estendeu os braços e o agarrou com força. Ele acabou caído sobre o corpo do sujeito.

— É sempre tão excitante. Quase morrer pelas mãos do hyung.

Voz baixa, carregada de riso, e um aroma cítrico se espalhou.

— Porra. Que brincadeira é essa? Você não tem nada melhor para fazer?

— Não é brincadeira. Eu também me assustei. Não sabia que uma bala realmente viria.

Isso era verdade. Hayul também ficou surpreso com o acidente repentino. Deitado no chão frio, Pavel abraçou Hayul e soltou uma respiração uniforme. A cada respiração, o corpo firme dele sob Hayul subia e descia. Por ser um corpo grande, era bem  confortável ficar daquele jeito, pois era quente também.

— Será que isso é o paraíso? O cheiro do hyung está em todo lugar.

‘Um local com uma cela de ferro para confinamento numa sala de tortura ser o paraíso…’

— Se isso for o paraíso, eu não quero ir pra lá.

Pavel sorriu, sacudindo o corpo enquanto afagava as costas de Hayul com carinho.

Se a bala tivesse atingido o ponto vital dele, o que teria acontecido? Hayul tinha mirado exatamente ali. Teria acertado se não fosse pelo movimento instintivo de Pavel ao fugir. Então a frase “eu também me assustei” não era mentira. Foi um acidente que nem ele nem Pavel haviam previsto.

Foi um erro absurdo. E, por causa desse erro idiota, quase acabou atirando e matando o cara nesse lugar ridículo, de um jeito tão sem sentido. Era até engraçado pensar que, pouco depois de aceitar o pedido de assassinato de Dmitri, agora estava aliviado porque aquele homem não havia morrido ali.

Nada disso fazia parte dos planos. Variáveis inesperadas só traziam confusão – e foi exatamente o que aconteceu. Ainda atordoado, ele não conseguia sequer reagir ou se soltar; permanecia quieto, aninhado nos braços do outro. Seu coração assustado não se acalmava de jeito nenhum.

— Gostou da jaula de ferro?

Ao ouvir aquilo, a irritação subiu abruptamente e ele voltou a si.

— No momento em que vi o hyung lá dentro, gostei tanto que até fiquei… duro.

Nem precisava perguntar o que exatamente “ficou duro”. Hayul sentiu claramente o membro rígido de Pavel roçando em seu corpo.

— Vamos fazer lá dentro uma vez?

Enquanto dizia isso, a mão que acariciava as costas de Hayul desceu e apertou seu bumbum.

— Seu doente.

A irritação transbordou. Ele empurou Pavel para longe e se levantou. Mesmo com Hayul de pé, o alfa permaneceu deitado no chão, na mesma posição.

— O que está fazendo? Não vai se levantar?

Ficou de pé, olhando para baixo, para o outro. Sempre o via de baixo, e agora observá-lo de cima dava uma sensação estranha. Pavel não se moveu; apenas ficou ali, deitado, sorrindo, encarando-o fixamente. Piscando lentamente, ele abriu a boca com calma.

— Mesmo olhando de baixo, você é lindo.

Hayul esperava algo diferente – alguma provocação –, mas acabou rindo. Que sujeito mais  sem graça. Pavel estendeu a mão e tocou de leve o tornozelo dele, que estava de pé, olhando para Pavel. Como Hayul não estava de meias e calçava um chinelo de interior, a ponta dos dedos do homem tocou seu tornozelo nu. Pavel virou a cabeça para olhar o tornozelo que estava em sua mão.

— Até o ossinho do seu tornozelo é bonito. Não há uma parte sua que não seja linda.

Como ele podia estar tão cego de amor assim? Era o tipo de homem que, ao ver um raio X de Hayul, ainda suspiraria dizendo que até os ossos do hyung eram bonitos. Hayul ergueu o pé e se livrou da mão dele, virando-se bruscamente. Quando deu passos largos, passou pelo arsenal e ia abrir a porta de ferro, Pavel –  que não sabia quando se levantara e o seguiu – esticou a mão primeiro e abriu a porta para ele.

