Ler Cão Real. – Capítulo 41 Online
De repente, já estavam na Rússia.
Não era como se tivesse esticado as pernas, dormido confortável e, quando abriu os olhos, já estivesse na Rússia. Não, até chegar ali, bastante coisa havia acontecido. Pavel Kirov havia pedido Hayul em casamento, chegou até a colocar um anel em seu dedo – claro, foi à força. Com braços e pernas amarrados, ele se debateu enlouquecido até perder as forças, exausto, e acabou adormecendo. Depois, despertou ao sentir o cheiro da comida, e o próprio Pavel o alimentou com a refeição servida no avião.
Por estar faminto, Hayul comeu tudo o que lhe deram sem reclamar. No entanto, assim que ficou satisfeito, voltou a ter um acesso de fúria. Se debateu sozinho até bater a cabeça no compartimento de bagagem e se machucar. No fim, Pavel, sem suportar mais assistir aquilo, usou os feromônios e o fez dormir novamente.
Quando Hayul abriu os olhos ao sentir o corpo balançar, estava no colo de Pavel, saindo do avião. No começo ele estava relaxado, inerte, mas, de repente, começou a se debater. Pavel estalou a língua e o acalmou, dizendo “Shiiii, fique quietinho”, enquanto dava palmadinhas em seu corpo.
— Onde estamos?
— Na Rússia.
Na verdade, nem precisava ouvir a resposta. Assim que saíram da aeronave, uma rajada de vento cortante os atingiu em cheio. Em apenas um dia, tudo que seus olhos alcançavam havia se transformado em um imenso campo coberto de neve branca. É, acima de tudo, estava extremamente frio. Um gelo tão brutal que Hayul ficou paralisado, incapaz de reagir, de resistir ou sequer de lutar.
Pavel, no entanto, mesmo carregando Hayul, descia as escadas do avião a passos largos, como se nada fosse.
No aeroporto, um carro já os aguardava, alguns homens desceram e se aproximaram do grupo de Pavel. Um deles, vestido com um grosso casaco de pele que mais parecia couro de urso, se aproximou, sorriu e deu um soco amistoso no ombro de Pavel.
— Ouvi dizer que você causou um grande alvoroço nos Estados Unidos. Quem você acha que vai ficar responsável por limpar a bagunça?
— Esse é o seu trabalho, Viktor.
— Desgraçado. Obrigado por me deixar tão ocupado.
Só então Viktor voltou o olhar para Hayul, encolhido nos braços de Pavel, quase congelado.
— Essa é a sua noiva?
Pavel provavelmente respondeu apenas com um olhar, sem precisar abrir a boca. O homem sorriu de maneira sociável e estendeu a mão para um cumprimento.
— Prazer. Sou Viktor, o advogado responsável pela família Kirov.
Hayul apenas girou os olhos e o encarou, irritado. Será que o homem não via que ele estava com as mãos amarradas? Era um sujeito enorme. Tinha uma estatura semelhante à de Pavel, mas seu físico era muito mais largo, parecendo mais um guarda-costas do que um advogado.
— Haha. A sua noiva não é muito de falar, né? Está me deixando sem graça.
Viktor recolheu a mão, coçou a própria cabeça de forma desajeitada e riu. Além de tudo, aquilo era absurdo. Pedir um aperto de mão a alguém algemado, ainda sorrindo de forma cínica… só deixou Hayul ainda mais irritado.
— Por acaso você não fala inglês?
— Está frio.
Hayul forçou os lábios congelados a soltarem uma única frase. O que eles estavam fazendo no meio do aeroporto com aquele vento gelado? Qualquer pessoa com olhos no rosto perceberia que alguém vestindo só uma camisa social e calças finas estaria tremendo até os ossos. Queriam que ele morresse congelado? O ódio explodiu e as palavras saíram na hora:
— Porra, eu vou congelar aqui fora! Se querem conversar, vamos para dentro do carro.
O sorriso desapareceu do rosto de Viktor. Ele ficou com a boca aberta, parecendo um idiota. Pavel, que havia ficado quieto até então, deu uma ordem baixa a Viktor.
