Ler Cão Real. – Capítulo 42 Online

Modo Claro

— É importante!

Era o que acontecia com todo mundo. As pessoas que conversavam com Pavel acabavam levantando a voz.

— O Anjo é um traidor da organização. Você sabe como esses italianos levam lealdade a sério. Já deviam estar irritados o suficiente por ver um cara que não tem uma gota de sangue italiano receber o favoritismo do chefe, e esse intruso ainda por cima matou o chefe deles.

— Quem matou o Marco não foi o hyung. Fui eu.

— Tanto faz! Não me interrompa, Pavel Kirov! Estou falando sério!

Viktor gesticulou, apontando o dedo e gritando. Parecia que em qualquer momento iria segurar a nuca e desmaiar.

— Aqueles malditos provavelmente vão perseguir o Anjo até os confins da terra para se vingar. E nós não costumamos mexer com os italianos! São uns vermes persistentes, grudam feito barata. Você sabe como são.

— É só explodir todos e matar.

— Por que você quer fazer algo assim? Não esquece. Por que essa mudança repentina? Sempre foi tão calculista. Mesmo sendo chamado de ‘Cão Louco dos Kirov’, você nunca perdeu a razão.

— É verdade.

— Então corrija o que estiver errado agora. Tem que pesar os prós e os contras, ponto a ponto. Você é o herdeiro da família Kirov, não se esqueça disso.

Diante do conselho ponderado de Viktor, Pavel ficou imerso em seus pensamentos por um momento.

— Responda. Você precisa decidir antes de encontrar seu avô.

Viktor pressionou por uma resposta, mas Pavel permaneceu em silêncio, com o rosto sério, esfregando o queixo. Parecia estar refletindo profundamente, e então finalmente falou.

— Já que chegamos a esse ponto, que tal absorver a organização do Marco?

— Pavel Kirov!

O grito cortante de Viktor soou estridente.

— O que há de errado desde o início? Eu apenas eliminei os insetos que mexeram com a minha pessoa e estourei as baratas que ameaçavam os meus. Como marido, não é natural proteger a minha noiva?

O sujeito se referiu a si próprio como marido com uma naturalidade sutil. A defesa de Pavel continuou.

— Se os deixarmos em paz, não sabemos o que farão com o Jin hyung. Temos que explodir e matar todos. Está dizendo que são persistentes? Eu também sou. Não vamos apenas pegar os filhotes que proliferam, temos que pegar o núcleo que está chocando os ovos e explodir.

— Então você quer travar uma guerra com os italianos? Os caras do país estão todos conectados por causa daquela maldita lealdade. Não é só uma organização, é uma massa enorme.

— Exatamente. É por isso que, se lidarmos direito com essa massa, podemos absorver todos os negócios que Marco tocava. Faça as contas. Vai trazer um lucro imenso.

— Você não pensa nas perdas que podemos ter! E se, em vez de ganhar, formos derrotados por eles?

Pavel cruzou a perna devagar para o outro lado.

— Eu sou um Kirov. — Recostado no banco, sorriu despreocupado e disse: — Eu não perco. Tudo vai sair como eu planejei.

Era uma declaração incontestável. O ar dentro do carro fechado ficou carregado do feromônio intimidador. Nem Viktor teve coragem de confrontar aquele alfa real altivo e arrogante; apenas suspirou fundo, com o rosto contorcido.

Hayul, que vinha ouvindo a conversa dos dois em silêncio, suportou até não poder mais e finalmente falou. Estava com a bexiga prestes a estourar e mal conseguia ouvir o que diziam.

— Parem o carro.

Viktor olhou para ele, surpreso, como quem não entendia a súbita mudança. Hayul, cruzando as pernas inquieto, murmurou baixinho.

— Banheiro… Acho que vou fazer xixi agora mesmo.

Ao ouvir aquilo, o motorista freou num instante. O carro parou, mas o problema era que as mãos e pés estavam amarrados. Naquele estado, seria difícil sair do veículo.