— É à prova de balas, então é bem pesada.

— …Para com isso.

Agora ele o tratava como um idiota que não conseguia nem abrir uma porta. Pavel não se importou; continuou sorrindo e o deixou passar primeiro, logo seguindo atrás. Quando subiram as escadas, Lock, que passava por ali, os viu e parou surpreso.

— Os senhores, estavam no porão? Eu estava procurando por vocês! Se fossem descer, podiam pelo menos avisar… Hã? Senhor Pavel, o senhor está ferido?

Lock, que estava prestes a começar uma bronca, arregalou os olhos e correu até Pavel. Só então notou que a lateral do suéter branco dele estava rasgada e manchada de vermelho – provavelmente o ferimento causado pela bala que havia passado de raspão.

— O que diabos estavam fazendo no porão?

— Briga de casal.

— Perdão?

— Uma típica briga de casal.

Pavel respondeu com um sorriso satisfeito e olhou para Hayul, que soltou um riso nasal de irritação, virou o rosto e saiu andando à frente, com passos largos.

***

Algum tempo depois, o traje cerimonial que haviam encomendado chegou. O alfaiate disse que passou algumas noites em claro costurando. Era um smoking idêntico ao de Pavel. Além disso, as jóias e acessórios encomendados por Oleg Kirov como presentes de casamento começaram a chegar um após o outro. A mansão estava um caos, tomada pelos preparativos. Todos os empregados corriam de um lado para outro, suando, limpando e decorando cada canto do castelo.

Hayul comentou que não fazia sentido tanta agitação para uma cerimônia que contaria apenas com poucos convidados além da família, mas disseram que justamente esses poucos convidados eram personalidades muito importantes. Lock, com os olhos vermelhos e as veias saltadas, jurava pela honra de mordomo que faria aquele casamento sair perfeito.

Mesmo assim, todos pareciam se divertir, dizendo que fazia tempo que o castelo não ficava tão animado. Os criados estavam eufóricos, rindo e tagarelando em todos os cantos. No entanto, Hayul, o protagonista do evento, não estava nem um pouco feliz.

— Vai ser o melhor casamento de todos! Já estou com o coração acelerado só de pensar!

— Imagino como o jovem mestre vai ficar lindo com o traje! É uma pena que não seja uma cerimônia grandiosa na catedral de Moscou, para que mais pessoas pudessem ver o nosso maravilhoso Senhor Pavel.

As criadas tagarelavam sem parar, completamente empolgadas, sem se importar se Hayul as ouvia ou não.

Elas não faziam ideia. Não sabiam que, na cabeça da noiva – que deveria estar feliz e radiante – , só havia pensamentos de como assassinar o próprio noivo.

O casamento seria uma semana depois do retorno do presidente e da primeira-dama de uma viagem ao exterior – ambos estavam entre os poucos convidados. Como de costume, nada havia sido decidido com base na vontade de Hayul.

E assim, hoje, exatamente uma semana antes do casamento, Pavel saiu para resolver alguns assuntos, e Hayul aproveitou para inspecionar vários lugares do castelo. Naturalmente, acompanhado por um criado.

Ignorando o falatório incessante do servo ao lado, observou atentamente todos os lugares do castelo. Chegaram a pegar uma moto de neve e foram até a cerca eletrificada que cercava a propriedade.

Naquele instante, um animal selvagem, sem perceber o perigo, correu em direção à cerca – zzzt! – e morreu instantaneamente, carbonizado. Ficou claro que, para fugir do castelo após cumprir sua missão, a prioridade seria cortar a energia elétrica da cerca.

Se conseguisse desligar a corrente, bastaria cortar a cerca e escapar. O problema seria atravessar a floresta. Para isso, precisaria de um dispositivo eletrônico que o ajudasse a se orientar. Desde que vivia com Pavel, estava sem celular e nunca sentiu falta dele. Mas, para usar a função de GPS, provavelmente precisaria de um celular ou tablet. O problema era saber se o sinal funcionaria adequadamente no meio dessa floresta isolada.