— Tire o casaco.
— O quê?
— Tire o casaco e cubra o hyung.
Só então Viktor tirou rapidamente o casaco de pele e o colocou sobre o corpo de Hayul. Finalmente, ele sentiu que poderia sobreviver.
— Mas o que houve, o Sr. Jin machucou a perna? Por que continua carregando ele no colo?
— Porque, no momento em que eu o coloca no chão, ele foge. Por trás desse rostinho fofo, ele é violento e feroz. Como aquele vison que você criava antes.
— O meu vison era um Pomerânia pequeno e branquinho. Tinha um temperamento terrível, mas era lindo.
— O Jin hyung também é pequeno e bonito.
— ……
O rosto de Viktor se contorceu sem piedade. Dava para ver perfeitamente o que ele estava pensando. ‘Droga.’ Hayul xingou mentalmente e enterrou o rosto no forro do casaco de pele. Pavel também estava vestindo roupas finas, mas o maldito parecia não sentir frio algum. Ele andou calmamente em direção ao carro, carregando Hayul nos braços.
O vento estava incrivelmente forte e os flocos de neve começaram a cair. Mesmo tendo passado por treinamento de forças especiais, aquele frio não era do tipo que uma pessoa aguenta vestindo roupas comuns.
Estava congelante. Muito frio. Tudo o que ele queria era ir para um lugar quente e comer algo quente – esse foi o primeiro pensamento de Hayul ao chegar à Rússia.
— Todos ficaram muito surpresos. De repente, você tem uma noiva. Mesmo com os ômegas reais das famílias mais poderosas querendo você, você nem deu atenção. Por isso, todos pensaram que você não tinha intenção de se casar.
Dentro do carro, Viktor falava sem parar. O interior do carro, com o aquecimento ligado, estava quente, chegando a ficar abafado. A estrada devia estar coberta de neve, dificultando a direção, mas o motorista conduzia o carro com habilidade.
— Não é que eu não pensasse em me casar, só não tinha interesse por aquelas pessoas.
Pavel respondeu ao comentário de Viktor com um tom de voz seco. Sentado à vontade, com as longas pernas cruzadas, o maldito começou a acariciar sutilmente a coxa de Hayul.
— A única pessoa pela qual me interessei foi o hyung. Sempre foi e sempre será.
Enquanto dizia isso, ele sorriu para Hayul. Para Viktor, que estava sentado na frente e olhava para trás pelo retrovisor, aquela cena devia parecer a de um amante demonstrando afeto com um toque carinhoso. Mas, nos olhos de Hayul, que olhava para Pavel, transbordava fúria assassina.
— Todos me pareciam tão insignificantes e ridículos.
— Você está bem convencido, hein? As pessoas que se apaixonam por você são de famílias importantíssimas.
— Eu já estou apaixonado pelo Jin hyung há muito tempo.
Como se estivesse provando que não eram apenas palavras, Pavel fitou Hayul intensamente. Seus olhos azuis transbordavam de uma afeição ardente. Viktor soltou um suspiro profundo.
— Pavel, eu sei que é indelicado dizer isso, mas..
— Se acha rude, então não fale.
— Seu humor…. Bom, sendo sincero. Realmente acha que o Sr. Jin é um noivo adequado para a família Kirov?
— Sim.
A resposta não teve uma fração de segundo de hesitação. A mão que acariciava a coxa de Hayul ficou mais descarada. Uma mão úmida e pegajosa deslizou para dentro da virilha, que se agitava. Lá fora, uma nevasca rugia, mas a mão do maldito estava ardente. Dava para sentir perfeitamente o calor da mão mesmo por cima da calça.
Pelo retrovisor não se via abaixo do tronco, mas aquele maldito era capaz de qualquer coisa se o deixassem.
— Não faça isso. — Hayul balançou as pernas e tentou impedi-lo com um olhar. Mas, como era de se esperar, ele ignorou e moveu a mão, apalpando a frente da calça.
— Quem mais poderia ser a noiva adequada para a família Kirov, se não o Jin hyung?
‘Merda, essa história de noiva desse maldito.’