— Desamarra isso.

Hayul apontou para as mãos amarradas, dando a ordem, mas Pavel não o ouviu; em vez disso, abriu primeiro a porta do carro e saiu. Logo depois, deu a volta e abriu a porta do lado de Hayul. Assim como quando o colocou no carro, pegou-o nos braços e o tirou para fora. Hayul desistiu de resistir, não valia a pena desperdiçar energia.

A neve já havia parado de cair, mas, por causa do vento, os flocos acumulados no chão se espalharam pelo ar, deixando a visão toda esbranquiçada. Dos dois lados da estrada, só se viam campos cobertos de neve. Era como se o mundo inteiro tivesse sido tomado pelo branco. Era impossível discernir a direção. Parecia um lugar em que até mesmo os moradores locais teriam dificuldade de sair durante essa época do ano.

Pavel colocou Hayul em pé no campo de neve ao lado da estrada. Enquanto ele se esforçava para abrir o botão da calça com as mãos amarradas, Pavel disse algo:

— Quer que eu ajude?

— Vai se foder, seu merda.

— Não tem porque sentir vergonha. Não é a primeira vez. Até na hora do sexo você gozou tanto que quase desmaiou e chegou a urinar, hyung.

Será que foi assim? Ele não se lembrava disso. Durante seu ciclo de calor, quando se envolveu inúmeras vezes com o maldito, ele realmente gozou muitas vezes. No auge do clímax, mal tinha consciência do que estava acontecendo, ocupado apenas em liberar o que fosse, então como poderia saber o que saiu? Naquela época, foi algo urgente, e agora também; não havia tempo para sentir vergonha.

Finalmente conseguiu abrir o fecho e abaixar o zíper. Como Pavel o observava fixamente, ele pulou e virou-se de costas.

— Você já me mostrou o líquido jorrando do seu buraquinho traseiro, e agora sente vergonha disso? Que fofo.

— Cala a boca, seu pervertido.

Xingando, ele urinou rapidamente. Ao esvaziar a bexiga, que parecia prestes a explodir, ele sentiu que podia respirar de novo. Resolveu rapidamente sua necessidade fisiológica e arrumou a calça. Só depois de fazer o que precisava é que conseguiu ver a paisagem ao redor adequadamente.

Um vasto mundo de neve que se estendia sem fim. As vastas planícies nevadas da Sibéria. Quando estava no exército, ele havia participado de um treinamento de inverno rigoroso no lado canadense. O inverno lá também era extremamente severo. Era um lugar absurdamente frio e com uma neve irritantemente abundante, chegou a fazer treinamento para missões de sniper, escondido na neve.

A sensação era semelhante àquela. Um puro sentimento de reverência por um mundo imaculado como papel branco. Uma sensação de solidão, como se estivesse isolado sozinho. Uma solidão impossível de aplacar.

Um atirador de elite era alguém que tinha que lutar contra aquela solidão infinita. Por mais que se acostumasse, não era fácil. Às vezes, sentia falta de ar. Era tão angustiante que dava vontade de chorar. Nessas horas, desejava profundamente que alguém estivesse ao seu lado. Que alguém falasse com ele. Havia momentos em que sentia uma saudade profunda do calor humano e da voz de uma pessoa.

De repente, uma rajada forte de vento gelado soprou. Um vento impiedoso que parecia querer arrastar Hayul, em pé no campo de neve. Seus cabelos voavam descontroladamente, e o corpo que havia sido aquecido no carro congelou instantaneamente.

— Está frio. Vamos voltar.

A voz grave ressoou, misturada ao som do vento. O cheiro do vento frio e seco se misturava agradavelmente com o aroma cítrico de Pavel. Logo em seguida, uma mão grande e quente envolveu o ombro congelado de Hayul.

Ele percebeu, de repente, que não estava sozinho. Não precisava mais se deixar afundar pela solidão sufocante que tanto o corroía. A presença calorosa ao seu lado era um pouco reconfortante. O som contínuo da voz baixa soava agradável aos seus ouvidos.

— Lembra? Sete anos atrás, quando íamos para a mansão de Belmark, paramos o carro assim no meio do caminho e ficamos conversando enquanto olhávamos os vinhedos.

Hayul virou o rosto e encarou Pavel. Os olhos azuis dele estavam fixos na mesma vastidão de neve que Hayul observava até agora.

Sim. Ele se lembrava. Sete anos antes, quando seguiam para a mansão de Belmark, tinham visto alguns vinhedos. A paisagem, o cheiro do vento, a luz do sol, a temperatura, a expressão e a voz de Pavel, as palavras que ele disse, os olhos azuis que o fitavam – tudo veio à tona como se tivesse acontecido ontem.

Enquanto olhava para o enorme vinhedo, que supostamente pertenceu à família Headington, ele disse:

“Vou recuperar tudo o que me tiraram de mim. Esta terra também será minha.”

Naquela ocasião, ele fechou lentamente os olhos e respirou fundo o ar límpido e puro, tão diferente do da cidade, e continuou:

“Esta terra, esse céu, este vento, tudo será meu.”

Era uma declaração que transbordava confiança. Naquela época, ele tinha apenas vinte anos, mas ainda assim parecia mais firme e imponente do que qualquer outro que Hayul já tivesse visto.

Hayul olhou para Pavel, que saboreava o vento de olhos fechados, completamente fascinado.

E ele pensou: Como ele vai ser quando escapar do controle do pai e crescer de verdade? Mesmo agora ele já impõe uma presença opressiva; como será que ele vai ser daqui um, dois, vários anos, vai ficar ainda mais imponente?

E sete anos depois.

Vários anos se passaram, e Pavel, agora com 27 anos, havia se tornado um ser impressionante, além do que podia imaginar.

— Este país é imenso e vasto, e por isso é implacável. É muito mais árido do que qualquer lugar onde eu vivi. Mas eu sobrevivi.

O Alfa da Real – que ao longo do tempo deixou de ser Headington e se tornou Kirov – murmurou com a voz baixa. Um sopro branco saía dos cantos de sua boca e se dissipava como fumaça.

— Pensei no hyung, cerrei os dentes e aguentei. Chegar até este ponto também foi graças a você hyung. Se não fosse por você, teria desistido há muito tempo por ser difícil demais.

Ele dizia sempre “pelo hyung”. Hayul nunca pediu por isso. Nunca disse para ele viver por outra pessoa. Era realmente injusto. O sujeito, por conta própria, colocará a própria vida em jogo e agora dizia “eu vivi por você, então você tem de me aceitar” – era essa a lógica?

— Por que você sempre vive a vida pelos outros, tanto no passado quanto agora?

A irritação transbordou, e suas palavras saíram afiadas e cheias de espinhos.

— A vida que vivi por meu pai foi forçada. Mas a vida que vivo pelo hyung foi minha escolha.

— Eu disse para você viver a SUA vida!

— O hyung é o meu tudo. Você é a minha vida.

Enquanto dizia isso, Pavel apertou a mão que envolvia o ombro de Hayul e o puxou ainda mais para perto de si.

— Há sete anos, eu era imaturo, tolo e estúpido. Mas o eu de agora não é aquele Pavel Yates Headington inexperiente de sete anos atrás.

Os olhos azuis que haviam fitado o campo nevado voltaram-se para Hayul. Eram de um azul intenso quase cortante.

— Fale direito. Você não era estúpido. Já era um maldito pervertido astuto naquela época.

Ao ouvir as palavras rudes de Hayul, Pavel soltou uma risada breve.

— Naquela época, eu não tinha nada, mas transbordava de desejo de posse pelo hyung. Mesmo que eu me casasse com você, não teria nada para te oferecer, mas mesmo assim empurrei minha vontade à força.

— Você ainda impõe sua vontade até hoje, seu filho da puta.