— Aqui é praticamente uma base secreta militar, senhor; o sinal de comunicação não funciona direito. É um lugar onde nem mesmo drones podem ser usados. Se qualquer objeto não identificado for detectado no ar, o sistema de defesa entra em ação e intercepta automaticamente. O sistema de vigilância opera vinte e quatro horas por dia, sem parar. Pode-se dizer que nem um único animal selvagem consegue entrar nos limites do castelo.

Quando perguntou o que aconteceria caso alguém invadisse o interior, o servo, empolgado com a conversa com aquele que logo seria o novo senhor da propriedade, respondeu entusiasmado, detalhando tudo.

Era como dizer que, mesmo que o castelo em si fosse antigo, o sistema de defesa ao seu redor era de última geração. Hayul confirmou isso ao visitar o arsenal subterrâneo: nos porões do castelo, havia armas de última geração, mais avançadas do que qualquer uma que ele tinha visto enquanto trabalhava para a grande empresa de mercenários ou para a organização de Marco.

Era um lugar cercado por uma floresta serena, mas longe de ser inofensiva.

— E se alguém tentar sair de dentro? O que acontece?

— Senhor? Por que alguém de dentro tentaria escapar pela cerca?

Pensando bem, fazia sentido.

De qualquer forma, teria de concluir o trabalho dentro do castelo. Na hora de fugir, cortaria temporariamente a energia da cerca. Ainda teria que descobrir como desativar o sistema automático e, ao solicitar um dispositivo eletrônico, provavelmente teria que pedir um de uso militar.

Os dois voltaram a subir na moto de neve e seguiram de volta para o castelo. O criado continuava tagarelando, animado, enquanto cruzavam a trilha coberta de neve.

— Para vir pela floresta, a moto de neve é essencial, senhor. Quando o tempo melhorar e a neve derreter um pouco, dá até para vir a pé ou a cavalo. Agora já é bonito, mas no verão a floresta fica realmente deslumbrante. O senhor devia vir a cavalo nessa época.

‘Será que ainda estarei aqui no verão?’

Pensou Hayul, desviando o olhar para a paisagem branca e silenciosa. As árvores se amontoavam densas, a floresta coberta de neve se estendia sem fim. Mesmo com a moto de neve, levava-se muito tempo até alcançar a cerca.

Era um lugar onde os únicos seres vivos eram os animais selvagens que dominavam o bosque. Embora fosse propriedade privada, o território era vasto demais, praticamente intocado por mãos humanas. Parecia um lugar onde qualquer coisa poderia acontecer sem que ninguém jamais soubesse. Se um tiro fosse disparado no interior profundo da floresta, o som não chegaria ao castelo.

— Mas, quando o tempo esquentar, os ursos voltam a aparecer, então é bom andar sempre com sinos ou alguma arma, senhor. A verdade é que nem mesmo nós sabemos direito que tipos de predadores vivem aqui. É melhor não vir para a floresta sozinho. É fácil se distrair admirando a paisagem e acabar se perdendo na mata…. Oh, olhe! Um coelho!

Começou a ficar ligeiramente irritado.

De repente decidiu que precisava mudar o plano. Um assassinato de precisão, à queima-roupa ou à distância, seria impossível. Aquele criado tagarela claramente iria grudar em Hayul por onde quer que ele fosse. Ou então, seria Pavel quem ficaria ao seu lado. Não era permitido que ele explorasse o interior do castelo sozinho.

Ele teria que realizar a tarefa quando estivesse a sós com Pavel, num local silencioso e discreto. ‘Esta floresta. Seria fácil atrair Pavel para ela.’ Se Hayul pedisse para dar um passeio, o sujeito, com toda a certeza, dirigiria a moto de neve pessoalmente e o levaria até a floresta.

O problema eram os feromônios e a força física de Pavel. Por mais que relutasse em admitir, Hayul não era páreo para ele. Agora, ainda menos, depois de ter se transformado num ômega e ter começado a reagir instantaneamente aos feromônios do outro.

Primeiro, ele precisaria neutralizar a força de Pavel. Mas como? Como deixar inconsciente alguém que não bebe, não fuma e nem sequer usa drogas? Inesperadamente, a resposta surgiu facilmente. Por volta do momento em que chegaram ao castelo, suas deliberações haviam terminado e a resposta estava clara.

Desceu da moto de neve e foi direto até Dmitri. Ao chegar ao quarto dele e bater na porta, ouviu um “Pode entrar”. Dmitri estava no meio do ato sexual em plena luz do dia. Os dois estavam tão drogados que, mesmo com Hayul entrando, permaneceram nus e entrelaçados, gritando e se contorcendo descontroladamente. Sobre a mesa, havia uma seringa e frascos de remédios jogados.

Não era novidade. Ele já tinha visto aquela cena inúmeras vezes, quando trabalhava para o Marco.

Só era engraçado pensar que Pavel, que não bebia uma gota de álcool, coexistia com um ser daqueles sob o nome de “família”.

A mulher, que estava por cima de Dmitri, gritando e balançando os quadris, desabou de repente, soltando um gemido abafado. Acariciando o corpo nu da mulher caída sobre ele, Dmitri finalmente falou.

— O que foi? Se é sobre aquilo, falamos depois.

— Me dê um pouco de cocaína.

Hayul fez o pedido sem um pingo de vergonha. Dmitri deu uma risada sarcástica.

— Como é? Você também usa droga agora? O Pavel sabe disso?

— Tem cocaína ou não?

Dmitri deu uma risadinha, deitou a mulher ao seu lado e levantou. Desceu da cama nu e dirigiu-se à mesa com passos largos, com o pênis balançando. Como um Alfa Real, ele tinha um corpo esbelto e bem definido, e o tamanho do membro era impressionante, mas mesmo assim tudo aquilo estava morto de palidez, consumido por drogas. Não dava para comparar com o corpo saudável e tonificado de Pavel.

O homem puxou da gaveta um saquinho com pó branco e estendeu para Hayul.

— Use escondido. Se o Pavel descobrir, não vai deixar barato. Aquele merda odeia viciados acima de tudo.

O olhar dele era turvo, como o de um peixe congelado podre; o hálito exalava cheiro de químico. Era extremamente desagradável. Aqueles olhos azuis, parecidos com os de Pavel, fitando-o, enquanto exalava aquele fedor podre… Não queria nem tocar nele. Quando Hayul puxou apenas a embalagem da droga, Dmitri agarrou seu pulso firmemente.

— Como estão indo as coisas?

— É melhor você ter o dinheiro preparado.

Hayul mostrou abertamente seu desprazer, torceu o pulso preso e soltou-se da mão.

— Depois de ficar rolando na cama com aquele merda do Pavel, até o seu olhar está ficando parecido com o dele.

Ignorando as provocações dele, feitas com um sorriso torto, Hayul virou-se e caminhou em direção à porta.

— Dizem que quando um Ômega usa isso no cu durante o sexo, é o paraíso na terra. Experimenta, vai? Você tem que mostrar o último paraíso para aquele merda do Pavel, não é?

O som da risada baixa de Dmitri ecoou desagradavelmente. Sentindo-se nauseado, ele saiu dali como que fugindo. E então, Hayul trancou-se imediatamente em seu quarto.

Havia uma droga sintética chamada Heaven. Marco havia desenvolvido aquela nova droga por conta própria – um entorpecente exclusivo para festas de clientes VIP, os alfas reais. Era uma droga que só afetava os Alfas Reais; comparada a drogas comuns, o tempo de início do efeito era curto, a potência era forte e a duração era longa. Além disso, proporcionava alucinações intensas.

Mesmo os alfas mais resistentes, que normalmente se recuperavam dos efeitos de qualquer droga em menos de uma hora, ficavam em estado alucinatório o dia inteiro com o Heaven. A procura foi grande; todo mundo implorava para Marco colocar no mercado, mas ele só distribuía em ocasiões especiais, para a clientela VIPs de mais alto escalão. Havia até Alfas Reais que compareciam às festas do Marco especificamente para receber aquela droga.

O problema era que, por ser uma droga que induzia a fortes alucinações por um longo período, ela também era extremamente tóxica, a ponto de mesmo os Alfas Reais ficarem em estado de completa letargia por vários dias. Apesar disso, os clientes que experimentavam o Heaven não conseguiam esquecer aquela sensação eletrizante e sempre voltavam para as festas de Marco. Essa era a razão pela qual os Alfas Reais que haviam feito negócios com Marco continuavam a negociar com ele.

A fórmula do Heaven era conhecida apenas por Marco, que já estava morto. E por mais uma pessoa: Jin Hayul.

Ninguém sabia exatamente por quê, mas Marco havia escolhido Hayul como assistente durante o processo de fabricação da droga. Dizia que aquilo era prova de que o valorizava, sempre fazendo questão de se exibir. Não dava para saber quais eram suas verdadeiras intenções, mas Hayul, na época, resolveu aprender o processo com atenção – achando que um dia poderia ser útil. Nunca imaginou que acabaria usando esse conhecimento assim.

O ingrediente principal do Heaven era a cocaína. Os outros componentes eram surpreendentemente simples, medicamentos que se podiam conseguir com facilidade. A produção do Heaven foi concluída antes de Pavel voltar.

Como não tinha equipamento para transformar o composto em pó ou comprimido, Hayul o manteve em estado líquido, esvaziou uma garrafa de água mineral e a encheu com o conteúdo. Depois de preparar a droga, desceu para o arsenal subterrâneo.

O mesmo criado que o acompanhou na exploração da floresta seguiu atrás dele, curioso. Enquanto Hayul recolhia algumas armas, o rapaz perguntou com ingenuidade:

— Por que o senhor está pegando armas?

— Vou caçar.

Não era exatamente uma mentira, só que o alvo da caçada não seria um animal. Aproveitou para pegar também uma faca de caça e colocou tudo na bolsa junto com as armas, saindo logo em seguida.

Pavel havia mandado mensagem dizendo que não poderia voltar para casa por causa da neve. E, naquela mesma noite, alguém bateu à porta de Hayul. Era um dos empregados responsáveis pela lavanderia, ele lembrava do homem por ter-lhe trazido roupas lavadas algumas vezes.

— O senhor Dmitri mandou isto.

O homem entrou no quarto e estendeu um cartão. Explicou que se tratava de uma conta secreta aberta por Dmitri. Mostrou o saldo diretamente no tablet que trazia consigo e explicou que Hayul poderia sacar o dinheiro com aquele cartão. O valor era satisfatório.

Era dinheiro suficiente para fugir para o exterior, comprar uma casa num canto qualquer do interior e viver uma vida simples e tranquila. O bastante para se sustentar sozinho.

‘Sozinho…’

Parecia estranho. Pela primeira vez, a palavra “sozinho” soou amarga, cheia de solidão.

Antes, a ideia de viver sozinho no campo lhe parecia acolhedora – uma vida calma, sem precisar travar guerras diárias para sobreviver. Mas agora, a imagem que lhe vinha à mente era a de si mesmo em meio a um campo deserto, parado sob o vento, sem ninguém por perto.

Nenhuma pessoa com quem conversar. Ninguém para fazer uma piada. Apenas o som seco do vento, o canto distante dos pássaros e os ruídos dos animais – um espaço profundamente solitário. Cada dia igual ao anterior. Paz inalterável, sem raiva, ódio ou instinto de matar muito menos emoções. Apenas uma rotina calma, constante, vazia.

Seria essa uma vida feliz?

Antes, ele tinha certeza de que sim – e desejava isso desesperadamente.

 

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Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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