A parte interessada nunca concordou em se casar, mas eles ficavam falando entre si sobre ser um noivo adequado para a família Kirov, como se fosse a maior coisa do mundo.
Em toda a sua vida, ele já tinha pensado em quem traria para casa como sua noiva, mas nunca tinha pensado em se tornar a noiva de alguém. Muito mesmo a noiva de um Alfa Real! Ele sentiu ódio só de pensar na horrível palavra “noiva”, enquanto isso o desgraçado não parava de apalpar e acariciar a frente da calça dele.
— Ele é a pessoa mais adequada para a nossa família Kirov. O Jin Hyung.”
Ele falou docemente e, enfim, tentou descer o zíper da calça de Hayul. Isso foi demais.
— Não faça isso! Seu doente!
Ele se debateu, gritou e, com as duas mãos amarradas, ergueu os punhos e deu um tapa violento no rosto de Pavel, que estava colado a ele. motorista e Viktor, no banco da frente, se assustaram com o gesto.
— Tira a mão de mim! Eu disse para não tocar, seu tarado. O que você acha que vai conseguir amarrando e sequestrando uma pessoa amarrada e trazendo até aqui? Casamento? Noiva? Quem disse que eu vou me casar com você? que há de bom em se envolver com uma família de bandidos?
Ele fez todo o escândalo que podia fazer dentro do carro. Mesmo com os pés e mãos amarrados e sendo levado para um lugar desconhecido, ele não se intimidou nem um pouco e se debateu com toda a força que tinha. Sua resistência era tão intensa que o carro inteiro balançava. Pavel apenas riu, balançando os ombros junto. Parecia um dono batendo palmas para seu animal de estimação, animado e agitado, como se dissesse “vamos, mostre mais”. Por mais que se debatesse, não havia como escapar de dentro do carro – por isso, tudo não passava de uma birra que parecia fofa aos olhos de Pavel.
Viktor, olhando para trás, murmurou de modo sarcástico:
— Realmente, é uma noiva que combina perfeitamente com a família Kirov. Se não fosse esse temperamento, quem seria capaz de aguentar essa família? Seu avô vai adorar.
— Não é?
Pavel respondeu alegremente ao comentário de Viktor. O engraçado era que, mesmo no meio daquela agitação toda, o anel de noivado no dedo anelar da mão direita de Hayul não saía de jeito nenhum. Como se estivesse colado com super cola, grudado no dedo, transmitindo um peso incômodo e brilhando.
Como se estivesse avisando: no final das contas, você vai se casar com Pavel Kirov.
***
Do lado de fora da janela, campos cobertos de neve se estendiam sem fim. Desde o desembarque no aeroporto, já estavam na estrada havia horas, felizmente, a nevasca furiosa que caía havia parado.
Por mais enérgico que fosse, Hayul não tinha condições de lutar durante tantas horas seguidas. Logo percebeu que resistir era só desperdício de energia. Então, em silêncio, apenas esperou a próxima oportunidade, sentado, olhando fixamente para fora.
— Há rumores de que você pretende expandir seus negócios para o mercado americano.
Viktor, que parecia estar resolvendo assuntos de trabalho no carro, quebrou o silêncio.
— E por que está circulando esse boato?
— Porque você matou dois homens nos Estados Unidos. Steve Tavière e Marco. Ambos eram figuras importantes do submundo. Um era conhecido como grande traficante de armas e o outro de drogas. Então é natural que esse boato se espalhe.
Hayul olhava para o infinito campo de neve enquanto ouvia a conversa.
— Não foi com essa intenção.
— Então foi por quê?
— Porque ousaram tocar na minha noiva. Só os eliminei por isso.
Viktor deu uma risada incrédula, virando-se para trás.
— Sério? Você causou toda aquela confusão só por esse motivo?
— Sim.
— Ha… Cara, você realmente… Você tem ideia do tamanho das organizações daqueles dois?
— No fim das contas, não passam de marginais de bairro.
