Ler Cão Real. – Capítulo 43 Online

Modo Claro

A partir dali, o carro correu sem parar uma única vez. Mesmo assim, só conseguiram chegar ao destino por volta do anoitecer.

O castelo da família Kirov era como uma enorme fortaleza enterrada nas montanhas cobertas de neve. A estrada de acesso era imensa, mas, mesmo após passar pelos portões, ainda havia um longo percurso até o interior.

Por fim, surgiu o jardim, e o castelo se revelou. Contra o céu, já tomado pela escuridão, a construção erguida imponente fazia qualquer um ficar de boca aberta. À primeira vista, era semelhante ao castelo da família do Duque de Headington, mas era ainda mais majestoso. Diziam que dentro havia até um heliporto, o que significava que sua dimensão era muito maior do que se podia ver.

Não era de se estranhar: Oleg Kirov era o número um entre os magnatas mafiosos da Rússia. Mesmo tendo se retirado da função de guarda-costas do presidente, continuava a desfrutar de sua total confiança. Comentava-se que ainda hoje caçava e bebia com o presidente.

Ele havia se aposentado apenas do cargo oficial de chefe de segurança, mas continuava a ser um pilar do poder presidencial nos bastidores. E, como o presidente, que já estava no poder há sucessivos mandatos, tinha naturalmente muitos inimigos, os mais problemáticos eram justamente os magnatas mafiosos. Compostos por nobres alfas reais, esses homens possuíam poder e riqueza tais que nem mesmo o presidente podia agir levianamente contra eles. Eles acreditavam piamente que, se quisessem, poderiam derrubar o presidente, e de fato tinham poder para isso.

Oleg Kirov era quem se encarregava de eliminar, em silêncio, aqueles que ousavam mostrar as garras contra o presidente. Mas o tempo passou, e ele envelheceu; a força descomunal e o poder absoluto que exercia começaram a enfraquecer. Para os outros mafiosos, esse era o momento perfeito para subjugar o temível tigre que os havia mantido sob rédea curta. De fato, Oleg Kirov escapou por pouco de ser assassinado várias vezes.

Diante das repetidas ameaças, Oleg debilitou-se rapidamente, e todos passaram a acreditar que sua era havia chegado ao fim.

Mas então surgiu a figura do neto.

Um Alfa Real jovem, saudável e com uma inteligência extraordinária.

Com apenas vinte e poucos anos, Pavel Kirov era um jovem ainda mais notável do que Oleg em sua juventude. Ele não hesitava em empunhar armas ou facas, nem em derramar sangue. Mesmo agindo como um cão raivoso, ele nunca perdia a razão; era sempre minucioso, calculista, e nunca cometeu um erro sequer. Em tudo, sua execução era perfeita.

O “jovem cão raivoso dos Kirov” era cruel, feroz e impiedoso. Aqueles que se rendiam eram recrutados para o seu lado, mas os que insistiam em desafiá-lo até o fim eram impiedosamente dilacerados. Num piscar de olhos, ele dominou a disciplina que havia afrouxado entre os magnatas da máfia e reorganizou a hierarquia que estava em ruínas. Um vendaval de sangue varreu o submundo.

Os magnatas que conspiravam contra Oleg Kirov tremeram diante da tirania do jovem cão raivoso. Aqueles que queriam viver tinham que se prostrar de bruços aos pés do jovem.

E, como possuía também uma inteligência afiada, era impossível enganá-lo de maneira leviana.

Com o tempo, tornou-se natural ver Pavel Kirov ao lado de Oleg. O neto jovem e vigoroso protegia firmemente o avô já velho e enfraquecido.

Todos olhavam para o “cão raivoso da família Kirov” com temor e reverência. A jovem, bela e perigosa fera da família Kirov.

Os poderosos voltaram a buscar alianças com a Casa Kirov, que havia retomado a posição de supremacia. Famílias com filhos Ômegas Reais disputavam a chance de bater à porta deles.  No entanto, o jovem herdeiro dos Kirov não demonstrava interesse por ninguém. Normalmente, os Alfas Reais, com sua libido transbordante, eram promíscuos, mas ele sequer lançava um olhar aos que viviam se oferecendo ao seu redor.

Não bebia, não fumava; quando comparecia a festas, limitava-se a tomar suco ou chá e depois se retirava em silêncio. Por isso, não havia sequer um escândalo sexual ligado a seu nome. Era o oposto absoluto de Oleg, que mantinha inúmeras amantes.

Graças a essa vida excessivamente ascética e contida, em contraste com os rumores sangrentos que circulavam, começaram a surgir boatos vis: diziam que ele tinha problemas no órgão reprodutor, que era impotente, que tinha fetiche por cadáveres – e outros absurdos igualmente imundos.

Tudo isso era informação que Viktor vinha despejando sem parar durante o trajeto até ali.

— Mas então você foi para os Estados Unidos e trouxe uma noiva? Todos vão cair duros com a surpresa.

Nem mesmo quando o carro parou diante do castelo a boca de Viktor se calou. Assim que estacionaram, Pavel se inclinou para soltar as pernas de Hayul. Ele havia dito várias vezes que preferia morrer a entrar em uma casa que estava visitando pela primeira vez sendo carregado nos braços. Só com muito custo conseguiu que lhe fosse permitido entrar caminhando com os próprios pés.

Diante do castelo, empregados que já haviam sido avisados de antemão estavam enfileirados. Eles abriram, ao mesmo tempo, as portas traseiras dos dois lados. O empregado que abriu a porta de Hayul se curvou e aguardou, pronto para escoltá-lo.

Hayul, agora com as pernas livres, desceu sozinho e empurrou de leve o empregado que estava parado diante da porta.

— Posso ir sozinho.

— A… ah….

Empurrado de surpresa, o empregado piscou os olhos, atônito. Era muito mais baixo e franzino que Hayul. Pela sua expressão, era evidente que ele estava claramente perplexo por um homem grande e corpulento ter descido do carro, quando o jovem senhor havia dito que traria uma noiva. E, ainda por cima, uma “noiva” com as mãos amarradas.

Quando Pavel também desceu do outro lado, os empregados dispostos em fileira curvaram-se todos ao mesmo tempo.

— Seja bem-vindo, jovem mestre.

Pavel recebeu a saudação deles com ares de arrogância, a postura altiva, e logo em seguida se aproximou de Hayul, entrelaçando o braço no dele.

— Eu posso ir sozinho.

Rosnou em tom baixo, mas Pavel ignorou e, de braço dado, levou Hayul para dentro. Atrás deles, ouviu-se um murmúrio contido.

Empregados mais velhos, que estavam dentro da casa, vieram receber Pavel. Eles também ficaram surpresos, mas rapidamente esconderam a expressão de espanto e sorriram de modo cordial, como se nada tivesse acontecido. Um homem de cabelos brancos aproximou-se para cumprimentá-lo.

— Foi uma longa viagem, deve ter sido cansativo, Sr. Pavel. E esta pessoa seria…

Ele saudou Pavel calorosamente, lançando ao mesmo tempo um olhar rápido para Hayul, que estava ao lado do homem.

— Sim. É a pessoa com quem vou me casar.

— Ah… entendo.

Entre a primeira e a segunda sílaba de sua resposta, era possível ler uma série de emoções. Com certeza tinha muitas perguntas: por que a noiva trazida de tão longe parecia mais com um animal selvagem recém-caçado?

— Prazer em conhecê-la Senhoria. Pode me chamar de Lock.

— Ha… Mas que porra.

O xingamento escapou da boca de Hayul antes que pudesse se conter. Mesmo Lock, que sempre mantinha a calma e nunca perdia a compostura, arregalou os olhos, surpreso. Droga. “Senhoria”, era? Um título que parecia deixá-lo à beira da loucura.

— Ha, senhor Lock.

— Sim.

— Por favor, nunca mais me chame de senhoria.

— … Per… perdão?

— Isso é muito incômodo. Odeio, odeio até a morte esse termo. “senhoria”… ah… Isso vai me deixar maluco.

Hayul fez uma careta e murmurou. Os empregados de meia-idade que estavam junto à porta se entreolharam, alarmados, observando tanto Hayul quanto Pavel.

— O nome dele é Jin Hayul. Em vez de senhoria, de agora em diante, chamem-no de Senhor Jin. Se chamarem de senhoria mais uma vez, ele pode ter um ataque.

— Entendido, Senhor Jin. Serviremos o Senhor com toda a comodidade, como se estivesse em sua própria casa.

Lock foi o primeiro a aceitar a estranha situação. Sorriu de modo gentil para Hayul, mas ele não tinha o menor humor para corresponder.

— Como poderia me sentir à vontade na casa dos outros como se fosse minha?

Mesmo com o tom abertamente provocador, Lock não perdeu o sorriso. No começo pareceu surpreso, mas logo parecia já ter entendido com quem estava lidando.

— Parece exausto da longa viagem. Gostaria que eu preparasse um lanche leve antes do jantar?

— Banho. Quero mergulhar o corpo em água morna.

Hayul respondeu de imediato. Durante toda a viagem de carro, só pensava nisso.

— Entendido.

— Eu quero um chá quente.

Pavel também ordenou de forma breve. Lock inclinou-se em concordância.

— Onde está o vovô?

Mal a pergunta de Pavel terminou, uma voz  potente ecoou de algum lugar.

— Pavel! Meu neto!

Um homem que parecia uma fera selvagem estava apoiado no parapeito do segundo andar. Oleg Kirov. Era um sujeito de porte ainda mais imponente do que nas fotos. Ao lado dele havia outro homem, de cabelos grisalhos e vestido com um terno cor de cinza. Quem seria? Estranhamente, parecia familiar.

Pavel sorriu, pegou Hayul pela mão e subiu a escada para o segundo andar, enquanto Oleg Kirov descia os degraus com passos largos. Os dois se encontraram no meio da escada. De perto, ele era ainda mais intimidante. Oleg olhava Pavel de cima para baixo, embora este tivesse mais de 1,90m. Não era à toa que o chamavam de Tigre Assassino da Sibéria. Se era assim agora, perto dos setenta anos, quão impressionante teria sido em sua juventude?

— Hahaha! A viagem foi boa?

Oleg puxou Pavel para um abraço forte e o beijou na bochecha. Pavel também sorriu, retribuindo o gesto com um leve beijo na bochecha do avô. Após essa breve saudação, avô e neto se afastaram e se entreolharam.

— O senhor tem se sentido bem? Mas sua aparência não parece muito boa.

— Com um terço do pulmão danificado, não há muito o que fazer. Você também se feriu.

— Fui pego na explosão de um carro.

— Fiquei sabendo. Disseram que foi obra dos italianos? Vamos, conte-me qual foi o motivo para eliminar dois figurões como Steve Tavière e Marco.

— Sobre esse assunto, explicarei com calma depois. Primeiro, deixe-me apresentar a pessoa com quem vou me casar.

— Ah, é verdade.

Só então os olhos de Oleg Kirov se voltaram para Hayul, que estava parado ao lado. Apenas o olhar silencioso do homem já era suficiente para se sentir oprimido. Mesmo quando estava no exército, Hayul não era considerado baixo. Ele tinha lidado com todo tipo de monstros em seu trabalho árduo, mas Oleg Kirov estava em outro nível.

— O nome dele é Jin Hayul.

— É um Ômega Real?

— Não.

— É mesmo?

Era de se esperar que ficasse surpreso ao descobrir que a noiva trazida pelo neto não era um Ômega Real, mas a expressão de Oleg não se alterou. Sem sequer piscar, percorreu Hayul com seu olhar afiado. Os olhos azuis, iguais aos de Pavel, eram frios e pesados.

Talvez fosse essa a sensação de encarar um tigre no meio da floresta. Uma aura invisível parecia ondular atrás dele, como se fosse rasgar sua presa a qualquer momento.

Apesar de sentir isso por dentro, Hayul não recuou e sustentou firme o olhar de Oleg Kirov.

— Por que suas mãos estão amarradas?

Oleg finalmente perguntou sobre os pulsos atados de Hayul.

— Ele é bem mais difícil de lidar do que parece.

— Toda bela flor tem seus espinhos.

‘Mas o que é que ele está dizendo?’ Hayul franziu a testa. De repente, Oleg soltou uma gargalhada e deu uma palmada no ombro de Hayul. Talvez para ele fosse só um toque leve, mas a força era tanta que o corpo de Hayul balançou.

— Hahaha! Gostei desse rapaz. O olhar dele é excelente. Cheio de vida.

— Eu sabia que o senhor gostaria dele.

Pavel sorriu, satisfeito.

— Você foi militar, não?

A pergunta de Oleg foi dirigida a Hayul.

— Sim. Fui da marinha, dos Navy SEALs.

— Era atirador de elite, não?

Hayul, surpreso, devolveu a pergunta:

— Como o senhor sabia?

— Basta olhar para saber. Atiradores de elite, quando chegam a um lugar estranho, instintivamente tentam observar tudo ao redor. E pensar que a noiva que meu neto trouxe foi das forças especiais… Isso é tão próprio do meu neto. Você nunca me decepciona.

— Vou contar algo que vai deixá-lo ainda mais satisfeito. O hyung Jin, depois de dar baixa das forças especiais, trabalhou em uma empresa de mercenários e até atuou como assassino na organização do Marco.

Oleg pareceu um pouco surpreso por um instante, mas logo em seguida soltou uma gargalhada expansiva.

— Hahaha! É a melhor noiva que alguém poderia ter!

E pensar de dizer que um terço do pulmão estava comprometido, sua voz ecoava potente.

— Que alívio. Eu estava curioso para saber que tipo de pessoa você traria como noiva.

O homem de cabelos grisalhos que estava atrás de Oleg o tempo todo, observando a situação, finalmente falou.

— Quando o senhor chegou, tio Dmitri?

— Há dois dias. Como disseram que você traria sua noiva, resolvi ficar para conhecê-la.

Embora fosse parente de Oleg, ele não se parecia em nada com o homem. Tinha um ar astuto, de raposa. O brilho dos cabelos prateados e até o olhar lançado a Hayul eram mais cortantes do que pesados.

Aquela expressão de raposa do ártico… Hayul tinha certeza de já tê-la visto em algum lugar.

— Confesso que fiquei surpreso. Achei que você gostasse de mulheres delicadas e etéreas, como sua mãe.

— Aos meus olhos, ele é a noiva mais bela de todas.

Diante da resposta descarada de Pavel, Dmitri riu em voz alta.

— Está completamente apaixonado. Achei que meu sobrinho fosse passar a vida sozinho, mas acabou se apaixonando. É uma boa notícia, Oleg, meus parabéns.

— Pois é. Agora posso morrer sem arrependimentos.

Oleg Kirov murmurou, ainda com um sorriso satisfeito no rosto, enquanto olhava para Hayul. Dmitri Kirov também sorriu e deu algumas palmadas nas costas do irmão.

— Senhor Jin, o banho está pronto.

Um dos empregados se aproximou com cuidado, vindo do andar de cima. Na verdade, o funcionário já estava parado há algum tempo no parapeito do segundo andar, inquieto sem saber quando falar.

Dmitri falou com Pavel em vez de Oleg:

— Vá descansar um pouco. Continuaremos a conversa na hora do jantar.

Pavel fez um aceno de cabeça em cumprimento e puxou o braço de Hayul. Os dois subiram, enquanto Oleg e Dmitri desciam. Já tendo descido alguns degraus, Oleg Kirov parou de repente, virou-se e chamou o neto.

— Pavel.

— Sim.

— Solte as mãos da minha nora. Por mais belo que ele seja, não pense que vou perdoar se causar confusão em minha casa.

— Entendido.

Hayul não se importava com o resto, mas aquela maldita forma de chamá-lo como “nora” martelava em sua cabeça. Primeiro “senhoria,” agora “nora”? Era mais humilhante do que qualquer coisa que ele tinha passado até agora.

O quarto designado a Hayul ficava no segundo andar. Era um espaço privativo perfeito, com sala separada do quarto e até banheiro próprio.

Na frente do banheiro, Pavel finalmente soltou as mãos de Hayul. Depois de quase dois dias, elas estavam livres. E assim que as mãos foram soltas, a primeira coisa que Hayul fez foi dar um tapa no rosto do alfa. Pavel, atingido de repente, soltou uma curta risada, esfregando a bochecha avermelhada.

— Que prazeroso.

Enquanto dizia isso, ele sorriu maliciosamente. Era genuinamente assustador, Hayul sentiu arrepios.

‘Que filho da puta pervertido.’

— “Senhoria”? “Nora”? Vá se danar!

Hayul gritou em voz alta, tentando tirar o anel do dedo, mas ele simplesmente não saía.

— Droga. Por que isso não sai?

Enquanto se esforçava para tirar o anel, Pavel empurrou-o com força contra a parede.

— Não tire o anel. Se tirar, eu vou ficar bravo.

— Você acha que eu tenho medo da sua ira?!

Pavel rapidamente levou a mão à boca de Hayul, abafando suas palavras.

— Shhh, fica quieto. Meu avô é um homem assustador. Ele pode realmente colocar uma mordaça na boca do hyung.

Ele realmente parecia ser perfeitamente capaz de fazer coisas ainda piores. Enquanto Hayul se debatia com a boca tapada e resmungava, ouviu-se a voz minúscula do empregado.

— C-com licença, senhor Jin. A água do banho está esfriando.

Só então Pavel retirou a mão. Hayul, já no limite da irritação, voltou a estapear o rosto dele. O criado parado diante da porta do banheiro se assustou tanto que até soluçou. Esfregando o lado do rosto que havia sido atingido, Pavel suspirou.

— Hyung… esse seu hábito de bater precisa ser corrigido. De agora em diante, cada tapa no rosto vai custar um beijo.

Apesar das palavras em tom leve, os olhos dele estavam diferentes – como se ele estivesse genuinamente bravo.

— Você me amarrou, me sequestrou até aqui, e está irritado só porque levou dois tapas?

—Tsk.

Pavel estalou a língua e, de repente, envolveu a cintura de Hayul, erguendo-o sem esforço e jogando-o sobre o ombro. Hayul se debateu, gritando para que o largasse.

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Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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