O sujeito parecia achar que havia se tornado muito mais humano – pelo contrário, ficou mais cego e ousado do que antes.

— E a sua capacidade de ação é tão rápida… Seu desgraçado, você planejou tudo de antemão e apareceu na minha frente, não foi? Há quanto tempo estava se preparando para isso?

— Sete anos.

A resposta deixou Hayul sem palavras.

— Desde que meu avô materno foi me buscar no hospital psiquiátrico e me trouxe para a Rússia. Eu já te disse, passei sete anos agendado, enquanto pensava apenas no hyung.

Entre os cabelos negros de Pavel esvoaçantes ao vento, seus olhos azuis brilhavam intensamente. Uma luz clara, como o sol que aparece quando as nuvens escuras se dissipam.

— Eu estou sendo sincero. Sempre fui sincero. Nunca, nem uma única vez, meus sentimentos pelo hyung foram falsos.

A paisagem da planície nevada parecia pintura. O homem, mais anormalmente belo que qualquer imagem, exalava um perfume agradável e, com voz doce, sussurrava uma confissão. Uma situação extremamente perfeita e romântica – se a pessoa que recebia a confissão não estivesse de mãos e pés amarrados. Se aquele belo homem de olhos azuis não fosse o lunático que o amarrou e o trouxe à força até ali.

— O eu de agora tem confiança para tornar meu até mesmo a paisagem e aquele céu que o hyung contemplou fascinado. Posso te dar qualquer coisa que desejar. Posso protegê-lo, não importa o perigo que enfrente. O eu de agora tem poder para isso.

O lunático de olhos azuis recitava a declaração tão perfeitamente que parecia ter sido preparada de antemão. Hayul sorriu com ironia para o homem que olhava para ele com ternura.

— Seu pervertido do caralho, o que está dizendo para a pessoa que você amarra dessa forma?

Hayul ergueu as mãos amarradas e zombou dele.

— Se casar comigo, você não vai se arrepender.

— Pelo menos solte minha mão antes de falar essas besteiras.

— Haha. Eu te amo.

Pavel apertou Hayul com força nos braços e encostou seus lábios macios na bochecha dele. Mesmo quando Hayul se contorcia e estremecia irritado, Pavel apenas ria, como se estivesse se divertindo muito.

— Sabe? De você sai um cheiro de uva madura. No caminho para a casa de campo em Belmark, na época da colheita de uvas, o ar tinha exatamente esse aroma. Eu cheguei a decidir que um dia tornaria aquele vinhedo e até mesmo aquele perfume meus. E agora, o hyung, que tem o cheiro de uva, acabou se tornando meu.

— Não me faça rir. Quem é que disse que eu sou seu?

Pavel, ainda abraçando Hayul que se debatia, enfiou o rosto no pescoço dele e respirou fundo o aroma.

— É a primeira vez que vejo um ômega com cheiro de uva. É bom,… muito bom.

Talvez Pavel fosse o único alfa real com esse aroma cítrico. De repente, Hayul se perguntou se os outros alfas reais também exalavam um cheiro assim. Mas, como havia se tornado ômega há pouco tempo, ele não sabia dizer.

— Eu te amo.

Pavel segurou com uma das mãos a fria mão de Hayul, ergueu-a e beijou o dedo com o anel. Parecia que apenas o ponto onde os lábios dele tocaram derretia em calor.

— Eu te amo, hyung.

A doce confissão se espalhou no vento. Logo em seguida, um estrondoso som de buzina ecoou. Pela janela do banco do passageiro, Viktor colocou a cabeça para fora e gritou:

— Vamos embora, pelo amor de Deus! Deixem as demonstrações de amor para quando chegarem em casa, pelo amor! O Sr. Oleg ligou perguntando por que ainda não chegamos!

Ouvindo aquilo, Pavel ergueu Hayul no colo. Subiram novamente no carro e, cortando o vento, partiram em direção à mansão de Oleg Kirov.

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Continua no Volume 3…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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