— Steve Tavière controlava as rotas de tráfico de armas não só nos EUA, mas em toda a América do Norte. Marco era um pouco menor, mas tinha um talento comercial notável. Ele não se restringia só ao tráfico de drogas – estendia seus negócios em várias áreas. As conexões dele eram impressionantes. Foi ele quem transformou os serviços de garotos e garotas de programa para acompanhantes de luxo, adaptando-os ao gosto da elite. Pode-se dizer que a maioria da alta classe política e econômica americana fazia parte da clientela dele. Ele oferecia drogas de alta pureza junto com acompanhantes de luxo, então sua popularidade era imensa. Por isso, Marco é ainda mais problemático que Steve Tavière.
— Ah, isso eu não sabia. É verdade mesmo, hyung?
Pavel perguntou com naturalidade, voltando-se para Hayul. Só então Hayul desviou o olhar da janela e virou o rosto para encará-lo.
— Sim.
Na verdade, ele não sabia que até a elite americana estava entre os clientes de Marco, mas fingiu que sim. Só depois de ouvir Viktor é que ele entendeu como Marco conseguia sobreviver no submundo mesmo sendo um alfa. Nunca teria imaginado que o sujeito também estivesse envolvido no negócio de serviços sexuais. Na verdade, mesmo estando sob o comando de Marco, Hayul nunca se interessou em saber detalhes do que ele fazia. Também não tinha interesse. Sua função era simples: quando recebia uma missão de sniper, eliminava o alvo. Nada mais importava além do seu trabalho.
Logo, a voz de Pavel quebrou o breve silêncio:
— Aliás, Marco usava um assassino exclusivo para eliminar os Alfas Reais e, mesmo assim, permanecia ileso. Deve ser porque os clientes de Marco, figuras da alta sociedade, haviam encomendado esses assassinatos. E eles provavelmente também eram seus protetores.
— O Anjo Assassino. O chamado Royal Killer, o Anjo da Morte, não é?
Viktor começou a recitar os feitos lendários do Anjo da Morte.
— Dizem que ele nem sequer é um Alfa, mas um Beta. Já era um atirador de elite famoso desde a época em que serviu nos Navy SEALs. Depois de deixar o serviço ativo, entrou na empresa militar privada PMC Blackwater, depois desapareceu, até reaparecer atuando na organização de Marco. Quando estava nas forças especiais, era sempre “um tiro, uma morte”, sem nunca falhar. Cem por cento de precisão, nunca errou um disparo. Dizem que nem mesmo os oficiais alfas conseguiam superá-lo em habilidade de tiro. Foi o próprio Marco quem lhe deu o apelido de ‘Anjo’ e, desde então, demonstrava um carinho especial por ele.
Ouvir elogios a si mesmo sendo cantados assim, na sua frente, era extremamente embaraçoso. Viktor parecia não fazer ideia de que o homem asiático que havia surtado como um animal selvagem no carro há pouco era o Anjo da Morte. Sua admiração ingênua continuou.
— É realmente um sujeito incrível. Gostaria de conhecê-lo algum dia.
— É o Jin hyung.
Foi Pavel, que ouvia em silêncio, quem murmurou baixo.
— O quê?
— O hyung é o anjo da morte.
Viktor arregalou os olhos, incrédulo, encarando Hayul.
— S-Sério?
Ele ficou tão surpreso que até gaguejou. Hayul apenas acenou com a cabeça silenciosamente. A boca de Viktor se abriu, e um suspiro de espanto escapou dela.
— H-ha, haha… não acredito. O verdadeiro Anjo da Morte? O Anjo da Morte é o seu noivo? Santo Deus. Pavel Kirov, quem diabos você trouxe? O que você fez, cara?
Mas Pavel, ao contrário, parecia francamente incomodado. Seu rosto endureceu, e ele lançou a Viktor um olhar frio ao responder.
— Pelo que lembro, deixei bem claro na nossa ligação anterior, não? Quem tocar em alguém da família Kirov não terá perdão. Não importa quem Marco fosse, ele mexeu com a minha pessoa. Eu disse claramente para você resolver isso e confiei na sua capacidade, Viktor. Então por que você está reclamando agora?
— Mas você não disse que o Anjo da morte era a sua noiva!
— Isso é tão importante assim?
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Continua….
Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online
(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog